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ARTIGO ANTÔNIO NOVAIS TORRES: 'CULTIVO DA MAMONA'

ARTIGO ANTÔNIO NOVAIS TORRES: 'CULTIVO DA MAMONA' Antônio Novais Torres

O município de Brumado já foi um grande produtor de mamona. Existiam aqui, pelo menos, quatro empresas compradoras e exportadoras do produto, as indústrias IMBASA, SAMBRA, C.C.A.I., do grupo COELHO (Pernambuco) e a firma comercial J. Aguiar & Cia Ltda., além dos compradores autônomos vindos dos estados do norte que faziam um comércio paralelo. Lembro-me da movimentação nessas empresas, dezenas de caminhões e carretas chegavam e saíam carregadas, diariamente. A economia agrícola do município era sustentada, basicamente, pelas culturas do algodão, da mamona, do feijão-macáçar, da mandioca e criatório de cabras e ovelhas.  As terras e o clima da região são propícios para essas culturas que são bastante resistentes à seca e gostam muito de sol. Portanto, essas características revelam que esses produtos são as nossas vocações.

O município de Brumado já foi um grande produtor de mamona. Existiam aqui, pelo menos, quatro empresas compradoras e exportadoras do produto, as indústrias IMBASA, SAMBRA, C.C.A.I., do grupo COELHO (Pernambuco) e a firma comercial J. Aguiar & Cia Ltda., além dos compradores autônomos vindos dos estados do norte que faziam um comércio paralelo.

 

Lembro-me da movimentação nessas empresas, dezenas de caminhões e carretas chegavam e saíam carregadas, diariamente. A economia agrícola do município era sustentada, basicamente, pelas culturas do algodão, da mamona, do feijão-macáçar, da mandioca e criatório de cabras e ovelhas.  As terras e o clima da região são propícios para essas culturas que são bastante resistentes à seca e gostam muito de sol. Portanto, essas características revelam que esses produtos são as nossas vocações.

 

Quero tratar neste artigo, fundamentalmente, sobre a importância da cultura da mamona em nosso município, visto que serve de base para a produção do biodiesel, constante de uma Medida Provisória de nº 214/04 que modifica a Lei do Petróleo, e está sendo apreciada no Congresso Nacional. Já existem projetos que autorizam a mistura do óleo diesel ao óleo vegetal, também chamado de “óleo verde” que, tem na mamona o seu principal componente e é misturado ao óleo diesel, na proporção de 2%. Daí, a grande significação dessa cultura para a nossa região.

 

Há, portanto, de se esperar da Secretaria de Agricultura do Município, o empenho em fazer parcerias com os órgãos de desenvolvimento agrícola do Estado em convênio com a EMBRAPA e com as empresas interessadas na produção, industrialização e comercialização da mamona e derivados, acionar os agentes financeiros, no sentido de se estimular o plantio e a cultura da mamona, sendo ela in natura, também uma fonte de geração de emprego e rendas, que atende ao objetivo de se viabilizar a geração de trabalho em terras do semiárido.

 

Existe, inclusive, uma proposta do deputado Alberto Silva (PMDB-PI) para que sejam criadas associações de famílias, as quais, com a obtenção de financiamento, possam instalar um conjunto industrial para extração do óleo e fabricação de adubo e diz ainda o deputado “Para quem vive hoje a angústia de enfrentar secas e passar fome uma renda de R$600,00 (mensal) é quase um milagre”.

 

O cultivo da mamona é simples, pouco exigente no que se refere ao solo e ao clima, sendo uma boa alternativa para os pequenos produtores no âmbito da agricultura familiar, além do que, os cachos da mamoneira não amadurecem de uma vez, proporcionando colheita quase o ano inteiro, portanto, ocupação diária para a família, e cuja facilidade de comercialização propicia dinheiro na mão a qualquer dia, para custear as pequenas despesas domésticas.

 

Outra alternativa é a possibilidade do plantio consorciado com feijão, algodão e mandioca.  Estudos estão sendo desenvolvidos para o cultivo consorte também com o amendoim e gergelim de ciclo rápido de colheita. Entretanto, como qualquer outra cultura, o agricultor precisa observar as recomendações e orientações dos órgãos técnicos com relação à escolha da área, preparação do solo, adubação e calagem, cuidar das doenças e do controle de pragas, rotação cultural, colheita, secagem e armazenamento a fim de que tenha bom resultado.

