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As futuras mamães acompanhadas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Irmã Dulce, localizado no bairro São Félix, participaram, na terça-feira (11), do encontro mensal do grupo de gestantes. Promovida pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), a atividade teve como tema central a importância da amamentação, em alusão ao Agosto Dourado, mês dedicado à promoção e ao incentivo ao aleitamento materno.
Para conduzir as orientações e a reflexão sobre a prática da amamentação, o CRAS convidou a enfermeira Flávia Mendonça, consultora em amamentação há mais de quatro anos. De forma leve e acolhedora, ela abordou dúvidas, experiências e angústias comuns entre as futuras mães.
Durante a palestra, Flávia chamou a atenção para o mito de que o sofrimento durante a amamentação seria algo normal e destacou a importância da informação e do apoio às mães. “Amamentar não é instinto apenas. Amamentação é um sonho que a mãe cultiva durante toda gestação e que pode ser frustrado por falta de orientação e apoio. Além de nutrir o bebê, é na amamentação que mãe e filho estabelecem vínculos”, ressaltou. As participantes também receberam orientações, de forma lúdica, sobre posições adequadas para amamentar e os impactos do uso de bicos artificiais e chupetas.
Para a gestante Débora Silva, o encontro ajudou a diminuir as inseguranças para a chegada do bebê. “Estou mais tranquila! Nosso encontro foi muito importante, aprendi várias coisas que não sabia sobre a amamentação, principalmente os cuidados com o bebê no primeiro mês de vida. Flávia tirou muitas dúvidas nossas!”, afirmou.
Após a palestra, as gestantes participaram de uma oficina para confeccionar almofadas de amamentação, que poderão ser utilizadas após o nascimento dos bebês. Para Débora, que já é mãe de dois filhos, a atividade trouxe uma novidade. “Tenho dois filhos e essa é a primeira vez que vou usar uma almofada dessa! Vai ajudar muito”, comemorou.
A campanha deste ano da Semana Mundial da Amamentação (SMAM) destaca a importância do apoio à amamentação para a construção de um ambiente mais sustentável e para a redução dos impactos ambientais associados à alimentação artificial. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destaca que o aleitamento é uma prática natural, renovável e ambientalmente segura, que não gera resíduos, não depende de cadeias industriais poluentes e contribui para reduzir o impacto climático causado pela produção de fórmulas infantis. “Ao promovermos e protegermos a amamentação estamos investindo em sistemas de cuidado que respeitam o meio ambiente, preservam a vida e reforçam os compromissos com a saúde pública global. Precisamos unir esforços para garantir um suporte contínuo e eficaz à amamentação, por meio da construção de redes de apoio sólidas e duradouras”, diz o coordenador da Rede de Bancos de Leite Humano (RBLH), João Aprígio Guerra de Almeida.
Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil mostram que 45,8% das crianças brasileiras têm aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida, 52% delas têm aleitamento continuado nos primeiros 12 meses de vida, e 35%, nos primeiros 24 meses. O coordenador do estudo, Gilberto Kac, participou de audiência pública nesta segunda-feira (23) promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher para discutir o aleitamento materno. Ainda segundo o estudo, a meta prevista na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é 70% de amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida até 2030. Segundo Kac, 62% das crianças brasileiras são colocadas para amamentar na primeira hora de vida. O início precoce do aleitamento materno, dentro de uma hora após o nascimento, protege o recém-nascido de adquirir infecções e reduz a mortalidade neonatal.
Considerado um ato fundamental para o desenvolvimento saudável de uma criança, o aleitamento materno tem ganhado cada vez mais atenção no Brasil. É o que revela o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani) do Ministério da Saúde. De acordo com o balanço, 14.505 crianças menores de cinco anos foram avaliadas no período entre fevereiro de 2019 e março de 2020. Desse total, 53% continua sendo amamentada no primeiro ano de vida. Em relação às crianças menores de seis meses, o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%. Quanto às menores de quatro meses, a taxa chega a 60%. Esses resultados, segundo o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara Medeiros, representa um avanço importante, pois uma amamentação feita da maneira correta contribui, de maneira significativa, para uma vida saudável, tanto no momento atual, quanto no futuro.