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A literatura, a memória e a ancestralidade estarão no centro da FliConquista 2026, que acontece de 12 a 15 de novembro, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista. Em sua quarta edição, a Feira Literária de Vitória da Conquista convida o público a refletir sobre o tema “Trajetórias e narrativas ancestrais na letra e no som”.
A FliConquista 2026 propõe um olhar para a palavra em suas múltiplas manifestações, aproximando literatura, oralidade, memória, música e outras expressões culturais. A temática parte do reconhecimento de que as histórias de um povo não estão apenas nos livros: também vivem nas vozes, nos cantos, nas lembranças, nos saberes e nas experiências transmitidas entre gerações. “É um tema que se atualiza, no cenário atual, pois funciona como uma ponte entre o passado e o presente. Também, ao relacionar o tema com outras linguagens, como o cinema, a música, a dança, o teatro e a cultura popular valorizam-se as culturas que sofreram apagamento pelo racismo e outras formas de exclusão. Em vez de heranças, aborda-se legado que desafia o colonialismo da arte literária”, explica a curadora da feira, Ester Figueiredo.
Durante quatro dias, o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima será espaço de Mesas Literárias, Cinema, Exposições, Teatro, Música, Contação de estórias, Performance, Saraus, Cordel e Lançamentos de livros, promovendo encontros entre leitores, escritores, artistas, estudantes, educadores e público em geral, reafirmando Vitória da Conquista como um importante território de circulação e produção literária e cultural.
Na última quarta-feira (17), representantes da Prefeitura de Brumado e lideranças dos povos de religiões de matrizes africanas participaram de uma reunião de alinhamento para discutir ações voltadas ao Dia Municipal das Religiões de Matrizes Africanas, Tradições e Nações do Candomblé, celebrado em 21 de junho.
O encontro contou com a presença do chefe do gabinete, Castilho Viana, do secretário de Cultura, Esporte e Lazer, José Ribeiro, do diretor de Cultura, Paulo Esdras, e de representantes dos terreiros do município. A reunião teve como objetivo iniciar o planejamento das celebrações da data para o próximo ano, fortalecendo o diálogo e a valorização das tradições de matrizes africanas em Brumado.
Entre os encaminhamentos definidos, a SECULT ficará responsável pela realização de um mapeamento dos terreiros existentes no município. Já as lideranças religiosas elaborarão um projeto com propostas de ações para a celebração da data em 2027.
A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal com a valorização da diversidade cultural, da ancestralidade e do respeito às diferentes manifestações religiosas presentes em Brumado.
Patrimônio da União (SPU) entregou o Termo de Autorização de Uso Sustentável (Taus) à Sociedade Floresta Sagrada do Alto de Xangô, em Brumado. A medida assegura o uso de 11,6 hectares à comunidade de terreiro, que ocupa a área há pelo menos 16 anos. Ao longo desse período, os integrantes enfrentaram episódios de violência, intolerância religiosa, adulteração de registros imobiliários e degradação ambiental. Em junho deste ano, a Justiça Federal de Vitória da Conquista já havia reconhecido a posse da comunidade sobre parte da Fazenda Santa Inês, fortalecendo a luta pelo direito ao território. Durante a entrega, o defensor regional de direitos humanos na Bahia, Diego Camargo, destacou que a autorização representa um avanço essencial para a segurança jurídica da comunidade. O líder religioso Pai Dionata de Xangô também ressaltou a importância do momento, classificando-o como um marco histórico não apenas pela conquista da terra, mas pelo reconhecimento da ancestralidade, da identidade cultural e da dignidade dos povos de terreiro. Segundo ele, a regularização fundiária é um passo concreto na luta contra a intolerância e na valorização das tradições afro-brasileiras. “Nossa luta vai além da terra. É a luta pela preservação da nossa cultura, da nossa identidade e dos nossos direitos. Hoje é dia de celebrar, mas também de reafirmar o nosso compromisso com a luta, de cabeça erguida”, declarou Pai Dionata. A cerimônia contou com a presença de representantes da SPU/BA, da Defensoria Pública da União e membros da comunidade, simbolizando a união entre Estado e sociedade civil em prol da proteção e valorização dos povos tradicionais.