 

Com o advento do programa biodiesel, a exemplo do Programa Nacional do Álcool, o biodiesel é mais uma alternativa de energia para o Brasil, identificado, como “combustíveis verdes” que poderá vir a ser a revitalização da economia Norte/Nordeste e fonte de milhares de empregos, uma meta governamental, pois cada hectare plantado dá emprego a uma pessoa e produz cerca de 500 litros de biodiesel, um combustível não poluente que contribuirá para a melhoria da qualidade ambiental e de vida das pessoas.

 

Há grupos empresariais interessados no Programa Brasileiro de Biocombustíveis e prontos para a industrialização do biodiesel nas regiões do Nordeste e Centro-Oeste. Além do óleo de excelentes propriedades e de inúmeras aplicações nas indústrias como fabricação de tintas, vernizes, cosméticos, sabões, plásticos, corantes, anilinas, desinfetantes, germicidas, colas etc., igualmente como óleo lubrificante se destaca pelas características exclusivas de queimar sem deixar resíduos e suportar altas temperaturas sem perder a viscosidade, que supera os óleos de petróleo.

 

Enfim, da mamona aproveita-se tudo: da industrialização obtém-se como produto principal o óleo e como subproduto, a torta, que possui, enquanto fertilizante, a capacidade de regeneração das terras cansadas. As folhas servem de alimento para uma espécie do bicho- da-seda. A haste, além de celulose para a fabricação de papel, fornece também matéria-prima para a produção de tecidos grosseiros.

 

 Como se vê, a mamona pode ser considerada a salvação da pobreza do Nordeste. Cabe aos governos federal, estaduais e municipais se entenderem e formularem políticas públicas agrícolas de incentivo, estímulo, orientação técnica e financiamento da lavoura da mamona como forma de se resgatar a dignidade do homem do campo, com emprego e trabalho honrado para toda a família sem precisar mendigar as esmolas sociais do governo e produzir o seu próprio sustento.

 

A cultura da mamona com o programa do biodiesel será o instrumento e uma das formas de se incrementar o desenvolvimento econômico-social e o progresso de Brumado e da região, creio piamente nisso.

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BIOGRAFIA NICE PUBLIO DA SILVA LEITE

BIOGRAFIA NICE PUBLIO DA SILVA LEITE Antônio Novais Torres

Biografia Nice Publio da Silva Leite


Por Antonio Novais Torres


Nice Publio da Silva nasceu na cidade de Caetité/BA, em 06/12/1914, era filha de José Elísio da Silva e Arminda Publio da Silva.

 

Estudou e formou-se professora aos 16 anos, pela Escola Normal de Caetité, a primeira escola do alto-sertão a formar professores. Exerceu a profissão com determinação e muita competência, com a austeridade que lhe era peculiar, deixando marcas indeléveis de um trabalho profícuo pela vocação educacional a que se propôs e dedicou.

 

Inicialmente, fora nomeada pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia como professora da cidade de Candeal. Depois foi transferida para Brumado e, inicialmente, lecionou na zona rural. Enfrentou as dificuldades da falta de transportes adequados e, com firmeza, venceu todos os obstáculos com coragem, para a execução do trabalho a que se propunha.

Biografia Nice Publio da Silva Leite


Por Antonio Novais Torres


Nice Publio da Silva nasceu na cidade de Caetité/BA, em 06/12/1914, era filha de José Elísio da Silva e Arminda Publio da Silva.

 

Estudou e formou-se professora aos 16 anos, pela Escola Normal de Caetité, a primeira escola do alto-sertão a formar professores. Exerceu a profissão com determinação e muita competência, com a austeridade que lhe era peculiar, deixando marcas indeléveis de um trabalho profícuo pela vocação educacional a que se propôs e dedicou.

 

Inicialmente, fora nomeada pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia como professora da cidade de Candeal. Depois foi transferida para Brumado e, inicialmente, lecionou na zona rural. Enfrentou as dificuldades da falta de transportes adequados e, com firmeza, venceu todos os obstáculos com coragem, para a execução do trabalho a que se propunha.

