A cada temporada que passa no futebol brasileiro, vê-se pelo menos um dos grandes times do país tentando apostar em um nome novo do mercado de treinadores para se engajar em um trabalho potencialmente no longo prazo. Mas em muitas ocasiões, tal aposta acaba não dando certo por uma confluência de fatores que podem estar tanto dentro quanto fora do campo. O Corinthians foi um dos times que tentou seguir este passo na temporada atual com a indicação de Tiago Nunes ao cargo de técnico. Entretanto, tal aposta não deu certo. É algo facilmente denotado via Betfair, plataforma de apostas de futebol que indica as chances de vitória dos times do Brasil e do resto do mundo em seus respectivos campeonatos. Tratando-se da Série A brasileira, o Corinthians se encontra com chances minúsculas de levantar o caneco de acordo com as expectativas da casa, uma vez que Internacional e Flamengo concentram as maiores chances de título. O mais interessante no caso da união entre Corinthians e Tiago Nunes, é que as expectativas em relação a tal parceria eram bem altas até entre os especialistas do esporte. Mas estes aparentemente não consideraram que liderar um clube com o peso e o tamanho do Corinthians exige muito mais do que potencial para ser um bom técnico de futebol.
Antes do Corinthians, Tiago Nunes tinha apenas uma experiência como técnico de time entre os grandes do Brasil: comandar o Athletico Paranaense por pouco mais de um ano. Foi um período extremamente vitorioso para o jovem treinador, que conquistou com o Furacão a Copa Sul-Americana em 2018, e a Copa do Brasil em 2019. Ao mesmo tempo, seu time se mostrava muito balanceado em nível ofensivo e defensivo, principalmente dentro da Arena da Baixada que foi transformada em uma “fortaleza” para o time.
Além dos resultados e das escolhas e esquemas táticos de Tiago, destacava-se também o uso de jogadores jovens para ganhar os títulos anteriormente mencionados. A experiência como treinador do time sub-23 do Athletico deu a Tiago um “insight” vital sobre a qualidade de vários dos mais talentosos jogadores que faziam parte da categoria de base do time. Alguns destes, como o zagueiro Léo Pereira e o meia-atacante Vitinho, foram muito importantes para o rubro-negro paranaense em suas campanhas sob o comando do jovem técnico gaúcho.
Tanto a parte tática quanto a filosofia de utilização de elenco de Tiago representariam uma quebra em comparação ao que o Corinthians praticava desde os anos 2000. O Timão ficou conhecido pela primazia defensiva de técnicos como Tite e Fábio Carille, que também apostavam muito na recuperação de jogadores com certa experiência no jogo e no uso de “medalhões” que já estavam alguns anos longe do pico físico de um futebolista. Foi uma receita que deu muito certo na década passada, mas que já demonstrava desgaste na última temporada de Carille na Arena Corinthians.
Na parte de uso de jogadores jovens, Tiago conseguiu entregar o que se esperava. No Campeonato Paulista, ele deu chances a talentos promissores como o defensor Lucas Piton, o meia Mateus Vital e para o atacante Janderson. Mas ao contrário do que ocorreu no Athletico, os resultados positivos não vieram de imediato. De fato, o que se viu foi a decepção de perder o título do Campeonato Paulista para o Palmeiras.
Uma nova derrota para o Palmeiras, desta vez no Campeonato Brasileiro, determinou o fim da curta jornada de Tiago Nunes no Corinthians. Entretanto a sua saída não encerrou a sequência de resultados adversos do time, com receios sobre um potencial rebaixamento crescendo ao mesmo tempo.
O nome escolhido para substituir Tiago pelo menos até o fim da temporada atual, o já experiente Vágner Mancini, gerou grande desconfiança. Afinal Mancini ficou conhecido justamente por trabalhos medianos com clubes de grande expressão, salvando-os do rebaixamento, mas não necessariamente conseguindo trazer títulos para casa.
Mas o “Mancinismo” acabou sendo aquilo que o Corinthians precisava para interromper o ciclo negativo de outrora. Desde sua chegada o Corinthians tem 10 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, o que serviu para manter o Timão na disputa por uma vaga na Copa Sul-Americana.
Ao mesmo tempo que o trabalho de Mancini traz resultados, aumenta o número daqueles que defendem sua manutenção no time considerando o que ele tem conseguido fazer frente às limitações do elenco corintiano. Talvez com um trabalho que parta desde o início de temporada, permitindo que o técnico consiga trazer peças que se encaixem em seus planos de jogo, consigam alterar a reputação de Mancini para melhor.