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O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres

Sábado, 22.Fev.2014 | 09h00



O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

O entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora nasceu em Contendas do Sincorá, em 12 de fevereiro de 1944 (Dia de Carnaval), mas se considera brumadense de coração. Filho de Oflávio da Silveira Torres e Bemvinda Novaes Jardim, Antônio Novais Torres casou-se com Rosa Soares da Silva em 1973, com a qual constituiu família e teve os filhos : Vanusa, Fábio, Adriana e Ana Ligia, que lhes proporcionaram a alegria dos netos : Gabriel, Pedro Henrique, Felipe, Thiago, Isabela e Larissa. Apaixonado pela leitura, além de comerciante, Antônio Torres foi membro do PMDB, ex-PTB, é membro/ativo fundador da ALAB (Academia de Letras e Artes de Brumado), conselheiro do Jornal do Sudoeste para o qual escreve crônicas, contos e biografias – textos polígrafos, tem inúmeros trabalhos publicados nos jornais Tribuna do Sertão e contabiliza, até hoje, 150 biografias  e mais de 700 artigos. Sua paixão pela escrita ainda é tão presente em seu cotidiano que, em breve, lançará em Brumado o livro intitulado  “Crônicas, Contos & Memórias: Da Vila do João Amaro ao sertão de Brumado”. Toda a história desta notável personalidade será contada em uma entrevista realizada em sua residência. Confira.

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco sobre o início da sua trajetória.

 

Antônio Torres – Nasci em Contendas do Sincorá, mas faço questão de salientar que Brumado é minha terra de coração. Ainda quando criança, por volta dos 7 anos de idade, lembro que morei um período com minha mãe na cidade de Salvador, onde, em frente ao  Plano Inclinado eu trocava moedas de maior valor pelas adequadas para as pessoas terem acesso ao bondinho do plano inclinado, além de vender outros produtos. Inicialmente, estudei  em escola particular, parte do primário na cidade de Cachoeira , embora residisse em São Félix. Daí minha família se mudou para João Amaro, município de Iaçu, onde conclui o primário em escola pública, (tendo como professoras dona Vanju, Nívia e Vânia). Neste período, trabalhei em diversas casas comerciais, como balconista. Em seguida, a convite do meu pai , Oflávio da Silveira Torres, vim para Brumado, indo morar, inicialmente, na pensão do senhor Mindu e depois, com Ivete Rocha.  Já instalado aqui em Brumado, por volta de 1958, refiz o 5º ano primário no Grupo Escolar Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano, fiz exame de admissão ao ginásio e, com o resultado positivo, ingressei no Ginásio General Nelson de Mello (GGNM), em 1959, concluindo o curso ginasial em 1962. Logo depois, fui estudar em Vitória da Conquista, onde morei, com meu primo Neuton Carvalho Torres e sua esposa. Depois, mudei-me para uma pensão. Em Vitória da Conquista, estudei Instituto de Educação Euclides Dantas, conhecido também como Escola Normal, fazendo aí os dois primeiros anos do curso científico. Durante esse período, trabalhei na prefeitura sob a orientação do Engenheiro Mário Seixas, no departamento de engenharia, na gestão do prefeito Dr. Orlando Leite, recadastrando os imóveis para a cobrança do IPTU.

 

Café com o Brumado Agora – Quais atividades o senhor exercia neste período?

 

Antônio Torres - Em 1964, após envolvimento com a política estudantil, fui para São Paulo para me livrar da polícia (risos),porque eu me envolvi com o processo ideológico comunista  e houve a revolução, inclusive, a polícia esteve em minha casa me procurando , após ter prendido alguns do meus amigos, mas eu “me mandei” (risos).  Lá meu tio Alvair Torres me encaminhou para a cidade de Santo André, enquanto não arrumava emprego, trabalhei com um senhor de origem judaica, o senhor Abraão, que me pagava o pensionato em troca do serviço como vendedor, nos bairros da cidade, vendendo peças de algodãozinho, bramante e cobertores. Em seguida, trabalhei  na empresa CVB – Cia Comercial de Vidros do Brasil, como auxiliar de escritório. Ainda em Santo André, conclui 3º ano do científico, prestei vestibular, mas não fui bem sucedido, e após um treinamento para gerentes na sede da CVB, fui aprovado e promovido a gerente para administrar a filial de Vitória da Conquista (por escolha), e novamente nesta cidade conheci  minha  esposa Rosa Soares da Silva, com a qual tive quatro filhos. Em Conquista, fiz  ainda o curso de Técnico em Contabilidade no Colégio Edvaldo Flores, trabalhei como auxiliar administrativo na COSAEM e em maio de 1973, ingressei na COVEPE (Companhia de Veículos e Peças S.A.), autorizada da Volkswagen, onde trabalhei até março de 1980. 

