O Café com o Brumado Agora entrevista Eduardo Vasconcelos

 

Nascido em 26 de julho de 1946, Eduardo Lima Vasconcelos é engenheiro Civil e por oito anos (2005/2012) comandou a Administração Municipal, em Brumado. Nascido na Rua Marcolino Rizério, nesta cidade, o filho de Virgílio Rizério e Antônia Alves de Lima Vasconcelos tem um vasto currículo e, atualmente, reintegra-se à vida cotidiana de sua cidade assumindo atividades empresariais e acadêmicas, dirigindo um posto de combustíveis, construindo imóveis industriais e lecionando a disciplina Mecânica dos Solos, contribuindo com a formação de jovens estudantes do IfBahia, no Curso de Edificações. Casado com a Juíza de Direito Mary Cunha Vasconcelos, pai de três filhos: Eduardo, Camila e Rodrigo e avô de quatro netos: Julia, Catarina, Eduardo e Cecília, Eduardo Vasconcelos é o entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora e conta um pouco sobre a sua trajetória.

 

 

Café com o Brumado Agora – Quem é Eduardo Lima Vasconcelos?


EduardoAcho que a minha história de vida em Brumado estabelece que eu tenha que me definir como um sertanejo da caatinga, cheio de ideais, e que ao longo destes 67 anos, eu posso dizer com muita propriedade que eu tenho 67 anos de idade: um físico provavelmente beirando os 70, sobretudo, em função dos desgastes da vida pública, um sistema ósseo que deve estar na faixa dos 80, e intelectualmente não cheguei aos 30, estou cheio de garra e de vontade de lutar e, sobretudo, contribuir para a construção deste País. Nasci aqui em Brumado, no centro da cidade, em 1946, na Rua que passa atrás da igreja, na Rua Marcolino Moura, onde passei boa parte da minha infância. Aqui na cidade estudei inicialmente no Colégio Getúlio Vargas, posteriormente no Colégio General Nelson de Melo, depois, por influência do meu irmão Miguel, fui fazer o seminário no Menor Diocesano de Caetité e de lá fui para Salvador, onde conclui o curso clássico, com a linha predominante na área de Humanas. Posteriormente, entendi que deveria fazer engenharia, que, aliás, sempre foi minha vocação de criança, pois gostava de construir, e fui para Ouro Preto fazer escola técnica de Mineração. Ao final prestei vestibular para Engenharia Civil, passei e conclui o curso em 1972. Hoje tenho 41 anos de profissão como engenheiro, porque mesmo quando estive na vida pública nunca abandonei as minhas tarefas com engenharia, e mais oito anos como prefeito de Brumado.


Café com o Brumado Agora –  Quais os sonhos do homem que teve a oportunidade de assumir a direção de uma cidade como Brumado por 8 anos?


Eduardo - Em termos de sonhos, esses nunca acabam, e eu pretendo realizar alguns. Gostaria muito de contribuir com este País e, sobretudo com o nosso Estado, no que diz respeito as mudanças políticas  que tem que acontecer neste País, como a reforma fiscal  e uma série de coisas. Eu cheguei a pensar, em determinada época que, como diz o poeta, há um período na vida em que você caminha atrás das esperanças, ou seja, as suas esperanças vão à frente. Na maturidade, você alcança essas esperanças e convive com elas, e na velhice você deixa estas esperanças para trás, como se fosse um sonho que não vai mais realizar. Eu ainda continuo olhando as minhas esperanças de frente, eu ainda tenho a esperança de ver este País fazer uma reforma fiscal muito boa, e, sobretudo uma reforma política, no sentido de dar uma nova formatação político-administrativa ao território brasileiro, baiano, e, sobretudo que faça com que se resgate a figura criminalizada chamada prefeito.




Café com o Brumado Agora – Porque o senhor acredita que o prefeito seja hoje uma figura tão “criminalizada”?


