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A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (7/4), a Operação Promitente, com objetivo de cumprir mandados judiciais de busca e apreensão na cidade de Juazeiro, decorrente de investigação relativa à compra de votos e à fraude eleitoral.
A diligência apontou que dois agentes públicos do município de Juazeiro, juntamente com um presidente de partido político, realizaram fraude ao sistema de cota de gênero, constante no pagamento de valores às mulheres recrutadas para que apenas constassem formalmente como candidatas, sem a efetiva participação em campanha, inclusive com recebimento da cota eleitoral.
Após a efetivação da fraude, os investigados e o advogado do partido solicitaram a uma das mulheres aliciadas que reconhecessem a fraude em cartório, retirando do cargo público um outro candidato legitimamente eleito para beneficiar um suplente.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Eleitoral, e dois mandados de afastamento de função pública, bem como suspensas as atividades partidárias do presidente do partido. Os suspeitos estão proibidos de frequentar a Câmara de Vereadores e de manter contato com qualquer servidor do legislativo e do executivo municipal.
Nos locais, foram apreendidos aparelhos eletrônicos e documentos, que serão submetidos à perícia com a finalidade de constatar a ocorrência deste e de outros crimes, além de valores em espécie.
A Justiça Eleitoral cassou, nesta quarta-feira (27), os mandatos do prefeito de Contendas do Sincorá, Ueliton Valdir Palmeira Souza (Avante) o 'Didi', e da vice-prefeita, Erica Brito de Oliveira (Avante). A decisão foi proferida pelo juiz Raimundo Saraiva Barreto Sobrinho, em resposta a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida pela chapa adversária. A acusação apontava captação ilícita de votos e abuso de poder econômico durante as eleições municipais de 2024. Na disputa do ano passado, a chapa de Ueliton e Érica venceu a adversária por uma diferença de apenas 58 votos. O processo apresentou como provas gravações de áudio periciadas, que confirmaram a voz do então candidato, além da quebra de sigilo bancário que revelou um padrão de transferências financeiras direcionadas a eleitores. Depoimentos de testemunhas também reforçaram as denúncias, indicando distribuição de dinheiro, cestas básicas e outros bens em troca de votos. O Ministério Público Eleitoral se manifestou pela procedência parcial da ação, pedindo a cassação dos mandatos e a declaração de inelegibilidade de oito anos para Ueliton e Julia de Menezes Souza, outra investigada no caso. Ainda cabe recurso à decisão.