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Café com o Brumado Agora – Quando o senhor passou a morar definitivamente em Brumado?

Antônio Torres - Em 1980. Novamente a convite do pai, para formar uma sociedade com meu irmão Oflávio Torres Júnior, fundando a firma Electra, cuja sociedade foi desfeita por conveniência das partes, porque eu queria agregar a loja materiais de construção e eles não. Desfeita a sociedade, fundei a empresa Hidroluz Ltda., que vendia material elétrico, hidráulico e de construção em geral. Em 1986, aposentei-me  e em 2001, transferi a empresa com a venda das ações para um comprador que deu continuidade à atividade comercial.  Aqui em Brumado ainda fui Secretário de imprensa e comunicação, no período de abril de 1999 a dezembro de 2000, na gestão do prefeito Edmundo Pereira Santos.

 

Brumado Agora - Como era a vida social do senhor em Brumado? Quais amigos (as) faziam parte do seu cotidiano?

 

Antônio Torres - Bem, eu era comerciantes e como tal, conhecia todo mundo  e todo mundo me conhecia. Tinha muitas amizades, fui sócio do Clube Social, fui convidado para ser Maçom, porque meu pai era Maçom, mas como ele tinha uma vida familiar irregular, a maçonaria o afastou e deu um tempo para que ele se regenerasse. Mais ao invés de se regenerar, ele piorou (risos), ele foi um homem que teve 85 filhos e 30 mulheres, mas apesar de tudo, foi ele quem fundou a maçonaria aqui em Brumado e muitas outras entidades aqui.

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Brumado Agora – Quando teve início a trajetória do senhor como escritor e colunista?

 

Antônio Torres - A trajetória de colunista aconteceu mais ou menos em 1982, com o incentivo do Engenheiro Maurício Lima Santos que, depois de ler uma carta que escrevi reivindicando melhorias para o município de Brumado, me sugeriu escrever para o jornal Tribuna do Sertão, de propriedade dele. Depois passei a escrever para o Jornal do Sudoeste, como polígrafo, fazendo artigos, contos, crônicas e biografias em função das circunstâncias. Sempre me dediquei à leitura, tenho mais de 700 artigos escritos , e hoje me dedico especialmente a biografias, tenho 150 prontas. 

O Café com o Brumado Agora entrevista Antônio Torres
Foto: Wilker Porto | Brumado Agora

Brumado Agora – Estamos próximo a realização do Carnaval de Brumado. Qual  paralelo que o senhor faz dos carnavais antigos e os mais modernos?

 

Antônio Torres – Meu pai é um grande exemplos de carnavalescos dos antigos carnavais em Brumado. Ele e Chico Gavião fizeram o primeiro bloco da cidade. Primeiramente era montado em um Jipe, depois em um caminhão. Eles confeccionavam um navio , com uma chaminé, a fumaça deste navio era o talco da Magnesita. Participavam neste período Nely, Ludinha, Telma, Liah, e outras pessoas que se juntavam e todos se fantasiavam de marinheiro , comandante, comissários, sendo este Carnaval na rua, saindo da estação, passava pela Coronel Santos, Exupério Pinheiro Canguçu, Rua do Asfalto e retornava para a Praça, tudo isso com lança perfume, muito confete, serpentina, marchinhas e alegria. Hoje é tudo muito diferente tudo é a base do trio elétrico, infelizmente houve um aumento na violência e não se brinca tanto como nós antigamente, quando nós juntávamos para festejar, com muita alegria e companheirismo.

