BIOGRAFIA: DOUTOR MÁRIO RIZÉRIO LEITE

 BIOGRAFIA: DOUTOR MÁRIO RIZÉRIO LEITE Antônio Novais Torres

Por Antônio Novais Torres

 

 

Mário Rizério Leite, filho de Pompílio Dias Leite (Juiz de Direito) e Dona Deolina Rizério Moura Leite, nasceu em Brumado (Capital do Minério), no dia 08 de novembro de 1912, sob o signo de escorpião, o signo da água e de fortes emoções. Na juventude, eram a intensidade emocional, a paixão, o sexo, a necessidade de desvendar os mistérios do ser humano e da vida e o renascimento pessoal e dos relacionamentos que caracterizavam o futuro médico doutor Mário Rizério Leite. Seu primeiro mestre, em Brumado, foi o professor Galiza que o instruiu nas primeiras letras. Aos cinco anos de idade, Mário já estudava em escola pública. Aos seis anos, foi para o Instituto São Luiz Gonzaga, como interno, na vizinha cidade de Caetité, depois, para Salvador, como interno do Instituto Bahiano de Ensino. Posteriormente, estudou no Colégio Padre Antônio Vieira, de rigorosa disciplina Jesuíta. Ingressou, em 1931, na Faculdade de Medicina da Bahia (a primeira do Brasil, criada pelo médico pernambucano Correia Picanço com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808) e formou-se em 1937.

Por Antônio Novais Torres

 

Mário Rizério Leite, filho de Pompílio Dias Leite (Juiz de Direito) e Dona Deolina Rizério Moura Leite, nasceu em Brumado (Capital do Minério), no dia 08 de novembro de 1912, sob o signo de escorpião, o signo da água e de fortes emoções. Na juventude, eram a intensidade emocional, a paixão, o sexo, a necessidade de desvendar os mistérios do ser humano e da vida e o renascimento pessoal e dos relacionamentos que caracterizavam o futuro médico doutor Mário Rizério Leite.

 

Seu primeiro mestre, em Brumado, foi o professor Galiza que o instruiu nas primeiras letras. Aos cinco anos de idade, Mário já estudava em escola pública. Aos seis anos, foi para o Instituto São Luiz Gonzaga, como interno, na vizinha cidade de Caetité, depois, para Salvador, como interno do Instituto Bahiano de Ensino. Posteriormente, estudou no Colégio Padre Antônio Vieira, de rigorosa disciplina Jesuíta. Ingressou, em 1931, na Faculdade de Medicina da Bahia (a primeira do Brasil, criada pelo médico pernambucano Correia Picanço com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808) e formou-se em 1937.

 

Na Cerimônia de Colação de Grau, houve um imprevisto que decepcionou o formando, os seus familiares, parentes e amigos. O seu nome não constou na lista dos formandos e ele não foi chamado para colar grau, causando tristeza e frustração com a sensação de injustiça. A família, após a colação de grau dos demais formandos, protestou junto à direção da faculdade, pela falha inominável. O diretor, constrangido, prometeu reparar o erro e, no dia seguinte, convocou toda a faculdade: Conselho e Professores que compuseram a mesa e, na noite de 17 de dezembro, Mário Rizério Meira colou grau sozinho sob forte emoção dos presentes – familiares parentes e amigos.

 

No período de acadêmico de medicina, para aliviar as despesas do pai, atuou como repórter no jornal O Imperial. O novel funcionário decepcionou-se com o seu fechamento pela revolução de 1930, quando muitos estudantes foram presos. Dentre eles, estava Mário.

 

Mário era uma pessoa que sabia gozar a vida conforme a sua intuição: boêmio, esportista e, amante da música e da dança de salão, esbaldava-se nos bailes que frequentava. A capoeira era uma das suas predileções. Desde a infância, curtia os instrumentos musicais que o acompanharam por toda a vida. Tocava acordeão, trompa (na banda em Brumado) e saxofone.

 

Cursando Medicina, a conselho do maestro Dante, regente da orquestra de Violinos de Salvador, estudou esse instrumento e, pela desenvoltura e talento, passou a integrar a orquestra. Fazendo desse instrumento o da sua preferência, tocava-o mesmo na senectude.

 

Logo que se formou, clinicou em Brumado e em Santa Bárbara. Buscando desafios maiores, de caráter humanitário, em cumprimento da sua missão idealizada: cuidar dos desamparados e atuar em locais desassistidos sob os postulados humanísticos em que acreditava, deixou a Bahia dois anos após a formatura. Chefiando uma Campanha Sanitarista do Ministério da Educação e Saúde, seguiu rumo a Goiás, determinado a realizar o seu sonho.

