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O mês de setembro marca a campanha nacional de conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. Em Brumado, a enfermeira Daiara Dourado, integrante da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do Hospital Municipal Professor Magalhães Neto, destacou que o município enfrenta queda no número de protocolos desde 2023, quando foi registrada a última doação.
Segundo ela, a falta de informação e o preconceito ainda são barreiras. “Falta conhecimento. Muitas pessoas têm preconceito com relação ao tema. A morte gera luto, tristeza e isso acaba influenciando nessa diminuição”, afirmou em entrevista à Rádio Câmara FM.
A Bahia tem atualmente 2.156 pacientes na fila por um rim, 1.638 aguardando córnea, 63 por fígado e um paciente por coração, segundo dados da Central Estadual de Transplantes. Apesar de o Brasil ser referência mundial em captação e transplantes, o número de pessoas à espera de um órgão continua crescendo.
Na última segunda-feira (15), a Comissão de Educação e Saúde da Policlínica Regional de Saúde de Brumado realizou uma atividade especial voltada aos pacientes, com a participação da enfermeira Daiara Dourado, responsável pelo SIDOT – Serviço de Informação, Divulgação e Orientação sobre Transplantes do município.
Durante a roda de conversa, foram discutidos pontos fundamentais sobre a doação de órgãos, esclarecendo dúvidas e reforçando a importância desse gesto de solidariedade capaz de salvar muitas vidas. A ação fez parte das atividades do Setembro Verde, campanha nacional que busca conscientizar a população sobre a relevância de declarar a intenção de ser doador.
De acordo com os profissionais de saúde, é fundamental que cada pessoa manifeste sua vontade e converse com a família sobre o assunto, garantindo que esse gesto de amor e esperança se concretize quando necessário.
Dados do primeiro semestre de 2024 comprovam que a Bahia avançou no número de doações de órgãos, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Neste ano, foram realizadas 499 doações, o que representa um aumento de 24% quando comparado com as 401 captações realizadas no primeiro semestre de 2023. O coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura, destacou que o aumento representa uma maior conscientização por parte da população quanto à importância dos transplantes e da doação. A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, comemorou o avanço do Estado nos números e reforçou o pedido por solidariedade. “O aumento no número de captações demonstra que o esforço do Governo do Estado tem trazido resultados positivos. Não posso deixar de agradecer aos familiares que autorizaram que estas doações fossem realizadas, isso ajuda a salvar vidas”, declarou a gestora. Em junho deste ano, a Bahia realizou o primeiro primeiro transplante de pele do interior, no Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana, marcando um avanço significativo na medicina da região. O Estado também sediou e promoveu o Congresso Nordeste de Transplantes, que contou com a participação de representantes das secretarias estaduais de Saúde da região, médicos e acadêmicos.
Em 2023, a Bahia realizou 330 transplantes de rim, 582 de córneas e 46 de fígado.
Na quarta-feira (22/11), no Hospital Geral de Vitória da Conquista (HGVC), um jovem de 20 anos, vítima de traumatismo craniano, teve seus órgãos e córneas doados pela família, proporcionando uma segunda chance a outros na fila de transplantes. O HGVC se dedica à captação de órgãos há 16 anos, destacando-se pelo comprometimento da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos Para Transplantes (Cihdott) e da Organização de Procura de Órgãos (OPO). Essas equipes são referências pela região Sudoeste da Bahia na identificação de doadores e na coordenação logística para garantir a entrega oportuna dos órgãos aos receptores. Com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), o transporte aéreo foi necessário para o sucesso da operação. Os órgãos foram transplantados na Bahia, com córneas destinadas aos pacientes em Vitória da Conquista, e o coração seguiu para Brasília – DF, pois no momento não há receptor compatível no Estado, sendo disponibilizado para o Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A história desse jovem e sua família destaca a importância de conscientizar sobre a doação de órgãos. Dizer “sim” para a doação é um presente de vida para quem espera por uma segunda chance. A mensagem é clara: informe sua família sobre sua decisão de ser doador de órgãos e contribua para a continuação da vida de outros. Esses gestos são atos de amor e solidariedade, que oferecem esperança aos que precisam e aguardam na fila de transplante.
Setembro já é amplamente conhecido pela sua causa amarela, na valorização da vida, mas durante este mês o laço verde também se destaca e traz como pauta a conscientização e incentivo a doação de órgãos, uma ação que pode ser realizada aqui em Brumado, no Hospital Municipal Prof. Magalhães Neto. Desde 2019 a Unidade de Saúde está apta a realizar a captação de órgãos e tecidos e neste período já realizou 5 captações, ajudando a diminuir a fila de transplante no Brasil, que hoje já ultrapassa as 66 mil pessoas. Para que uma doação de órgãos aconteça, vários processos e protocolos são cumpridos para garantir total segurança ao procedimento, que incluem o diagnóstico de morte encefálica, a autorização familiar para doação, a avaliação dos órgãos, além da realização de exames de compatibilidade com prováveis receptores. Embora o país seja o 2º na lista dos países que mais realizam transplantes, os mitos, a falta de informação e o momento de luto das famílias fazem com que a fila ainda seja muito grande. Além disso, mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de ser um doador, somente a sua família tem a autorização para a retirada de órgãos após sua morte. Por isso, neste mês somos convidados a refletir sobre o assunto e sobre a importância da doação de órgãos, uma simples atitude que é carregada de muita solidariedade, esperança e vida! Tem dúvidas sobre o assunto? Procure pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) no Hospital Magalhães Neto e saiba mais sobre a doação de órgãos.
A Central de Transplantes da Bahia registrou, nas ultimas 24 horas, cinco doações de múltiplos órgãos, o que possibilitou a realização de três transplantes de fígado, 10 transplantes de rim e seis transplantes de córneas, totalizando 19 pessoas beneficiadas com as doações. Alguns órgãos deixaram de ser captados por estarem inviáveis para o transplante ou por não ter sido autorizado pela família. As doações ocorreram nos hospitais: Geral do Estado, Geral de Vitória da Conquista, Geral Roberto Santos e Metropolitano de Salvador. Desde o inicio da pandemia, o programa de transplante da Bahia se mantém ativo, realizando acolhimento das famílias, entrevista familiar, captação de órgãos e transplantes. De janeiro ate julho desse ano foram efetivadas 56 doações de múltiplos órgãos, 228 doações de córneas, 26 transplantes de fígado, 135 transplantes de rim, 225 transplantes de córneas, 20 transplantes de medula óssea e quatro transplantes de pele. O principal motivo da não efetivação de doadores no estado é a negativa familiar, que vem registrando cerca de 68% nos últimos 6 meses de 2021. A lista de espera atual para transplante é: 22 fígado, 1049 rim, 893 córneas.