 

Brumado Agora – O que o senhor espera para o futuro de Brumado?

 

Antônio Torres - Brumado é uma cidade progressista, mas a verdade é que aqui está faltando muita coisa. A gestão anterior trabalhou muito na questão de Educação, Saúde, mas o embelezamento da cidade que é, vamos assim dizer, o carro chefe de uma administração, ficou a desejar. As praças ficaram abandonadas, agora que o novo prefeito está começando a trabalhar. No entanto, temos grande perspectiva com a FIOL , principalmente se aqui se instalar o Porto Seco , será muito bom. Brumado é uma cidade que te possibilita ir para qualquer outra, por ser uma cidade entroncamento de viagem.

 

Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar?

 

Antônio Torres-   Uma mensagem de otimismo. Eu gosto muito de Brumado,  e tenho esperança que esta cidade  seja mais progressista do que já é. Agora, tudo isso vai depender dos administradores, quem tiver esta concepção, de fazer representantes de Brumado na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional, vai conseguir trazer os benefícios para o município. Depende ainda, da união das pessoas em torno de Brumado, e não de partidos políticos. Hoje os partidos políticos perderam as conotações ideológicas, são todos hoje farinha do mesmo saco.

 

O Café com o Brumado Agora é um oferecimento do Hotel Moura e da Genes Academia. Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Djalma da Silveira Torres

Domingo, 03.Nov.2013 | 09h10



O Café com o Brumado Agora entrevista Djalma da Silveira Torres

Nascido em 12 de agosto de 1926, na cidade de Condeúba, o brumadense de coração Djalma da Silveira Torres, desde muito cedo, trabalhou de forma árdua para conquistar todos os seus sonhos e conquistar a prosperidade e o sustento da sua família. Filho de José da Silveira Torres e Ana Amélia da Silva Torres, o caçula dos sete irmãos casou-se com Ana Machado Torres, em 8 de maio de 1947, com a qual constituiu família e teve os filhos: Neuza, Gláucia, José Carlos, Djalma Filho, Ana Maria, Rita de Cássia, Bernadete e Sara (In Memoriam), que lhes deram os netos : Mateus, Willian, Pedro, Thiago, Lucas, Ciro, Shirley, Poliana (In Memoriam), Davi, Saulo, João Filho, Lara, Fernanda e Márcio. O entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora tem ainda a alegria de acompanhar o desenvolvimento dos bisnetos: Bianca, Júlia, José Augusto. Rafaela e Manoela. Conheça a história deste grande homem que nos contou sua história, em sua casa, localizada no centro de Brumado. Confira.

 

 

Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco da vida do senhor antes de vir para Brumado.

 

Djalma Torres – Nasci em Condeúba, e com mais ou menos 4 anos de idade fui com minha família para Vitória da Conquista, onde estudei na Escola Municipal Padre Palmeira. Quando retornei,  ainda muito jovem, com aproximadamente 14 anos, fui morar com meu irmão Euflávio, em Contendas do Sincorá, onde passei a tomar conta de uma padaria. De lá viemos acompanhando a construção da estrada de ferro até Umburanas, onde nos instalamos, deixamos a padaria, e montamos uma firma de consignação (Transportadora)  chamada  O. S Torres e Cia. Naquele período, acompanhamos ainda, a construção da ponte que liga Ourives a Brumado. Trabalhamos em Umburanas por cerca de 3 anos.

 

Café com o Brumado Agora – Por volta de 1945, o senhor passou a residir em Brumado. Conte-nos um pouco sobre sua vinda.

