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A Província Uranífera de Lagoa Real, no sudoeste da Bahia, é uma região caracterizada pela ocorrência natural de urânio em suas rochas e solos, condição geológica conhecida e estudada há décadas. Para aprofundar o conhecimento sobre como o urânio pode ser encontrado em produtos agrícolas cultivados na região, uma pesquisa desenvolvida no Instituto Federal Baiano (IF Baiano) – Campus Guanambi analisou amostras de mangas coletadas em diferentes localidades. A pesquisa encontrou concentrações extremamente baixas de urânio nas frutas analisadas e os resultados não indicam exposição significativa associada ao seu consumo.
“Mesmo nos locais onde foram observadas as maiores concentrações, os valores permaneceram em níveis baixos e muito abaixo dos parâmetros utilizados para avaliação toxicológica”, explica o estudante de Química, Caio Vitor Santos Batista Lopes, autor do estudo.
De acordo com Lopes, a manga foi escolhida por se tratar de uma fruta cultivada e consumida na região. A pesquisa buscou avaliar a presença de um elemento que já ocorre naturalmente naquele ambiente e comparar os resultados obtidos em diferentes condições geológicas e localidades.
A comparação entre os diferentes locais é um dos aspectos importantes da pesquisa, pois permite avaliar se as concentrações encontradas estão relacionadas às características naturais da região ou se existe alguma diferença relevante associada à proximidade de atividade industrial. Foram analisadas mangas coletadas em três grupos de áreas: locais associados a ocorrências naturais de urânio, conhecidas como Anomalias Uraníferas; áreas próximas à Unidade de Concentração de Urânio (URA) da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité; e pontos de controle situados fora dessas zonas.
As análises foram realizadas por espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS), técnica de alta sensibilidade capaz de identificar quantidades extremamente pequenas de elementos químicos, inclusive concentrações da ordem de partes por bilhão. Os valores encontrados nas mangas variaram entre 0,0088 e 0,0334 becqueréis por quilograma (Bq/kg). Em termos de massa, correspondem a apenas 0,0003 a 0,0013 miligrama por quilograma (mg/kg), concentrações da ordem de poucas partes por bilhão.
Os resultados ajudam também a diferenciar detecção e risco. Além de identificar a presença de um elemento, a pesquisa também avaliou o que as concentrações encontradas representam em termos de exposição. Como não existe um limite específico estabelecido para urânio em mangas, foram utilizadas referências internacionais de ingestão tolerável. De acordo com a avaliação apresentada no estudo, mesmo considerando a maior concentração encontrada entre as amostras, a exposição estimada permaneceu muito abaixo destes parâmetros.
A crise na produção de mangas do Vale do São Francisco, principalmente na Bahia, se aprofunda a cada semana. Os produtores enfrentam um cenário de preços historicamente baixos, comprometendo a viabilidade de suas atividades. Na semana passada, a variedade Palmer foi comercializada a apenas R$ 0,90/kg, enquanto a Tommy atingiu R$ 0,62/kg, representando quedas de até 30% em relação à semana anterior, de acordo com a cotação de preços diária feita pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri). A principal causa desse desequilíbrio no mercado é a oferta excessiva da fruta, resultado da baixa demanda externa. A exportação para os Estados Unidos, principal destino da manga brasileira, foi significativamente reduzida nos últimos meses devido a problemas logísticos, como a greve nos portos norte-americanos. Com o excesso de produto no mercado interno, os preços entraram em queda livre, pressionando as margens dos produtores. A perspectiva para as próximas semanas não é animadora, avaliam os técnicos da Seagri. A expectativa é de que os preços continuem baixos até o fim do ano, uma vez que a demanda interna não é suficiente para absorver toda a produção. A recuperação dos preços dependerá da normalização das exportações para os Estados Unidos, o que pode ocorrer gradualmente com o fim da greve nos portos. Diante desse cenário desafiador, os produtores de manga do Vale do São Francisco buscam alternativas para minimizar os prejuízos e garantir a sustentabilidade da atividade. Entre as medidas adotadas estão a redução dos custos de produção, a diversificação da produção e a busca por novos mercados consumidores.
Já imaginou algo que pudesse fazer com que aquela manga retirada do pé pudesse durar mais tempo sem murchar ou apodrecer? Foi pensando nessa maior durabilidade da fruta que o pesquisador Matheus Almeida desenvolveu uma película à base de mandioca e capim-limão no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Uesb, campus de Vitória da Conquista. O resultado da pesquisa impacta produtores, comerciantes e consumidores da manga. Isso porque a técnica desenvolvida melhora a aparência da fruta, deixando-a mais brilhosa, além de inibir a perda de umidade excessiva, que gera aquela aparência murcha. “A película recobre os principais locais de perda de umidade na casca das frutas, reduz as trocas gasosas e, por consequência, provoca uma redução da taxa respiratória, que é o principal processo responsável pelo amadurecimento de uma maneira geral”, detalha Matheus. Segundo o pesquisador, o número de frutas in natura desperdiçadas por conta desse amadurecimento acelerado ainda é grande, sobretudo as frutas climatéricas, ou seja, aquelas que têm um amadurecimento mais rápido após a colheita. “Os revestimentos comestíveis podem reduzir os efeitos de danos mecânicos, a perda de umidade e o amadurecimento, podendo garantir um maior tempo de prateleira”, explica.