ARTIGO: AMBIÇÃO, PODER, PREPOTÊNCIA E ARROGÂNCIA

ARTIGO: AMBIÇÃO, PODER, PREPOTÊNCIA E ARROGÂNCIA
Antônio Novais Torres (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Por Antônio Novais Torres


Há os que, pela posição socioeconômica e financeira abastada, ou  pelo poder e status dos cargos privilegiados que ocupam e exercem, quer como políticos ou como  profissional acham-se  diferenciados das demais pessoas, julgam-se superiores. Seus atos e ações são de prepotência, de autoritarismo, de indiferença, atitudes inerentes aos egoístas e  presunçosos, que expõem seus semelhantes a humilhações e ao desprezo, principalmente os humildes. Face ao exposto, ocorre-me uma fábula sobre Alexandre, O Grande, o monarca conquistador, e passo a transcrevê-la: Alexandre, prosseguindo o seu caminho por desertos estéreis e terrenos incultos, chegou junto de um ribeiro cujas águas corriam brandamente por entre as margens. Sua superfície, que nenhuma aragem alterava, era imagem do contentamento e parecia dizer com sua muda linguagem: “Eis o asilo do repouso e da paz”.

Por Antônio Novais Torres


Há os que, pela posição socioeconômica e financeira abastada, ou  pelo poder e status dos cargos privilegiados que ocupam e exercem, quer como políticos ou como  profissional acham-se  diferenciados das demais pessoas, julgam-se superiores. Seus atos e ações são de prepotência, de autoritarismo, de indiferença, atitudes inerentes aos egoístas e  presunçosos, que expõem seus semelhantes a humilhações e ao desprezo, principalmente os humildes.

 

Face ao exposto, ocorre-me uma fábula sobre Alexandre, O Grande, o monarca conquistador, e passo a transcrevê-la: Alexandre, prosseguindo o seu caminho por desertos estéreis e terrenos incultos, chegou junto de um ribeiro cujas águas corriam brandamente por entre as margens. Sua superfície, que nenhuma aragem alterava, era imagem do contentamento e parecia dizer com sua muda linguagem: “Eis o asilo do repouso e da paz”.

 

Tudo ali era tranquilidade e somente se ouvia o murmúrio das águas, que parecia repetir ao ouvido do viajante cansado: “Vem tomar parte dos benefícios da natureza”, queixando-se de que seu convite era em vão. Essa cena teria sugerido mil reflexões a uma alma contemplativa; porém, como poderia lisonjear a de Alexandre− ambicioso e cheio de  projetos de conquistas−, cujos ouvidos  tinham-se familiarizado com o ruído das armas e com os gemidos dos moribundos?

 

Alexandre continuou seu caminho. Entretanto, vencido pela fome e pela fadiga, em breve foi obrigado a parar e sentando-se à borda do ribeiro, bebeu algumas gotas da sua água, que lhe pareceu muito fresca e de um gosto esquisito. Mandou então que lhe trouxessem alguns peixes salgados que trazia de provisão e  meteu-os na água, para modificar a excessiva aspereza do seu sabor. Porém qual não foi sua surpresa, vendo que eles exalavam um cheiro suave!

 

Certamente, disse ele: “este ribeiro, dotado de tão rara virtude, deve ter uma nascente nalgum rico e afortunado país, procuremo-la”. Subindo a corrente da água, Alexandre chegou às portas do paraíso. Estavam fechadas. Bateu e pediu para entrar, com seu ardor ordinário.

 

 “Não podes ser admitido – gritou-lhe uma voz da parte de dentro, aqui é a porta do SENHOR”.

 

 “Eu sou o senhor, o senhor da terra – replicou o impaciente monarca, Sou Alexandre, o Conquistador. Por que vos demorais em abrir esta porta?”

 

 “Não – continuou a voz – só se conhecem aqui por conquistadores os que vencem paixões. Só os justos podem entrar aqui”.

 

Alexandre tentou debalde entrar à força na morada dos bem-aventurados. Nem ameaças nem rogos, produziram efeito. Vendo que todos os seus esforços eram inúteis, voltou-se para o guarda do paraíso e disse: “Bem sabeis que sou um grande rei, que recebo a homenagem das nações, se não obstante, não quereis deixar-me entrar, dai-me, ao menos, alguma coisa que prove ao mundo que cheguei aqui, aonde nenhum mortal me precedeu”.

 

 “És, insensato – respondeu-lhe o guarda do paraíso – eis uma coisa que poderá curar os males de tua alma. Uma simples vista que deites sobre este objeto te ensinará mais sabedoria do que tens aprendido até agora com teus antigos mestres. Agora continua teu caminho”.

 

 

Alexandre pegou avidamente o que lhe davam e voltou para sua barraca, porém qual não foi sua admiração quando, examinando a dádiva, reconheceu que não era mais do que um pedaço de caveira.

 

 “É este – exclamou ele – o belo presente que se faz aos reis e aos heróis? É este o fruto de tantos trabalhos, perigos e inquietações?” Furioso e iludido nas suas esperanças, arremessou para longe de si aquele resto miserável de um resto mortal.

 

 “Grande rei – disse um sábio que estava presente –,  não desprezes esta dádiva, por mais miserável que pareça às tuas vistas, possui virtudes extraordinárias, como podes verificar, se comparares seu peso com o do ouro e da prata”.

 

Alexandre ordenou que se fizesse a experiência. Trouxeram uma balança, o resto humano, colocou-o num dos pratos e o ouro no outro. Com grande surpresa de todos os ossos fez vir abaixo o seu prato. Ajuntou-se outro metal ao ouro, e sempre o osso pesava mais, até quanto mais ouro se acrescentava, menos pesava o prato, em relação ao do pedaço da caveira.

 

 “É admirável – disse Alexandre – que  tão pequena quantidade de matéria pese mais do que tanto ouro. Não há, pois, coisa alguma que possa equilibrá-los?”

 

 “Há – respondeu o sábio – e muito pouco é bastante – e, pegando um pouco de terra, cobriu com ela o osso cujo prato imediatamente se levantou”.

 

 “Eis o que é ainda mais extraordinário – exclamou Alexandre – poderás tu explicar-me semelhante fenômeno?”

 

 “Grande rei – respondeu-lhe o sábio –, este fragmento de osso é o que encerra o olho humano que, ainda que limitado no seu volume, é ilimitado nos seus desejos. Quanto mais possui, mais deseja ter. Nem ouro, nem prata, nem outra qualquer riqueza terrestre poderia satisfazê-lo, porém quando descido ao túmulo, ele é coberto pela terra e nela encontra um limite para a sua ávida ambição”.

 

A vaidade, a ambição, a prepotência são fraquezas mesquinhas da humanidade que deveria exercer o sodalício com harmonia, com respeito às individualidades e solidariedade com seus concidadãos sem a arrogância e sentimentos inferiores que humilham e levam vexames às pessoas. São essas atitudes que tornam os homens piores, indomáveis e cruéis pela revolta das desigualdades produzidas  pela ambição,  jactância e a vaidade – extremismos sociais.

 

É preciso que os poderosos façam uma grande reflexão ante o poder e o fascínio do status socioeconômico que exercem em detrimento do seu semelhante comum e desafortunado. Reflitamos, pois que,  todos nascem iguais e igualmente morrem despojados dos bens e das vaidades terrestres, visto que, para Deus, todos são equânimes, não há distinção entre ricos e pobres, poderosos e subalternos todos terão o mesmo destino inexorável – a morte.

 

O julgamento será feito mediante a fé com  as obras e ações praticadas, segundo o Evangelho.

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FISIOTERAPIA TITO ALMEIDA, ATENDIMENTO ESPECIALIZADO

FISIOTERAPIA TITO ALMEIDA, ATENDIMENTO ESPECIALIZADO

Como tratar a dor cervical crônica?


A dor cervical crônica é um problema comum a inúmeros indivíduos que pode se originar de várias formas devido a causas mecânicas que costumam ser provocadas tanto por irritações das raízes nervosas situadas nas vértebras da coluna , como nos ossos, músculos ou ligamentos. Podem ser reflexos de desgastes articulares , fraturas, luxações , alterações degenerativas dos discos, hérnias ,e até mesmo tumores. Fatores psicológicos como alto stress emocional também podem contribuir para contraturas musculares que podem desencadear dores na região cervical. Posturas inadequadas, traumas locais (acidentes), doenças da idade como desgastes articulares (artroses), e até mesmo má oclusão da ATM (mordida errada) , podem gerar problemas cervicais crônicos, como redução da amplitude de movimento, desvios posturais, torcicolos, cefaléias, e até mesmo diminuição da força e sensibilidade dos membros.

FISIOTERAPIA TITO ALMEIDA, ATENDIMENTO ESPECIALIZADO
Tito Almeida Fisioterapia

Como tratar a dor cervical crônica?


A dor cervical crônica é um problema comum a inúmeros indivíduos que pode se originar de várias formas devido a causas mecânicas que costumam ser provocadas tanto por irritações das raízes nervosas situadas nas vértebras da coluna , como nos ossos, músculos ou ligamentos. Podem ser reflexos de desgastes articulares , fraturas, luxações , alterações degenerativas dos discos, hérnias ,e até mesmo tumores. Fatores psicológicos como alto stress emocional também podem contribuir para contraturas musculares que podem desencadear dores na região cervical.


Posturas inadequadas, traumas locais (acidentes), doenças da idade como desgastes articulares (artroses), e até mesmo má oclusão da ATM (mordida errada) , podem gerar problemas cervicais crônicos, como redução da amplitude de movimento, desvios posturais, torcicolos, cefaléias, e até mesmo diminuição da força e sensibilidade dos membros.
Diversas medidas podem ser tomadas no tratamento da dor cervical crônica , uma vez que inúmeras podem ser as causas da mesma. Deve-se ter em vista a melhora a longo prazo e não apenas o alívio imediato , devendo ser realizado um programa de tratamento que consiste em eliminar as possíveis causas, melhora da postura, e melhor funcionalidade da região.


Após diagnóstico médico da cervicalgia crônica, o paciente deve manter-se em repouso e evitar realizar os movimentos dolorosos. Um colete cervical pode ser útil ao evitar movimentos nessa região . O uso de medicamentos analgésicos , antiinflamatórios e compressas de gelo ou calor proporcionam alivio das dores locais, porém posteriormente o paciente precisará também de sessões de fisioterapia que irão complementar o tratamento clinico.