 

Nessa aventura, fez uma viagem tumultuada. Sem transporte definido, utilizou-se de caminhão e animais para cumprir o seu trajeto e desiderato, com muitos trechos percorridos a pé, e finalmente chegar à cidade de São Domingos. Aí passou a residir com um conterrâneo e foi acusado de comunista pela população. Sem oportunidade de exercer a medicina, sentiu-se obrigado a juntar-se com um cabo da polícia e foi garimpar ouro no Rio São Domingos, com o fito de pagar a sua acomodação.

 

Por sorte, o destino se encarregou de assegurar-lhe a chance de exercer o seu ofício de médico. Uma filha de um coronel do lugar, em trabalho de parto com a assistência de uma parteira, foi acometida de uma hemorragia uterina. Desesperado, o pai da parturiente mandou chamar o “forasteiro comunista”. “Já que se diz médico, que venha salvar a minha filha”. Despachou um agregado dizendo: “Traga-o a qualquer custo”. Diante do sucesso da intervenção médica, estancando a hemorragia, o coronel, fazendeiro rico, perguntou-lhe quanto era o seu serviço, ao que Mário lhe respondeu: “Apenas o justo”. O fazendeiro deu-lhe 500 mil reis (moeda da época), valor bem superior ao que se cobrava pelo procedimento, e prometeu remunerá-lo a mais quando vendesse gado. Dr. Mário, exultante com a importância recebida, dispensou a complementação e, com alegria, comemorou o acontecimento com uma serenata, tocando saxofone e violino, o policial com sanfona e os acompanhantes entoando canções em desafino completo.

 

Diante do comportamento do médico e atitudes incompatíveis com a moral de cidade pacata, durante o sermão, igreja lotada, o padre excomungou o médico, solicitando a sua expulsão da cidade, pois tratava-se do diabo em pessoa, taxando-o de comunista. Mais uma vez o destino julga a seu favor. O padre é acometido de doença grave – febre, tosse e chiado no peito –. Um irmão do padre, também eclesiástico, procurou Dr. Mário que se rendeu ao apelo e foi ver o enfermo. Ao se anunciar, o doente perguntou: “Quem é?” O médico respondeu: “É o Diabo comunista”. Após a anamnese, o diagnóstico – pneumonia – e foi medicado.

 

 Posteriormente, ao ficar curado, o padre perguntou-lhe: “Quanto lhe devo?” ao que ele respondeu: “A minha alma desexcomungada e trate logo de pagar a dívida, porque, caso ocorra mudança nos planos divinos, é melhor o senhor partir com a consciência limpa”. O Padre, recuperado, na missa seguinte, comunicou aos fiéis que se enganara ao excomungar e julgar o médico de aparência de comunista. Não é o Diabo, e sim um Anjo que veio para nos curar e salvar das doenças.

 

Redimido, em 1939 mudou-se para Arraias (hoje pertencente ao Tocantins) por força de um decreto do então Interventor Federal de Goiás, Dr. Pedro Ludovico Teixeira, que o nomeou Médico Chefe do Posto de Higiene da OSEGO. Em Arraias, clinicou, atendeu pessoas carentes e fez pequenas cirurgias, sentindo-se realizado na profissão. Amante da música, instigou os arraianos a gostarem de música.

 

Em 6 de janeiro de 1942, casou-se com Edith Aires França que tinha 17 anos de idade. Após o casamento, ela passou a assinar Edith Rizério Aires Leite. O casal teve quatro filhos: Mário filho, Selma, João e Ivan. Três deles arraianos e o primogênito baiano, por causa de uma viagem do casal (Edith estava grávida) em companhia dos pais da esposa a Barreiras. A pretensão era eles seguirem para Salvador e a aí instalar moradia.

 

Em Arraias, foi candidato a prefeito, porém não obteve êxito, apesar do prestígio de médico. Ali permaneceu até 1948, quando, pensando na educação dos filhos, mudou-se para Goiânia. Em Goiânia, estabeleceu-se em definitivo e, como profissional da medicina, angariou prestígio. Inicialmente foi Médico Chefe da Campanha contra Helmintíase no Estado de Goiás, subordinado ao Ministério de Educação e Saúde, com sede em Ceres. Depois desempenhou várias atividades, como: Médico Chefe do Posto de Saúde da OSEGO em Campinas; Médico Chefe do Centro de Saúde da OSEGO em Goiânia; Professor Catedrático de Física, desde a fundação da UFG, em 29/04/1939; Diretor do Departamento Físico-Químico-Industrial; Conselheiro do CRM/GO e um de seus fundadores, bem como da Associação Médica de Goiás; além de médico, foi Professor Catedrático Titular e um dos fundadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde lecionou Física durante 23 anos. Aposentou-se em 1983.