 

Djalma TorresContinuamos a acompanhar o curso da construção da linha férrea, pois ela era importante para o escoamento dos produtos da transportadora. Então, passamos a morar em Brumado, e seguimos com o trabalho na construtora.  Daqui distribuíamos os produtos para Caetité, Guanambi e demais regiões, pois a linha férrea se encerrava aqui. Trabalhei com a transportadora por mais dois anos e decidi montar uma padaria, que se chamou Santa Rita. Comecei timidamente e depois de um tempo consegui firmar a padaria. Fornecíamos pão para a Empresa Magnesita, e fomos os primeiros a vender biscoito a atacado, distribuíamos para vários locais. Havia também um pão muito famoso em nossa padaria, o chamado  ‘Pão Fatia’, muito pedido por nossos clientes. Depois de um tempo, deixei a padaria e montei a Casa Santa Rita, onde vendíamos de tudo um pouco: desde louças, ferragens, materiais para construção, televisão, inclusive, fomos os primeiros a vender televisão em Brumado. Lembro que vinha até um promotor de Caculé para assistir os jogos aqui. Neste período também construí minha casa, na qual moro até hoje, e fui o primeiro a ter em casa um quarto com banheiro (suíte). As pessoas achavam esquisito e perguntavam como é que eu tinha um banheiro dentro do quarto, se não cheirava mal (risos).

 

 

Café com o Brumado Agora - Quando a Casa Santa Rita se tornou Lojão Santa Rita?

 

Djalma Torres - Por volta de 1965. Passamos então a trabalhar, dentre outros artigos, com material de luxo como louças importadas, italianas por exemplo, jogos de copa e mesa, faqueiros  de luxo, etc. Além disso, fomos os primeiros do comércio a ter na estrutura da loja, portas de ferro, aquela com fechamento de enrolar , e lâmpadas florescentes . Eu trazia estes materiais de São Paulo e viajava 3 vezes ao ano para comprar produtos e todas as novidades que surgiam no mercado nacional e internacional.

 

Café com o Brumado Agora – Quais foram as principais dificuldades deste período?

 

Djalma Torres - Sofri e batalhei muito para chegar onde estou agora. Quando iniciei meus trabalhos na transportadora, eu ainda realizava a função de carregador: pegava todo o material que chegava no trem e colocava nos depósitos. Logo quando montei a padaria aqui em Brumado, eu não tinha dinheiro para comprá-la a vista, comprei a prazo e trabalhei muito para pagar em dia todos os vencimentos. No início da padaria, não tinha como pagar um padeiro e eu mesmo fazia os pães e os biscoitos, até conseguir pagar um ajudante e depois um padeiro. Lembro também que acordava de madrugada e, com lampião na mão, porque na época não tinha luz elétrica, saia de casa e ia para a padaria para ver se a massa do pão estava no ponto. Já na Casa e depois no Lojão Santa Rita, eu saia de casa às 5 horas e só retornava lá para 23 horas, sempre trabalhei muito.

 

 

Café com o Brumado Agora – Como era a vida social do senhor?

 

Djalma TorresTinha muitos amigos. Fui sócio-fundador do Clube Social de Brumado, participava, com alguns amigos daqui, da Maçonaria Cavaleiros do Oriente, sediada em Vitória da Conquista, para onde eu ia uma vez por semana, pois aqui em Brumado ainda não havia maçonaria. Ia muito a noites dançantes, aos carnavais que eram muito bons, promovia as festas de aniversário dos meus filhos, sempre fui muito ativo e a Brumado da época proporcionava muitas coisas boas. Lembro com muito carinho da companhia dos meus amigos Sebastião Meira Santos (Seu Santos),Gilson Brito, Ronaldo Leite, Odlon Santos, Guilherme Rizério Leite, Dedé Coqueiro, Liah Cardoso. Edith Leite, Menininha, Robson Vera e Vera, Terezinha Meira, Maria Inês Viana Leite, entre outros.

 

Café com o Brumado Agora – O senhor encerrou as atividades no comércio  em 2007. O que passou a fazer ?

 

Djalma Torres - Passei a cuidar mais de mim e da minha família e iniciei minha vida de turista  junto com a minha esposa (risos). Viajei pela Europa, fui à Argentina, Fernando de Noronha, participei de Cruzeiros, passei a ler mais e me exercitar.  Até hoje frequento a academia, na minha idade, claro, acompanhado de um personal (risos), no ritmo que minha idade permite. Hoje também faço parte do Clube da Terceira Idade, danço muito e me divirto.

 

Café com o Brumado Agora – Houve alguma situação engraçada que o senhor gostaria de contar?

