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Crescer de cerca de 7 milhões para 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano não é só uma conta de volume. É uma mudança de escala que multiplica tudo: a quantidade de rejeito gerado, a pressão sobre a logística, o consumo de água e energia, e o olhar das comunidades e dos órgãos de controle. Sem tecnologia aplicada de ponta a ponta, esse salto vira risco. Com ela, pode virar mineração sustentável de fato.
A Cedro Mineração opera hoje nas minas do Gama, em Nova Lima, e em Mariana, no Quadrilátero Ferrífero. A produção atual gira em torno de 7 milhões de toneladas anuais. A meta é chegar a 20 milhões a partir de 2032, priorizando o pellet feed. O número é público e ambicioso. O que decide se ele será viável, do ponto de vista operacional e reputacional, é a capacidade de acompanhar o crescimento com mais controle e menos impacto por tonelada. Em outras palavras, a mineração sustentável deixa de ser um discurso paralelo e passa a ser o que torna a expansão possível.
O risco de crescer sem mudar o método
No modelo tradicional de mineração de ferro, aumentar a produção significa, em geral, aumentar na mesma proporção o volume de rejeito, o tráfego de caminhões e a dependência de estruturas de contenção de lama. Em Minas Gerais, depois de Mariana e Brumadinho, esse caminho ficou mais caro, mais lento e mais contestado.
A expansão para 20 milhões de toneladas só faz sentido se a operação conseguir quebrar essa proporção. Ou seja: produzir mais sem que o impacto e o risco cresçam na mesma velocidade. É aí que a tecnologia deixa de ser melhoria e vira condição para a mineração sustentável.
A Cedro, fundada por Lucas Kallas, já opera sem barragens de rejeitos, com sistemas de filtragem e empilhamento a seco. Isso está descrito no próprio site do grupo. A escolha reduz o risco de liquefação e muda o perfil de ocupação do território. Em uma meta de triplicar a produção, manter esse padrão não é detalhe. É o que permite que o crescimento não reabra o debate sobre grandes estruturas de lama e preserve a base de uma mineração sustentável.
O que muda quando o volume sobe
Com 7 milhões de toneladas, os desafios de disposição de rejeitos, de escoamento e de relacionamento com o entorno já existem. Com 20 milhões, eles se intensificam. A filtragem precisa dar conta de volumes maiores. A ferrovia e o terminal precisam ter folga. O controle de processo no beneficiamento precisa garantir que o pellet feed continue com a pureza necessária.
Se qualquer um desses elos falhar, o custo sobe e a previsibilidade cai. A mineração sustentável, nesse contexto, não é um discurso paralelo à expansão. É o que torna a expansão possível sem repetir os problemas do passado. Quanto maior a escala, maior a necessidade de que cada etapa esteja sob controle real, e não apenas sob intenção. O volume em si não resolve. O que resolve é a capacidade de sustentar o volume com menos vulnerabilidade.
Tecnologia no beneficiamento e no produto
Uma parte central da estratégia de crescimento da Cedro é o pellet feed, concentrado de maior pureza e baixa sílica A estratégia do pellet feed é reforçada pelo fundador, Lucas Kallas. Esse produto permite à siderurgia reduzir emissões de CO₂ em até 50% em rotas adequadas. Quanto maior a parcela de pellet feed na produção total, maior o ganho ambiental na cadeia e mais coerente fica o posicionamento de mineração sustentável.
Produzir esse tipo de concentrado em escala exige controle fino de processo. A tecnologia entra no beneficiamento para garantir estabilidade de granulometria, remoção de impurezas e consistência de qualidade mês após mês. Sem isso, o aumento de volume tende a diluir a qualidade e a perder o diferencial que justifica o posicionamento.
O artigo Por que o pellet feed importa tanto para a mineração brasileira detalha por que esse produto se tornou estratégico. Na prática, ele é uma das alavancas que permitem crescer com menor impacto por tonelada de aço produzido no destino final. Em uma meta de 20 milhões de toneladas, manter a pureza deixa de ser vantagem pontual e vira requisito de competitividade e de mineração sustentável.