O tratamento fisioterapêutico da dor cervical consiste em uma investigação criteriosa em que o fisioterapeuta avalia os fatores anatômicos, posturais, ergonômicos e mecânicos identificando a causa e usando técnicas apropriadas para o alivio das dores, diminuição das tensões musculares, diminuição da rigidez, melhora do movimento articular e redução do processo inflamatório.


Um programa de tratamento baseado em técnicas de terapia manual, alongamentos, massagens terapêuticas, reeducação postural, exercícios de fortalecimento e estabilização, uso de bandagens e repouso se mostram extremamente eficientes no tratamento das dores cervicais. Orientações preventivas como manter uma boa postura principalmente nos ambientes de trabalho, e manter uma prática regular de atividades físicas podem também ajudar na prevenção das dores cervicais.

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SAÚDE: USO DE ÁLCOOL REDUZ VIDA EM ATÉ 20 ANOS

SAÚDE: USO DE ÁLCOOL REDUZ VIDA EM ATÉ 20 ANOS
Álcool reduz vida em até 20 anos.

por Leidiane Brandão
 

Um estudo divulgado recentemente, realizado ao longo de 14 anos pelo Institute of Epidemiology and Social Medicine na University Medicine Greifswald, na Alemanha, mostra que os homens dependentes de álcool têm duas vezes mais chances de morrer do que pessoas da mesma idade que não bebem em excesso. Entre as mulheres, as taxas de mortalidade são 4,6 vezes maiores do que aquelas que não consomem bebidas alcoólicas. Para realizar a análise, os pesquisadores estudaram 4 mil pessoas com idades entre 18 e 64 anos, dos quais 153 foram identificados como dependentes do álcool. Destes, 149, sendo 119 homens e 30 mulheres.

por Leidiane Brandão
 

Um estudo divulgado recentemente, realizado ao longo de 14 anos pelo Institute of Epidemiology and Social Medicine na University Medicine Greifswald, na Alemanha, mostra que os homens dependentes de álcool têm duas vezes mais chances de morrer do que pessoas da mesma idade que não bebem em excesso.

 

Entre as mulheres, as taxas de mortalidade são 4,6 vezes maiores do que aquelas que não consomem bebidas alcoólicas.

 

Para realizar a análise, os pesquisadores estudaram 4 mil pessoas com idades entre 18 e 64 anos, dos quais 153 foram identificados como dependentes do álcool. Destes, 149, sendo 119 homens e 30 mulheres.

 

O estudo revela que os alcoólicos morrem 20 anos mais cedo, em média, do que a população geral. Segundo a pesquisa, as mulheres tendem a reagir mais a toxinas, como o álcool, do que os homens. Elas também parecem desenvolver doenças ligadas à dependência mais rapidamente.

 

De acordo com a médica psiquiatra Fabiana Nery, a pesquisa realizada pelos alemães aponta dados importantes, porém, para ser mais consistente, deveria ser reaplicada em populações de outras culturas. No entanto, a especialista ressalta que o uso do álcool ingerido em grande quantidade ou associado à medicação pode causar intoxicação letal.

 

Segundo Nery, o álcool está relacionado a diversas doenças hepáticas como a cirrose, câncer de pâncreas, esôfago, além de lesões neurológicas. Ela ressalta ainda que uma pessoa que tem problemas de saúde como diabetes, problema de pressão arterial, entre outras, que faz uso abusivo do álcool, terá uma pior evolução da sua doença.

 

A psiquiatra aconselha que caso o uso do álcool comece a interferir no trabalho, na família e no comportamento de qualquer ser humano, este deve procurar um especialista. O alcoolismo, tratado adequadamente, pode ter cura. 

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ARTIGO: UMA QUESTÃO DE CONFIANÇA "ANTÔNIO TORRES"

ARTIGO: UMA QUESTÃO DE CONFIANÇA
Antonio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres

 

Certo comerciante que chamaremos de Silva – nome fictício, hoje aposentado, relembrando os tempos da atividade laboral, citou um fato ocorrido com um ex-empregado, um rapaz inexperiente a quem foi dada a oportunidade do primeiro emprego, recebendo meio salário mínimo até que comprovasse competência e eficiência para que fosse registrado com o salário integral. O empregado revelou-se um funcionário exemplar, pontual, disciplinado, interessado, organizado, enfim, um balconista que surpreendeu o experiente patrão pelo espírito de liderança, pela perspicácia e inteligência. Por essas qualidades, concedeu-lhe o status de gerente, entretanto a sua remuneração permaneceu a mesma. Diante desse desempenho e privilegiado pelas suas qualidades profissionais, passou a gozar de inteira confiança do patrão. Com o passar do tempo, os amigos chamaram a atenção do proprietário para os gastos do empregado. Eram comuns as farras com amigos, regadas a cervejas e petiscos, nos bares e festas populares, tudo por sua conta.  A indumentária envergada era de marca cara, o que não condizia com o seu ganho.

Por Antonio Novais Torres

 

Certo comerciante que chamaremos de Silva – nome fictício, hoje aposentado, relembrando os tempos da atividade laboral, citou um fato ocorrido com um ex-empregado, um rapaz inexperiente a quem foi dada a oportunidade do primeiro emprego, recebendo meio salário mínimo até que comprovasse competência e eficiência para que fosse registrado com o salário integral.

 

O empregado revelou-se um funcionário exemplar, pontual, disciplinado, interessado, organizado, enfim, um balconista que surpreendeu o experiente patrão pelo espírito de liderança, pela perspicácia e inteligência. Por essas qualidades, concedeu-lhe o status de gerente, entretanto a sua remuneração permaneceu a mesma. Diante desse desempenho e privilegiado pelas suas qualidades profissionais, passou a gozar de inteira confiança do patrão.

 

Com o passar do tempo, os amigos chamaram a atenção do proprietário para os gastos do empregado. Eram comuns as farras com amigos, regadas a cervejas e petiscos, nos bares e festas populares, tudo por sua conta.  A indumentária envergada era de marca cara, o que não condizia com o seu ganho.

 

O comerciante alegava que o empregado era de sua estrita confiança e não notara nenhum indício da sua desonestidade, contudo, por descarrego de consciência, chamou o rapaz às falas.  O indigitado  justificou-se  dizendo que o pai trabalhava em uma grande empresa e ganhava bem, a mãe era vendedora autônoma e ele não tinha despesas com ajuda nos gastos domésticos e com roupas as quais recebia dos pais, portanto o que ganhava era para as suas necessidades pessoais, além de que era filho único. Essas explicações foram suficientes para convencer o patrão cuja confiança depositada no rapaz não lhe permitiu enxergar a estroinice do empregado.

 

Confiança é um convencimento de fé que se tem nas qualidades de outrem, na crença de sua probidade, da lealdade, sem se imaginar que a pessoa possa trair por atos de improbidade profissional ou de comportamento pessoal incompatível com os princípios morais e da ética. Daí ser difícil aceitar-se a traição das expectativas depositadas em quem se  confia. Foi justamente isso que levou o patrão a resistir à aceitação de que estava sendo lesado, até porque, seu caráter não lhe permitia pôr à prova pessoa insuspeita.

 

Entretanto, o “gerente” estava agindo com desonestidade. Um  comerciante amigo  advertiu o colega, que ele abrisse os olhos, pois a continuar o roubo que flagrou o empregado praticando, em pouco tempo, lhe compraria a loja.  Diante dessa convicta afirmação e de outras insinuações sobre o comportamento do funcionário, resolveu pô-lo à prova, ainda que contrariasse as suas convicções, não lhe restando, diante dos fatos, alternativa. Programou uma viagem, não realizada e, deu  instruções ao colaborador de como agir em sua ausência. Em casa, confabulou com os familiares, colocando-os a par da situação e  instruindo-os a confirmar sua viagem.  

 

No dia seguinte, o treteiro antes de abrir a loja, para ter certeza de que o patrão havia viajado, confirmou o fato com a esposa na residência onde fora pegar as chaves do comércio.  Ocorreu que o comerciante deixara na caixa certa importância como isca e, não deu outra, o ladravaz caiu na armadilha. Passado algum tempo, o patrão adentrou a loja de supetão e foi direto à caixa – o dinheiro havia sumido. Abaixou as portas e perquiriu os dois empregados, ameaçando-os de chamar a polícia. Cinicamente, o suspeito encontrou o dinheiro no chão, embaixo da caixa. Pressionado, ele confessou o delito e, também, delatou o companheiro de trabalho, acusando-o de desonestidade justificando que não era somente ele a delinquir, o companheiro recebia as notas em cobrança e não prestava conta, embolsava o dinheiro. Dessa forma   o comerciante se deu conta de  que tinha uma quadrilha dentro da loja fazendo parte apenas dos lucros.

 

Indignado, o lojista censurou os empregados, alegando a decepção sofrida, pois não contava com tamanha deslealdade, vez que depositara neles  absoluta confiança. “O  ato de vocês foi um atrevimento e desfaçatez insuportáveis, um despropósito sem limites, um crime que merecia punição exemplar”.  Quando estava dando essa lição de moral, o indigitado, atrevidamente, deixou-o estupefato, ao afirmar  que não havia cometido nenhum roubo, apenas estava complementando o seu salário que recebia pela metade, fato que  levou o comerciante, por culpa de consciência, a indenizar o sujeito com todos os direitos trabalhistas.

 

O patife, na Delegacia do Trabalho, no ato da homologação fora perguntado se não tinha nenhuma reclamação a fazer sobre 13º, férias, horas extras etc., respondeu que estava tudo nos conformes, que o patrão era um homem correto e honesto.

 

O empregador levou um cheque da empresa no valor correspondente à quitação da indenização do funcionário. O titular da Delegacia do Trabalho  recusou-se a aceitar o pagamento com cheque, visto que, na Justiça do Trabalho, esse procedimento é feito em dinheiro. O empregador alegou  de que tinha endereço fixo de residência e comercial, possuidor de documentos de identificação pessoal e empresarial, tal exigência era descabida, um absurdo. “Dura lex sed lex  (a lei é dura, mas é lei) afirmou o servidor público”.  O empregado  prontificou-se a receber o cheque, dando quitação das verbas rescisórias, sendo advertido, pelo zeloso profissional do Ministério do Trabalho, de que não caberiam posteriores reclamações, tratava-se de fato consumado.

