
A ideia de carro voador costuma soar como ficção, mas o que está avançando de verdade é a mobilidade aérea urbana, com aeronaves elétricas capazes de decolar e pousar na vertical (eVTOL). Para o Brasil, esse é um projeto com engenharia local, com testes no país e potencial para mudar deslocamentos curtos em grandes cidades no médio prazo.
O teste que colocou o eVTOL brasileiro no ar
Em dezembro de 2025, a Eve Air Mobility, empresa do grupo Embraer, concluiu o primeiro voo do seu protótipo em escala real (não tripulado) em Gavião Peixoto–SP, no centro de testes da Embraer. O voo inicial foi um hover (pairado controlado), usado para validar a integração de sistemas centrais, como os comandos fly-by-wire e a arquitetura de rotores.
A empresa afirma que, após esse marco, o plano é ampliar gradualmente o envelope de testes, com a expectativa de avançar para voos sustentados ao longo de 2026, acumulando dados para certificação. Mas entre “voou” e “levou passageiro”, existe um caminho regulatório e operacional.
No Brasil, a Anac vem estruturando esse ambiente. Além da certificação, entram questões bem práticas como onde ficam os vertiportos, como será o embarque, como se integra com metrô/ônibus e como o passageiro compra o bilhete.
A promessa do eVTOL é reduzir tempos de deslocamento em rotas curtas, aeroporto-centro, polos empresariais e hospitais, mas a experiência do usuário vai depender de um ecossistema inteiro funcionando, do controle de tráfego aos pontos de recarga.