Segurança de rejeitos em escala maior
A operação sem barragens, com filtragem e empilhamento a seco, já faz parte do desenho atual da Cedro. Em um cenário de 20 milhões de toneladas, a capacidade de filtrar e dispor o rejeito de forma estável precisa acompanhar o ritmo da produção. Caso contrário, a pressão por voltar a soluções de maior risco aumenta e o discurso de mineração sustentável perde força.
O ponto central é que, em Minas Gerais, a licença social para crescer depende cada vez mais da capacidade de demonstrar controle real sobre os rejeitos. Tecnologia de filtragem e disposição a seco é o que torna esse controle possível em volumes maiores e o que sustenta a prática de mineração sustentável ao longo do tempo.
Logística como limite e como solução
A produção só se transforma em resultado quando o minério chega ao porto com custo e prazo previsíveis. A Ferrovia Serra Azul, com 26,5 km, e o terminal de minério no Porto do Meio, em Itaguaí, com investimento de R$ 3,6 bilhões, foram pensados exatamente para dar suporte à expansão.
Sem essa integração, o crescimento de volume empurraria mais caminhões para a BR-381 e aumentaria a dependência de terminais de terceiros. Com ela, a operação ganha capacidade de escoar quantidades maiores com menos atrito.
A tecnologia, aqui, aparece tanto na operação da shortline quanto no terminal. Previsibilidade de vagões, controle de estoque e eficiência de carregamento são o que permite que a meta de 20 milhões não vire gargalo logístico. Em escala maior, a falta de folga em qualquer um desses pontos se transforma rapidamente em atraso, custo extra e perda de competitividade. A logística eficiente, portanto, também faz parte da mineração sustentável: menos dependência de rodovia significa menos emissão e menos risco por tonelada movimentada.
O que a escala exige de gestão
Triplicar a produção muda a complexidade da operação. Não basta repetir o que funciona em 7 milhões de toneladas. É preciso que os sistemas de filtragem, o beneficiamento e a logística tenham margem. A tecnologia precisa ser dimensionada para o patamar futuro, não apenas para o atual.
O grupo Cedro Participações fatura cerca de R$ 2,5 bilhões por ano e mantém mais de 60 projetos sociais. A presença local e a escala econômica reforçam a responsabilidade: o crescimento precisa ser absorvido pelo território sem gerar novos pontos de tensão. Eficiência tecnológica e controle de risco são parte dessa equação. Sem eles, o aumento de volume tende a gerar mais atrito do que valor, e a mineração sustentável fica só no papel.
A Ferrovia Serra Azul prevê cerca de 6 mil empregos diretos. Esse número também precisa ser lido à luz da escala. Uma operação maior gera mais atividade econômica, mas só se sustenta se a infraestrutura e os processos acompanharem o ritmo. Tecnologia e integração logística são o que permitem que esse crescimento se traduza em previsibilidade, e não em sobrecarga.
O que ainda precisa ser sustentado
Nenhuma meta de volume se realiza só com anúncio. A passagem de 7 para 20 milhões de toneladas depende de execução contínua: manter a filtragem e o empilhamento a seco em volumes maiores, garantir a qualidade do pellet feed e operar a ferrovia e o terminal com regularidade.
Há custos reais envolvidos. Filtrar mais rejeito consome energia. Operar uma shortline e um terminal de grande porte exige gestão e capital. A mineração sustentável, nesse cenário, é o conjunto de decisões que permite absorver esses custos sem perder competitividade e sem reabrir vulnerabilidades.
A pressão de órgãos ambientais, de comunidades e do mercado internacional por menor impacto continua. Quem cresce em Minas Gerais precisa responder a ela com dados e com prática, não só com intenção. A tecnologia é o que torna essa resposta mensurável. Em escala de 20 milhões de toneladas, a diferença entre intenção e entrega fica mais visível e mais cara de corrigir. Por isso a mineração sustentável só se sustenta se estiver embutida na forma de crescer, e não adicionada depois.
