Quando a esfera política silencia, resta a nós cidadãos duas alternativas: compactuar com este silêncio ou falar. Não é de hoje que a condução da pandemia em nosso município me deixa indignada. Desde o início, Brumado dispensou barreiras sanitárias, não escalonou a reabertura do comércio e vem aí, desde maio, numa pressão pela reabertura das escolas municipais sem se orientar sequer por um protocolo construído por especialistas. Condutas que estão na contramão da grande maioria dos municípios. Assistimos estarrecidos há 1 mês uma avalanche de casos de coronavírus. Um aumento vertiginoso de hospitalizados e de óbitos. Eu não concordo que a solução seja fechar o comércio. Não se resolve um problema criando outro. É preciso fiscalizar. Multar o comércio que não segue as medidas de segurança, donos, vendedores e clientes sem máscaras, lojas lotadas. Dêem uma volta e vejam a situação das padarias, supermercados, quitandas, loterias.... cheias, sem controle nenhum de entrada. Pessoas com diagnóstico positivo para Covid circulam nas ruas sem nenhum constrangimento e preocupação. Fazem compras. Trabalham. Como se não vissem nenhum problema neste comportamento. Vocês acham isto normal? Eu me recuso a achar. Ahh, mas não temos quem fiscalize, dizem.
O que me surpreende é que, às vésperas da eleição, contratam-se pessoas indiscriminadamente, o chamado cabide eleitoral. E agora, mesmo com todos os recursos recebidos, não há verba suficiente para contratação de pessoal e aplicação de medidas? É imperativo uma ação municipal. Urgente! Assistem de camarote as dezenas de novos casos que surgem todos os dias, os óbitos que são praticamente diários, as hospitalizações intermináveis. Se não há político que possa denunciar esta situação, façamos nossa parte enquanto cidadãos. Se o coronavírus vai se apossando da nossa cidade, levando nossos parentes e amigos e destruindo famílias, é porque outro vírus tão maléfico quanto, o do desinteresse, do descaso, da insensatez e da falta de compaixão vai permitindo esta realidade que hoje vivenciamos. Em nome do que consentem que o vírus se alastre? Porque não tomam providências? Que o caos está instalado e o abismo logo a nossa frente, todos nós já sabemos. Mas queremos saber também o que o município pode fazer para não deixar que seus habitantes despenquem precipício abaixo. É difícil calar e se resignar diante desta situação que é da ordem do inimaginável. E você, também tem algo a dizer ou prefere ser conivente e se omitir?. Texto da Psicóloga/Psicanalista Sabrina Camargo, Mestre e Doutora em Teoria Psicanalítica.




















