Pressione Enter para pesquisar ou ESC para sair
Quando pensa em conhecimento sobre saúde, qual imagem vem à sua cabeça? É provável que sua mente pense em laboratórios sofisticados, tubos de ensaio e ambientes estéreis. Mas este conhecimento nasce em um ambiente muito mais próximo e ancestral: as farmácias vivas presentes em hortas comunitárias e pessoais. Foi pensando nesse conhecimento passado de geração para geração nas comunidades quilombolas que a pesquisa “Percepção de idosos vivendo em remanescentes dos antigos quilombos acerca das medicinas tradicionais” buscou investigar como os idosos de comunidades quilombolas percebem as Práticas Integrativas e Complementares de Saúde, explorando suas opiniões sobre os tratamentos tradicionais e o potencial de integrar essas práticas ao sistema formal de saúde. O estudo foi realizado por mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde (PPGES) e do Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PGMLS) da Uesb, orientada pelos professores Luciana Araújo dos Reis e Ismar Eduardo Martini Filho. Por meio de entrevistas semiestruturadas com 32 idosos de três comunidades quilombolas de Vitória da Conquista: São Joaquim de Paulo, Barrocas e Boqueirão, a pesquisa, de abordagem qualitativa e descritiva compilou e analisou os dados coletados revelando como essas práticas são valorizadas por essa população e como podem enriquecer a assistência em saúde. No percurso da pesquisa, os principais desafios para a realização do estudo incluíram o difícil acesso às comunidades, devido à precariedade das estradas, além da coleta das memórias dos idosos para obtenção de informações. “Essas comunidades mostram um profundo respeito por seus saberes ancestrais, e os idosos expressaram o desejo de ver essas práticas integradas ao sistema de saúde”, destacou Gisele Leles, pesquisadora do PPGES. Os resultados da pesquisa apontaram que os idosos apresentam uma forte confiança nas práticas tradicionais, como os remédios caseiros e o uso de plantas medicinais. “Eles têm grande confiança em remédios caseiros e plantas medicinais, como chás e ervas que cultivam em seus próprios quintais. Além da tradição, essa preferência se baseia em preocupações com medicamentos farmacêuticos e na percepção de que as plantas são eficazes e acessíveis”, destaca Gisele.
No último domingo (10/12), o deputado estadual Marquinho Viana, representante do Partido Verde (PV), marcou presença na emocionante celebração do Dia da Consciência Negra nas comunidades quilombolas da Serra do Ginete, Camulengo e Moitinha, situadas em Barra da Estiva. O evento contou com a participação ativa de líderes políticos locais, incluindo Wilson do Café, e destacadas figuras da administração pública, como o presidente da Câmara, vereador Valter, e os vereadores Fabrício, Zito de Noé e Jurandir, além de membros de comunidades vizinhas e amigos. Marquinho Viana, conhecido por seu engajamento em causas sociais e defesa dos direitos humanos, expressou sua satisfação em participar desse momento significativo. Durante sua fala, o deputado destacou a importância de reconhecer e valorizar a rica herança cultural das comunidades quilombolas, destacando a contribuição histórica e cultural que elas oferecem à sociedade.
Três meses após o assassinato de Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, do Quilombo de Pitanga dos Palmares, na Bahia, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Terra de Direitos divulgaram, nesta sexta-feira (17), um estudo que mostra o crescimento da violência em comunidades tradicionais. Segundo a nova edição da pesquisa Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil, a média anual de assassinatos praticamente dobrou nos últimos cinco anos, se comparado ao período de 2008 a 2017. A morte de Mãe Bernadete, em agosto, não está contabilizada no estudo. Em 2023, há um levantamento preliminar de sete mortes. A pesquisa mostra que, entre 2018 e 2022, houve 32 assassinatos em 11 estados. Ainda de acordo com o estudo, as principais causas desses ataques foram conflitos fundiários e violência de gênero. Ao menos 13 quilombolas foram mortos no contexto de luta e defesa do território. As entidades pretendem entregar o estudo a autoridades do Executivo federal e estaduais e secretarias de Justiça dos estados, além do Poderes Legislativo e Judiciário a partir desta sexta-feira. Na primeira edição da pesquisa (2008 a 2017), havia um mapeamento de 38 assassinatos ocorridos no período de dez anos (2008-2017). A média anual de assassinatos, que era de 3,8, passou a ser de 6,4 ao ano. Em 15 anos, 70 quilombolas foram assassinados.
O Censo Demográfico 2022 mostrou que a população quilombola residente no Brasil é de 1.327.802 pessoas, correspondendo a 0,65% da população. Há 1.696 municípios com população quilombola e 473.970 domicílios particulares permanentes com moradores quilombolas. Dados da pesquisa Censo 2022 - Quilombolas: Primeiros Resultados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região que concentra a maior quantidade é o Nordeste, com 905.415 quilombolas, correspondendo a 68,2% da população quilombola, seguida do Sudeste com 182.305 pessoas e o Norte com 166.069 pessoas, ambas contabilizando 26,24% da população quilombola. Com 5,57% da população quilombola, as regiões Centro-Oeste e Sul têm 44.957 e 29.056 pessoas, respectivamente. A Bahia é o estado com maior quantitativo de população quilombola – 397.059 pessoas –,o que corresponde a 29,90% da população quilombola recenseada. Em seguida vem o Maranhão, com 269.074 pessoas, o que corresponde a 20,26% da população quilombola recenseada. Somando a população quilombola da Bahia e do Maranhão, tem-se 50,17% da população quilombola concentrada nesses dois estados. Roraima e Acre não têm presença quilombola.
Os agricultores e as agricultoras familiares do Quilombo de Vargem Alta, no município de Palmas de Monte Alto, no Sertão Produtivo, estão entusiasmados com a produção da nova casa de farinha, reformada e ampliada, a partir de investimentos do Governo do Estado por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). A nova casa de farinha está gerando renda para as famílias agricultoras da Associação dos Pequenos Agricultores Rurais e Vizinhos da Comunidade de Vargem Alta, beneficiada com investimentos da ordem de R$ 742 mil, via projeto Bahia Produtiva. Os recursos foram destinados à entrega de equipamentos como máquinas de prensa e trituração, extração de fécula, bancadas com cadeiras, além de itens para a base de produção e o serviço de assistência técnica qualificada prestada pela Cooperativa de Trabalho, Assessoria Técnica e Educacional para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Cootraf). A secretária da Associação, Sidalia Montalvão, comemora os resultados das primeiras produções. “Foi muito significante essa reforma, porque é o nosso meio de trabalho enquanto agricultores. Aprendemos pela assistência técnica o modo correto de fabricar a farinha, a tapioca, as rações. Foram ensinamentos desde a higienização até a comercialização dos produtos”, agradeceu.O agricultor Manoel de Lima enfatiza a importância da comercialização dos produtos. “Hoje, a nossa produção é de 10 a 12 sacos de farinha de 50 quilos e estamos vendendo tanto na vila aqui perto, quanto no mercado em Palmas de Monte Alto. Está sendo muito bom e a nossa expectativa é melhorar cada vez mais”, comemorou. O Bahia Produtiva é um projeto executado pela CAR, empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Banco Mundial.
O deputado Marquinho Viana (PSB), recebeu em seu escritório político em Barra da Estiva, Dulcimar, Reinaldo e Gilmar, representando as comunidades de Camulengo, Moitinha e Serra do Ginete, certificadas como remanescentes do quilombo. Os três solicitaram investimentos para as suas comunidades, o que será levado pessoalmente pelo deputado para os órgãos responsáveis.