Na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, festas com carne e cerveja foram reveladas através de fotos encontradas por agentes penitenciários em celulares apreendidos em 2014. Além disso, em outras imagens, um detento é visto com uma esteira e uma bicicleta ergométrica, privilégios dos "frentes" - ou chefes dos pavilhões, que possuíam ainda como regalias em algumas celas liquidificador e ventiladores. Segundo Reivon Sousa Pimentel, presidente do Sinspeb (sindicato dos agentes penitenciários da Bahia), mesmo ilegalmente, a prostituição na unidade ocorre após negociação entre os próprios presos, da seguinte forma: como apenas mulheres dos detentos podem fazer visitas íntimas mediante um cadastro, presos sem cargos na hierarquia do crime vendem o nome aos chefes. Assim, com o nome de quem "cedeu" o privilégio, as prostitutas passam pela portaria sem dificuldade e, dentro da prisão, "trocam" de marido para fazer o programa com o cliente real. Segundo o sindicato, também há livre entrada de pilhas de refrigerante, de frango, de feijão e de carne. A mercadoria é vendida pelos próprios presos nos "barracos", as lojas improvisadas. "Até caminhão-baú fechado entra no complexo e ninguém revista", diz Pimentel, para quem há conivência da direção da unidade como moeda de troca para evitar rebeliões. A Penitenciária Lemos Brito é considerada uma das cinco piores de todo o Brasil onde há 1.315 indivíduos, sendo a capacidade real de apenas para 771.