Crescer com mais controle
A meta de 20 milhões de toneladas a partir de 2032 só se sustenta se a operação conseguir produzir mais com risco e impacto sob controle. A filtragem e o empilhamento a seco, o foco em pellet feed e a integração logística via Ferrovia Serra Azul e Porto do Meio, em Itaguaí, formam a base desse caminho.
A tecnologia, nesse contexto, não é um adorno. É a condição para que a escala não multiplique os problemas que o setor já conhece. A Cedro tem colocado essas peças no mesmo desenho: produção com pureza, disposição de rejeitos sem barragem e escoamento próprio. O resultado esperado é crescimento com mais previsibilidade e menor vulnerabilidade, ou seja, mineração sustentável aplicada à expansão, e não apenas declarada.
Para acompanhar a trajetória completa e os projetos que sustentam essa estratégia, vale olhar a página de biografia e os artigos já publicados no blog. Conheça a trajetória e os projetos que sustentam a expansão em lucaskallas.com.
No mês em que é comemorado o Meio Ambiente, a RHI Magnesita, líder global em soluções refratárias, compartilha os avanços da agenda ambiental no Brasil, com a realização de projetos voltados à recuperação ambiental, educação, preservação hídrica e gestão preventiva de riscos. As iniciativas fazem parte da estratégia ESG da companhia e vêm sendo ampliadas em Minas Gerais e na Bahia, estados que concentram operações importantes da empresa no país.
Entre os destaques está a consolidação da rede de viveiros ambientais da companhia, atualmente presente em Brumado (BA), Santaluz (BA), Coronel Fabriciano (MG) e Onça do Pitangui (MG), com capacidade conjunta atual de até 30 mil mudas por ano. Em 2026, a empresa prevê a implantação de um novo viveiro em Uberaba (MG), com capacidade estimada de produção de 20 mil mudas por ano. Somadas, as iniciativas apoiam ações de reflorestamento, arborização urbana, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental em comunidades e escolas públicas.
“Na RHI Magnesita, entendemos que sustentabilidade precisa estar integrada à operação, às comunidades e às pessoas. Nossos projetos ambientais combinam eficiência operacional, preservação dos recursos naturais e formação ambiental, gerando impactos de longo prazo nos territórios onde atuamos”, afirma Carlos Eduardo Rodrigues, gerente de Meio Ambiente da RHI Magnesita na América do Sul.
Em Minas Gerais, a companhia também vem ampliando projetos voltados à recuperação ambiental e à preservação hídrica. Na unidade de Ponte Alta, em Uberaba (MG) a empresa reduziu em 50% o consumo de água após a implantação de um sistema de monitoramento diário de indicadores, capacitação de equipes e identificação de pontos de vazamento. Já em Brumado (BA), a operação alcançou 90% de recirculação e reuso da água industrial, evitando o consumo de aproximadamente 998 metros cúbicos de água por hora.
As iniciativas de gestão hídrica incluem ainda projetos de reaproveitamento de água em processos industriais, estudos para ampliação da segurança hídrica das operações, uso de supressores de poeira para redução do consumo de água e preservação de 22 nascentes na região da Serra das Éguas, na Bahia.
Outro destaque da agenda ambiental da RHI Magnesita é o projeto “O Frete Muda”, iniciativa que leva ações de reflorestamento para a cadeia logística da empresa. O programa engaja transportadoras parceiras na recuperação de áreas degradadas por meio da doação e plantio de mudas produzidas nos viveiros da empresa.
“A agenda ambiental exige planejamento, investimento contínuo e atuação integrada. Nosso foco é ampliar projetos que possam gerar benefícios ambientais concretos e fortalecer uma cultura de prevenção e responsabilidade compartilhada”, completa Rodrigues.