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Café com o Brumado Agora entrevista José Roberto Nery

Café com o Brumado Agora entrevista José Roberto Nery

Nascido em Salvador no dia 09 de outubro de 1944, José Roberto Datoli Nery considera-se um brumadense. Filho do saudoso José de Andrade Nery (Juca Nery) e Rosinha Datoli Nery, o entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora deu início a sua caminhada na Escola primária Luzia Silva, um Colégio de Freiras, em Jaguaquara, dando sequência aos estudos no Colégio Taylor-Egídio, seguindo para Salvador, onde estudou no Colégio Marista, vindo depois a cursar e graduar-se em geologia, na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Casou-se com Tânia Mara Andrade Nery e da união teve filhos: Roberta, Luciana e Ricardo, que constituíram família e lhes deram os netos: Luisa, Luana, Felipe, Mateus, Maria Fernanda, Miguel, Marina e Rafael. Em seu currículo, o geólogo traz os trabalhos na: DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, onde trabalhou por 3 anos; na CPRM – Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais, por dois anos, Magnesita S.A,  por 33 anos, e atualmente é consultor as Service Engenharia LTDA e gestor na franquia dos Correios AGF São Cristóvão. Em Brumado desde 1974, José Roberto conta um pouco da sua história, em entrevista realizada nas dependências da Padaria Pérola, em Brumado. Confira.




Café com o Brumado Agora – O que motivou a vinda do senhor para Brumado?

 

José Nery - Eu costumo dizer que Brumado já estava inscrita em minha vida, de alguma forma eu tinha mesmo que vir morar aqui. Quando eu era criança, com 10 ou 11 anos, ouvi falar pela primeira vez em Brumado, através de Egas Moniz, filho do Juiz Duarte Moniz, que na época trabalhava aqui em Brumado e foi transferido para a cidade de Jaguaquara.  Anos depois, já no curso de Geologia, fizemos um estágio obrigatório da Chapada Diamantina, uma turma ficou em Rio de Contas, outra em Jussiape, isso em outubro de 1968. Passamos por Brumado, e nos foi falado sobre a Magnesita, vimos de longe os fornos e a mina de Pedra Preta. Lembro também que este foi o período da maior enchente na cidade. Quando retornamos estava tudo inundado, a água estava acima da ponte de saída para Conquista e cobria praticamente o pneu do jipe. Depois, já trabalhando como geólogo e morando em Belo Horizonte, fazia o mapeamento de algumas regiões de Minas Gerais, viajava muito, ficando muito ausente de minha esposa e filhas pequenas. Um colega da CPRM me falou que a Magnesita procurava um geólogo. Predispus-me ao cargo, disse a ele que poderia me indicar, e algum tempo depois me chamaram na sede da empresa. Conheci então Walter Martins, que havia sido Gerente da empresa em Brumado por muitos anos, e ele entrevistou-me, explanou sobre o trabalho e me convidou a conhecer a mineração. Vim então a Brumado, no avião da empresa. Percebi que as condições gerais da cidade não eram boas, mas a empresa dava condições para o funcionário se estabelecer aqui. Tirei algumas fotos, levei para minha esposa ver e aceitamos vir. Antes de tudo, me perguntaram se eu teria disponibilidade para ficar morando aqui por 3 anos, aceitei e fiquei 33 (risos). Hoje me considero brumadense. Inclusive, duas das minhas filhas se casaram com brumadenses.

 

Café com o Brumado Agora - O senhor citou que as condições de Brumado, na época em que veio morar aqui, não eram as melhores. Quais as principais dificuldades enfrentadas para aqui se estabelecer?