 

 Na zona rural, não só lecionou com determinação e competência, mas também era conciliadora e exercia o papel de conselheira familiar, orientando sobre os cuidados com higiene, etc. Fez inúmeros amigos e conquistou a confiança de todos.

 

Posteriormente foi transferida para a sede do município, onde ministrou aulas, por muitos anos, em diversas escolas, especialmente no Grupo Escolar Getúlio Vargas. Talvez tenha sido a primeira professora pública do município. Ensinou história no Ginásio General Nelson de Melo, com método que obrigava o aluno a copiar o assunto ministrado e pesquisar em diversos livros, porquanto as provas não se restringiam sómente ao assunto ventilado em sala de aula.

 

Foi Delegada Escolar do município durante muitos anos, com administração proba e eficiente. Dinâmica, visitava todas as escolas a pé, um trabalho desgastante, porém feito com a responsabilidade que o cargo exigia. Era intransigente no cumprimento do seu dever.

 

 Organizava, com extrema dedicação, as festas cívicas, especialmente o 7 de Setembro, envolvendo a direção, o corpo docente e o discente, momento em que os alunos reviviam, através das apresentações, os fatos históricos da nossa pátria e ressaltavam as riquezas materiais, a natureza indígena e a cultura do país.

 

Incorporada pelo espírito cívico, solicitava fidelidade às tradições e o respeito ao passado e de amor à pátria. Exigia dos alunos que cantassem os hinos à Bandeira (Letra de Olavo Bilac e música de Francisco Braga) e o Nacional (Letra escrita por Joaquim Osório Duque Estrada e música de Francisco Manuel da Silva). Determinava que todas as escolas, antes da entrada para as aulas, colocassem-se em posição de respeito para cantar esses hinos.

 

 Coordenou, por 10 anos, com absoluta retidão, o Programa da Merenda Escolar com sede em Brumado, o qual abrangia 60 municípios. 

 

A professora Nice foi protagonista na formação de muitos cidadãos que hoje exercem diversas profissões e se recordam da mestra como propulsora de seus conhecimentos culturais, do aprendizado adquirido. Ela foi uma das que fizeram parte do quadro inaugural (1958) de professores do Ginásio General Nelson de Melo – pertencente à Fundação Educacional de Brumado – cujo presidente era o Monsenhor Antônio da Silveira Fagundes que contou com a ajuda primordial do Capitão Waldir Magalhães Pires e de outros cidadãos comprometidos com a educação dos brumadenses.

 

Mais tarde, o Monsenhor criou o curso de Pedagogia Dr. Pompílio Leite, pertencente ao GGNM, onde D. Nice lecionou História do Brasil e História Geral –  matérias do seu inquestionável conhecimento – e o fazia com detalhes de fatos e datas, sem qualquer consulta a livros,  a ponto de se dizer que ela tinha a História gravada em sua mente.

 

Em janeiro de 1950, casou-se com o comerciante Armênio da Silva Leite, quando  passou a chamar-se Nice Públio da Silva Leite.  O Sr. Armênio foi, também, homenageado com a denominação de seu nome em um logradouro do bairro São Joaquim.

 

Armênio nasceu em 25/03/1911, em Brumado, era filho do coletor Estadual Abílio da Silva Leite (Bio), falecido em 24/10/1952, com 76 anos de idade e de Tibéria Angélica da Silva Leite (Tibirinha), falecida em 13/01/1957, com 78 anos de idade. Ambos nascidos em Brumado e enterrados no cemitério municipal Senhor do Bonfim.

 

O casal Armênio/Nice teve quatro filhos: a primeira, de prenome Dornélia, faleceu com poucos meses de nascida; Robério Publio da Silva Leite (2º grau e curso de Processamento de Dados), Leandro Publio da Silva Leite (médico) e Nadja Publio da Silva Leite (médica), estes atuam em Salvador/BA.

