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A Prefeitura de Brumado, no sudoeste da Bahia, encaminhou ofícios à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e à estatal Infra S.A. solicitando pareceres técnicos sobre a viabilidade de deslocar o traçado da linha férrea da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) que atualmente corta a área urbana do município.
De acordo com informações do Bahia Notícias, os documentos — datados de 16 de junho — mostram que o projeto ainda depende de autorização técnica federal para avançar. A proposta integra uma articulação do prefeito Fabrício Abrantes (Avante) junto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro da Casa Civil, Rui Costa.
O plano prevê que o novo traçado da ferrovia acompanhe a BR-030, margeando o perímetro urbano e liberando o centro da cidade para novos investimentos e melhorias na mobilidade.
Nos ofícios assinados por Abrantes, o gestor afirma que o objetivo é “mitigar os impactos urbanos, ambientais e sociais” provocados pelo tráfego de trens de carga — especialmente de minério — em áreas residenciais e comerciais.
Além dos dois ofícios enviados aos diretores da ANTT e da Infra S.A., o conjunto de documentos inclui um mapa técnico intitulado “Estudo Desvio da Ferrovia”, que detalha o traçado proposto e foi anexado ao material enviado a Brasília.
Segundo a Secretaria de Planejamento Municipal (Seplan), o redesenho busca compatibilizar o crescimento urbano com a segurança ferroviária e as diretrizes de mobilidade sustentável.
O Bahia Notícias também teve acesso a e-mails que confirmam o envio dos documentos e mapas técnicos no mesmo dia, com encaminhamento coordenado diretamente pelo gabinete do prefeito.
O tema está sob análise da Casa Civil, que deve coordenar as articulações com o Ministério dos Transportes. O parecer das duas instituições será determinante para a continuidade do projeto, que ainda não possui cronograma nem estimativa de custos.
O governo federal oficializou o acordo com a VLI Logística para a renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que seguirá sob administração da companhia por mais 30 anos. A confirmação foi feita por fontes ouvidas em primeira mão pelo Diário do Comércio. O Ministério dos Transportes enviou um ofício à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aceitando a proposta da empresa. Após a aprovação técnica pela agência, o plano de outorgas seguirá para o Ministério e, posteriormente, será protocolado no Tribunal de Contas da União (TCU). Um dos pontos decisivos para o fechamento do acordo foi a garantia da continuidade da operação no trecho Minas–Bahia, que liga Corinto (MG) a Campo Formoso (BA), passando por Brumado, no sudoeste baiano. A renovação encerra um processo de negociação iniciado em 2015, às vésperas do fim do atual contrato, previsto para agosto de 2026. O novo compromisso prevê R$ 30 bilhões em outorgas e investimentos, sendo R$ 12 bilhões destinados a Minas Gerais. Além disso, a VLI propôs ajustes no cronograma de pagamentos à União, sem prejuízo do valor total. O adicional de vantajosidade, de R$ 400 milhões, e as indenizações, de R$ 600 milhões, passarão a ser pagos em dez parcelas anuais sucessivas. “Houve consenso no processo negocial após a alteração do número de parcelas, o que representa a conclusão do ajuste, alinhado ao interesse público e às diretrizes da política ferroviária nacional”, afirmou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, em documento encaminhado nesta terça-feira (12) ao diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.
A RHI Magnesita, gigante global na produção de soluções refratárias, reforçou a importância da renovação da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada atualmente pela VLI, especialmente no trecho que liga Minas Gerais à Bahia. A empresa, que está presente há 75 anos em Brumado, no sudoeste baiano, considera o corredor ferroviário um elo essencial para garantir a competitividade de sua produção e logística. Em entrevista ao Correio 24 Horas, Wagner Sampaio, presidente da RHI Magnesita para a América Latina, afirmou que a continuidade do trecho Minas-Bahia é vital. “Nós atuamos junto ao governo para defender que a ferrovia continue operando. Que se façam os investimentos necessários para torná-la mais eficiente, mas ela não pode deixar de operar”, declarou. “Esta é uma matéria-prima estratégica, precisamos continuar contando com a solução logística que envolve a ferrovia e o porto”, completou. A declaração ocorre em meio à indefinição sobre a renovação por mais 30 anos da concessão da FCA, cuja malha ferroviária tem papel crucial no escoamento da produção baiana até o Porto de Aratu, na Região Metropolitana de Salvador, de onde os produtos são exportados. Recentemente, a RHI Magnesita investiu R$ 541 milhões na implantação de seu maior forno rotativo em Brumado. Com capacidade de produção de 500 mil toneladas de magnesita por ano, a planta baiana opera com tecnologia de ponta e serve como vitrine internacional, como foi evidenciado no evento Mag Fórum, realizado esta semana na Praia do Forte. Apesar do otimismo com os avanços tecnológicos, a empresa reconhece que a logística atual ainda representa um gargalo. Gustavo Franco, chief customer officer da RHI Magnesita, destacou os desafios enfrentados. “Precisamos pensar em termos de competitividade. Não adianta produzirmos a um custo alto porque o mercado é global”, explicou. Franco também alertou para a estagnação do crescimento do setor nos próximos anos — estimado em menos de 1% — o que reforça a necessidade de uma operação logística eficiente. “A tecnologia que operamos em Brumado é o estado da arte, trouxemos o mundo inteiro para ver o que estamos fazendo. Agora, aquele produto que sai do forno competitivo precisa chegar ao porto em condições de disputar o mercado. Sem um transporte competitivo, a viabilidade econômica evapora”, concluiu. A posição da RHI Magnesita evidencia o papel estratégico da infraestrutura ferroviária para a indústria nacional e lança um alerta sobre os impactos que a interrupção do trecho Minas-Bahia pode causar à cadeia produtiva e à economia regional.
Na manhã desta segunda-feira (26), foi registrada uma colisão envolvendo um trem e um automóvel nos trilhos situados na Rua Pompilo P. Moura Ribeiro, nas imediações do SAC e a Faculdade UNEB, no centro de Brumado. Um casal, natural de Livramento de Nossa Senhora, estava no veículo e seguia sentido a Vitória da Conquista. A mulher relatou que, durante a travessia nos trilhos, o homem não percebeu a aproximação do trem. Com o impacto, o automóvel foi jogado para fora dos trilhos. O casal não se feriu. A Polícia Militar esteve no local.
A Brazil Iron Mineração Ltda, que possui um projeto de mineração de ferro em Piatã e em Abaíra, poderá executar um segmento de 70 quilômetros de ferrovia entre os municípios de Abaíra, local do terminal ferroviário que pretende estruturar, e Brumado. Segundo informações do Correio da Bahia, a empresa solicitou permissão ao Ministério da Infraestrutura (Minfra) para implantar a ferrovia e um terminal ferroviário privado. É o primeiro pedido de um empreendimento localizado na Bahia, com base no novo instrumento de autorização ferroviária. O projeto prevê 120 quilômetros de trilhos, com conexão à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e futuramente à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Inicialmente, a empresa quer executar um segmento de 70 quilômetros, entre os municípios de Abaíra, local do terminal ferroviário que pretende estruturar, e Brumado. O trecho conectará a mina Mocó, em Piatã e outros direitos minerários que a empresa possui no estado, ao entroncamento com a Fiol, próximo a Brumado.