 

Dias depois, o sujeito procurou o empresário solicitando-lhe uma carta de apresentação, sob a alegação de que iria para outro estado, tendo em vista que, na cidade, segundo seu critério, devido ao ocorrido, não encontraria emprego e que por ser a parte mais fraca, necessitava desse documento. Justificou que fizera um bom acordo, favorecendo o comerciante, pois não reclamara o tempo sem carteira assinada,  a complementação de salários e o seguro desemprego. A carta de apresentação foi produzida nesses termos: Fulano de tal trabalhou na empresa no período de x a y, sem nenhuma referência.

 

Tudo que começa errado tende a terminar errado. Um erro atrai o outro.

 

 “O Cinismo, segundo a doutrina dos filósofos gregos Antístenes de Atenas (444-365 a. C.) e Diógenes de Sinope (400-325 a.C.),  caracteriza-se, especialmente, pela oposição aos valores sociais e culturais em vigor, com base na convicção de que não é possível conciliar leis e convenções estabelecidas com a vida natural autêntica e virtuosa”.

 

Daí, é que ambos pecaram pelo desvirtuamento das suas ações, de forma que cabe a cada leitor, portanto, fazer o seu julgamento, emitir juízo de valor quanto ao comportamento dos personagens.

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ARTIGO: INTIMIDADES

Por Antônio Novais Torres

 

Abobrinha e Jenipapo são apelidos de duas figuras formidáveis. Nasceram na mesma cidade, moraram na mesma rua, frequentaram, juntos, jardins e praças, estudaram na mesma escola e no mesmo colégio. Eram amigos inseparáveis nas travessuras e brincadeiras lúdicas: futebol e jogo com gude (jogo infantil com bolinhas de vidro que, num percurso de ida e volta, devem entrar em três buracos dispostos em linha reta, saindo vencedora a criança que chegar primeiro ao buraco inicial) e tantas outras brincadeiras do entretenimento de antanho. O destino encarregou-se de separá-los: Abobrinha, cuja graça era Asclépio da Silva, teve esse apelido dado pelos colegas de pelada, pelo fato de certa feita, em um jogo matinal, ter ficado tonto e regurgitado pedaços de abóbora (jerimum) que havia comido no café. Mudou-se para São Paulo com a família e lá se formou em Medicina, especializando-se em gastrenterologia.

Por Antônio Novais Torres


Abobrinha e Jenipapo são apelidos de duas figuras formidáveis. Nasceram na mesma cidade, moraram na mesma rua, frequentaram, juntos, jardins e praças, estudaram na mesma escola e no mesmo colégio. Eram amigos inseparáveis nas travessuras e brincadeiras lúdicas: futebol e jogo com gude (jogo infantil com bolinhas de vidro que, num percurso de ida e volta, devem entrar em três buracos dispostos em linha reta, saindo vencedora a criança que chegar primeiro ao buraco inicial) e tantas outras brincadeiras do entretenimento de antanho.

 

O destino encarregou-se de separá-los: Abobrinha, cuja graça era Asclépio da Silva, teve esse apelido dado pelos colegas de pelada, pelo fato de certa feita, em um jogo matinal, ter ficado tonto e regurgitado pedaços de abóbora (jerimum) que havia comido no café.

 

Mudou-se para São Paulo com a família e lá se formou em Medicina, especializando-se em gastrenterologia.

 

Jenipapo, de prenome Midas,  homenagem de seu pai ao rei Midas da mitologia grega (rei semilendário da Frígia, que recebeu de Sileno, um sátiro companheiro de Dionísio, o dom de transformar em ouro tudo que tocasse), cuja alcunha lhe fora dada pelo fato de a mãe ser licorista e ele encarregado de entregar para a freguesia o licor de jenipapo, uma especialidade da genitora.  De cada garrafa tomara um gole e embebedou-se, sendo recriminado pela irresponsabilidade do ato.

 

 Devido à perspicácia, inteligência e sagacidade no comércio, fez  jus ao nome que o pai lhe dera, amealhou fortuna, ficando milionário.

 

Asclépio retornou à cidade natalícia e montou um consultório, exercendo a sua especialidade com profissionalismo e competência. Midas fora um dos primeiros a se consultar com o médico, não por necessidade clínica, mas para revê-lo. Devido à amizade com o doutor, não separou o tratamento da intimidade de amigos do tratamento formal ao profissional. No consultório, cheio de clientes aguardando a sua vez, insolente, pediu à secretária para falar com o Abobrinha. Ela respondeu-lhe: “Aqui não tem nenhum Abobrinha, meu senhor, e sim o Dr. Asclépio Silva.  Para ser atendido o senhor precisa, antes, fazer a ficha e pagar a consulta. É a norma”.

 

Por conta da resposta, sentindo-se ofendido, destratou a funcionária com muita grosseria e deseducação. Irritado e constrangido pelo esclarecimento da secretária, que não o conhecia, e a vergonha que passou diante dos circunstantes, esbravejou  autoritário sem tergiversar: “Vá lá e diga ao Abobrinha que é o Jenipapo que quer lhe falar, somos amigos de infância e a amizade que temos permite-me o tratamento informal, arrogante declarou, se ele é doutor, eu sou um empresário rico e seu amigo”.

 

O Dr. Asclépio, após  ouvir o desentendimento com a secretária, fê-lo entrar e esclareceu-lhe o comportamento dela, defendendo a sua posição de exigir respeito ao profissional médico. Alegou que não havia nenhum problema o amigo trata-lo pelo  apelido, mas que o ambiente requeria uma postura convencional e respeitosa do tratamento. Indignado e entendendo as explicações do esculápio como uma soberbia, jenipapo aborreceu-se com o amigo por achá-lo presunçoso e disse-lhe com arrogância: “Pois fique com o seu Dr. e eu com o meu patrimônio. No meu comércio todos me tratam por Jenipapo e isso nunca me constrangeu, na verdade ambos iremos ser consumidos pelos vermes de igual forma, com ou sem o título de doutor”. Saiu batendo a porta do consultório, contrariado com o  médico que não o quis ofender, mas assim fora entendido por Jenipapo.

 

A propósito, ocorre-me um episódio entre uma jornalista recém-formada e o presidente Jânio Quadros. A jornalista fora encarregada de fazer uma entrevista com o presidente, que agendou recebê-la após o expediente. Todos sabem que Jânio gostava de uma destilada, assim deduz-se que, no fim do expediente, já havia tomado algumas doses.

 

A jornalista iniciou a entrevista toda cheia de si e orgulhosa pelo seu primeiro trabalho e, com entusiasmo, perguntou ao entrevistado: “Jânio Quadros...” antes de completar a pergunta, o interlocutor a interrompeu: “Alto lá! Presidente Jânio Quadros ou, na pior das hipóteses, Dr. Jânio, pois intimidade só serve para duas ciosas: fazer menino e criar inimizade e com a senhora não quero nenhuma das duas”. Como era de se esperar, pela admoestação,  a entrevista fracassou.

 

Voltando ao caso dos amigos Abobrinha e Jenipapo, as vaidades impediram-nos de se reconciliarem. Em vista disso, foram transformados em inimigos, faltou diálogo, tolerância, compreensão e bom senso, ingredientes da boa convivência e de civilidade.

 

Quando as pessoas se tornam personalidades importantes, quer profissional ou em qualquer outro status social, em geral, há um limite, uma barreira para impedir  as intimidades.  Ainda que haja conhecimentos íntimos, presume-se que a importância do cargo deve ser considerada nas formalidades exigidas com  tratamento adequado à ocasião.

 

É necessário que os homens passem a ser identificados pelos valores éticos e morais e não pelo poder econômico e/ou social que desfrutam”.

 

Deixo aos leitores a reflexão da análise e as suas conclusões sobre o assunto ventilado. 

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RIBAMAR: 'REFLEXÕES SOBRE O TRÂNSITO DE BRUMADO'

RIBAMAR: 'REFLEXÕES SOBRE O TRÂNSITO DE BRUMADO'
Educação para o trânsito deve ser prioridade. (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Em coluna escrita para o Jornal Tribuna do Sertão, o colunista Ribamar Viegas, que é engenheiro de produção, técnico em ponte e estradas e instrutor de direção defensiva e condução veicular, relata um estudo sobre a situação atual do trânsito de Brumado e possíveis soluções.  

 

POR RIBAMAR VIEGAS


O homem primitivo, na busca da sua sobrevivência, deixava os caminhos entre sua caverna e os campos de caça em condições de permitir sua passagem o mais fácil possível. Estava, assim, atendendo o princípio fundamental do transporte: melhorar o caminho por onde se deve passar. Em seguida atrelou ao animal um rústico veículo e cuidou de melhorar ainda mais os caminhos buscando ganhar mais velocidade e, consequentemente, mais proveito nas suas viagens. Contudo, o homem ainda era totalmente condicionado ao meio ambiente e pela topografia dos terrenos por onde trafegava. Diante de uma elevação ou depressão, contornava-a. Diante de um curso d’água só podia passar onde fosse mais raso. Mas, a iminente necessidade de transportar, cada vez mais, volumes em distâncias maiores, o passo seguinte seria o ataque à natureza. E, dessa forma o homem se viu obrigado a alterar os caminhos, cortando, aterrando e construindo obras de passagem sobre os cursos d’água.

O Jornal Tribuna do Sertão, preocupado com a situação do trânsito de Brumado, pediu ao colunista Ribamar Viegas, que é engenheiro de produção, técnico em ponte e estradas e instrutor de direção defensiva e condução veicular, um estudo sobre a situação atual do trânsito e possíveis soluções.

 

POR RIBAMAR VIEGAS

 

O homem primitivo, na busca da sua sobrevivência, deixava os caminhos entre sua caverna e os campos de caça em condições de permitir sua passagem o mais fácil possível. Estava, assim, atendendo o princípio fundamental do transporte: melhorar o caminho por onde se deve passar. Em seguida atrelou ao animal um rústico veículo e cuidou de melhorar ainda mais os caminhos buscando ganhar mais velocidade e, consequentemente, mais proveito nas suas viagens.

