Agora Sudoeste

Proprietário do Matadouro e Frigorífico de Brumado diz que população está consumindo carne clandestina

Proprietário do Matadouro e Frigorífico de Brumado diz que população está consumindo carne clandestina
Vanderley cobra atitude dos governos municipal e estadual na fiscalização da clandestinidade. Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Em entrevista ao Brumado Agora, João Wanderley, proprietário do Mafrirb - Matadouro e Frigorífico de Brumado e Região –, falou sobre a diminuição no número de abates oficializados na unidade, o aumento no abate clandestino e consumo de carne não fiscalizada na região, a falta de fiscalização dos setores responsáveis  e as consequências destas ações, principalmente no que diz respeito a redução do quadro de funcionários da empresa,  já que as atividades realizadas atualmente, devido ao aumento da clandestinidade,  não são o suficiente para manter a folha de pagamento. Segundo Vanderley, a diminuição no número de animais abatidos no Mafrib , não é só uma questão de crise, mas também da inoperância dos poderes estadual e municipal no quesito fiscalização “ As fiscalizações que deveriam ser feitas pela ADAB, nas rodovias e pontos de venda de carne, acompanhado da vigilância sanitária de cada município, não acontecem. Toda a vez que procuramos a Adab para fazer a fiscalização , principalmente quando recebemos  denuncias de abate  clandestino , ela vem, de uns três a quatro anos, “empurrando com a barriga”, sempre no argumento de que falta funcionários , falta carro, falta diárias, etc, para realizar estas fiscalizações. Em consequência disso, nós temos uma grande diminuição no abate oficializado e um aumento no abate clandestino  e isso não é só em Brumado, como também nas cidades circunvizinhas”, explicou. Como exemplo, o empresário citou o município de Livramento de Nossa Senhora que, semanalmente, abatia no Mafrib mais de 200 animais e hoje, são pouco mais de 20. “Onde estão os outros abates? Clandestinos, é claro. Fizemos denúncia a Adab e a ouvidoria do estado , cobramos a fiscalização,  inclusive em outras localidades onde sabemos que há o abate clandestino, mas até agora nada ocorreu, não houve solução”, asseverou.

Proprietário do Matadouro e Frigorífico de Brumado diz que população está consumindo carne clandestina
Funcionário estão sendo liberados mais cedo por falta de serviço. (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Ele falou ainda sobre a comercialização de carne clandestina no Mercado Municipal de Brumado, onde, segundo ele, não são coibidas as entradas de produtos oriundos de abate clandestino, os quais são comercializados normalmente para a população. “Em Brumado, o Mercado municipal não tem coibido a carne que chega de maneira clandestina para ser comercializada ali dentro. Posso dizer que um percentual muito grande de carne que está sendo consumida no mercado de Brumado é de origem clandestina. Vale ressaltar, que o abate de caprino, por exemplo, nunca aconteceu no frigorifico de Brumado, ou seja, o abate clandestino permanece. No abate de suíno, acontece o seguinte: tem comerciante que chega com caminhão com 50 animais, deixa somente 10 para abater no frigorífico, simplesmente  para ter a nota de abate oficializado e numa eventual fiscalização apresentar como se todos aqueles animais fosse abatidos de forma regular, acobertando os clandestinos que ele faz em outros locais. Isso só tem aumentado”, explicou Wanderley.

Proprietário do Matadouro e Frigorífico de Brumado diz que população está consumindo carne clandestina
A quantidade de gado para o abate está muito abaixo do normal. (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

O empresário declarou ainda que já realizou uma reunião com os funcionários da Mafrib , alertado sobre a situação e novas demissões que possam vir a ocorrer. “Reduzi o quadro em 20 funcionários por conta da quantidade de boi que está sendo abatido. O que está se abatendo  de bois não está dando nem para pagar a folha. O normal era abatermos em média, por dia, de  150 a 200 animais, hoje são cerca de 20”, disse. Wanderley citou que reuniões já foram realizadas com o prefeito Aguiberto Lima Dias, vereadores e Adab, na tentativa de resolver a situação dos abates clandestinos, mas nada foi feito. “Há uma inversão de valores, proteção aquilo que é errado e desprezo pelo correto. Faço a um apelo as autoridades (municipal e estadual), que façam  a fiscalização necessária , pois vejo que a vigilância sanitária só existe no papel, ou trabalham fazendo “vista grossa”, finalizou.


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