Uma cultura originária da África, introduzida no Brasil pelos escravos, o maxixe já é tradição no Nordeste, e tem mercado garantido na região de Brumado, no centro-sul baiano. Desde os anos 90, com o trabalho da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A (EBDA), 80 famílias de agricultores conseguem uma boa renda de forma sustentável. O maxixe é uma cucurbitácea, como a abóbora, pepino, melão e melancia. Seus frutos são fonte de sais minerais, principalmente zinco, e têm poucas calorias. Com essa percepção, o técnico da EBDA, José Augusto Pinheiro de Azevedo, viu a possibilidade de introduzir, nesse nicho de mercado, famílias das comunidades Bernardo José, Lagoa do Mourão e do Distrito de Itaquaraí.
O início do trabalho começou com a instalação de área com perímetro irrigado. O ciclo produtivo do maxixe é de 45 dias, com produção durante todo ano, e cada produtor consegue colher de 25 a 30 sacas, que atualmente eles vendem na faixa de R$45 reais, a saca. Hoje, toda a produção dos agricultores familiares assistidos pela EBDA é absorvida pelo comércio local, o que gera uma renda de R$300 a R$400 reais por semana, a depender das condições de mercado. Com o apoio da empresa, eles produzem a própria semente, fazem a adubação, a biofertilização, ensacagem e comercialização. “Tenho o maior orgulho de ter insistido nesse trabalho com o maxixe; é por essa persistência que sou apelidado na região como Zé do Maxixe”, conta, rindo, José Augusto.
O agricultor Everaldo Aguiar de Moraes, conhecido como Pelé, e sua esposa, Liomar de Santana Moraes, conhecida por Fia, têm uma propriedade de 15 hectares, e dessa área utilizam 1,5 ha para a cultura do maxixe. Com esse espaço eles produzem aproximadamente cerca de 10 sacos de maxixe por semana. “Desde que começamos nunca deixamos de plantar por que este é um dinheiro seguro; sempre vendemos para os municípios de Jequié, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Guanambi, Vitória da Conquista e até mesmo Salvador”, disse animado seu Pelé.