No dia 9 de março de 1964, há 54 anos, no Estádio dos Prazeres, acontecia a grande final do Campeonato de Futebol de Brumado, quando se enfrentaram as equipes Magnesita e Portuguesa. A Portuguesa, sob o comando do competente Técnico Zé Lôbo, que montou uma equipe com o melhor para disputar o campeonato e ser campeão. Lôbo tinha no seu plantel atletas da envergadura de Gilberto Cardoso, Franklin da Mata Dias, Milton Chefe, Nete dentre outros. Gilberto se destacava pela potencia do seu chute e por ter jogado em grandes clubes de futebol em Vitória da Conquista e região; Franklin atravessava a sua melhor forma e tido como o melhor zagueiro central, além de cabeça de área e lateral direito funções que se misturavam devido ao seu bom condicionamento físico em grandes times de Conquista e com passagem pelo Vitória da Bahia; Milton Chefe considerado o moleque da bola pelos seus dribles desconcertantes e o elegante futebol que jogava, levado por Franklin para Conquista onde se consagrou como ídolo da seleção de Conquista. Nete despontava como a grande revelação nesse campeonato, além de atleta consagrado do futebol de Vitória da Conquista e em alguns times profissionais do interior de São Paulo e Rio. O que Lôbo não imaginava, era que o time que ele montou treinou e tinha no intimo à tática e a escala pronta para enfrentar naquela tarde do dia 9 o gigante Magnesita reservava para ele outro cenário. Gilbertão considerado meio time, na última hora alegou ter recebido uma proposta da Empresa Magnesita irrecusável e que teria que viajar logo para Belo Horizonte sob pena de perder a grande oportunidade que lhe surgira, por isso não poderia participar daquele jogo. Fazendo uma esdrúxula comparação imagine um técnico que treinou, jogou, esquematizou um time o ano inteiro, tendo Pelé como o principal quadro do seu esquema tático, e de repente não poder contar com ele. Diante do ocorrido entrou em cena os diretores da Portuguesa Geonísio Viana, Oflávio Torres e mais o Técnico Lôbo para convencerem o próprio Gilberto e a sua mãe Adélia Cardoso, a aceitarem a participação de Gilberto naquela final já que faltavam poucos dias para o jogo. E a resposta tanto da mãe quanto do próprio Gilberto, era de que ele não poderia desperdiçar aquela oportunidade. Devido a esse estranho episódio Lôbo teve que mexer no seu tabuleiro e improvisar abruptamente uma escalação que não estava nos seus planos. Como se não bastasse à atitude de Gilberto, também de forma estranha e inesperada um dos melhores árbitros amador do estado da Bahia Sr. Péricles Santana pai do jogador Cacau do Leôncio da Bahia agendado com alguns meses de antecedência para apitar aquela final, em cima da hora desistiu. Onde buscar um juiz com as qualidades do Sr. Péricles? Tudo conspirava contra a Portuguesa que ingenuamente aceitou como o juiz daquela partida o histórico goleiro do Magnesita Waldir, que era do ninho e da gema do Magnesita. E o pior, até aquela data nenhum juiz de futebol amador ousou cobrar qualquer valor para apitar um jogo. E não é que Waldir exigiu o pagamento para apitar aquela partida, ou seja, naquele momento a Portuguesa “entregava o ouro ao bandido”, o que se confirmou numa jogada de mestre e de gênio do atacante Nete dentro da pequena área do Magnesita, que depois de ter driblado alguns zagueiros, quando limpou a jogada já de frente para o gol recebeu por traz um pontapé do zagueiro do Magnesita que o levantou do chão um metro de altura caindo por cima do braço causando lhe luxação e fratura do braço, inexplicavelmente o pênalti claro não foi marcado. Nete saiu de campo e foi logo atendido pelo enfermeiro do time Dejaniro Leite que o enfaixou lhe o braço, embora sem condição plena, pela sua importância, Lôbo optou pelo seu retorno ao campo. O Zagalo também colocou em campo Ronaldo Fenômeno contra a França em 98 depois de ter sofrido uma convulsão, também pela sua importância. Como jogador da Portuguesa que participou dessa final do campeonato e que vivenciou esses momentos acima descritos, não tenho nenhuma duvida que sem essas aberrações, o resultado teria sido outro e favorável a Portuguesa e não o placar de 2x2 como ocorreu, sagrando-se campeão a meu ver imerecidamente o Magnesita, já que jogava pelo empate. Relato contado por Jeová Santana.