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O placar esconde metade do jogo: como medir uma seleção de verdade
O Brasil terminou a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 na liderança do Grupo C, com sete pontos, sete gols marcados e um sofrido. Depois, venceu o Japão por 2 a 1 na fase de 32 e caiu diante da Noruega por 2 a 1 nas oitavas. O placar resume a campanha; as métricas explicam como ela foi construída.
Analisar desempenho exige separar resultado, processo e contexto. Uma seleção pode vencer criando pouco, perder após produzir as melhores chances ou manter a posse sem entrar na área. Por isso, departamentos de desempenho cruzam indicadores em vez de tratar uma estatística isolada como diagnóstico.
Sete pontos não contam a história inteira
A tabela informa o que aconteceu, não como aconteceu. O saldo brasileiro na fase de grupos foi forte, mas a leitura precisa considerar adversários, estado do placar e comportamento após abrir vantagem. A eliminação para a Noruega reforçou esse limite: quatro vitórias no torneio não impediram que um jogo encerrasse a campanha antes das quartas.
Em uma competição eliminatória, consistência e sobrevivência não são sinônimos. Uma sequência de bons jogos melhora a estimativa de força da equipe, mas não protege contra um erro de saída, uma bola parada ou uma finalização de baixa probabilidade.
O técnico Carlo Ancelotti avaliou que o Brasil merecia ter saído vencedor da partida deste domingo (5), contra a Noruega. A derrota por 2 a 1 em Nova Jersey (Estados Unidos), com dois gols do atacante Erling Haaland, eliminou a seleção brasileira da Copa do Mundo nas oitavas de final, a pior campanha desde 1990.
"Estamos muito tristes pelo resultado, mas [a Copa] foi uma experiência bonita, com um bom grupo. Quero agradecer aos jogadores, que trabalharam bem, criaram um bom ambiente. Mas no esporte, nem tudo sai perfeito. Acho que [pelo] esforço de hoje não merecia perder, mas temos de reconhecer, também, que a equipe rival tem, como já disse, jogadores muito bons e que fizeram a diferença", disse o treinador, em entrevista coletiva.
Apesar de ter criado oportunidades, o Brasil não as transformou em gols, desperdiçando, inclusive, um pênalti no começo do primeiro tempo, com o volante Bruno Guimarães. Ao longo da partida, a seleção brasileira adotou uma postura de sair no contra-ataque, com a posse de bola dominada pela Noruega. A equipe nórdica trocou praticamente o dobro de passes (581 a 291) em relação à verde e amarela.
"O jogo de hoje me parecia controlado. Tivemos oportunidades. Era complicado fazer uma pressão alta [marcar desde a saída de bola] porque, na Noruega, o [meia Martin] Odegaard recuava muito, então era um risco para deixar o Haaland no um contra um", explicou Ancelotti.
"Eles tentaram manter a intensidade do jogo com a posse da bola. Nós, durante 70 minutos, tivemos o jogo sob controle. Mas o Haaland acabou decidindo", completou o técnico.
O treinador foi perguntado sobre a escolha de Bruno Guimarães para bater o pênalti no primeiro tempo, quando o placar estava 0 a 0. O questionamento se deu pela opção não ter sido o atacante Vinícius Júnior. Segundo ele, dentre os jogadores que estavam em campo, o volante era quem tinha melhor aproveitamento.
"Fizemos uma estatística de um ano, dos [jogadores] rivais e dos nossos. O melhor [em cobranças de pênalti] era Neymar. Daí [os também atacantes] Igor Thiago, Raphinha e depois o Bruno Guimarães. E depois o [atacante Gabriel] Martinelli. Pensamos no que era melhor em campo", justificou o italiano.