 

Djalma Torres - Sim, tenho. Em uma viagem que fiz com minha esposa a Berlin, o grupo saiu do hotel primeiro, com o interprete, e nós ficamos para trás. Então fomos almoçar e, ao chegar ao restaurante, não entendíamos o que estava escrito no cardápio. Vi um garçom passar com um prato de macarronada e apontei para a garçonete informando que era aquilo que eu queria. Ela entendeu, mas como faria para dizer o que eu queria como acompanhamento? Foi aí que tive uma ideia: imitei um frango batendo as asas e cacarejei, foi assim que a garçonete entendeu que eu queria um frango (risos). Todos em volta começaram a rir e todo dia quando eu retornava ao restaurante era reconhecido pelos funcionários (risos).Outro momento feliz foi quando conheci minha esposa. Ela estava vendendo flores em uma Festa de São Cistóvão e , para galanteá-la, comprei uma flor com o único dinheiro que tinha no bolso e ganhei seu coração. Como eu ainda morava em Umburanos nesta época, eu vinha visitá-la aos domingos, de carona em um Troeller.

 

 

Café com o Brumado Agora - E uma tristeza?

 

Djalma Torres – Sem dúvidas o acidente que vitimou minha filha Sara, meu genro José Augusto e minha neta Poliana, em 1989, foi um acidente automobilístico. Eles retornavam de Belo Horizonte, quando um motorista alcoolizado invadiu a contramão e bateu no carro em que eles estavam. Fica a lição a aqueles que bebem antes de dirigir, que além da vida deles mesmos, podem colocar em risco a de outras pessoas.

 

Café com o Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar ao fim desta entrevista?

 

Djalma Torres - Uma mensagem de paz a todos os brumadenses. Quero dizer que é a terra da esperança e, como a nova administração, esta esperança está sendo renovada, a cidade está linda, costumo dizer que o prefeito está ‘mobilhando a casa’. Amo Brumado, desejo que a cidade melhore ainda mais, e que todos sejam felizes da mesma maneira que minha família e eu.

 

Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


Café com o Brumado Agora entrevista a jornalista Janine Andrade

Sábado, 02.Nov.2013 | 18h44



A entrevistada de hoje do Café com o Brumado Agora nasceu no dia 23 de fevereiro de 1986, em Brumado. Pisciana, a Jornalista Janine Andrade sempre foi uma amante dos livros e da escrita. A filha de Valdemir Santana da Silva e Marinalva de Andrade Silva, como muitos brumadenses, deixou a Capital do Minério em busca do ensino superior e em 2009 concluiu a graduação em Comunicação Social/Jornalismo, trazendo ainda na bagagem a formação em Técnica em Informática. Hoje, a jornalista faz parte do Departamento de Jornalismo do site Brumado Agora e conta um pouco da sua história. Confira.

 


 

Café com o Brumado Agora - Conte-nos um pouco sobre sua infância.


Janine Andrade - Sou brumadense, mas até os  6 anos de idade residi na cidade de Licínio de Almeida, porque meu pai, que é maquinista, na época foi transferido para aquela cidade, trabalhando na empresa REFFSA – Rede Ferroviária Federal S. A  (Atual FCA). Em Licínio de Almeida iniciei os estudos na Escola Pingo de Gente, que na época era particular, e hoje foi municipalizada. Inclusive, esta escola , segundo os resultados do IDEB divulgados pelo Ministério da Educação, em 2012, foi a que conseguiu as maiores notas e no Ensino Fundamental I obteve a 6,9, sendo a maior da Bahia. Já no Ensino Fundamental II ficou com, 3, nota que a colocou entre as oito melhores do Estado. Muitos dos amigos de infância daquela cidade eram os filhos dos colegas de trabalho do meu pai, maioria destes viram para Brumado com a nova transferência de ferroviários.


Café com o Brumado Agora – Quando passou a morar em Brumado?