 

Contudo, o homem ainda era totalmente condicionado ao meio ambiente e pela topografia dos terrenos por onde trafegava. Diante de uma elevação ou depressão, contornava-a. Diante de um curso d’água só podia passar onde fosse mais raso. Mas, a iminente necessidade de transportar, cada vez mais, volumes em distâncias maiores, o passo seguinte seria o ataque à natureza. E, dessa forma o homem se viu obrigado a alterar os caminhos, cortando, aterrando e construindo obras de passagem sobre os cursos d’água.

 

Sugiram novos veículos e veio a necessidade da trafegabilidade durante toda época do ano, coisa impossível no período de chuva. O homem então deu outro grande passo, procurando conhecer melhor os solos, dosando-o e aplicando-o fazendo surgir à estabilização, enfim, a pavimentação.

 

Nos dias atuais, com a produção de cerca de 180 carros por hora no Brasil, muito mais veículos estão circulando pelas estradas e vias urbanas do nosso país e, como homem do século XXI não está fazendo o que fazia o seu semelhante da pré-história – melhorar o caminho onde se deve passar - as principais cidades brasileiras já apresentam engarrafamentos de centenas de quilômetros. Um caos! Além dos constantes engarrafamentos no trânsito, ocorre grande dificuldade em se tentar estacionar um veículo. Quase sempre o motorista fica circulando com o veículo enquanto o passageiro salta as pressas para os afazeres.

 

Em Brumado, sertão da Bahia, cuja infra-estrutura das vias urbanas é basicamente a mesma de quarenta anos atrás, surgindo de substancial apenas a Av. João Paulo II (que antes mesmo de inaugurada já deixava a desejar no tocante a drenagem e revestimento) e os atuais alargamentos das avenidas de entradas e saídas da cidade. Como Brumado é um município em pleno desenvolvimento, lógico que muito mais veículos e pessoas circularão pelas suas vias urbanas e a tendência – no centro da cidade - é de um trânsito estressante, perigoso, caótico e violento. Palmas para a criação de uma Guarda Municipal de Trânsito, capaz de instruir e multar condutores de veículos. Seria interessante equipar e treinar também esses guardas para prestar primeiros socorros, combate a incêndio e resgate no trânsito.    

 

Em suma: o futuro gestor ou gestora do município de Brumado, se quiser minimizar a possibilidade de trânsito nervoso no centro da cidade, terá que implantar obras expressivas de escoamento urbano, tal qual uma Avenida Beira Rio, com início antes da ponte sobre o Rio do Antonio e término na Estação Rodoviária.

 

Com o propósito de tentar colaborar, relacionamos onze possíveis sugestões, que no nosso entender poderiam contribuir para solucionar os problemas no trânsito de Brumado. Veja Box nesta matéria.

 

1 – Educar e Disciplinar o tráfego de motos, implantando, inclusive, o DDS (Diálogo Diário de Segurança) nas empresas de entregas com moto e nas de moto-taxi, bem como impor a todos o cumprimento da Lei que obriga o uso de coletes refletivos com números garrafais nas costas;

 

2 – Exigir a retirada do ‘terminal’ de ônibus existente na Av. Dr. Antônio Mourão Guimarães, em frente da Pax Nacional, que é um absurdo;

 

3 – Proibir o trânsito de caminhões e carretas na Av. Centenário, das seis às dezoito horas, permitindo apenas os destinados a cargas e descargas naquele local;

 

4 – Disciplinar estacionamento de veículos nas principais vias da cidade, principalmente na Avenida Centenário, permitindo parar e estacionar apenas de um lado das vias, como ocorre nas vizinhas cidades de Livramento de Nossa Senhora e Caetité.

 

5 – Criar novas áreas de estacionamento, inclusive com estacionamentos exclusivos para moto, que muitas vezes estacionam entre os carros e ocupam vagas inteiras;

 

6 – Implantar sinalização horizontal nas principais vias urbanas, definindo locais para travessias de pedestres e instalar semáforos nos cruzamentos de tráfego intenso;

 

7 – Nos dias de feira, sexta e sábado, no horário das 6 às 16h, controlar a parada de veículos pesados (caminhões / ônibus) nas avenidas Dr. Antônio Mourão Guimarães e Centenário e ruas que circundam o Mercado Municipal;

 

8 – Responsabilizar, quem quer que seja, quanto à permanência de animais soltos nas vias da cidade, em especial, no Bairro Dr. Juracy, onde os animais acabam indo para as proximidades de Estação Rodoviária, onde já foram registrados vários acidentes graves;

 

9 – Fazer um plebiscito propondo a demolição do prédio da antiga prefeitura, em detrimento da construção de um acesso de entrada e saída de veículos na cidade menos complicada do que o existente há dezenas de anos; 

 

10 – Colocar como disciplina curricular no ensino municipal a Educação de Trânsito. Assim, a curto prazo, os filhos passariam a entender de trânsito e policiar seus pais ao volante. E, em médio prazo, Brumado estaria formando futuros motoristas e motociclistas mais conscienciosos;

 

11 – Alargamento da avenida, no sentido de Livramento, fazer de um lado uma pista de Cooper e do outro uma ciclovia, usando 2,5m de cada lado, nas extremidades. Após a pavimentação, basta demarcar com taxões refletivos. (O número de praticantes do ciclismo em Brumado aumenta a cada dia, e já morreram várias pessoas fazendo caminhadas às margens das pistas atuais).

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ANTÔNIO TORRES: BIOGRAFIA DJALMA DA SILVEIRA TORRES

ANTÔNIO TORRES: BIOGRAFIA DJALMA DA SILVEIRA TORRES
Djalma da Silveira Torres. (Foto: Genival Moura | Brumado Agora)

DJALMA DA SILVEIRA TORRES - UM DOS PIONEIROS DO COMÉRCIO EM BRUMADO

 

Djalma da Silveira Torres nasceu na cidade de Condeúba em 12-08-1926, sendo o filho caçula da prole do casal José Silveira (Cel. Zéca) Torres e Ana Amélia da Silva (Naninha). O pai Zeca era um próspero fazendeiro e agricultor, que cansado das suasatividades rurícolas,vendeu a propriedade mudando-se para Vitória da Conquista onde Djalma cursa os fundamentos da escola primária no colégio do professor Everardo Públio de Castro. Posteriormente, ainda adolescente vai para Contendas do Sincorá trabalhar na padaria do seu irmão Oflávio Torres, em seguida, acompanhando as obras da estrada de ferro vai para Umburanas – distrito de Brumado – trabalhando na firma OST& Cia dos irmãos Oflávio e Waldemar Torres. Seguindo as pegadas dos irmãos, fixa-se em Brumado, onde trabalha no escritório da RFFSA – Rede Férrea Federal Sociedade Anônima. Na busca de novos objetivos e de melhores condições de emprego e renda trabalha como representante das firmas Nestor Pascoelho, Perfumaria Lopes e José Ramos de Almeida & Cia, esta uma firma bastante conhecida e que abastecia o comércio de São Felix à Monte Azul, com mercadorias diversas. Por  Antonio Novais Torres.

DJALMA DA SILVEIRA TORRES - UM DOS PIONEIROS DO COMÉRCIOEM BRUMADO

 

  

Djalma da Silveira Torres nasceu na cidade de Condeúba em 12-08-1926, sendo o filho caçula da prole do casal José Silveira (Cel. Zéca) Torres e Ana Amélia da Silva (Naninha). O pai Zeca era um próspero fazendeiro e agricultor, que cansado das suasatividades rurícolas,vendeu a propriedade mudando-se para Vit. da Conquista onde Djalma cursa os fundamentos da escola primária no colégio do professor Everardo Públio de Castro.

 

Posteriormente, ainda adolescente vai para Contendas do Sincorá trabalhar na padaria do seu irmão Oflávio Torres, em seguida, acompanhando as obras da estrada de ferro vai para Umburanas – distrito de Brumado – trabalhando na firma OST& Cia dos irmãos Oflávio e Waldemar Torres. Seguindo as pegadas dos irmãos, fixa-se em Brumado, onde trabalha no escritório da RFFSA – Rede Férrea Federal Sociedade Anônima.

 

Na busca de novos objetivos e de melhores condições de emprego e renda trabalha como representante das firmas Nestor Pascoelho, Perfumaria Lopes e José Ramos de Almeida & Cia, esta uma firma bastante conhecida e que abastecia o comércio de São Felix à Monte Azul, com mercadorias diversas.

 

Na procura incessante da independência econômica e perseguindo o propósitode um comércio próprio, comprado amigo João Carlos de Andrade uma padaria que denomina PADARIA SANTA RITA, fundada em fevereiro de 1947,em homenagem a santa da sua devoção. Dando seguimento ao seu tino de comercianteempreendedor, monta a casa de material deconstrução, ferragens egrande variedade de mercadorias, denominada CASA SANTA RITA.

 

Um homem de espírito inovador, de visão criativa e futurista compra o prédio situado na Pça. Armindo Azevedo de propriedade do amigo Abias Azevedo, onde se achava instalado comercialmente. Em 1963 demole o antigo imóvel e ergue um majestoso e imponente prédio com arquitetura arrojada e amplas instalações modernas, projetadas porengenheiros e arquitetos renomados.

 

Com a construção do novo prédio muda de ramo e com a denominação de LOJÃO SANTA RITA, entra, como pioneiro no comércio de móveis, eletrodomésticos, pratarias, louças e cristais finos importados, artigos para presentes e outros produtos e artigos, últimas novidades damoda, trazidos dos grandes centros fornecedores como Rio de Janeiro e São Paulo.Sualoja é considerada a maischique e completa da cidade atendendo a toda região. Com a grande variedade de produtos tornou-se referência no ramo pela diversificação e qualidade dos produtos, requintedo proprietário.

 

Aposenta-se de suas atividades laborais em 2002, passando a dedicar-se exclusivamente à família – esposa, filhos, netos e bisneto aos quais dedica suas maiores atenções, carinho e amor.