 

José Nery - Para se ter uma ideia, íamos fazer compras em um supermercado na cidade de Vitória da Conquista, pois na época não havia ainda o supermercado de “Zé Carvalho”. Gastávamos de 3 a 4 horas para chegar a Conquista, a estrada era muito ruim. Lembro também que quando ia a Belo Horizonte, pegava uma quantidade enorme de receitas médicas, trazia para Brumado e as reservava para alguma necessidade, pois me mudei para a cidade com crianças e, naquele período, a assistência médica pediátrica ainda era deficiente por aqui. Depois a Dra. Dora chegou e começou a atender nossas filhas. Além disso, o comércio era muito fraco, não havia escolas de ensino médio, apenas fundamental. Minhas filhas estudaram na Escola Suzana Guimarães, que era mantida pela Magnesita, a qual oferecia as condições para o funcionamento da escola e os professores eram do estado. Mas, mesmo com todas essas dificuldades, a Magnesita oferecia boas condições de moradia, e um avião que ia a Belo Horizonte três vezes por semana e trazia de tudo: medicamentos, produtos para alimentação, e ainda facilitava o deslocamento, em caso de necessidade.




Café com o Brumado Agora – Como foi o período de trabalho na empresa Magnesita?

 

José Nery - Posso dizer que me realizei trabalhando na Magnesita. Vi o desenvolvimento da mineração em Brumado, onde atuei como Gerente por vinte anos. A jazida que temos aqui está entre as maiores do mundo. Depois atuei por cinco anos como Gerente Geral da empresa, e após a criação da Superintendência do Setor Bahia, sob o comando de Deilson Tibo, passei a ser seu assistente  por oito anos. Acumulei ainda a Gerência de Recursos Humanos. Tempos depois a empresa foi vendida, neste período eu já havia me aposentado, fiz um acordo e deixei a empresa. Quando fui Gerente Geral tive a oportunidade de contribuir com o desenvolvimento de Brumado, destaco que este não é um mérito pessoal, a empresa dava condições para realizarmos muitos projetos na cidade. Como exemplo, posso citar a construção das Praças da Prefeitura e São Cristóvão, na gestão do Dr. Geraldo Azevedo. A Magnesita contribuiu com material, mão de obra, equipamentos e tudo que esteve no alcance para concretização da obra.

 

Café com o Brumado Agora - Como foi sua vida social, no período de adaptação em Brumado?

 

José Nery - Sempre fui muito bem recebido em Brumado, não vou citar nomes, posso acabar esquecendo alguém, mas fiz boas amizades aqui. Apesar de morar na Vila Catiboaba, consegui me socializar e fazer grandes amizades também em Brumado. Amizades estas que mantenho até hoje com muito carinho e prazer. Meus primeiros amigos aqui foram Hélio Marques e Dedé Ribeiro, que me ajudaram muito no período de adaptação. Aqui também fiz parte da fundação da AIBRUM – Associação das Indústrias de Brumado, onde fui Presidente por duas vezes, tendo sido também Presidente do Rotary Club de Brumado. Mesmo aposentado, continuo morando aqui em Brumado e me orgulho muito do círculo social que construí aqui, bem como do que conquistei com o meu trabalho.




Café com o Brumado Agora – Qual a principal mudança, positiva ou negativa, que foi observada pelo senhor da Brumado de hoje e a do período em que se instalou aqui?

 

José Nery - Brumado no passado dependia essencialmente da mineração. Por muito tempo foi este tipo de trabalho que “sustentou” a cidade, pois era a principal fonte de emprego e renda. Hoje, o comércio se desenvolveu muito e contribui destacadamente para o progresso do município.

 

Café com o Brumado Agora - O que esperar do futuro de Brumado? Qual mensagem gostaria de deixar aos brumadenses?

 

José Nery - Espero que com a conclusão do entroncamento das ferrovias, Brumado torne-se um ponto importante dentro deste contexto, pois aqui serão gerados muitos empregos permanentes, a cidade crescerá muito economicamente. Quero dizer que, como moro aqui há 39 anos, me considero brumadense e amo esta cidade. Estou sempre à disposição dos brumadenses para atuar pelo bem de Brumado.




Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.

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