Pressione Enter para pesquisar ou ESC para sair
O calor extremo causado pelo Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23).
O país deve ser o mais afetado na América Latina pelo fenômeno, caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico.
Ao todo, são esperadas, até fevereiro de 2027, 451 mil mortes no planeta com a ocorrência mais intensa do El Niño nos últimos anos.
"Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte", afirma Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor na Universidade de Chicago.
"Esse número (...) inclui pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, complementou o cientista norte-americano, ao alertar sobre a mortalidade.
Pela projeção dos cientistas, por causa do Super El Niño, que começou em junho de 2026, os dias extremamente quentes devem quase dobrar até fevereiro de 2027, ficando pelo menos 1,2 grau Celsius (ºC) acima do normal, em comparação com anos anteriores, o que pode se intensificar no verão.
O Ministério da Saúde começou a disponibilizar, pela primeira vez, a vacina pneumocócica 20-valente conjugada (pneumo 20) para pessoas com 85 anos ou mais. O imunizante já está disponível no SUS para o início da vacinação desse público, ampliando a proteção contra a doença pneumocócica e suas formas graves, como pneumonia e meningite. O objetivo é contribuir para reduzir o risco de complicações, hospitalizações e óbitos entre as pessoas mais idosas. A estimativa é de que mais de 2,3 milhões de pessoas façam parte do público-alvo em todo o país.
Com o avançar da idade, as infecções pneumocócicas tendem a apresentar maior gravidade, risco de complicações e taxas de mortalidade mais elevadas. Entre os fatores que aumentam essa vulnerabilidade, estão o processo natural de envelhecimento do sistema imunológico (imunossenescência), e a maior frequência de comorbidades. Essas condições aumentam o risco de evolução desfavorável das infecções respiratórias, hospitalização e necessidade de cuidados intensivos. Além das consequências respiratórias, podem ocorrer comprometimentos cardíacos, renais e do sistema nervoso central, entre outros.
Dados nacionais reforçam a importância da proteção desse público. Entre pessoas idosas com 80 anos ou mais, a taxa de hospitalização por pneumonia de todas as causas foi de 3.097,7 por 100 mil habitantes em 2024 e de 2.902,7 por 100 mil em 2025. Já entre pessoas com 85 anos ou mais, a taxa de mortalidade por pneumonia foi de 758,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2024 e de 743,1 por 100 mil em 2025.
A nova vacina, a pneumo 20, incorporada no Calendário Nacional de Vacinação em junho deste ano para crianças menores de 5 anos, amplia a proteção contra 20 sorotipos de Streptococcus pneumoniae . A bactéria é apontada como a causa mais comum de infecções respiratórias em todas as faixas etárias. A vacinação é uma importante estratégia para prevenir a doença.
Uma pesquisa recente desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e Saúde da Uesb, campus de Jequié, traz um alerta urgente para a saúde pública: o aumento das Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) no Brasil e no mundo. Essas infecções, muitas vezes adquiridas durante internações, estão se tornando mais perigosas devido à chamada “resistência bacteriana”, quando os antibióticos atuais já não conseguem eliminar os microrganismos.
O impacto é preocupante tanto no aspecto humano quanto no econômico. O estudo aponta que, até 2050, cerca de 3,5 milhões de mortes por ano podem ser atribuídas a essas infecções, um número 4,4 vezes maior que as mortes globais por HIV/AIDS e doenças sexualmente transmissíveis registradas em 2021.
A mortalidade entre pacientes infectados por microrganismos resistentes é duas a três vezes maior do que entre aqueles infectados por microrganismos sensíveis. Além do risco à vida, essas “superbactérias” prolongam o tempo de internação e elevam drasticamente os custos dos sistemas de saúde.
Como os dados foram levantados – Para entender a gravidade do problema, a pesquisadora Karla Rodrigues, sob orientação da professora Gisele Lemos, realizou uma revisão minuciosa de tudo o que foi publicado sobre o tema entre 2019 e 2024. Além da análise global, o estudo realizou um levantamento prático em um hospital público do Nordeste brasileiro, analisando 1.601 pacientes e mais de 2.300 amostras de culturas.
As pesquisadoras identificaram que a principal infecção foi a pneumonia associada à ventilação mecânica, responsável por mais de um terço dos casos analisados. O principal agente envolvido foi a bactéria Pseudomonas aeruginosa, reconhecida pela alta capacidade de resistência a múltiplos antibióticos, o que dificulta o tratamento e aumenta os riscos clínicos. Um dado importante é que o uso excessivo de antibióticos durante a pandemia de Covid-19 acelerou o surgimento dessas bactérias resistentes.