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Na última quarta-feira (17), representantes da Prefeitura de Brumado e lideranças dos povos de religiões de matrizes africanas participaram de uma reunião de alinhamento para discutir ações voltadas ao Dia Municipal das Religiões de Matrizes Africanas, Tradições e Nações do Candomblé, celebrado em 21 de junho.
O encontro contou com a presença do chefe do gabinete, Castilho Viana, do secretário de Cultura, Esporte e Lazer, José Ribeiro, do diretor de Cultura, Paulo Esdras, e de representantes dos terreiros do município. A reunião teve como objetivo iniciar o planejamento das celebrações da data para o próximo ano, fortalecendo o diálogo e a valorização das tradições de matrizes africanas em Brumado.
Entre os encaminhamentos definidos, a SECULT ficará responsável pela realização de um mapeamento dos terreiros existentes no município. Já as lideranças religiosas elaborarão um projeto com propostas de ações para a celebração da data em 2027.
A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal com a valorização da diversidade cultural, da ancestralidade e do respeito às diferentes manifestações religiosas presentes em Brumado.
Patrimônio da União (SPU) entregou o Termo de Autorização de Uso Sustentável (Taus) à Sociedade Floresta Sagrada do Alto de Xangô, em Brumado. A medida assegura o uso de 11,6 hectares à comunidade de terreiro, que ocupa a área há pelo menos 16 anos. Ao longo desse período, os integrantes enfrentaram episódios de violência, intolerância religiosa, adulteração de registros imobiliários e degradação ambiental. Em junho deste ano, a Justiça Federal de Vitória da Conquista já havia reconhecido a posse da comunidade sobre parte da Fazenda Santa Inês, fortalecendo a luta pelo direito ao território. Durante a entrega, o defensor regional de direitos humanos na Bahia, Diego Camargo, destacou que a autorização representa um avanço essencial para a segurança jurídica da comunidade. O líder religioso Pai Dionata de Xangô também ressaltou a importância do momento, classificando-o como um marco histórico não apenas pela conquista da terra, mas pelo reconhecimento da ancestralidade, da identidade cultural e da dignidade dos povos de terreiro. Segundo ele, a regularização fundiária é um passo concreto na luta contra a intolerância e na valorização das tradições afro-brasileiras. “Nossa luta vai além da terra. É a luta pela preservação da nossa cultura, da nossa identidade e dos nossos direitos. Hoje é dia de celebrar, mas também de reafirmar o nosso compromisso com a luta, de cabeça erguida”, declarou Pai Dionata. A cerimônia contou com a presença de representantes da SPU/BA, da Defensoria Pública da União e membros da comunidade, simbolizando a união entre Estado e sociedade civil em prol da proteção e valorização dos povos tradicionais.