 

A professora Nice Publio da Silva Leite aposentou-se em 1973, com 59 anos de idade. Faleceu em 16 de maio de 1988, vítima de um Acidente Vascular Encefálico, popularmente conhecido por derrame, com 73 anos de idade. Seu esposo, Armênio da Silva Leite, faleceu em 24/08/1989, com 79 anos de idade, ambos está sepultado no cemitério municipal Senhor do Bonfim.

 

Em homenagem pelo seu trabalho abnegado dedicado à educação do município, a Câmara Municipal de Vereadores de Brumado apresentou um decreto (sancionado em 21 de março de 1991, através da Lei 976, pelo então prefeito), o qual denominou o prédio escolar, recém-construído pela prefeitura, situado na Rua Sergipe, de “Escola Nice Publio da Silva Leite”, reconhecida pelo Diário Oficial de 9 de novembro de 1995. Essa  homenagem teve a indicação do então vereador Geraldo Leite Azevedo, aprovada por unanimidade pelos seus pares. Por considerar Dona Nice uma pessoa culturalmente rica com serviços dedicados à educação e à cultura brumadense, fez por justiça e merecimento,  a referida indicação. Ele foi seu aluno e, nessa qualidade, um admirador da educadora, por possuir uma bagagem invejável de conhecimentos. Depois de formado, prestou à família serviços médicos, assistiu Dona Nice na sua convalescença e atestou o seu óbito. A consideração e o parentesco foram vínculos que se somam à sua estima pela mestra.

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ARTIGO: SEGREDO DE VIDA E DE MORTE

ARTIGO: SEGREDO DE VIDA E DE MORTE Antônio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres 


José, era um homem simples, viveu na zona rural, era muito trabalhador, habilidoso e  muito ativo, por suas qualidades enveredou-se no comércio de café, gado e outros produtos agrícolas. Mudou-se para a cidade, envolveu-se com política, foi vereador, fez muitos amigos entre os políticos, líderes do município e do estado, privando da amizade de muitos “figurões” enfim, era uma pessoa requisitada pelo prestígio dos votos. Casou-se e teve oito filhos, exatamente quatro casais, bom esposo e pai exemplar, tinha o respeito e a consideração da família.  Patriarca e conselheiro da prole e  de todos os parentes era uma pessoa respeitada por suas decisões corretas e sensatas, sua palavra era inquestionável. Nas festas de aniversário, casamento, batizado, em sua casa, era o patrono, como convém ao bom político, ficava no alpendre a receber os parentes e amigos, cumprimentava a todos e os encaminhava às filhas para as honras da casa, era o primeiro a abrir  e o último a encerrar a festa, assim lhe competia como anfitrião.

Por Antonio Novais Torres 


José, era um homem simples, viveu na zona rural, era muito trabalhador, habilidoso e  muito ativo, por suas qualidades enveredou-se no comércio de café, gado e outros produtos agrícolas. Mudou-se para a cidade, envolveu-se com política, foi vereador, fez muitos amigos entre os políticos, líderes do município e do estado, privando da amizade de muitos “figurões” enfim, era uma pessoa requisitada pelo prestígio dos votos.

 

Casou-se e teve oito filhos, exatamente quatro casais, bom esposo e pai exemplar, tinha o respeito e a consideração da família.  Patriarca e conselheiro da prole e  de todos os parentes era uma pessoa respeitada por suas decisões corretas e sensatas, sua palavra era inquestionável.

 

Nas festas de aniversário, casamento, batizado, em sua casa, era o patrono, como convém ao bom político, ficava no alpendre a receber os parentes e amigos, cumprimentava a todos e os encaminhava às filhas para as honras da casa, era o primeiro a abrir  e o último a encerrar a festa, assim lhe competia como anfitrião.

 

Os filhos foram crescendo,  casando-se, e a prole aumentando, sua esposa, dona Joana, era das prendas domésticas, simples, humilde, muito religiosa, cuidava dos filhos com extremada dedicação e zelo igualmente tratamento dispensava aos netos. Ao marido obedecia cegamente, tinha nele o protótipo de homem exemplar: bom pai, esposo fiel e cumpridor dos deveres e obrigações conjugais. Os  familiares, não tinha do que se queixar. Dizia para as amigas, igual a José está para nascer, ele foi o presente que Deus me  deu.

