O periódico cientifico Phytotaxa publicou nesta quinta-feira (06) um artigo sobre uma expedição realizada por pesquisadores botânicos nas áreas do Morro do Ouro e do Morro da Torre, na região da Chapada Diamantina, que encontrou uma nova espécie de bromélia, chamada Vriesea serraourensis. A expedição, realizada dentro do Programa Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), no âmbito Plano de Ação Territorial (PAT) Chapada Diamantina-Serra da Jiboia, coordenado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) em colaboração com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), além de outras entidades parceiras, que ao longo dos últimos cinco anos tem ajudado a proteger espécies ameaçadas na região.
Conforme informações presentes no artigo, a nova bromélia foi encontrada em janeiro de 2022 em áreas de campo rupestre, nas regiões de Morro do Ouro e Morro da Torre, que ficam na divisa entre os municípios de Barra da Estiva e Ituaçu. Ela cresce em solos rasos sobre rochas de quartzito e pode atingir de 160 a 220 cm de altura. Seu agrupamento de folhas é formado por 12 a 16 folhas, bem diferente de outras espécies similares encontradas na região. A planta apresenta folhas longas (de 45 a 55 cm) e uma conjunto de flores dispostas em um sistema de ramificação único, com ramos laterais formando ângulos de 30° a 45° com o eixo principal. Suas flores, que se abrem à noite (das 19h às 6h), exalam um cheiro semelhante ao de alho. O que, de acordo com os pesquisadores indica a possibilidade de a planta ser polinizadas por morcegos. O professor do programa de pós-graduação em Recursos Genéticos Vegetais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e um dos autores do artigo, Everton Hilo, explica que o processo de descoberta da nova espécie de Bromélia começou como parte de uma atividade de coleta de espécies ameaçadas no contexto do PAT na parte superior da Morro do Ouro, em Barra da Estiva. “Inicialmente, não conseguimos identificar a espécie com precisão, limitando-nos a classificá-la no gênero Vriesea, embora houvesse suspeita de tratar-se de uma possível nova espécie para a ciência. Após um estudo aprofundado das espécies correlatas dentro do gênero, confirmamos que se tratava de uma espécie inédita. Após revisar a literatura e consultar herbários, conseguimos concluir a descrição da nova espécie, que batizamos com o nome do morro onde ela ocorre”, conta o especialista.