 

Djalma daSilveira Torres casou-se com Ana Gomes Machado nome de solteira, passando-sea chamar Ana Machado Torres, pessoa importante no sucesso empresarial do esposo ena vida conjugal. Uma esposa e mãe dedicada, avó extremada. Religiosa católica praticante, compreensiva,tolerante, educada esocialmente participativa. Pessoa de boa índole e deformação moral correta e conduta ilibada.

 

O casal teve nove filhos, in memoriam, Aroldo vítima de meningite e Sara mortavitimada por acidente automobilístico. Os outros sete: Neuza, Gláucia, José Carlos, Djalminha, Ana, Rita e Bernadete,todos com graduação universitária, são na concepção dos pais, os maiores patrimônios que construíram com as bênçãos de Deus. Os netos, bisneto, noras e genros complementam asalegrias e satisfações do casal.

 

Por  Antonio Novais Torres.

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ARTIGO: O VOTO E O CIDADÃO "ANTÔNIO TORRES"

ARTIGO: O VOTO E O CIDADÃO
Antonio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres


Escreveu Machado de Assis: “(...) Há políticos por vocação, políticos por ambição, políticos por vaidade, políticos por interesse, políticos por desfastio, políticos por não terem nada que fazer. (...) em escolher os bons e úteis dentre tantos. E esse é o meu desejo, essa é a necessidade do país”.  “Eleger uma câmara inteligente, generosa, honesta, sinceramente dedicada aos interesses públicos (...) bastaria apenas, prometer obedecer às leis e gastar de acordo com o interesse público e cumprindo essa promessa o povo não fosse iludido em sua boa-fé”. O voto  é o instrumento de  que dispõe o cidadão para o exercício da cidadania. Dele depende o futuro do País, do Estado e do Município. Daí, a necessidade de  escolherem-se pessoas honestas, competentes e  inovadoras, que sejam  capazes de encontrar as soluções para os problemas. Deve atentar sempre para o passado do candidato e   desconfiar  daquele que investe fortuna na sua campanha e se dedica a apontar erros, defeitos e atos de corrupção dos adversários, sem apresentar sugestões e corretas soluções.

Por Antonio Novais Torres


Escreveu Machado de Assis: “(...) Há políticos por vocação, políticos por ambição, políticos por vaidade, políticos por interesse, políticos por desfastio, políticos por não terem nada que fazer. (...) em escolher os bons e úteis dentre tantos. E esse é o meu desejo, essa é a necessidade do país”.  “Eleger uma câmara inteligente, generosa, honesta, sinceramente dedicada aos interesses públicos (...) bastaria apenas, prometer obedecer às leis e gastar de acordo com o interesse público e cumprindo essa promessa o povo não fosse iludido em sua boa-fé”.

 

O voto  é o instrumento de  que dispõe o cidadão para o exercício da cidadania. Dele depende o futuro do País, do Estado e do Município. Daí, a necessidade de  escolherem-se pessoas honestas, competentes e  inovadoras, que sejam  capazes de encontrar as soluções para os problemas. Deve atentar sempre para o passado do candidato e   desconfiar  daquele que investe fortuna na sua campanha e se dedica a apontar erros, defeitos e atos de corrupção dos adversários, sem apresentar sugestões e corretas soluções.

 

Quem  assim procede, pretende subir na vida  locupletando-se  no exercício do mandato por meios ilícitos. Não merece a confiança do eleitor. O perfil de personalidades dessa natureza  não é incomum, nós conhecemos muitas delas, que por aqui se  têm apresentado. É imperioso saber separar-se  o joio do trigo.

 

O voto não deve ser negociado, não é mercadoria de escambo. Dele  depende a consciência de quem o exerce, se faz uma boa ou má escolha, pode inclusive significar  o preço da liberdade.

 

Destarte, deve-se estar  vigilante para não   cair-se  no engodo dos demagogos. Há, portanto, a necessidade da participação sobremaneira da imprensa generalizada e dos formadores de opinião na correta e independente informação, orientando para a participação e o envolvimento político do povo, a fim de que não seja omissos. Afinal de contas, já se disse que o voto não tem consciência, tem consequência. Cidadão! Não se venda não se deixe enganar, seja coerente com o que pensa e defende.

 

Cada  pessoa deve escolher, com o seu voto, o candidato de sua confiança, aquele que lhe pareça mais afinado com seus pensamentos e com o que deseja para si e para a comunidade. Deve ter  certeza de sua fidelidade  ao mandato que lhe foi conferido, pois é comum,  muitos, depois de eleitos, defenderem os interesses pessoais e ou do grupo a que pertencem. Iludem e  barganham a consciência do eleitor, deturpando e rasgando a procuração que lhe foi outorgada  e, cinicamente, brindarem  com champanhe seus êxitos  de interesses político pessoais.

 

A cidadania  deve ser exercida a cada momento, a cada ação, a cada gesto, através da sociedade organizada  e assim a comunidade terá  respostas às suas reivindicações, pois   é impossível a um cidadão sozinho resolver  os problemas da complexidade social. É nessa direção que se deve caminhar para o resgate dos interesses coletivos.

 

O povo está cansado das promessas eleitoreiras, sem o real interesse pelo popular. É preciso que os candidatos cumpram seus deveres de legítimos representantes do povo, eleitos pelo sufrágio universal  com procuração para representá-lo direta ou indiretamente no exercício do mandato, quer seja no Legislativo quer no Executivo.  Nesse contexto, deve-se excluir  o sentimento de amizade e simpatia, o povo deve exigir propostas coerentes com  um plano de governo, simples e possível de ser realizado, que mereça crédito, sem enganação contumaz dos que pretendem se eleger sem o compromisso das promessas.

 

Transcrevo trecho de um artigo de J. J. Calmon de Passos que diz: “Seu voto é o mesmo que passar uma procuração em cartório para que alguém faça por você o que você não pode fazer pessoalmente. Cidadania é ter consciência disso.  Somos cidadãos, portanto, quando não negociamos nem negligenciamos nosso voto. Negociar o voto não é apenas receber dinheiro ou outros bens materiais em troca do voto, mas também votar displicentemente, votar por votar, como se votando não estivesse comprometendo nossa pessoa e nossos bens, também os dos outros e o futuro de todos nós. Quem não vota nem sabe votar não é cidadão. Logo o voto e cidadania são duas coisas inseparáveis”.

 

 Nunca se esqueça disso!

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BIOGRAFIA: ESTHER TRINDADE SERRA

BIOGRAFIA: ESTHER TRINDADE SERRA
Antonio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres


Esther Trindade Serra nasceu em 02 de junho de 1913, na cidade de Rio de Contas/BA – “Rua da Ponte: a rua melhor do mundo/de crepúsculo mais lindo,/de horizonte azul, infindo...” (Rua da ponte, a rua onde nasci...,Esther Trindade Serra) –. Era filha de José Rodrigues Trindade e Elvira da Silva Trindade.  Irmãos: Antônio, Basílio, Cantídio, Dulce, Floripes, Guiomar, Hermano, Israel, Julieta, Kilda, Laudelina, Mário, Nair e Osmar. Desde 1980, a sua cidade natal é tombada pela atual Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). A cidade histórica é patrimônio reconhecido como valor nacional e caracterizada por ser celeiro de artistas. Seu povo, fiel às tradições e à cultura, preserva o patrimônio arquitetônico antigo da cidade: ruas largas com calçamentos rústicos e seus casarios do passado, enfim, todo o seu patrimônio histórico.

Por Antonio Novais Torres


Esther Trindade Serra nasceu em 02 de junho de 1913, na cidade de Rio de Contas/BA – “Rua da Ponte: a rua melhor do mundo/de crepúsculo mais lindo,/de horizonte azul, infindo...” (Rua da ponte, a rua onde nasci...,Esther Trindade Serra) –. Era filha de José Rodrigues Trindade e Elvira da Silva Trindade.  

 

Irmãos: Antônio, Basílio, Cantídio, Dulce, Floripes, Guiomar, Hermano, Israel, Julieta, Kilda, Laudelina, Mário, Nair e Osmar.

 

Desde 1980, a sua cidade natal é tombada pela atual Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). A cidade histórica é patrimônio reconhecido como valor nacional e caracterizada por ser celeiro de artistas.

 

Seu povo, fiel às tradições e à cultura, preserva o patrimônio arquitetônico antigo da cidade: ruas largas com calçamentos rústicos e seus casarios do passado, enfim, todo o seu patrimônio histórico.

 

Esther Trindade Serra foi uma mulher dinâmica, independente, versátil e destemida. Morou em Abaíra, no povoado de Jequi, município de Iramaia e em Brumado. Exerceu diversas atividades: Oficial de Cartório (Jequi), pintora, escritora, poetisa, musicista, política, conselheira, exímia oradora e parteira – o que mais gostava de fazer.

 

Amava a terra natal, nunca deixou de participar dos festejos do Santíssimo Sacramento (o maior acontecimento católico realizado em Rio de Contas), dos quais sempre estava à frente. Lutava pela preservação da beleza natural e das tradições do povo rio-contense. A cidade precisava conviver com o novo, imposto pelo progresso, e preservar o antigo, um patrimônio histórico nacional. Ela sempre lutava para asseverar essa dualidade antitética.

 

Casou-se em 1935 com Pedro Esmeraldo Serra, na Igreja Matriz de Macaúbas. Comemorou bodas de ouro em 1985, na Igreja Matriz de Brumado. O casal teve os seguintes filhos: Celeste, Célia, Olympio, Ordep, Bárbara e Ana Elvira, todos profissionalmente realizados e distinguidos pela competência e sapiência: Pedagogo, Antropólogo, Médico, Escritor e Poeta que herdaram a veia da inteligência da mãe, uma autodidata de inteligência refinada pela leitura.

 

Muito religiosa, incentivou o filho Olympio a estudar no seminário para ser padre. O destino, porém, encarregou-se de desfazer esse plano, sem, contudo, tirar a concepção humana do antropólogo.

 

Em Brumado, foi secretária do Ginásio General Nelson de Melo, bibliotecária na Biblioteca Municipal Jarbas Passarinho, vereadora, vice-presidente da Câmara, presidente da Casa, líder do Governo e prefeita do município, quando o prefeito Juracy esteve no exterior. Seu mandato extinguiu-se em 17/06/1974, sendo substituída por José Meira de Oliveira.

