Agora Sudoeste
Publicado em: 20 Mai 2026 / 16h00
Autor: Por Wilker Porto / Agora Sudoeste

FPI/BA constata danos por ação humana em sítios arqueológicos e cavernas do Povoado do Tatu, em Cocos

Foto - Divulgação

A Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco na Bahia (FPI/BA) constatou, nesta segunda-feira (18), danos arqueológicos e espeleológicos decorrentes da ação humana em uma propriedade rural localizada no Povoado do Tatu, em Cocos. Lavra para extração e beneficiamento de rocha calcária é maior ameaça no local.

O imóvel concentra dois sítios arqueológicos registrados pelo Iphan: o Abrigo e a Gruta do Povoado do Tatu. Nas paredes de ambos, há pinturas rupestres de civilizações pré-coloniais.

Sem as devidas medidas de proteção e conservação do patrimônio arqueológico, as pinturas rupestres foram danificadas. Pichações, desenhos e rabiscos de nomes dividem espaços e até se sobrepõem aos registros históricos dos dois sítios.

No “Abrigo do Povoado do Tatu”, a FPI/BA encontrou rochas quebradas, com fragmentos espalhados pela entrada e fundo do salão principal. Também foi constatada uma escavação no chão da caverna, em uma área de 2m². De lá, o autor da ação clandestina retirou cerca de 15 a 20 cm de profundidade do sedimento.

No entanto, o que mais ameaça os patrimônios espeleológico e arqueológico é a lavra para extração e beneficiamento de rocha calcária no local. A poucos metros dos sítios, havia uma clareira com indícios de retirada do mineral, inclusive com a utilização de explosivos que destroem cavernas, grutas e paredes com mais registros de culturas pré-coloniais porventura existentes.

“Falamos de rochas com até 700 milhões de anos. As cavernas do Povoado do Tatu são resultados geológicos mais recentes. Ainda assim com três, quatro milhões de anos. No caso das que encontramos aqui, podemos afirmar que elas foram formadas no fundo de um oceano ou mar. O que existia na região era o Mar Bambuí, que cobriu grande parte do território baiano. Ao longo desse intervalo de tempo geológico, animais de carapaças morreram, formando assim camada por camada dessa rocha carbonática, esse nosso calcário. Movimentos tectônicos soergueram essa rocha, e hoje você tem aberturas que definem ou integram o que chamamos de cavernas. É toda essa bagagem natural que perdemos com a destruição do patrimônio espeleológico”, relata o espeleólogo da FPI/BA, Admir Brunelli.