Pressione Enter para pesquisar ou ESC para sair
Nesta quarta-feira (12), o PSF Leobino José de Souza, localizado na Lagoa Funda, em Brumado, foi palco de uma importante ação voltada à campanha Novembro Azul, que tem como objetivo conscientizar a população sobre os cuidados com a saúde do homem e a prevenção do câncer de próstata.
O evento contou com uma palestra ministrada pelo secretário municipal de Saúde, Dr. Danilo Menezes, que destacou a importância do diagnóstico precoce, dos exames regulares e de uma rotina de cuidados preventivos.
“O Novembro Azul é um momento de reflexão e ação. Precisamos quebrar o tabu e incentivar os homens a cuidarem da própria saúde, buscando orientação médica e realizando seus exames”, ressaltou o secretário.
Também estiveram presentes o vereador Luiz Carlos ‘Palito’, membros da comunidade e profissionais da saúde, reforçando o compromisso coletivo com a promoção do bem-estar masculino.
A Secretaria Municipal de Saúde de Brumado reforça que a prevenção salva vidas e que cuidar da saúde é um ato de coragem e amor próprio.
O número de atendimentos entre homens com até 49 anos para tratar câncer de próstata aumentou em 32% no Brasil, entre 2020 e 2024. Foram realizadas 2,5 mil assistências, em 2020, e 3,3 mil em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde.
O câncer de próstata preocupa principalmente homens com 65 anos, porém os mais jovens, com menos de 49 anos, também sofrem com o problema. Entre os atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a maioria dos procedimentos correspondeu a quimioterapia (em torno de 84% a 85%), seguida por cirurgias oncológicas (10% a 12%) e radioterapia (3% a 4%).
Segundo o urologista especializado no cuidado com a saúde sexual e reprodutiva masculina, Rafael Ambar, o aumento no número de tratamentos está relacionado à procura por atendimento e não necessariamente ao crescimento da quantidade de casos. Associado a isso está a ampliação da rede de assistência de saúde pelo país e da conscientização sobre a doença.
“Os homens mais jovens têm se mostrado mais interessados em cuidar da saúde e realizar acompanhamento urológico. Essa mudança de comportamento é influenciada pela facilidade atual do acesso à informação, aumento da expectativa de vida e desejo de um envelhecimento saudável. Também existe um movimento interessante, apesar de discreto, de diminuição do preconceito relacionado às visitas ao urologista. Apesar disso, o trabalho de conscientização ainda continua necessário”, afirmou Ambar.
A estimativa de cura para pacientes com câncer de próstata pode chegar a até 98%. A avaliação é do supervisor de robótica do Departamento de Terapia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Gilberto Laurino Almeida.
Segundo o médico, o resultado depende do estágio da doença, do tipo de câncer e do momento em que o paciente foi tratado. “No início da doença, a chance de cura é alta. Se foi tratado com a doença em estágio mais avançado, a chance é menor”, afirmou o urologista.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima para este ano 71.730 novos casos de câncer de próstata no Brasil. Depois do câncer não cutâneo, este tipo de câncer é o que apresenta maior frequência e impacto na população masculina. Dados do sistema de informações sobre mortalidade do Ministério da Saúde revelam que, em 2023, ocorreram 17.093 óbitos em decorrência da doença, o que significa 47 mortes por dia.
Como reforço às ações do Novembro Azul, campanha de conscientização para o cuidado com a saúde masculina com ênfase na prevenção ao câncer de próstata, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) reúne os principais dados do Ministério da Saúde (DATASUS, 2022) sobre o tema. Os dados apontam que, entre as causas naturais de mortes entre homens na Bahia, as neoplasias malignas (câncer) figuram como o principal motivo. O câncer de próstata é o segundo em número de casos, atrás apenas do tipo de pele não-melanoma. Apenas em 2021, na Bahia, foram 1,3 mil homens vítimas de câncer de próstata. Em termos relativos, a neoplasia maligna de próstata respondia por 18,9% dos óbitos masculinos por câncer na Bahia em 2021. Ou seja, aproximadamente, de cada 10 homens que morreram em decorrência de alguma neoplasia no estado, dois foram vítimas do câncer de próstata. Relativizando pela população, observa-se uma taxa de 18,7 vítimas a cada 100 mil homens. Diante desse cenário, é importante destacar que a incidência e mortalidade por câncer de próstata é uma realidade no contexto baiano, o que ratifica a importância da campanha Novembro Azul. Contudo, mesmo com as campanhas realizadas nos últimos anos, os dados mostram que houve aumento médio de 3,6% ao ano no número de óbitos em decorrência desse tipo de neoplasia, o que pode estar associado a determinados fatores de risco, como componentes genéticos e histórico na família. Outros fatores de risco estão relacionados ao trabalho, tais como exposição a arsênio e seus componente, exposição a malation (um tipo de agrotóxico), cádmio e seus componentes, radiação ionizante (x e gama), elemento radioativo (tório 232) e trabalho noturno. Contudo, a faixa etária é um determinante crucial nesse tipo de neoplasia: tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos.
Nos últimos cinco anos, a Bahia registrou 6.248 óbitos por câncer de próstata. Dos 16 mil óbitos ocorridos em todo o Brasil por esta causa em 2020, 1.367 foram no estado baiano, segundo o Atlas de Mortalidade por câncer. É a segunda enfermidade que mais mata homens, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Para trazer visibilidade para esse e outros indicadores, o mês de novembro é dedicado ao cuidado da saúde do homem. “O homem morre mais que a mulher em todas as faixas etárias, por diversas variáveis”, explica a médica sanitarista da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Sônia Maria Mendes Ribeiro, que é referência para ações voltadas à saúde do homem. A baiana participou da criação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH).
Até o final deste ano, o câncer de próstata - segundo tipo mais comum entre os homens - deve atingir 68 mil brasileiros, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Já a Hiperplasia Benigna da próstata (HBP) - doença mais comum do órgão que não tem relação com o câncer - pode atingir cerca de 2 milhões de homens anualmente no Brasil, de acordo com informações do Hospital Israelita A. Einstein. Nesse sentido, a campanha do Novembro Azul alerta a sociedade sobre a importância da prevenção e do tratamento das doenças masculinas. De acordo com estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Datafolha, muitos homens não vão ao urologista por preconceito. Segundo o levantamento, 48% dos entrevistados alegaram não ir ao médico por machismo, pois 21% deles acham que o exame “não é coisa de homem”. Dentro do grupo de risco (homens acima de 60 anos), 38% não consideram relevante fazer o exame preventivo. Já entre os homens de 50 a 59 anos, 35% nunca fizeram o exame de toque retal. “Como o câncer de próstata não apresenta nenhum sintoma característico, muitos pacientes descobrem que têm a doença quando o tumor já está em estágio avançado. É importante que o homem se informe sobre os benefícios do exame para que não deixe o preconceito ou o medo prejudicar a prevenção e o diagnóstico do câncer”, explica Fernando Leão, urologista e cirurgião robótico.