 

Oradora elogiada por correligionários e adversários. Querida pelos seus pares. Entendia que a amizade estava acima das divergências políticas e para todos tinha um tratamento igualitário.

 

 Merecem ser relatados outros feitos de D. Esther: dedicou o poema Nossa Senhora dos Verdes ao brumadense Antonio Rizério Leite e compôs a letra do Hino do Município de Rio de Contas com melodia do maestro Esaú Pinto. Em 1959, Compôs o hino a São Sebastião, que é comemorado em 20 de janeiro.  Apresentou o primeiro presépio vivo em frente à Igreja Matriz, com encenação teatral na Missa do Galo – O nascimento de Jesus. Na missa dos domingos, nas novenas do mês de maio, nas celebrações festivas da igreja matriz, os cânticos sagrados ecoavam acompanhados do som melodioso do órgão tão habilmente dedilhado por D. Esther.

 

Foi sua a idealização da Bandeira e do Brasão Municipais. Ela esteve no Mosteiro de São Bento e procurou uma autoridade religiosa, o internacionalmente famoso heraldista Frei Paulo da Ordem de São Bento da Bahia  para orientá-la, e este lhe sugeriu a colocação da cruz como símbolo heráldico, firmada em vermelho, cor símbolo do padroeiro Bom Jesus, e o amarelo  representando a cidade. Sendo a cruz inspiração fundamental da religião cristã, inseriu, no Brasão Oficial do Município de Brumado, a expressão latina IN OMNIBUS CRUX (EM TUDO A CRUZ).

 

Diante desses dados, desenhou e pintou a Bandeira e o Brasão, obedecendo às normas heráldicas, os quais tiveram a aprovação da Câmara através da resolução nº 01/72, assinada pelo presidente Miguel da Mata Dias e pelo 1º secretário Péricles Jardim Sélis. O Brasão passou a ser utilizado nas correspondências oficiais do município (Legislativo e Executivo), conforme determinado na resolução número 01/72, de 20 de abril de 1972. Em 6 de dezembro de 2007, por aprovação da Câmara de Vereadores e sancionada pelo prefeito, através da Lei nº 1.510, a expressão foi trocada para IN OMNIBUS PRIMUS (EM TUDO O PRIMEIRO).

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ARTIGO ANTÔNIO NOVAIS TORRES: 'CULTIVO DA MAMONA'

ARTIGO ANTÔNIO NOVAIS TORRES: 'CULTIVO DA MAMONA'
Antônio Novais Torres

O município de Brumado já foi um grande produtor de mamona. Existiam aqui, pelo menos, quatro empresas compradoras e exportadoras do produto, as indústrias IMBASA, SAMBRA, C.C.A.I., do grupo COELHO (Pernambuco) e a firma comercial J. Aguiar & Cia Ltda., além dos compradores autônomos vindos dos estados do norte que faziam um comércio paralelo. Lembro-me da movimentação nessas empresas, dezenas de caminhões e carretas chegavam e saíam carregadas, diariamente. A economia agrícola do município era sustentada, basicamente, pelas culturas do algodão, da mamona, do feijão-macáçar, da mandioca e criatório de cabras e ovelhas.  As terras e o clima da região são propícios para essas culturas que são bastante resistentes à seca e gostam muito de sol. Portanto, essas características revelam que esses produtos são as nossas vocações.

O município de Brumado já foi um grande produtor de mamona. Existiam aqui, pelo menos, quatro empresas compradoras e exportadoras do produto, as indústrias IMBASA, SAMBRA, C.C.A.I., do grupo COELHO (Pernambuco) e a firma comercial J. Aguiar & Cia Ltda., além dos compradores autônomos vindos dos estados do norte que faziam um comércio paralelo.

 

Lembro-me da movimentação nessas empresas, dezenas de caminhões e carretas chegavam e saíam carregadas, diariamente. A economia agrícola do município era sustentada, basicamente, pelas culturas do algodão, da mamona, do feijão-macáçar, da mandioca e criatório de cabras e ovelhas.  As terras e o clima da região são propícios para essas culturas que são bastante resistentes à seca e gostam muito de sol. Portanto, essas características revelam que esses produtos são as nossas vocações.

 

Quero tratar neste artigo, fundamentalmente, sobre a importância da cultura da mamona em nosso município, visto que serve de base para a produção do biodiesel, constante de uma Medida Provisória de nº 214/04 que modifica a Lei do Petróleo, e está sendo apreciada no Congresso Nacional. Já existem projetos que autorizam a mistura do óleo diesel ao óleo vegetal, também chamado de “óleo verde” que, tem na mamona o seu principal componente e é misturado ao óleo diesel, na proporção de 2%. Daí, a grande significação dessa cultura para a nossa região.

 

Há, portanto, de se esperar da Secretaria de Agricultura do Município, o empenho em fazer parcerias com os órgãos de desenvolvimento agrícola do Estado em convênio com a EMBRAPA e com as empresas interessadas na produção, industrialização e comercialização da mamona e derivados, acionar os agentes financeiros, no sentido de se estimular o plantio e a cultura da mamona, sendo ela in natura, também uma fonte de geração de emprego e rendas, que atende ao objetivo de se viabilizar a geração de trabalho em terras do semiárido.

 

Existe, inclusive, uma proposta do deputado Alberto Silva (PMDB-PI) para que sejam criadas associações de famílias, as quais, com a obtenção de financiamento, possam instalar um conjunto industrial para extração do óleo e fabricação de adubo e diz ainda o deputado “Para quem vive hoje a angústia de enfrentar secas e passar fome uma renda de R$600,00 (mensal) é quase um milagre”.

 

O cultivo da mamona é simples, pouco exigente no que se refere ao solo e ao clima, sendo uma boa alternativa para os pequenos produtores no âmbito da agricultura familiar, além do que, os cachos da mamoneira não amadurecem de uma vez, proporcionando colheita quase o ano inteiro, portanto, ocupação diária para a família, e cuja facilidade de comercialização propicia dinheiro na mão a qualquer dia, para custear as pequenas despesas domésticas.

 

Outra alternativa é a possibilidade do plantio consorciado com feijão, algodão e mandioca.  Estudos estão sendo desenvolvidos para o cultivo consorte também com o amendoim e gergelim de ciclo rápido de colheita. Entretanto, como qualquer outra cultura, o agricultor precisa observar as recomendações e orientações dos órgãos técnicos com relação à escolha da área, preparação do solo, adubação e calagem, cuidar das doenças e do controle de pragas, rotação cultural, colheita, secagem e armazenamento a fim de que tenha bom resultado.

 

Com o advento do programa biodiesel, a exemplo do Programa Nacional do Álcool, o biodiesel é mais uma alternativa de energia para o Brasil, identificado, como “combustíveis verdes” que poderá vir a ser a revitalização da economia Norte/Nordeste e fonte de milhares de empregos, uma meta governamental, pois cada hectare plantado dá emprego a uma pessoa e produz cerca de 500 litros de biodiesel, um combustível não poluente que contribuirá para a melhoria da qualidade ambiental e de vida das pessoas.

 

Há grupos empresariais interessados no Programa Brasileiro de Biocombustíveis e prontos para a industrialização do biodiesel nas regiões do Nordeste e Centro-Oeste. Além do óleo de excelentes propriedades e de inúmeras aplicações nas indústrias como fabricação de tintas, vernizes, cosméticos, sabões, plásticos, corantes, anilinas, desinfetantes, germicidas, colas etc., igualmente como óleo lubrificante se destaca pelas características exclusivas de queimar sem deixar resíduos e suportar altas temperaturas sem perder a viscosidade, que supera os óleos de petróleo.

 

Enfim, da mamona aproveita-se tudo: da industrialização obtém-se como produto principal o óleo e como subproduto, a torta, que possui, enquanto fertilizante, a capacidade de regeneração das terras cansadas. As folhas servem de alimento para uma espécie do bicho- da-seda. A haste, além de celulose para a fabricação de papel, fornece também matéria-prima para a produção de tecidos grosseiros.

 

 Como se vê, a mamona pode ser considerada a salvação da pobreza do Nordeste. Cabe aos governos federal, estaduais e municipais se entenderem e formularem políticas públicas agrícolas de incentivo, estímulo, orientação técnica e financiamento da lavoura da mamona como forma de se resgatar a dignidade do homem do campo, com emprego e trabalho honrado para toda a família sem precisar mendigar as esmolas sociais do governo e produzir o seu próprio sustento.

 

A cultura da mamona com o programa do biodiesel será o instrumento e uma das formas de se incrementar o desenvolvimento econômico-social e o progresso de Brumado e da região, creio piamente nisso.

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BIOGRAFIA NICE PUBLIO DA SILVA LEITE

BIOGRAFIA NICE PUBLIO DA SILVA LEITE
Antônio Novais Torres

Biografia Nice Publio da Silva Leite


Por Antonio Novais Torres


Nice Publio da Silva nasceu na cidade de Caetité/BA, em 06/12/1914, era filha de José Elísio da Silva e Arminda Publio da Silva.

 

Estudou e formou-se professora aos 16 anos, pela Escola Normal de Caetité, a primeira escola do alto-sertão a formar professores. Exerceu a profissão com determinação e muita competência, com a austeridade que lhe era peculiar, deixando marcas indeléveis de um trabalho profícuo pela vocação educacional a que se propôs e dedicou.

 

Inicialmente, fora nomeada pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia como professora da cidade de Candeal. Depois foi transferida para Brumado e, inicialmente, lecionou na zona rural. Enfrentou as dificuldades da falta de transportes adequados e, com firmeza, venceu todos os obstáculos com coragem, para a execução do trabalho a que se propunha.

Biografia Nice Publio da Silva Leite


Por Antonio Novais Torres


Nice Publio da Silva nasceu na cidade de Caetité/BA, em 06/12/1914, era filha de José Elísio da Silva e Arminda Publio da Silva.

 

Estudou e formou-se professora aos 16 anos, pela Escola Normal de Caetité, a primeira escola do alto-sertão a formar professores. Exerceu a profissão com determinação e muita competência, com a austeridade que lhe era peculiar, deixando marcas indeléveis de um trabalho profícuo pela vocação educacional a que se propôs e dedicou.

