Pressione Enter para pesquisar ou ESC para sair
Os primeiros efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos começam a aparecer nas exportações da Bahia. Segundo análise da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), embora o comportamento das exportações para o mercado americano tenha sido, inicialmente, mais resiliente do que o das exportações totais do estado, os dados já apontam impactos significativos sobre setores estratégicos da economia baiana, principalmente entre alguns dos produtos que foram sobretaxados.
Na comparação entre os meses de julho e agosto de 2025, as exportações totais da Bahia registraram queda de 19,4%, passando de US$ 934,6 milhões para US$ 753,7 milhões. Na contramão desse movimento, as exportações baianas para os Estados Unidos aumentaram 9,8% no mesmo período, atingindo US$ 64,1 milhões.
Apesar do crescimento agregado, o detalhamento por tipo de produto revela que o aumento foi impulsionado, principalmente, por itens isentos de sobretaxa, cujas vendas mais do que dobraram (alta de 136,7%). Já os produtos afetados diretamente pelo tarifaço viram suas exportações recuarem 42,8%.
Diferente do resultado nacional, que a despeito da redução dos preços teve suas exportações impulsionadas pela quantidade recorde exportada, as vendas externas baianas tiveram um recuo de 18,9% no comparativo anual. O resultado foi puxado por uma queda de 11,8% nos preços como também pela redução no volume embarcado em 8%, principalmente de derivados de petróleo, que liderou as vendas externas baianas em 2022. No acumulado do ano, as vendas externas do estado alcançaram US$ 11,29 bilhões, bem abaixo dos US$ 13,92 bilhões do ano anterior. No mês de dezembro, as exportações alcançaram US$ 1,07 bilhão, com crescimento de 6,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior (até então, apenas em fevereiro as exportações tiveram incremento mensal em relação a 2022). As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em cenário de queda de preços no mercado internacional, as exportações baianas tiveram recuo de 5,2% no primeiro trimestre, na comparação interanual, alcançando US$ 2,47 bilhões. O volume embarcado, por sua vez, teve crescimento de 8,8% no mesmo período (3,57 milhões de toneladas), mas foi superado pela redução nos preços, que chegou a 13%, determinando o resultado negativo no período. No acumulado dos três primeiros meses do ano as importações também perderam força e registraram queda de 10,8%, atingindo US$ 2,53 bilhões. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A desaceleração da economia mundial e a mudança em direção ao protecionismo econômico estão resultando em uma tendência de preços menos aquecidos principalmente para commodities energéticas, como petróleo e minerais. Esse quadro, porém, pode ser superado pela retomada da economia chinesa e pelos cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que reúne países exportadores da commoditie, elevando as cotações do produto a médio prazo. Também com o escoamento da boa safra de grãos, a partir de abril, há possibilidade de reversão já no próximo trimestre do atual cenário desfavorável.
No primeiro mês do ano, as exportações baianas caíram 35,8% comparadas a igual mês do ano passado, atingindo US$ 603,4 milhões. A queda reflete ainda o cenário de desaceleração da economia global, mesmo com alguns sinais de reversão de perspectivas mais negativas. Contribuiu ainda para o menor desempenho da atividade, a parada para manutenção programada da Refinaria de Mataripe no final do ano passado e a queda dos volumes embarcados e a estabilidade dos preços da soja no mês, o que se deve tanto à entressafra, como à desvalorização do dólar e à redução da demanda externa, que também aguarda a evolução da colheita para fazer novas aquisições, por valores mais atrativos. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As importações somaram US$ 978,1 milhões, e também tiveram queda de 36,1% em relação a igual mês do ano passado. Embora seja esperada uma queda no comércio exterior este ano, em relação a 2022, ainda é cedo para se dizer que o recuo tanto de exportações como de importações em janeiro já seja uma nova tendência. Em termos de preço houve aumento tanto em exportações quanto em importações. Os preços médios dos produtos embarcados em janeiro subiram 0,5% em relação a igual período do ano passado. Nas importações, a variação foi mais alta de 6%, na mesma comparação. Houve comportamento semelhante nos volumes, com queda de 36,1% no quantum das exportações e recuo de 39,7% nas importações. No recorte por atividade econômica, houve avanço nas exportações da indústria extrativa (+58,4%), especialmente nos embarques de minério de níquel. Em compensação, houve redução nos setores de maior peso na pauta: a indústria de transformação recuou (- 51,9%) e a agropecuária (-35,4%). Já em relação às importações, houve aumento nas compras de bens intermediários (+6%) e bens de consumo (+40,3%); mas queda nas compras de combustíveis (-67,1%) e bens de capital (-12,7%).
A receita de exportação da Bahia em novembro atingiu US$ 1,18 bilhão subindo 31% contra igual mês de 2021, com alta de 59,2% nos volumes e queda de 17,8% nos preços médios. Já as compras externas foram a US$ 773,9 milhões com recuo de 14,5% em valor e com queda de 37,5% nos volumes. Os preços dos produtos importados, porém, continuaram subindo, com alta média de 37%. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan). Assim como em outubro, o valor das exportações baianas avançou em novembro puxado principalmente pelo aumento do volume embarcado, que aceleraram mais que os preços médios, na comparação com igual mês do ano passado. As importações, porém, caíram em valor e em volume em novembro, na mesma comparação, mas tiveram aumento de preços ao contrário das exportações. Com a mudança recente na dinâmica de preços, com os termos de troca seguindo em declínio, - alta nos preços das importações e queda nos das exportações, as vendas externas baianas devem encerrar o ano comandado pelo quantum, enquanto nas importações, o efeito preço passa a preponderar. No recorte por atividade econômica, houve avanço nas exportações da indústria de transformação (+55,8%), da agropecuária (+53,1%), e queda na extrativa (-53,2%).