Eduardo - Porque o Prefeito foi transformado em criminoso devido aos atos de alguns e hoje sucumbe a ação dos demais poderes que trata o prefeito, sobretudo o prefeito de cidade de porte médio. Porque de porte médio? Porque os prefeitos de cidade grande têm as “costas largas”, no prefeito de cidade pequena a população é omissa no que diz respeito aos direitos civis e políticos  e denúncias, nem sempre legítimas, e o prefeito da cidade média, como tudo aquilo que é da cidade média, paga um preço muito alto  pelo fato de ser a pedra do meio. Nós da classe média, a grande parte esmagadora da população brasileira é aquela que luta, paga cinco, seis meses de ano de trabalho só para pagar impostos e não tem direito a segurança pública, não tem direito a escola  e saúde públicas descente.


Café com o Brumado Agora – Qual o maior legado deixado a Brumado por sua Administração?


Eduardo Sem dúvidas a Educação. Quanto obtive êxito, pela primeira vez nas eleições, em 2004, eu busquei de forma muito forte resgatar a educação, tanto é que o índice IDEB de Brumado saiu do 100º lugar e fomos para o 1º. Em 2005, Brumado era o 100º, em 2007 se tornou o 20º, em 2009 o 5º e quando eu deixei a Administração, em 2011 para 2012, já estava Brumado em 1º lugar no estado da Bahia na Prova Brasil. Consegui, ainda, municipalizar todas as escolas do município. Ou seja, eu vejo que a educação é a única forma de resgatar a cidadania, pois criando a cidadania os cidadãos têm mais interesse em fiscalizar, de forma participativa, tudo o que acontece no município. Acredito também que a criança que vence na escola, vence na vida. A criança que é derrotada na escola é derrotada na vida, isto é um binômio indissolúvel.




Café com o Brumado Agora – Qual sua opinião sobre as manifestações que tem ocorrido em todo País?


Eduardo - Toda vez que a sociedade se movimenta, através da juventude e dos setores mais sensíveis, como tem acontecido ultimamente, as classes políticas, ás vezes, se ressentem disso, não na busca de solucionar os problemas e sim para preservar seus quinhões. Estão aí os muitos e muitos políticos que se dizem salvadores da pátria e que “abocanham” fortunas e são estes, em minha opinião, que estão muito mais preocupados com os seus problemas fisiológicos. De certa forma, nós vivenciamos isso, num País onde o voto é fisiológico. Aqui em Brumado, ao longo de oito anos de administração, primei por uma melhor educação pública, porque é uma das formas de resgatar a cidadania, aliás, é a única.


Café com o Brumado Agora – Qual o lugar da família do senhor em meio a tantas atividades políticas e mais a função de engenheiro?


Eduardo - Vocês podem observar que em toda a minha trajetória política eu nunca fui um homem que subisse ao palanque e fizesse referência a minha família. É uma coisa que me emociona demais. As pessoas as quais eu amo me comovem. Então, geralmente as pessoas sobem no palanque e querem falar “meu pai, minha mãe, eu sou filho de beltrano, eu sou filho de sicrano”, eu no máximo citava minha esposa ou um filho que estivesse presente, isso, quando eu me lembrava, pois quase sempre me esquecia. Tudo isso porque as pessoas com as quais eu vivo são as que dão sentido a minha vida e são fundamentais nela, embora nem sempre eu goste de falar. Isso não é porque eu não goste delas, muito pelo contrário, eu não gosto de falar porque me comovem. Minha família me complementa e me dá forças e energia para lutar.




Café com o Brumado Agora - O que o senhor espera para o futuro desta cidade?


EduardoEspero tanta coisa, que talvez neste momento não desse para falar tudo. No entanto, o que é provável, e necessário que aconteça, em minha concepção, é que qualquer governante lúcido, capaz de olhar Brumado de cima, não pelo seu próprio umbigo, mais sim pela supremacia do bem comum, pense em construir um futuro para Brumado, priorizando o povo. Não existe Brumado sem o povo e, neste sentido, volta a Educação como bem necessário, o aprendizado, o acúmulo de conhecimento. É preciso, ainda, transformar Brumado em uma cidade boa para se morar que acolha o seu povo, é preciso repensar o espaço urbano da cidade.


Café com o Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para a população brumadense?


Eduardo – Quero deixar uma mensagem de muita esperança. Quero dizer ao povo de Brumado que somos os primeiros e vamos vencer.

 

Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.