Pressione Enter para pesquisar ou ESC para sair
O judô brasileiro fez história em Paris 2024. A equipe venceu Cazaquistão, Sérvia e Itália, na luta decisiva, para conquistar o bronze nos Jogos Olímpicos, a quarta medalha dessa edição e a 28ª medalha olímpica da modalidade. Rafael Macedo, Beatriz Souza e a própria Rafaela marcaram os pontos do Brasil, mas a Itália empatou em três a três. Coube então a Rafaela Silva, na luta extra, marcar o ponto decisivo que garantiu o Brasil no pódio com o placar de 4 a 3.
Beatriz Souza juntou-se a Aurélio Miguel, Rogério Sampaio, Sarah Menezes e Rafaela Silva no rol de gigantes campeões olímpicos do judô brasileiro. Com uma campanha memorável nesta sexta-feira, no Palais Éphemère da Arena Champs-de-Mars, a brasileira de 26 anos conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Paris 2024 na categoria pesado (acima de 78kg). "O diferencial é manter a calma, porque ajudou, né? Todo mundo treina. A cabeça é o principal, e ela conseguiu ter o controle emocional. Ela conseguiu lutar direitinho, não desistiu da estratégia, foi até o fim. Então isso firmou, garantiu a medalha dela", disse Sarah Menezes. Bia, já detentora de uma carreira repleta de conquistas, venceu quatro lutas para chegar ao tão sonhado ouro. Bia estreou contra Izayana Marenco, da Nicarágua, e não teve dificuldade para avançar com um ippon. Na luta seguinte, válida pela quartas de final, encarou a sul-coreana Hayun Kim, medalhista de bronze no Campeonato Mundial deste ano. Em um combate duríssimo, a brasileira conseguiu reverter uma entrada da asiática e aplicou um waza-ari para seguir na chave. A semifinal prometia ser uma guerra. E foi. Contra a francesa Romaine Dicko, esperança de ouro local e número 1 do ranking mundial, Bia tinha retrospecto desfavorável.
Rafaela Silva chegou a uma disputa de medalha olímpica novamente nesta segunda-feira, 29/07. Oito anos depois do ouro na Rio 2016, a carioca enfrentou a japonesa Haruka Funakubo na disputa pelo bronze dos Jogos Olímpicos Paris 2024. Numa luta muito equilibrada, com mais de cinco minutos de golden score e duas punições para cada lado, a arbitragem interpretou que Rafaela usou a cabeça para defender um golpe, colocando a própria integridade em risco e acabou eliminando a brasileira da luta. "É uma regra para proteger os atletas porque quando apoia a cabeça tem risco de lesionar a cervical ou coisa assim. Eu não consegui ver ainda o lance, mas é a regra e a gente tem que aprender a lidar. Não foi ao meu favor hoje”, disse Rafaela. “Não sei o que é mais difícil, se é perder assim ou levar um ippon logo. Senti que estava crescendo na luta, ela queria a luta no solo, consegui algumas defesas, mas acabei ficando sem minha medalha no dia de hoje”, completou. Rafaela contou que não conseguiu lutar 100% porque sofreu uma lesão no primeiro golpe da adversária na semifinal, a sul-coreana Mimi Huh. “Senti meu joelho, justamente a perna que eu uso para fazer meu principal golpe, o uchi-mata. Falei com a treinadora que estava com bastante dor. É uma lesão bastante chata. O médico me disse que uma das principais coisas dessa lesão é a falta de confiança e eu estava sentindo bastante incômodo. Tentei buscar, mas não consegui”, contou.
Uma espera de quase um quarto de século se encerrou neste domingo, 28 de julho, com uma história linda construída à custa de muito suor por Willian Lima nos Jogos Olímpicos Paris 2024. O paulista, de 24 anos, tornou-se o primeiro judoca brasileiro masculino a atingir uma final olímpica desde Sydney 2000 e assegurou o primeiro pódio nacional na capital francesa. Willian tinha pouco mais de oito meses de vida quando Tiago Camilo e Carlos Honorato, chegaram à disputa do ouro naqueles Jogos na Austrália - ambos acabaram com a medalha de prata. Diante da mulher, Maju, e do filho, Dom, Willian caminhou luta a luta até alcançar a decisão do peso meio-leve (até 66kg) na Arena Champs de Mars, categoria repleta de história no judô nacional. Entre outros, Rogério Sampaio (ouro olímpico nos Jogos Barcelona 1992), Daniel Cargnin (bronze nos Jogos Tóquio 2020) e João Derly (bicampeão mundial em 2005 e 2007) são algumas das personalidades que brilharam neste peso. Na primeira rodada, o paulista venceu o Sardor Nurillaev com um waza-ari a seis segundos do fim. Na rodada seguinte, passou por Serdar Rahimov, do Turcomenistão, após três shidos (punições) dadas ao rival. Na fase de quartas de final, em outra luta duríssima, aplicou um ippon no mongol Baskhuu Yondonperenlei. Na semifinal, outra luta parelha com o cazaque Gusman Kyrgyzbayev, vencida com um ippon. Na finalíssima, perdeu para Hifumi Abe, que defendia o título olímpico conquistado na mesma categoria nos Jogos Tóquio 2020. Antes da façanha em Paris, as principais conquistas de Willian haviam ocorrido em nível de Grand Slam. Ele obteve bronze nos Grand Slams de Tblisi e Tashkent, em 2024 e prata no Grand Slam de Antalya, em 2022.