 

A vida se encarrega, às vezes, de pregar surpresas desagradáveis. Diz a sabedoria popular: “O destino é incerto e o futuro a Deus pertence”, uma verdade insofismável. José, com o passar do tempo, foi perdendo o prestígio político e em consequência, também os amigos, especialmente os oportunistas. A idade, já avançada, o prestígio em decadência, tornou-se um homem recluso ao ambiente familiar, dedicando-se exclusivamente ao carinho dos netos.

 

Via os netos com olhos diferentes dos que via os filhos, aos a que  não teve o tempo necessário para dedicar maior atenção, por conta da vida atribulada de político, sempre em reuniões, em encontros, e nos bate-papos das festas para as quais era convidado. Antes, o comportamento dos meninos era visto como peraltice, travessuras, falta de educação etc., agora, com idade provecta, o conceito era de que menino que não é ativo é doente e todo tipo de extravasamento dos netos não tinha censura, era motivo de hilaridade, achava tratar-se de inteligência, de sabedoria, de vigor e impetuosidade, segundo suas explicações.

 

Ocorre que José teve um caso amoroso, oculto sob “sete capas”, pouca gente sabia desse seu affaire, a família então, nem imaginava que tal ocorrência fosse possível. Entretanto, a idade provecta deixava-o bastante preocupado quanto ao futuro da segunda família. Em suas lucubrações, pedia a Deus para lhe dar uma solução, lhe indicar um caminho para resolver tamanho problema, não queria desapontar a esposa nem decepcionar os filhos.

 

Um dia, veio-lhe uma visão de que deveria procurar a filha mais velha, por nome Berenice, segundo a visão, a única a solucionar o problema. A princípio, ficou indeciso, depois criou coragem e chamou a filha para uma conversa reservada e  confidenciou-lhe:  “Berenice, preciso lhe contar um segredo de vida e de morte, entretanto, só lhe relatarei este segredo depois de ouvir de sua boca o juramento de não  o revelar a ninguém, nem a sua mãe, nem aos irmãos, a nenhuma outra pessoa.” Berenice ficou assustada e perplexa, porém, diante do pedido do pai, prestou-lhe juramento em nome de Deus e de todos os santos, levar o segredo consigo para o túmulo.

 

“Pode contar, pai, estou a lhe escutar”, e o velho, cheio de dedos, passou a dizer-lhe de  uma amante com quem tinha filhos e, sentindo que estava prestes a morrer, pela idade avançada e a doença de que era portador, estava preocupado com a outra família. Pedia-lhe então que não a  deixasse passar nenhuma  necessidade. Estupefata, sem querer acreditar, perguntou-lhe: “pai, o senhor está caducando?”.

 

“Não, minha filha, é a pura verdade, que tem me atormentado todos estes anos, e não tive a coragem de assumir, o faço agora, para descarrego de consciência, não quero deixá-los na indigência, não são culpados da minha irresponsabilidade”.

 

A filha, ainda indignada, “o senhor teve a coragem de enganar a mamãe e a todos nós?”, José, aos prantos, segurando as mãos da filha, pediu-lhe perdão e que ela não fugisse ao compromisso assumido. “Pode ficar tranquilo, o meu juramento será mantido, ainda que surpresa e decepcionada com esta revelação, pois nunca o julguei capaz desta traição; aliás, esse deve ser o pensamento de toda a família que o considerava um homem exemplar, de moral irrepreensível”.

 

Dias depois, José parte para outra dimensão universal, mas com a compreensão de que agira de acordo com a sua consciência, se foi ou não correta a sua atitude não nos cabe julgá-lo, fica a cada um a reflexão do julgamento.

 

Esta é uma peça de ficção, qualquer semelhança com caso real é mera coincidência.

 

Antonio Novais Torres
antorres[email protected]
Brumado/BA em 30/05/2002.

