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A 9ª edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê) chegou ao fim com números que reafirmam a dimensão alcançada pelo evento. Durante quatro dias, cerca de 40 mil pessoas passaram por Mucugê, vindas de 82 municípios baianos, 14 estados brasileiros e cinco países. A movimentação também contribuiu para a economia local, com 100% de ocupação de hotéis e pousadas.
Foram mais de 160 horas de programação, realizadas simultaneamente em mais de dez espaços, com 72 lançamentos de livros e sessões de autógrafos, 10 shows musicais, 17 obras cinematográficas, quatro sessões de teatro, 43 atividades para as infâncias, 15 ações voltadas às juventudes e 32 rodas de conversa e mesas.
Visitando a feira, o secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, apontou que a longevidade da Fligê demonstra sua consolidação e importância. “A Fligê tem um papel fundamental não só para a Bahia, mas também para o Brasil, ela reverbera. Chega à sua nona edição, o que mostra que está consolidada”, disse o secretário. “Ela é fundamental não só pra Bahia, porque foi uma das primeiras aqui no interior do estado, mas também para o Brasil. Estamos aqui buscando essa fonte para estar inspirando através do Mapa dos Eventos Literários do Brasil”, complementou.
A feira também teve forte participação educacional, envolvendo 16 escolas e cerca de 4 mil estudantes, além da apresentação de 66 projetos estudantis. Participaram ainda 16 editoras, como Solisluna, Arpilera, Raiz, Nocego, Segundo Selo, Cogitto, Sagga e a Philos, além da Livraria LDM e as editoras universitárias da UESB, UNEB, UESC, UEFS, UFBA e da UFRB.
Para a curadora da Fligê, Ester Figueiredo, a edição ampliou a projeção cultural e econômica do evento. “A edição da Fligê 2026 apresentou uma programação com presença de escritores e escritoras premiadas, uma produção regional e territorial, como também nacional, muito diversa, e um perfil de público mais engajado, interessado na produção literária, proveniente de vários estados do Brasil e também de outros países”, disse Figueiredo.
O escritor e poeta Maurício Campos Brito prepara o lançamento de Porteira Diamantina — Versos Tanhaçuenses, obra literária que transforma em poesia as paisagens, memórias, tradições e sentimentos da Chapada Diamantina.
Natural de Tanhaçu, o autor desenvolve uma escrita marcada pelo regionalismo poético, pela linguagem rebuscada, pelo existencialismo e por influências da literatura gótica contemporânea. Seus textos transitam entre a contemplação da paisagem sertaneja, os conflitos humanos e a profundidade filosófica presente em obras como Itinerário Poético das Sombras, livro autoral que consolidou sua identidade literária através de poemas sombrios, reflexivos e carregados de simbolismo.
Em Porteira Diamantina, Maurício Campos Brito presta homenagem à cultura chapadeira por meio de versos que percorrem simbolicamente cidades como Ituaçu, Barra da Estiva, Ibicoara, Rio de Contas e Iramaia, exaltando a força cultural, histórica e afetiva da região.
Além da produção autoral, o escritor também possui participação ativa em eventos e movimentos literários pelo Brasil, integrando antologias nacionais e participando de feiras culturais e literárias. Em 2025, esteve presente na FLIRCONTAS — Feira Literária de Rio de Contas 2025, fortalecendo sua atuação na cena literária baiana e ampliando o alcance de sua produção poética.
Segundo o autor, Porteira Diamantina nasce como uma celebração da memória nordestina e da identidade do povo sertanejo.
“A Chapada Diamantina não é apenas paisagem. Ela é memória, é tradição, é resistência e poesia viva.”
Com atmosfera intimista e forte identidade regional, a obra busca além de homenagear as cidades de Tanhaçu, Ituaçu, Barra da Estiva, Ibicoara, Rio de Contas e Iramaia, aproximar literatura e pertencimento dentro da cena cultural regional, valorizando a Chapada Diamantina através da arte e da poesia.
O lançamento oficial do livro deverá acontecer nos próximos meses, acompanhado de ações culturais, divulgação regional e projetos de incentivo à literatura no interior da Bahia.