 

Esse currículo proporcionou-lhe as seguintes homenagens: Mérito pela relevância de seus serviços como docente – UFG/1991; Título de “Pioneiro da Medicina em Goiás” – CRM/GO/1999; “Honra ao Mérito” por seus nobres ideais – Associação Médica de Goiás/2000.

 

Destacou-se também na literatura com a edição dos seguintes livros: Lendas de Minha Terra, sua primeira obra, publicada em 1951, quando recebeu o prêmio da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, tendo boa aceitação pela crítica; romance Poeira no ar (1955); contos e lendas Xuruê (1970); romance Muçurana (1981); romance O Vaqueiro Ciríaco (2001).

 

Foi reverenciado com o diploma da UBE/GO em 1968, por sua atuação na literatura e pelo acervo de sua obra literária, e com a Medalha “Hugo de Carvalho Ramos”, gênero prosa do Conselho Estadual de Cultura de Goiás, em 1994. Publicou seus contos e crônicas em vários jornais goianos: Folha de Goyaz; Cinco de Março; O Popular; Diário da Manhã e em revistas tais como: Revista “Vera Cruz”/ Goiânia; Revista “Vida Doméstica”/RJ; Revista Alterosa/BH; A Cigarra/RJ; Revista Ugara/Salvador.

 

Elegeu-se para a Academia de Letras, ocupando a cadeira número 39, patroneada por Pedro Gomes de Oliveira, da qual tomou posse em 1984, no dia 8 de novembro. O presidente do sodalício, senhor Ursulino Tavares Leão, que presidiu a sessão de posse, saudou o empossando com panegíricos que inspiraram o artista plástico Noé Luís a pintar a tela “A posse”, em forma de anjo, que simboliza a entrada de Mário na Academia Goiana de Letras (AGL).

 

Narra-se que o número 13 era o da sorte de Mário: seu CRM, 13; a carteira de médico, 13; na loteria, jogava no número 13; o seu leito na UTI foi o de número 13; netos 6 e bisnetos 7 que perfazem 13.

 

Desempenhou a medicina com a peculiar competência e desvelo profissional, amparou os necessitados, acudiu a aflição dos que o cercavam, enfim, fez da medicina e da literatura caminhos para a própria construção. Na inteireza de cada postura, expressou suas opiniões e ideologias.

 

Viveu com a esposa por 69 anos, pautado na probidade, nos preceitos religiosos e na dignidade sedimentada no amor, no altruísmo, no companheirismo, no afeto pelos amigos e no respeito e carinho para com os confrades, numa harmoniosa convivência social. Com esposa, filhos, netos e bisnetos goianos, assumiu as cidadanias baiana e goiana.

 

Mario Rizério faleceu em 15 de maio de 2011, aos 98 anos de idade. Viveu a maior parte da sua existência no Estado de Goiás. No artigo intitulado Despedida de um imortal, Getúlio Targino Lima (autor), em sessão solene e especial de despedida do seu ilustre membro, teceu comentários elogiosos sobre a vida do acadêmico e registrou [...] “Estamos todos aqui, diante do corpo de um construtor de templos: Mário Rizério Leite, que edificou em nossos corações, dos seus familiares, dos seus amigos, dos seus confrades templos de louvor à vida, à amizade, à cultura, à arte e ao bem. Fiquemos todos com Deus”.

 

 O pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária da UniEVANGÉLICA, Francisco Itami Campos, é o mais novo membro da Academia Goiana de Letras (AGL). Ele ocupa, desde o dia 8 deste mês, a cadeira 39, cujo patrono é Pedro Gomes de Oliveira e titular anterior, Mario Rizério Leite. “Ser eleito para a Academia Goiana de Letras tem um sentido de reconhecimento pelo trabalho e pesquisa que um professor tem desenvolvido ao longo de sua vida”, afirma o pró-reitor (Internet).

 

Fica o registro da atuação desse bravo brumadense que honra e orgulha a sua cidade pelo desempenho da sua vida, da sua formação profissional e cultural que executou com honra e denodo. Mário Rizério Leite, um virtuoso brumadense, que merece todas as honras pelo mérito da sua trajetória exitosa.

 

Informações colhidas no Jornal da Câmara de Vereadores (ASCOM/SÉRGIO MAURO);

Academia Goiana de Letras (AGL);

Artigo Despedida de um imortal, autoria de Getúlio Targino Lima;

Portaria da UFG que concede pensão vitalícia a Edith Rizério Aires Leite, pelo falecimento do professor titular, aposentado, falecido em 15/05/2011;

Artigo Um anarquista no céu?! Autoria de Lêda Selma.

DOUTOR MÁRIO RIZÉRIO LEITE

*08/11/1912 (Brumado)

†15/05/2011 (Goiânia)