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O que hoje é resíduo da cafeicultura pode se transformar em um importante aliado da produção agrícola. Depois que os grãos de café são beneficiados, sobra um material que, muitas vezes, é descartado: a casca, também chamada de palha. E se esse resíduo pudesse voltar para o campo com uma nova função?
Foi justamente essa possibilidade que motivou um estudo realizado na Uesb, campus de Vitória da Conquista, que investiga o potencial do uso da casca do café como substrato alternativo para a produção de mudas, buscando unir sustentabilidade, baixo custo e melhoria no desenvolvimento das plantas.
Mas o que é um substrato? Embora o termo seja comum na agricultura, muitas pessoas desconhecem seu significado. De forma simples, trata-se de um composto orgânico, utilizado para sustentar o crescimento das plantas, especialmente durante a produção de mudas. Além de dar suporte às raízes, ele ajuda a reter água e disponibilizar nutrientes essenciais para o vegetal.
Pensando nisso e a partir da curiosidade sobre o aproveitamento da casca do café, que é gerada de forma abundante durante o beneficiamento dos grãos e obtida sem custos de produção, os pesquisadores resolveram estudar o potencial da utilização do resíduo como substrato. “Conhecendo os indícios do favorecimento nutricional da palha do café, buscamos testar essa ação e seu potencial para sustentar a umidade das plantas”, explica a professora Rayka Santos, pesquisadora e orientadora da pesquisa.
Os resultados observados reforçam a hipótese inicial. Entre os principais benefícios identificados estão a redução da infestação de plantas daninhas; o aumento da coloração verde das folhas, que indica um melhor estado nutricional; e maior vigor no desenvolvimento das plantas cultivadas com a utilização da casca do café.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que o subproduto contribui para melhorar a estrutura física do solo, contribuindo para a retenção de umidade, a porosidade e o fornecimento de nutrientes às plantas.
A infestação de pragas nas lavouras brasileiras é um problema expressivo e crescente. Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o problema pode reduzir em até 40% a produtividade do setor, gerando perdas que podem chegar até R$ 60 bilhões por ano no Brasil.
Na busca por uma solução sustentável para o problema, os estudantes Shemuel Café, Ana Júlia de Jesus, Maria Clara, Thales Emanuel e Ana Júlia Pinto, Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio das Contas, no município de Ipiaú, utilizaram pimenta malagueta (Capsicum frutescens) e alho (Allium sativum) para desenvolver um tipo ecológico de inseticida.
Orientados pelos professores Lucas Santos e Francisca Jucá, o grupo de cinco alunos explica o porquê da escolha por essas matérias-primas. “Utilizamos pimenta e alho por terem suas propriedades inseticidas e fungicidas naturais. Além disso, são acessíveis, de baixo custo e menos agressivos ao meio ambiente quando comparados aos produtos químicos”, afirmam os jovens.
Com os diferenciais, segundo a equipe, de ser uma alternativa ecológica, de baixo custo e produzida com matérias-primas acessíveis, o inseticida surgiu de um problema real observado no campo, que é o impacto dos agrotóxicos tanto no meio ambiente quanto na saúde humana.
Após os primeiros testes, a ideia é expandir a pesquisa para outras pragas. “O produto já apresentou resultados positivos no controle da cochonilha, o que reforça seu potencial de aplicação real no campo. Pretendemos ampliar os estudos, especialmente voltados ao combate de outras doenças, como a vassoura-de-bruxa, além de aprofundar os testes para validar ainda mais a eficácia”, garante o professor Lucas Santos.