A região de Tanhaçu, Ituaçu, Brumado, Caetité, Guanambi e adjacências padece, em grande parte do ano da falta de chuvas por conta da corrente contínua de ventos nas camadas mais altas da atmosfera, razão pela qual foi instalado o parque eólico em Caetité-Guanambi, de onde é gerada energia elétrica a partir da força dos ventos. Este fenômeno leva à dificuldade na formação das cúmulos-nimbos, que são nuvens em forma de bigorna, com cerca de 15 quilômetros de altura, capazes de produzir chuvas em abundância, suficientes para encher barragens e irrigar plantações. Desta forma, a região fica na dependência da calmaria (redução da força dos ventos) que só acontece uma vez por ano, permitindo assim formação de nuvens carregadas e a consequente produção de chuvas. Isto geralmente ocorre no final do ano, quando, enfim, chega a “estação das águas”. As chuvas formadas desta maneira são sempre copiosas e acarretam, invariavelmente, enxurradas e inundações. Estas, por sua vez, arrastam todo tipo de impurezas do entorno dos cursos d’água, tais como carcaças de animais, lixo, agrotóxico, fezes e outros detritos, levando contaminação para a água que abastece as cidades. O número de pacientes apresentando sintomas de infecção intestinal (diarréia, náuseas, vômitos, dor abdominal e prostração em alguns casos), virótica ou bacteriana é considerável e as secretarias de saúde já se mobilizam para ampliar o estoque de medicações para tratamento sintomático da doença sazonal. A população procura minimizar o problema consumindo água mineral, porém, a água que é utilizada para lavar os alimentos, escovar os dentes e tomar banho, continua como fonte de contaminação.
*Wolmar Carregozi é ginecologista, obstetra, clínico geral e médico do trabalho, auditor de planos de saúde de autogestão, auditor de saúde e segurança do trabalho. É o editor, administrador e moderador do blog Acessemed-com.br