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A literatura, a memória e a ancestralidade estarão no centro da FliConquista 2026, que acontece de 12 a 15 de novembro, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista. Em sua quarta edição, a Feira Literária de Vitória da Conquista convida o público a refletir sobre o tema “Trajetórias e narrativas ancestrais na letra e no som”.
A FliConquista 2026 propõe um olhar para a palavra em suas múltiplas manifestações, aproximando literatura, oralidade, memória, música e outras expressões culturais. A temática parte do reconhecimento de que as histórias de um povo não estão apenas nos livros: também vivem nas vozes, nos cantos, nas lembranças, nos saberes e nas experiências transmitidas entre gerações. “É um tema que se atualiza, no cenário atual, pois funciona como uma ponte entre o passado e o presente. Também, ao relacionar o tema com outras linguagens, como o cinema, a música, a dança, o teatro e a cultura popular valorizam-se as culturas que sofreram apagamento pelo racismo e outras formas de exclusão. Em vez de heranças, aborda-se legado que desafia o colonialismo da arte literária”, explica a curadora da feira, Ester Figueiredo.
Durante quatro dias, o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima será espaço de Mesas Literárias, Cinema, Exposições, Teatro, Música, Contação de estórias, Performance, Saraus, Cordel e Lançamentos de livros, promovendo encontros entre leitores, escritores, artistas, estudantes, educadores e público em geral, reafirmando Vitória da Conquista como um importante território de circulação e produção literária e cultural.
A Chapada Diamantina ganhou um novo marco cultural. Na noite desta quinta-feira, 21, foi aberta oficialmente a 1ª Feira Literária de Ibicoara (Flibic). Com o tema "O Poder da Oralidade na Literatura e Cultura Brasileira", o evento segue até sábado (23) com programação gratuita, celebrando a riqueza da cultura popular e a palavra como marco da conservação e resgate da memória e identidade regional.
A abertura não poderia ter sido mais emocionante. As crianças do Cordel Renascer tomaram o palco do Teatro Cassio Antônio, no Colégio Estadual de Tempo Integral de Ibicoara (CETI) e encantaram o público ao declamar versos de cordel, dando o tom poético que marcou toda a cerimônia. Quase em reverência ao grande representante da cultura popular e ancião, Mestre Elpídio, presente ao encontro, a apresentação das crianças mostrou a potência do trânsito intergeracional do saber popular.
Órgão colegiado de decisão máxima do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o registro da literatura de cordel como patrimônio imaterial brasileiro. A inclusão foi autorizada por unanimidade em reunião realizada no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Além dos membros do conselho, o encontro contou com as presenças do ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, e do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), Gonçalo Ferreira. "O cordel é uma manifestação cultural que se tornou filha genuína da inteligência artística brasileira", destaca Gonçalo Ferreira. "O registro é a consequência natural desta importância que o gênero tem para o nosso País", acrescenta o presidente da ABLC. A literatura de cordel nasceu no Norte e no Nordeste do Brasil, mas se expandiu com o tempo para todas as regiões do País, podendo ser encontrada com maior frequência na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. O gênero literário revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista de poetas sobre acontecimentos vividos ou imaginados, sendo parte fundamental da formação cultural brasileira.