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A Chapada Diamantina ganhou um novo marco cultural. Na noite desta quinta-feira, 21, foi aberta oficialmente a 1ª Feira Literária de Ibicoara (Flibic). Com o tema "O Poder da Oralidade na Literatura e Cultura Brasileira", o evento segue até sábado (23) com programação gratuita, celebrando a riqueza da cultura popular e a palavra como marco da conservação e resgate da memória e identidade regional.
A abertura não poderia ter sido mais emocionante. As crianças do Cordel Renascer tomaram o palco do Teatro Cassio Antônio, no Colégio Estadual de Tempo Integral de Ibicoara (CETI) e encantaram o público ao declamar versos de cordel, dando o tom poético que marcou toda a cerimônia. Quase em reverência ao grande representante da cultura popular e ancião, Mestre Elpídio, presente ao encontro, a apresentação das crianças mostrou a potência do trânsito intergeracional do saber popular.
Órgão colegiado de decisão máxima do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o registro da literatura de cordel como patrimônio imaterial brasileiro. A inclusão foi autorizada por unanimidade em reunião realizada no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Além dos membros do conselho, o encontro contou com as presenças do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), Gonçalo Ferreira. "O cordel é uma manifestação cultural que se tornou filha genuína da inteligência artística brasileira", destaca Gonçalo Ferreira. "O registro é a consequência natural desta importância que o gênero tem para o nosso País", acrescenta o presidente da ABLC. A literatura de cordel nasceu no Norte e no Nordeste do Brasil, mas se expandiu com o tempo para todas as regiões do País, podendo ser encontrada com maior frequência na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. O gênero literário revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista de poetas sobre acontecimentos vividos ou imaginados, sendo parte fundamental da formação cultural brasileira.