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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira (22/4), a contratação de 1 mil novos policiais federais para reforçar o combate ao crime organizado no Brasil. Em vídeo publicado nas redes sociais, Lula detalhou que serão nomeados 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas. A previsão é que até o final deste ano, pela primeira vez na história, todos os cargos da Polícia Federal estejam ocupados.
“Eu recomendei ao meu ministro da Justiça que fizesse uma convocação a todos os agentes da polícia e delegados que estão prestando serviço fora da Polícia Federal, em outros departamentos, para que voltem para a Polícia Federal, porque nós assumimos o compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado. E nós precisamos dos policiais em serviço na Polícia Federal e não em outro serviço”, explicou Lula.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, ressaltou a importância da medida. “Expressa o compromisso do senhor [presidente] como um verdadeiro e efetivo combate ao crime organizado. Não é possível combater o crime organizado sem medidas concretas como essas e outras que o governo adotará”, disse.
No mesmo vídeo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a medida representa um avanço extraordinário para o trabalho da corporação. “É a materialização do seu compromisso e do compromisso do Ministério da Justiça com o real enfrentamento ao crime organizado. Isso vai permitir que a gente amplie a nossa atuação nas regiões de fronteira, em portos, aeroportos na defesa do nosso patrimônio ambiental, dos nossos biomas e com isso a gente preste melhores serviços à sociedade”, declarou.
O Governo do Brasil, por meio do Ministério da Fazenda, anunciou nesta sexta-feira (10/4) uma Cooperação Mútua entre a Receita Federal do Brasil e o U.S. Customs and Border Protection, agência de fronteiras dos Estados Unidos, para o combate ao crime transnacional.
A iniciativa, denominada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), visa integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes.
A cooperação está inserida no contexto do diálogo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e integra uma agenda mais ampla de cooperação bilateral voltada ao enfrentamento do crime organizado transnacional.
A construção da agenda conjunta teve início em janeiro de 2026, após visita técnica a Foz do Iguaçu (PR), que consolidou o alinhamento entre os dois países, com foco especial no fortalecimento da atuação em rotas sensíveis, como a região da Tríplice Fronteira.
Compartilhamento em tempo real
O acordo é sustentado por um arcabouço legal robusto e tem como uma de suas principais entregas o lançamento do Programa DESARMA, sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.
O DESARMA permite o compartilhamento estruturado, em tempo real, de informações entre os dois países, sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis e vice-versa.
A ferramenta registra e organiza dados estratégicos das apreensões, como tipo de material, origem declarada, informações logísticas da carga e eventuais identificadores ou números de série, permitindo o rastreamento da origem desses produtos e o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas.
Além disso, o sistema permite o envio de alertas às autoridades aduaneiras dos países de origem ou procedência das mercadorias apreendidas, fortalecendo a cooperação internacional baseada em gestão de riscos e a integridade da cadeia logística global.