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A Prefeitura de Brumado criou o Selo Empresa Amiga da Mulher Brumadense, iniciativa que reconhece empresas do município que adotam ações voltadas à valorização das mulheres, à promoção da igualdade e à prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher. A medida foi instituída pelo prefeito Fabrício Abrantes por meio do Decreto nº 133, de 8 de setembro de 2026.
A proposta busca aproximar o setor empresarial das políticas de proteção e promoção dos direitos das mulheres, valorizando empresas que desenvolvem ações permanentes nesse campo. O selo também pretende estimular a parceria entre o Poder Público, a iniciativa privada e a sociedade civil na construção de ambientes de trabalho mais seguros, inclusivos e igualitários.
Entre as iniciativas que poderão levar à certificação estão campanhas e capacitações sobre prevenção à violência contra a mulher, ações de conscientização, contratação de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, incentivo à presença feminina em cargos de liderança e medidas que promovam igualdade de oportunidades e equiparação salarial.
Também poderão ser reconhecidas empresas que ofereçam acolhimento e orientação a trabalhadoras em situação de violência, apoiem projetos e campanhas da rede de proteção às mulheres ou desenvolvam outras ações de valorização e promoção da equidade. Para receber o selo, pelo menos uma das práticas apresentadas deverá estar diretamente relacionada à prevenção ou ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Podem solicitar a certificação empresas que atuem em Brumado e comprovem a realização de práticas compatíveis com os objetivos da iniciativa. A documentação será analisada por uma Comissão de Avaliação, responsável por verificar o cumprimento dos critérios estabelecidos.
As empresas certificadas receberão reconhecimento oficial da Prefeitura e poderão utilizar a identidade visual do selo durante o período de validade, que será de dois anos, com possibilidade de renovação. A relação das empresas reconhecidas e as boas práticas desenvolvidas também poderá ser divulgada nos canais institucionais do Município, respeitando a legislação de proteção de dados e a privacidade das mulheres envolvidas.
Além da certificação, a iniciativa prevê a participação de empresas interessadas em ações educativas e campanhas promovidas pelo Município, como as atividades do Agosto Lilás. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania poderá realizar encontros, orientações e campanhas para estimular a adoção gradual dessas práticas e preparar empresas para futuras certificações.
A rede municipal de ensino de Brumado promove, durante o mês de julho, uma série de atividades em alusão ao Julho das Pretas, movimento que destaca a valorização da mulher negra latino-americana e caribenha e reforça o combate às desigualdades de gênero e raça por meio da educação. A iniciativa integra o calendário pedagógico das escolas municipais.
Celebrado nacionalmente desde 2013, o Julho das Pretas busca ampliar o debate sobre direitos, resistência, identidade e protagonismo das mulheres negras. Em Brumado, a temática começou a ser trabalhada nas escolas em 2025 e, neste ano, ganhou maior alcance, passando a integrar as atividades de todas as unidades da rede municipal de Ensino Fundamental II.
De acordo com a coordenadora do Ensino Fundamental II, professora Ana Lúcia Gama, a ampliação do projeto representa um importante avanço na valorização da cultura afro-brasileira e na formação cidadã dos estudantes. "Em 2025 foi um trabalho mais intimista, desenvolvido dentro das salas de aula, geralmente conduzido pelos professores de História. Neste ano, conseguimos ampliar essa discussão para toda a rede, fortalecendo um trabalho que desperta reflexão, consciência e pertencimento", destaca.
A coordenadora também ressalta a importância da representatividade no ambiente escolar. "Sou uma professora negra à frente de muitos estudantes negros e, sobretudo, pobres e historicamente excluídos da sociedade. Essa mobilização representa força, resistência, inspiração, luta e dá voz a tantas pessoas que precisam ser ouvidas", afirma.
Além das discussões em sala de aula sobre direitos, deveres, resistência e pautas contemporâneas, os estudantes participaram de oficinas durante o turno integral, conhecendo a história dos turbantes africanos e aprendendo a confeccionar a tradicional peça.
Mais do que um acessório, o turbante é reconhecido como um símbolo de resistência, identidade e ancestralidade. Ao longo da história, suas diferentes amarrações representaram identidade étnica, posição social e estado civil em diversas culturas africanas. Nas Américas, tornou-se um importante símbolo da luta contra a escravidão e o racismo, além de possuir forte significado espiritual nas religiões de matriz africana.
Segundo Ana Lúcia Gama, o trabalho desenvolvido nas escolas está fundamentado na Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica.
"A culminância é apenas uma etapa de um trabalho permanente de sensibilização desenvolvido com nossos professores desde a Jornada Pedagógica. É um processo de formação cidadã que ultrapassa os muros da escola e contribui para a construção de uma sociedade mais consciente, respeitosa e comprometida com a igualdade", ressalta.