 

Inicialmente, fora nomeada pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia como professora da cidade de Candeal. Depois foi transferida para Brumado e, inicialmente, lecionou na zona rural. Enfrentou as dificuldades da falta de transportes adequados e, com firmeza, venceu todos os obstáculos com coragem, para a execução do trabalho a que se propunha.

 

 Na zona rural, não só lecionou com determinação e competência, mas também era conciliadora e exercia o papel de conselheira familiar, orientando sobre os cuidados com higiene, etc. Fez inúmeros amigos e conquistou a confiança de todos.

 

Posteriormente foi transferida para a sede do município, onde ministrou aulas, por muitos anos, em diversas escolas, especialmente no Grupo Escolar Getúlio Vargas. Talvez tenha sido a primeira professora pública do município. Ensinou história no Ginásio General Nelson de Melo, com método que obrigava o aluno a copiar o assunto ministrado e pesquisar em diversos livros, porquanto as provas não se restringiam sómente ao assunto ventilado em sala de aula.

 

Foi Delegada Escolar do município durante muitos anos, com administração proba e eficiente. Dinâmica, visitava todas as escolas a pé, um trabalho desgastante, porém feito com a responsabilidade que o cargo exigia. Era intransigente no cumprimento do seu dever.

 

 Organizava, com extrema dedicação, as festas cívicas, especialmente o 7 de Setembro, envolvendo a direção, o corpo docente e o discente, momento em que os alunos reviviam, através das apresentações, os fatos históricos da nossa pátria e ressaltavam as riquezas materiais, a natureza indígena e a cultura do país.

 

Incorporada pelo espírito cívico, solicitava fidelidade às tradições e o respeito ao passado e de amor à pátria. Exigia dos alunos que cantassem os hinos à Bandeira (Letra de Olavo Bilac e música de Francisco Braga) e o Nacional (Letra escrita por Joaquim Osório Duque Estrada e música de Francisco Manuel da Silva). Determinava que todas as escolas, antes da entrada para as aulas, colocassem-se em posição de respeito para cantar esses hinos.

 

 Coordenou, por 10 anos, com absoluta retidão, o Programa da Merenda Escolar com sede em Brumado, o qual abrangia 60 municípios. 

 

A professora Nice foi protagonista na formação de muitos cidadãos que hoje exercem diversas profissões e se recordam da mestra como propulsora de seus conhecimentos culturais, do aprendizado adquirido. Ela foi uma das que fizeram parte do quadro inaugural (1958) de professores do Ginásio General Nelson de Melo – pertencente à Fundação Educacional de Brumado – cujo presidente era o Monsenhor Antônio da Silveira Fagundes que contou com a ajuda primordial do Capitão Waldir Magalhães Pires e de outros cidadãos comprometidos com a educação dos brumadenses.

 

Mais tarde, o Monsenhor criou o curso de Pedagogia Dr. Pompílio Leite, pertencente ao GGNM, onde D. Nice lecionou História do Brasil e História Geral –  matérias do seu inquestionável conhecimento – e o fazia com detalhes de fatos e datas, sem qualquer consulta a livros,  a ponto de se dizer que ela tinha a História gravada em sua mente.

 

Em janeiro de 1950, casou-se com o comerciante Armênio da Silva Leite, quando  passou a chamar-se Nice Públio da Silva Leite.  O Sr. Armênio foi, também, homenageado com a denominação de seu nome em um logradouro do bairro São Joaquim.

 

Armênio nasceu em 25/03/1911, em Brumado, era filho do coletor Estadual Abílio da Silva Leite (Bio), falecido em 24/10/1952, com 76 anos de idade e de Tibéria Angélica da Silva Leite (Tibirinha), falecida em 13/01/1957, com 78 anos de idade. Ambos nascidos em Brumado e enterrados no cemitério municipal Senhor do Bonfim.

 

O casal Armênio/Nice teve quatro filhos: a primeira, de prenome Dornélia, faleceu com poucos meses de nascida; Robério Publio da Silva Leite (2º grau e curso de Processamento de Dados), Leandro Publio da Silva Leite (médico) e Nadja Publio da Silva Leite (médica), estes atuam em Salvador/BA.

 

A professora Nice Publio da Silva Leite aposentou-se em 1973, com 59 anos de idade. Faleceu em 16 de maio de 1988, vítima de um Acidente Vascular Encefálico, popularmente conhecido por derrame, com 73 anos de idade. Seu esposo, Armênio da Silva Leite, faleceu em 24/08/1989, com 79 anos de idade, ambos está sepultado no cemitério municipal Senhor do Bonfim.

 

Em homenagem pelo seu trabalho abnegado dedicado à educação do município, a Câmara Municipal de Vereadores de Brumado apresentou um decreto (sancionado em 21 de março de 1991, através da Lei 976, pelo então prefeito), o qual denominou o prédio escolar, recém-construído pela prefeitura, situado na Rua Sergipe, de “Escola Nice Publio da Silva Leite”, reconhecida pelo Diário Oficial de 9 de novembro de 1995. Essa  homenagem teve a indicação do então vereador Geraldo Leite Azevedo, aprovada por unanimidade pelos seus pares. Por considerar Dona Nice uma pessoa culturalmente rica com serviços dedicados à educação e à cultura brumadense, fez por justiça e merecimento,  a referida indicação. Ele foi seu aluno e, nessa qualidade, um admirador da educadora, por possuir uma bagagem invejável de conhecimentos. Depois de formado, prestou à família serviços médicos, assistiu Dona Nice na sua convalescença e atestou o seu óbito. A consideração e o parentesco foram vínculos que se somam à sua estima pela mestra.

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ARTIGO: SEGREDO DE VIDA E DE MORTE

ARTIGO: SEGREDO DE VIDA E DE MORTE
Antônio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres 


José, era um homem simples, viveu na zona rural, era muito trabalhador, habilidoso e  muito ativo, por suas qualidades enveredou-se no comércio de café, gado e outros produtos agrícolas. Mudou-se para a cidade, envolveu-se com política, foi vereador, fez muitos amigos entre os políticos, líderes do município e do estado, privando da amizade de muitos “figurões” enfim, era uma pessoa requisitada pelo prestígio dos votos. Casou-se e teve oito filhos, exatamente quatro casais, bom esposo e pai exemplar, tinha o respeito e a consideração da família.  Patriarca e conselheiro da prole e  de todos os parentes era uma pessoa respeitada por suas decisões corretas e sensatas, sua palavra era inquestionável. Nas festas de aniversário, casamento, batizado, em sua casa, era o patrono, como convém ao bom político, ficava no alpendre a receber os parentes e amigos, cumprimentava a todos e os encaminhava às filhas para as honras da casa, era o primeiro a abrir  e o último a encerrar a festa, assim lhe competia como anfitrião.

Por Antonio Novais Torres 


José, era um homem simples, viveu na zona rural, era muito trabalhador, habilidoso e  muito ativo, por suas qualidades enveredou-se no comércio de café, gado e outros produtos agrícolas. Mudou-se para a cidade, envolveu-se com política, foi vereador, fez muitos amigos entre os políticos, líderes do município e do estado, privando da amizade de muitos “figurões” enfim, era uma pessoa requisitada pelo prestígio dos votos.

 

Casou-se e teve oito filhos, exatamente quatro casais, bom esposo e pai exemplar, tinha o respeito e a consideração da família.  Patriarca e conselheiro da prole e  de todos os parentes era uma pessoa respeitada por suas decisões corretas e sensatas, sua palavra era inquestionável.

 

Nas festas de aniversário, casamento, batizado, em sua casa, era o patrono, como convém ao bom político, ficava no alpendre a receber os parentes e amigos, cumprimentava a todos e os encaminhava às filhas para as honras da casa, era o primeiro a abrir  e o último a encerrar a festa, assim lhe competia como anfitrião.

 

Os filhos foram crescendo,  casando-se, e a prole aumentando, sua esposa, dona Joana, era das prendas domésticas, simples, humilde, muito religiosa, cuidava dos filhos com extremada dedicação e zelo igualmente tratamento dispensava aos netos. Ao marido obedecia cegamente, tinha nele o protótipo de homem exemplar: bom pai, esposo fiel e cumpridor dos deveres e obrigações conjugais. Os  familiares, não tinha do que se queixar. Dizia para as amigas, igual a José está para nascer, ele foi o presente que Deus me  deu.

 

A vida se encarrega, às vezes, de pregar surpresas desagradáveis. Diz a sabedoria popular: “O destino é incerto e o futuro a Deus pertence”, uma verdade insofismável. José, com o passar do tempo, foi perdendo o prestígio político e em consequência, também os amigos, especialmente os oportunistas. A idade, já avançada, o prestígio em decadência, tornou-se um homem recluso ao ambiente familiar, dedicando-se exclusivamente ao carinho dos netos.

 

Via os netos com olhos diferentes dos que via os filhos, aos a que  não teve o tempo necessário para dedicar maior atenção, por conta da vida atribulada de político, sempre em reuniões, em encontros, e nos bate-papos das festas para as quais era convidado. Antes, o comportamento dos meninos era visto como peraltice, travessuras, falta de educação etc., agora, com idade provecta, o conceito era de que menino que não é ativo é doente e todo tipo de extravasamento dos netos não tinha censura, era motivo de hilaridade, achava tratar-se de inteligência, de sabedoria, de vigor e impetuosidade, segundo suas explicações.

 

Ocorre que José teve um caso amoroso, oculto sob “sete capas”, pouca gente sabia desse seu affaire, a família então, nem imaginava que tal ocorrência fosse possível. Entretanto, a idade provecta deixava-o bastante preocupado quanto ao futuro da segunda família. Em suas lucubrações, pedia a Deus para lhe dar uma solução, lhe indicar um caminho para resolver tamanho problema, não queria desapontar a esposa nem decepcionar os filhos.

 

Um dia, veio-lhe uma visão de que deveria procurar a filha mais velha, por nome Berenice, segundo a visão, a única a solucionar o problema. A princípio, ficou indeciso, depois criou coragem e chamou a filha para uma conversa reservada e  confidenciou-lhe:  “Berenice, preciso lhe contar um segredo de vida e de morte, entretanto, só lhe relatarei este segredo depois de ouvir de sua boca o juramento de não  o revelar a ninguém, nem a sua mãe, nem aos irmãos, a nenhuma outra pessoa.” Berenice ficou assustada e perplexa, porém, diante do pedido do pai, prestou-lhe juramento em nome de Deus e de todos os santos, levar o segredo consigo para o túmulo.