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BIOGRAFIA: MARIA NILZA DOS SANTOS AZEVEDO

BIOGRAFIA: MARIA NILZA DOS SANTOS AZEVEDO Antônio Novais Torres

Por Antonio Novais Torres


Maria Nilza dos Santos Azevedo descende de umafamília, cujas mulheres sãovocacionadas para a educação – a família Azevedo. Nasceu no dia 19 de fevereiro de 1934, na fazenda São Gonçalo, município de Livramento do Brumado, hoje, Livramento de Nossa Senhora. Filha de Agnelo dos Santos Azevedo e Celsina dos Santos Azevedo. A suainstrução primária foi na Escola de Ubiraçaba,distritocom o mesmo nome, pertencente ao município de Brumado, tendo como primeira professora Giselda Castro. Diplomou-se em professora primariaem 1951 pela Escola Normal de Caetité, instituição modelarde ensino para formação de professores, fundada pelo Caetiteense, Governador Rodrigues Lima em 1896,a primeira do Alto Sertão baiano a formar professores. Por razões política  foi fechada no governo de Severino Vieira. Em suas instalações, por quase duas décadas,  constituiu-se o Instituto São Luís Gonzaga, de padres jesuítas europeus, dotando a cidade sertaneja da mais alta qualidade de ensino,considerado berço cultural e intelectual do sertão baiano.

Por Antonio Novais Torres

Maria Nilza dos Santos Azevedo descende de umafamília, cujas mulheres sãovocacionadas para a educação – a família Azevedo.

 

Nasceu no dia 19 de fevereiro de 1934, na fazenda São Gonçalo, município de Livramento do Brumado, hoje, Livramento de Nossa Senhora.Filha de Agnelo dos Santos Azevedo e Celsina dos Santos Azevedo.

 

A suainstrução primária foi na Escola de Ubiraçaba,distritocom o mesmo nome, pertencente ao município de Brumado, tendo como primeira professora Giselda Castro. Diplomou-se em professora primariaem 1951 pela Escola Normal de Caetité, instituição modelarde ensino para formação de professores, fundada pelo Caetiteense, Governador Rodrigues Lima em 1896,a primeira do Alto Sertão baiano a formar professores. Por razões política  foi fechada no governo de Severino Vieira. Em suas instalações, por quase duas décadas,  constituiu-se o Instituto São Luís Gonzaga, de padres jesuítas europeus, dotando a cidade sertaneja da mais alta qualidade de ensino,considerado berço cultural e intelectual do sertão baiano.

 

No ano de 1926, o  governador Góes Calmon, e Anísio Teixeira  cargo equivalente, hoje,  a secretário de educação, a Escola Normal é novamente instituída. Foramenviados para Caetité  os melhores mestres, mantendo assim a longa tradição que tornaria esta pequena cidade reconhecida pela formação cultural e intelectual privilegiada.

 

Submeteu-sea concurso público para o exercício da profissão, aprovada, foi nomeada para lecionar em Itaquaraí distrito de Brumado, onde permaneceu por pouco tempo,em seguida veio ensinar na Escola Estadual Getúlio Vargas, hoje, Grupo escolar Getúlio Vargas (GV).

 

PARTICIPOU DE DIVERSOS CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO:


Especialização de professor básico para surdose mudos no Rio de Janeiro,em 1958, obtendo êxitos com aprovação para o exercício do ensino pertinente. Pelo seu destaque de inteligência aguçada, fora escolhida para oradora da turma que em discurso enalteceu o trabalho do Instituto Nacional de Educação de Surdos, uma obra de redenção do surdo-mudo brasileiro. O discurso foi publicado no “Diário Carioca” em 10/01/1958.

 

Iniciativa: Foi pioneira da escola criada para surdos-mudosem Salvado/BA,com essa finalidade. Outros cursos adicionais que participou: diploma de personalidade através do desenho; diploma de problemas infantis; curso de fundamentos, técnica e recreações; Secretária de Educação e Cultura com certificado de aproveitamento; certificado de frequência integral; ciclo de conferência sobre Direito Social pelo Instituto de aposentadoria dos Comerciários (IAPC);diploma de participação do II Congresso Nacional da Alfabetização para Adultos, no Rio de Janeiro.

 

Enquantoexercia o magistério, conseguiu transferênciapara atuar como professora básica do curso de surdos e mudos em Brumado,um pioneirismo na cidade.

