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A Polícia Civil da Bahia cumpriu, nesta quarta-feira (22), um mandado de prisão e um de busca e apreensão contra um homem de 30 anos, suspeito de praticar os crimes de estupro e importunação sexual durante atendimentos apresentados como técnicas terapêuticas, informadas por ele como procedimentos de liberação miofascial, realizados em um estabelecimento comercial em Salvador. O investigado se apresentava como educador físico e afirmava possuir aptidão para a aplicação da técnica.
O caso teve início após a denúncia de uma mulher de 28 anos, que relatou ter procurado o suspeito para um atendimento. Segundo a vítima, durante o procedimento, ele adotava condutas incompatíveis com qualquer finalidade terapêutica.
Durante o processo investigativo, outras vítimas se apresentaram na delegacia e relataram situações semelhantes. O homem repetia o mesmo modo de atuação, além de solicitar que as pacientes permanecessem apenas com roupas íntimas durante os atendimentos.
No endereço do suspeito, foi apreendida uma porção de haxixe, balança de precisão, dois frascos contendo anabolizantes, aparelho celular, equipamentos eletrônicos e documentos que serão enviadas para análise pericial.
As apurações, conduzidas pelo Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), por meio das equipes da 16ª Delegacia Territorial (DT/Pituba), prosseguem com o objetivo de identificar possíveis novas vítimas e esclarecer completamente os fatos.
O professor de História Carlos Eduardo Meira Batista, conhecido como Kadu, de 29 anos, faleceu no último domingo (31), vítima de um infarto, na cidade de Recursolândia, no Tocantins. Natural de Brumado, no sudoeste baiano, o educador trabalhava na Escola Estadual Recurso I desde janeiro deste ano e havia sido recentemente efetivado na Secretaria da Educação do Tocantins (Seduc).
Seu falecimento trouxe à tona uma série de denúncias sobre as condições de trabalho enfrentadas por ele. Kadu havia protocolado ao menos três pedidos de remoção da unidade escolar, todos acompanhados de laudos médicos que indicavam a necessidade de tratamento fora da cidade. O primeiro foi negado por ele ainda estar em estágio probatório. O segundo, aprovado recentemente, só seria publicado oficialmente na segunda-feira (1º), um dia após sua morte.
Colegas e amigos relatam que o professor vinha sofrendo forte pressão psicológica no ambiente escolar. Entre as situações denunciadas estão casos de assédio moral por parte de colegas, bullying praticado por alunos e até agressões simbólicas, como o arremesso de bolinhas de papel com pedras dentro, durante as aulas.
A rotina estressante impactou diretamente a saúde mental do educador. Amigos próximos afirmaram que ele precisou iniciar tratamento com três medicamentos de tarja preta devido ao quadro de ansiedade e estresse. Sua morte gerou comoção e abriu um debate sobre a precariedade no ambiente escolar e a falta de suporte institucional para os profissionais da educação.
Desde 2018 está em vigor a Lei 13.718, que criminaliza os atos de importunação sexual e divulgação de cenas de estupro, nudez, sexo e pornografia. A pena para as duas condutas é prisão de 1 a 5 anos. A importunação sexual foi definida em termos legais como a prática de ato libidinoso contra alguém sem a sua anuência “com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro". Para prevenir e conscientizar a população sobre a importunação sexual, o Governo Federal divulga, a partir desta terça-feira (18), campanha com o tema "Assédio é Crime. #Nãotemdesculpa". O objetivo é combater esse tipo de crime que, durante o carnaval, se esconde por trás de subterfúgios como: "achei que ela queria", "mas foi só um beijinho", "é carnaval", e "foi o álcool". A campanha conta com peças publicitárias que apontam as principais desculpas utilizadas pelas pessoas para cometer esses crimes e destacando que não há desculpa para essas condutas.