 

“Pode contar, pai, estou a lhe escutar”, e o velho, cheio de dedos, passou a dizer-lhe de  uma amante com quem tinha filhos e, sentindo que estava prestes a morrer, pela idade avançada e a doença de que era portador, estava preocupado com a outra família. Pedia-lhe então que não a  deixasse passar nenhuma  necessidade. Estupefata, sem querer acreditar, perguntou-lhe: “pai, o senhor está caducando?”.

 

“Não, minha filha, é a pura verdade, que tem me atormentado todos estes anos, e não tive a coragem de assumir, o faço agora, para descarrego de consciência, não quero deixá-los na indigência, não são culpados da minha irresponsabilidade”.

 

A filha, ainda indignada, “o senhor teve a coragem de enganar a mamãe e a todos nós?”, José, aos prantos, segurando as mãos da filha, pediu-lhe perdão e que ela não fugisse ao compromisso assumido. “Pode ficar tranquilo, o meu juramento será mantido, ainda que surpresa e decepcionada com esta revelação, pois nunca o julguei capaz desta traição; aliás, esse deve ser o pensamento de toda a família que o considerava um homem exemplar, de moral irrepreensível”.

 

Dias depois, José parte para outra dimensão universal, mas com a compreensão de que agira de acordo com a sua consciência, se foi ou não correta a sua atitude não nos cabe julgá-lo, fica a cada um a reflexão do julgamento.

 

Esta é uma peça de ficção, qualquer semelhança com caso real é mera coincidência.

 

Antonio Novais Torres
[email protected]
Brumado/BA em 30/05/2002.

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BIOGRAFIA: MARIA NILZA DOS SANTOS AZEVEDO

BIOGRAFIA: MARIA NILZA DOS SANTOS AZEVEDO
Antônio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres


Maria Nilza dos Santos Azevedo descende de umafamília, cujas mulheres sãovocacionadas para a educação – a família Azevedo. Nasceu no dia 19 de fevereiro de 1934, na fazenda São Gonçalo, município de Livramento do Brumado, hoje, Livramento de Nossa Senhora. Filha de Agnelo dos Santos Azevedo e Celsina dos Santos Azevedo. A suainstrução primária foi na Escola de Ubiraçaba,distritocom o mesmo nome, pertencente ao município de Brumado, tendo como primeira professora Giselda Castro. Diplomou-se em professora primariaem 1951 pela Escola Normal de Caetité, instituição modelarde ensino para formação de professores, fundada pelo Caetiteense, Governador Rodrigues Lima em 1896,a primeira do Alto Sertão baiano a formar professores. Por razões política  foi fechada no governo de Severino Vieira. Em suas instalações, por quase duas décadas,  constituiu-se o Instituto São Luís Gonzaga, de padres jesuítas europeus, dotando a cidade sertaneja da mais alta qualidade de ensino,considerado berço cultural e intelectual do sertão baiano.

Por Antonio Novais Torres

Maria Nilza dos Santos Azevedo descende de umafamília, cujas mulheres sãovocacionadas para a educação – a família Azevedo.

 

Nasceu no dia 19 de fevereiro de 1934, na fazenda São Gonçalo, município de Livramento do Brumado, hoje, Livramento de Nossa Senhora.Filha de Agnelo dos Santos Azevedo e Celsina dos Santos Azevedo.

 

A suainstrução primária foi na Escola de Ubiraçaba,distritocom o mesmo nome, pertencente ao município de Brumado, tendo como primeira professora Giselda Castro. Diplomou-se em professora primariaem 1951 pela Escola Normal de Caetité, instituição modelarde ensino para formação de professores, fundada pelo Caetiteense, Governador Rodrigues Lima em 1896,a primeira do Alto Sertão baiano a formar professores. Por razões política  foi fechada no governo de Severino Vieira. Em suas instalações, por quase duas décadas,  constituiu-se o Instituto São Luís Gonzaga, de padres jesuítas europeus, dotando a cidade sertaneja da mais alta qualidade de ensino,considerado berço cultural e intelectual do sertão baiano.

 

No ano de 1926, o  governador Góes Calmon, e Anísio Teixeira  cargo equivalente, hoje,  a secretário de educação, a Escola Normal é novamente instituída. Foramenviados para Caetité  os melhores mestres, mantendo assim a longa tradição que tornaria esta pequena cidade reconhecida pela formação cultural e intelectual privilegiada.

 

Submeteu-sea concurso público para o exercício da profissão, aprovada, foi nomeada para lecionar em Itaquaraí distrito de Brumado, onde permaneceu por pouco tempo,em seguida veio ensinar na Escola Estadual Getúlio Vargas, hoje, Grupo escolar Getúlio Vargas (GV).

 

PARTICIPOU DE DIVERSOS CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO:


Especialização de professor básico para surdose mudos no Rio de Janeiro,em 1958, obtendo êxitos com aprovação para o exercício do ensino pertinente. Pelo seu destaque de inteligência aguçada, fora escolhida para oradora da turma que em discurso enalteceu o trabalho do Instituto Nacional de Educação de Surdos, uma obra de redenção do surdo-mudo brasileiro. O discurso foi publicado no “Diário Carioca” em 10/01/1958.

 

Iniciativa: Foi pioneira da escola criada para surdos-mudosem Salvado/BA,com essa finalidade. Outros cursos adicionais que participou: diploma de personalidade através do desenho; diploma de problemas infantis; curso de fundamentos, técnica e recreações; Secretária de Educação e Cultura com certificado de aproveitamento; certificado de frequência integral; ciclo de conferência sobre Direito Social pelo Instituto de aposentadoria dos Comerciários (IAPC);diploma de participação do II Congresso Nacional da Alfabetização para Adultos, no Rio de Janeiro.

 

Enquantoexercia o magistério, conseguiu transferênciapara atuar como professora básica do curso de surdos e mudos em Brumado,um pioneirismo na cidade.

 

Em viagem de trem (RFFSA) deSalvador para Brumado em conversa com o então capitão Waldir Magalhães Pires, surgiu a ideia de se fundar um colégio em Brumado que carecia desse ensino. Ambos organizaram um curso de admissão ao ginásio cujos exames foram prestados em Caetité, e com outros abnegados da educação,viabilizaram e iniciaram o curso ginasialno Colégio General Nelson de Melo – nome dado pelo capitão Waldir Pires emhomenagem ao então comandante das ForçasExpedicionária Brasileira que lutou ao lado dos Aliados na Itália durante asegunda guerra mundial(1939-1945) envolvendo a maioria das nações do mundo, vitoriosa na tomada do Monte Castelo, por parte dos brasileiros. Por conseguinte afundação da entidade contou com a sua participação.

 

Posteriormente com a finalidade de tornar o Colégio Estadual de Brumado,  referência de ensino-aprendizagem para as Escolas da região, bem como para beneficiara sociedade, o GGNM foi transferido para o Estado com o nome de Colégio Estadual de Brumado (CEB).

 

Em 1961 ensinoua disciplina Geografia,Didática Escolar e Administração Escolarno colégio General Nelson de Melo.  Suavida foidedicada à educação e nessa profissão foi exemplo de competência profissional. A professora Maria Nilza falava: “Querer é poder. Nunca se alcança o que se deseja, sem empregar os seus esforços”.

 

Casou-seem 6 de junho de 1964 na Igreja Matriz de Brumado com David Bonfim da Silvae o casal teve uma filha, prematura,nascida em 11/09/1967,que deu o nome de Cláudia Azevedo Silva.

 

Faleceu em Salvador no Hospital Português, em 07/09/1973, com 39 anos, no dia em que se comemora a independência do Brasil,acometida de leucemia,cercada de carinho e contou com o apoio, asolidariedade dos pais, esposo, parentes e amigos. Foi trasladada para Brumado onde foi enterrada no cemitério municipal Senhor do Bonfim. Parentes, amigos e a comunidade acompanharam o cortejo fúnebre. Foi um exemplo de irmã,mestradedicada, amiga,esposa e mãe regida pelos princípios cristãos. Teve a vida ceifada, ainda jovem,pelos desígnios de Deus.

 

Culta, alegre simpática, dócil sincera, franca, modesta, simples e querida por todos que a conheciam,nunca alardeou os seus dotes intelectuais que era possuidora. Deixa saudades eternas com inesquecíveislembrançasdos que a amavam.

 

Em 1978 em honra à sua memória e à sua competência de educadora emérita a Escola “Cirandinha” fundada por Miriam Azevedo Gondim Meira e Edilsa Santos Silveira, em 1973.Com a ampliação, acrescendo os cursos de 5ª a 8ª séries,homenagearam a professora Nilza,dando o nome à escola de Centro de Educação Maria Nilza Azevedo Silva (CEMNAS), emreconhecimentoaquem foi exemplo na profissão de professora contribuindo decisivamente com a educação do município.

 

O loteamento Itapicuru por meio da Lei nº 800 de 23/11/1981 foi denominado: Bairro Maria Nilza Azevedo Silva. Em sua homenagem, também  dominaram,  no birro do hospital, a Rua Maria Nilza Azevedo Silva.

 

O conhecimento e o saber humano não se transmitem se o preceptor não estiver imbuído desse propósito, pois a cultura tem um processo dinâmico e é função de quem ensina colocar o aluno a pensar, a discernir e num processo evolutivo, capaz de compreender e definir com absoluta clareza o que leu, coma interpretação própria e correta do texto. Pelo que vimos,era esse o objetivo da professora Maria Nilza.

 

No país de Anísio Teixeira, de Paulo Freire, de Darcy Ribeiro, de Josué de Castro, de Milton Santos o magistério precisa ser valorizado e os preceptores não fugir  às suas responsabilidades, pois só a educação pode construir para o amanhã.

 

           

Fontes: Livro Recordar é viver de Agnelo dos Santos Azevedo;
Informações de Nely e Niete Azevedo (Filhas de Agnelo Azevedo, hoje,  com 104 anos completos),
Centro Educacional Maria Nilza Azevedo Silva (CEMNAS).

 

Antonio Novais Torres

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