 

Em viagem de trem (RFFSA) deSalvador para Brumado em conversa com o então capitão Waldir Magalhães Pires, surgiu a ideia de se fundar um colégio em Brumado que carecia desse ensino. Ambos organizaram um curso de admissão ao ginásio cujos exames foram prestados em Caetité, e com outros abnegados da educação,viabilizaram e iniciaram o curso ginasialno Colégio General Nelson de Melo – nome dado pelo capitão Waldir Pires emhomenagem ao então comandante das ForçasExpedicionária Brasileira que lutou ao lado dos Aliados na Itália durante asegunda guerra mundial(1939-1945) envolvendo a maioria das nações do mundo, vitoriosa na tomada do Monte Castelo, por parte dos brasileiros. Por conseguinte afundação da entidade contou com a sua participação.

 

Posteriormente com a finalidade de tornar o Colégio Estadual de Brumado,  referência de ensino-aprendizagem para as Escolas da região, bem como para beneficiara sociedade, o GGNM foi transferido para o Estado com o nome de Colégio Estadual de Brumado (CEB).

 

Em 1961 ensinoua disciplina Geografia,Didática Escolar e Administração Escolarno colégio General Nelson de Melo.  Suavida foidedicada à educação e nessa profissão foi exemplo de competência profissional. A professora Maria Nilza falava: “Querer é poder. Nunca se alcança o que se deseja, sem empregar os seus esforços”.

 

Casou-seem 6 de junho de 1964 na Igreja Matriz de Brumado com David Bonfim da Silvae o casal teve uma filha, prematura,nascida em 11/09/1967,que deu o nome de Cláudia Azevedo Silva.

 

Faleceu em Salvador no Hospital Português, em 07/09/1973, com 39 anos, no dia em que se comemora a independência do Brasil,acometida de leucemia,cercada de carinho e contou com o apoio, asolidariedade dos pais, esposo, parentes e amigos. Foi trasladada para Brumado onde foi enterrada no cemitério municipal Senhor do Bonfim. Parentes, amigos e a comunidade acompanharam o cortejo fúnebre. Foi um exemplo de irmã,mestradedicada, amiga,esposa e mãe regida pelos princípios cristãos. Teve a vida ceifada, ainda jovem,pelos desígnios de Deus.

 

Culta, alegre simpática, dócil sincera, franca, modesta, simples e querida por todos que a conheciam,nunca alardeou os seus dotes intelectuais que era possuidora. Deixa saudades eternas com inesquecíveislembrançasdos que a amavam.

 

Em 1978 em honra à sua memória e à sua competência de educadora emérita a Escola “Cirandinha” fundada por Miriam Azevedo Gondim Meira e Edilsa Santos Silveira, em 1973.Com a ampliação, acrescendo os cursos de 5ª a 8ª séries,homenagearam a professora Nilza,dando o nome à escola de Centro de Educação Maria Nilza Azevedo Silva (CEMNAS), emreconhecimentoaquem foi exemplo na profissão de professora contribuindo decisivamente com a educação do município.

 

O loteamento Itapicuru por meio da Lei nº 800 de 23/11/1981 foi denominado: Bairro Maria Nilza Azevedo Silva. Em sua homenagem, também  dominaram,  no birro do hospital, a Rua Maria Nilza Azevedo Silva.

 

O conhecimento e o saber humano não se transmitem se o preceptor não estiver imbuído desse propósito, pois a cultura tem um processo dinâmico e é função de quem ensina colocar o aluno a pensar, a discernir e num processo evolutivo, capaz de compreender e definir com absoluta clareza o que leu, coma interpretação própria e correta do texto. Pelo que vimos,era esse o objetivo da professora Maria Nilza.

 

No país de Anísio Teixeira, de Paulo Freire, de Darcy Ribeiro, de Josué de Castro, de Milton Santos o magistério precisa ser valorizado e os preceptores não fugir  às suas responsabilidades, pois só a educação pode construir para o amanhã.

 

           

Fontes: Livro Recordar é viver de Agnelo dos Santos Azevedo;
Informações de Nely e Niete Azevedo (Filhas de Agnelo Azevedo, hoje,  com 104 anos completos),
Centro Educacional Maria Nilza Azevedo Silva (CEMNAS).

 

Antonio Novais Torres

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