O trabalho acadêmico precisa ultrapassar os muros da universidade. É essencial que as produções desenvolvidas na academia atinjam aqueles que não fazem parte desse universo, mas podem ser diretamente influenciados pelo que é construído nesses espaços. A publicação do artigo “Etiologia, ocorrência e epidemiologia de uma begomovirose em maracujazeiros do sudoeste da Bahia” demonstra essa influência, já que apresenta o diagnóstico de um vírus encontrado em plantios de maracujá na região Sudoeste da Bahia. O artigo, que é resultado da tese de doutorado da professora Gisele Brito Rodrigues, do Departamento de Fitotecnia e Zootecnia (DFZ), no Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Uesb, foi publicado na Revista Scientia Agricola, classificada como periódico A1, em inglês, com o título “Etiology, occurrence and epidemiology of a begomovirus disease in passionflower in the southwest of Bahia”. De acordo com a docente, o “maracujazeiro é acometido por diversas doenças que ocasionam perdas financeiras aos produtores, dentre elas, destacam-se as viroses”. A pesquisa indica que o vírus, do gênero begomovirus, tem como vetor a Bemisia tabaci (mosca branca) e causa deformações nas plantas e nos frutos, podendo gerar a perda total da produção. Foram pesquisadas 57 propriedades, localizadas em dez municípios baianos, sendo que, em todas, foi constatada a presença do vírus. De acordo com os resultados do estudo, em apenas 156 dias, toda a produção pode estar contaminada, o que demonstra a potencialidade do vírus. “Os métodos de controle para a begomovirose do maracujazeiro ainda são limitados. Atualmente, o controle químico do vetor associado à erradicação de plantas doentes através de frequentes inspeções de campo durante os primeiros meses de plantio podem minimizar o problema”, explica a pesquisadora responsável, recomendando que o “Ministério da Agricultura brasileiro estabeleça medidas de contenção para prevenir a propagação do vírus (e do vetor) para outras áreas produtoras de maracujá no Brasil”.