Na década de 70, o Rotary voltou seu foco de ação, para a Paralisia Infantil (Poliomielite, Pólio). A história registra uma doação de 760 mil dólares para um projeto 3H, que objetivou acabar com a Pólio nas Filipinas. No fim dessa década e início da de 80, o Rotary investiu mais 3 milhões de dólares, em 14 países. A análise dos resultados mostrou que, essa não era a maneira de resolver o problema, devido a reincidência da doença e sua disseminação. A conclusão era se montar uma estratégia global. Em 1985, o Rotary lança o Programa POLIOPLUS, com objetivo de arrecadar 120 milhões de dólares, que permitiriam vacinar 100 milhões de crianças de até cinco anos, nos países endêmicos existentes na época. A generosidade dos rotarianos permitiu que, em 1988 tivéssemos arrecadado, 247 milhões de dólares. Isso fez nascer uma parceria com a OMS, na sua Assembleia em novembro de 1988, com a criação do GPEI (Global Poliomielites Erradication Initiative), que definiu a estratégia global para erradicação da Pólio, tendo como parceiros, o Rotary, a UNICEF e o CDC do governo americano. Outros governos aderiram e até 2017, cerca de 15 bilhões de dólares foram doados desde 1988, tendo o Rotary contribuído com cerca de 1,5 bilhões de dólares. Nessa parceria, o Rotary comprometeu-se a pagar a vacina nos países endêmicos, cabendo a OMS, a definição da estratégia geral, incluindo o controle epidemiológico. Aos governos locais caberia a responsabilidade de usar a vacina tríplice.
É um erro afirmar-se, que o Rotary ainda paga as vacinas, nos Dias Nacionais da Vacinação (DNV) no Brasil, pois isso só acontece nos países endêmicos. O Brasil recebeu 6,137 milhões de dólares até 1991. A Pólio foi erradicada no país em 1994. Desde então, o Rotary não paga as vacinas usadas nos DNV. A OMS através do GPEI divulgou que em 1988, existiam 125 países endêmicos e anualmente, 350 mil crianças eram atacadas, pelo vírus selvagem da poliomielite. Dessas, 30% morriam ou ficavam paralíticos. Os dados epidemiológicos divulgados são de responsabilidade da OMS, que tem as conexões necessárias, para obtenção desses números. O Rotary, não tem os meios necessários, para fazer um estudo epidemiológico. Parece que, a maior contribuição do rotariano, foi ter assumido a vacinação nos lugares mais inóspitos, inclusive, onde haviam guerras.
Por isso, graças a sua atuação e generosidade ao doar, estamos próximos de erradicar a Pólio em todo mundo. Dados de outubro de 2018 do GPEI , mostram o aparecimento de 12 casos, cinco no Paquistão e 7 no Afeganistão, esse ano. A Nigéria, ainda é considerada endêmica, pois em 2016 foram registrados quatro casos, mas até o presente não registraram novos casos. As preocupações agora são com os casos derivados da vacina contra a Pólio, tendo sido registrados 61 esse ano, na Síria e RD Congo. Por que os rotarianos precisam continuar trabalhando e doando para a PolioPlus? O vírus da Pólio é transmitido pelo homem, através das fezes.
No Brasil somente 46% das residências possuem esgoto. Somente 37% recebe tratamento, daí são jogados diariamente, 8 bilhões de litros de esgoto nas águas brasileiras. Se não quisermos a volta da pólio, precisamos acabar com ela, nos países endêmicos, fazendo doações, devido a globalização. Por outro lado, para prevenir sua volta ao Brasil é preciso que participemos de todas iniciativas de vacinação, pois é necessário a imunização de cerca de 95% das crianças de 0 a 5 anos, para que o vírus não volte. Vamos comemorar 24 de outubro, o Dia Mundial de combate à Pólio.