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O pré-candidato a prefeito de Brumado, Guilherme Bonfim (PT), está se mobilizando para evitar a desativação da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), que há mais de 60 anos liga o estado da Bahia a Minas Gerais. Bonfim, se encontrou na manhã desta quinta-feira (27/06) com governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), para articular um agenda em Brasília para discutir o futuro da ferrovia. A FCA enfrenta atualmente desafios significativos que ameaçam sua continuidade. Entre os principais problemas estão o aumento dos custos operacionais, a redução da agilidade e disponibilidade da matéria-prima, além de preocupações com a segurança e impactos ambientais. Diante deste cenário preocupante, a possibilidade de desativação do trecho que passa por Brumado se tornou uma questão urgente.
Determinado a encontrar soluções, Guilherme Bonfim se dirigirá à capital federal para dialogar com autoridades e buscar alternativas viáveis para impedir o fechamento da ferrovia. "A FCA é vital para a economia e o desenvolvimento da nossa região. A desativação traria impactos negativos não só para Brumado, mas para todo o estado da Bahia", afirmou Bonfim. A expectativa é que, com essa articulação em Brasília, sejam encontradas medidas que possam garantir a continuidade das operações da ferrovia, preservando assim um importante patrimônio histórico e econômico da região.
A VLI Multimodal S.A, empresa que administra a Ferrovia Centro-Atlântica desde 1996, está buscando a renovação antecipada, por mais 30 anos, da outorga para operação da Ferrovia. A FCA possui mais de 1800 km de trilhos dentro da Bahia e a não inclusão do estado nos investimentos prometidos pela empresa tem gerado revolta entre empresários e setores do Governo Estadual envolvidos no assunto. Durante audiência pública para discutir o assunto, promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nos dias 3 e 4 de fevereiro passados, o presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Antonio Carlos Tramm, se posicionou contra a concessão nos moldes como está sendo proposta. Segundo ele, “A pergunta que precisa ser respondida é: o que a VLI deixou de fazer pelo desenvolvimento da Bahia e o que ela pretende fazer para compensar todos esses anos de inação. No porto de aratu, por exemplo, a VLI não só tirou os trilhos como também os dormentes do ramal ferroviário”. Para Tramm, durante os 25 anos de concessão, a FCA/VLI não trouxe nenhum benefício para a economia baiana. Pelo contrário, ocorreu uma piora do serviço, com redução contínua da malha ferroviária, do número de localidades atendidas e do tráfego de trens. Na Bahia, ao invés de projetos de modernização e de melhoria no atendimento dos usuários, chama a atenção a imagem de abandono e sucateamento da nossa malha ferroviária, reflexo direto da falta de manutenção por parte da concessionária Paradoxalmente, a VLI alega que não há demanda que justifique investimentos na malha baiana. Por outro lado, empresas que dependem de logística em larga escala como as do Polo Petroquímico e as mineradoras baianas se queixam da falta de uma malha ferroviária que se adeque às suas necessidades. Segundo levantamento feito em 2018, apenas a Colomi Iron, em Sento Sé, possui demanda para 20 milhões de toneladas por ano de minério de ferro para ser transportado. A lista de potenciais usuárias da ferrovia inclui Mineração Caraíba, Atlantic Nickel, Largo Resources, dentre outras. Os grupos interessados em ver a FCA voltar a ser uma opção real de logística para a Bahia já requereram à ANTT que adie a decisão sobre a renovação da outorga para a VLI, promova um novo estudo de demanda da ferrovia e faça uma nova consulta pública sobre este assunto, desta vez na Bahia. Uma alternativa defendida pelos empresários e políticos baianos seria retirar o corredor Minas/Bahia do contrato com a VLI e promover uma nova licitação deste trecho. “O estado da Bahia, com toda sua dimensão espacial e socioeconômica, não pode ficar mais 30 anos sem um modal ferroviário que funcione de verdade”, conclui Tramm.