Artigo: Somos grandes; podemos mais

Artigo: Somos grandes; podemos mais Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Ser campeão baiano sempre é muito bom. Sobre o rival é melhor ainda. Mas a festa poderia ser ainda mais grandiosa. O público pagante em cada um dos jogos decisivos foi de 20 mil. O que poderíamos fazer para este público fosse melhor? Convencimento? Valorização? Será que todos os valores desta atividade econômica estão engajados e entendem a importância de produzir um entretenimento com intensa emoção e paixão? Hoje tenho a consciência que, se todos se unirem com este objetivo, teremos força suficiente para transformar ainda mais estão paixão em um grande negócio para todos os envolvidos e, consequentemente, teremos times mais fortes e competitivos. O fortalecimento da região Nordeste no futebol brasileiro é evidente e quem nega essa evolução não quer enxergar o óbvio. Mas ainda falta maior envolvimento e empenho de todos os atores neste mercado tão peculiar, o da bola.

O futebol baiano e nordestino tem muito potencial, mas é pouco explorado. Temos torcidas apaixonadas, que consomem o produto futebol o tempo inteiro: no estádio, pela TV, mídias sociais, produtos oficiais. no entanto, a proporção de torcedores/sócios entre os maiores clubes da região ainda é muito baixa. mas acreditamos em uma tendência de crescimento.

O sucesso da Copa do Nordeste, torneio regional mais bem resolvido do país, é a chave para o sucesso. Que bom que estamos de Volta! O crescimento dos clubes passa pela consolidação da competição, que precisa ter mais datas, de preferência nos finais de semana. Aqui temos uma grande oportunidade de ser criativo e buscar uma copa mais competitiva e rentável. Acredito em um modelo que possa melhor ser vendido para todos e que trarão resultados financeiros para a região. Consequentemente, teremos times mais fortes nas competições nacionais. Apresentaremos, em breve, para as entidades envolvidas um modelo e esperamos ser no mínimo ouvidos.

Vitória, Santa Cruz e Sport entram no Brasileirão com desconfiança pela imprensa nacional, apesar de serem clubes estruturados, com equipes bem montadas, técnicos de ponta e estádios próprios, somos apenas três, mas poderíamos ser mais. A diferença das cotas de TV pagas aos clubes no cenário nacional é absurda e a sobrevivência dos nossos só será possível através de muita criatividade e a valorização das divisões de base, além de assumirmos riscos inerentes destes orçamentos.

Me chateia quando ligo a TV e vejo o noticiário nacional, ao debater o título na Arena Fonte Nova, se referir ao Vitória como leão da Ilha. Inacreditável. E olha que são veículos de credibilidade, líderes entre os canais fechados. Onde está a profundidade na análise? Não podemos ficar implorando mais espaço no noticiário nacional, mendigando que os nossos gols na rodada tenham um pouco mais de atenção.

A mídia baiana merece um parágrafo especial. Este vetor talvez seja o mais importante na cadeia de produção do nosso entretenimento. Apesar de novos profissionais terem oxigenado a crônica local, ainda impera por aqui a mania de explorar assuntos vazios, a cobrança descabida, o sensacionalismo tolo. Vamos motivar o nosso público, enriquecer a indústria do futebol local e criar uma onda positiva. Essa onda pode trazer a sustentabilidade para nossos clubes, que são sócios torcedores. Estes sim, podem fazer a diferença a partir da conscientização de que a forma do clube ter grandes jogadores será através desta associação, independente do acesso aos estádios.

Minhas palavras finais vão para você, torcedor do Vitória: acredite mais, torça mais, se associe mais, vibre mais, vá ao estádios mais, se orgulhe mais e viva mais. Somos grandes. Podemos ser maiores. Yas, we can. Manoel Matos é vice-presidente do Vitória. O artigo foi publicado no Jornal Correio da Bahia.