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No dia 24 do mês passado, uma grande agenda em Brumado recebeu o Governador Jerônimo Rodrigues, o Senador Jaques Wagner e o ex-governador Rui Costa, entre outras autoridades do primeiro escalão do estado, para anunciar um pacote de obras, o principal deles a autorização para a licitação da obra de esgotamento sanitário de Brumado e também da Vila Presidente Vargas, uma demanda histórica da população.
Tive a oportunidade de fazer chegar ao Governador Jerônimo a memória de que, em maio de 2014, estive sob a coordenação dele na plenária do PGP de Rui Costa na AABB de Brumado, quando ele gentilmente cedeu a mim, então Presidente do PT de Brumado, a honra de apresentar o relatório final do Sertão Produtivo, que destacava os sonhos de nosso povo, muitos até convertidos em realidade, mas o maior sonho de todos os brumadenses - o Sistema de Esgotamento Sanitário – só veio a se concretizar neste último ano de governo de Jerônimo.
O Esgotamento Sanitário para Brumado é uma obra que, literalmente, é um divisor de águas: para a saúde pública, para o desenvolvimento econômico local, para a preservação do Rio do Antônio — que meu avô conheceu como lugar de banho e de vida, que minha mãe ainda viu com vitalidade, mas um Rio que eu já encontrei transformado num esgoto a céu aberto. Enfim, demorou, mas será uma obra que marcará o começo da volta desse rio à sua dignidade.
Aqui neste Agora Sudoeste, foi noticiado a fala do Senador da República Jaques Wagner na visita do dia 24 de abril, que chamou atenção ao utilizar uma expressão popular para destacar o avanço na área de saneamento básico do município. Em seu discurso (ver em: https://www.agorasudoeste.com.br/noticias/brumado/jaques-wagner-cita-cabeca-de-burro-enterrada-ao-elogiar-jeronimo-e-fabricio-por-destravarem-saneamento-em-brumado), Wagner fez referência a entraves de gestões anteriores que impediram o avanço do projeto ao longo dos anos – o que justifica em grande parte a obra não ter avançado nem no governo dele, nem no governo de Rui Costa – declarando o seguinte: “Vocês desenterraram aqui uma cabeça de bode que estava enterrada aqui, que era o saneamento”, e ainda dentro do espírito de bom-humor disse que a obra era como “uma cabeça de burro enterrado”, apontando para a resolutividade de agora porque “o cara chegou logo no início do mandato e desenterrou, e o saneamento vai sair”.
A menção de Wagner ao “cara de início de mandato”, é sobre o fato do atual prefeito, Fabrício Abrantes, ter sucedido uma gestão de 20 anos sob a batuta de um mesmo chefe político, que deixou o poder no último dia do ano de 2024. O que explica também a demora na concretização da obra.
Ao invés de diálogo e articulação entre o Governo do Estado e a gestão municipal, o que existia antes era confronto. Ao invés da busca de soluções e da construção de convergências, o que existia antes era imposição, o mandonismo. Não se trata, portanto, apenas de uma “cabeça de burro” que andava enterrada na cidade. Evidente que é também burrice – embora alguns em Brumadogostem de cantar, em verso e prosa, as capacidades intelectuais do ex-gestor – um político adotar comportamentos tão modernos quanto o Homem de Neandertal, mas está para além disso.
Ao comportamento com o qual a política brumadense estava (mal) acostumada caberia também outra alegoria popular, e complementarmos a fala de Jaques Wagner dizendo que Brumado além de desenterrar uma cabeça de burro, escorraçou o cão raivoso, rabugento, truculento.
Bastou sair de cena o comportamento grosseiro, autoritário e beligerante que marcou a condução do município durante duas décadas, e Brumado começou a descobrir que outra forma de fazer política é possível, na qual os entes federativos, apesar das diferenças ideológicas de seus líderes, cooperam em favor do bem comum.
O resultado desta cooperação, antes de ser bom ou positivo para os políticos, é bom para o povo. Que o diga a quantidade de obras e investimentos que estão chegando, através de recursos do governo federal, do governo estadual e as articulações necessárias do governo municipal. Legitimados pelo voto popular – pilar de nosso sistema democrático – Lula, Jerônimo e Fabrício compreendem que o republicanismo impõe que se deve trabalhar pelo bem comum, não apenas para a parcela da sociedade que converge ideologicamente com eles.
Os brumadenses já tiveram a infelicidade de suportar 20 anos de governo de quem enxergava a condução da máquina pública como extensão de seus domínios particulares, e como veículo de suas ideologias. O Brasil também viveu um tempo nefasto, durante 4 anos, onde um ignóbil dizia, orgulhoso de sua ignorância, que governava mesmo para quem pensava exatamente igual a ele. Em 2022 o povo brasileiro deu a resposta nas urnas, assim como acredito que o povo brumadense continuará votando, seja em quem for, para impedir que cabeças de burro voltem a ser enterradas ou que tenhamos cachorros raivosos à solta na arena pública.
Luiz Frederico Rêgo (Fredinho), é ex-presidente do PT de Brumado