Janine AndradeEm 1991. Meus pais novamente vieram morar em Brumado. Passei então a estudar no Centro Educacional Monteiro Lobato, na unidade do Bairro das Flores, naquele período ainda não havia a da Aureliano de Carvalho. A minha primeira professora aqui foi a “Tia Lêda”, irmã de Nilvane e Maria Pires, diretoras da instituição. Não há como esquecê-la, marcou muito a minha infância por sua doçura, Na mesma escola fui aluna de Evanete “Tia Netty”, outra professora maravilhosa, e muito paciente, pela qual tenho uma grande estima e até hoje tenho contato. Ela era paciente até demais, pois eu não era fácil (risos), eu não era indisciplinada, sempre fui muito estudiosa e nunca deixei de cumprir minhas atividades, no entanto, conversava pelos cotovelos (risos). Estudei no Monteiro Lobato até 5ª Série e , depois disso, boa parte da minha turma foi estudar no Cmeas – Centro Municipal de Educação Agamenon Santana. Estudei nesta instituição todo o Ginásio. Fiz grandes amizades, e foi um período de grande aprendizagem, e quando descobri a paixão pelo vôlei. Depois disso, passei a estudar na “Cirandinha” Centro de Educação Maria Nilza Azevedo e Silva. Estudei neste colégio todo o ensino médio. Quero deixar registrado aqui os meus agradecimentos a professora Nifra (Português) que me ensinou grande parte do que sei hoje,  que apliquei na universidade e utilizo até hoje em minha profissão. Na Cirandinha continuei a jogar vôlei, com uma equipe formada por “Toinho”, um dos que ainda continuam a incentivar o esporte na cidade. Nossa equipe participou de muitas competições, inclusive fora de Brumado.



Café com o Brumado Agora – Quando decidiu que iria estudar Jornalismo?


Janine Andrade – Eu sempre gostei muito de ler e escrever. Além disso, tinha paixão por rádio e cheguei a apresentar um programa na extinta Nordeste FM. Apesar de saber que queria estudar Jornalismo, esta não foi a minha primeira opção. Inicialmente fiz prestei vestibular, e passei em 4º lugar, em Ed. Física na UNEB. Escolhi este curso porque gostava de esportes e “achava” que queria ser educadora. Desisti na hora da matrícula (risos). Depois tentei fonoaudiologia, em Salvador, novamente passei e não me inscrevi. Bem, depois fui em busca do que queria, me inscrevi em Comunicação Social/Jornalismo na UESB e ainda em Técnico em Informática no CEFET (atual IFBA). Passei nos dois e me mudei para Vitória da conquista no final de 2004. Então, comecei a estudar nas duas instituições. Por 2 anos não foi fácil, saia da UESB e ia direto para o CEFET. Deixei de participar de muitas integrações da universidade porque tinha que concluir projetos no CEFET e vice-versa, mas valeu a pena, em 2007, me tornei Técnica em Informática. Dois anos depois, em 22 de Agosto de 2009, conclui o curso de Comunicação Social/ Jornalismo, com nota máxima no meu projeto final que foi voltado para Educomunicação, numa experiência realizada com alunos do ensino básico.


Café com o Brumado Agora –  Quando começou a atuar como Jornalista?


Janine Andrade – Ainda cursando Jornalismo, apresentei, em substituição a outra jornalista, um programa de entrevistas na TV local, em Vitória da Conquista. Depois disso, ainda trabalhei no setor de relacionamento no Banco Bradesco , na mesma cidade. Naquele período começaram a surgir em Brumado os sites de notícias, e fui convidada por Kauê Souza, na época ainda era Achei Brumado , para fazer a redação das matérias. Então voltei a morar Brumado e passei a trabalhar como redatora daquele site. Tempos depois, fui contratada pelo Jornal do Sudoeste e lá trabalhei por mais alguns anos. Concluída esta etapa, passei a integrar a equipe de jornalismo do site Brumado Agora, do qual sou redatora.




Café com o Brumado Agora – Se sente realizada com sua profissão?


Janine Andrade - Sim, faço o que gosto e não há nada melhor que exercer uma atividade quando se gosta realmente do que faz. O jornalismo não é fácil, trabalhamos com muitos egos, interesses, mas o objetivo principal é informar, com seriedade e responsabilidade. É incontestável que o jornalismo presta um serviço de utilidade pública que beneficia toda a sociedade. Porém, o jornalismo vai muito além, a ponto de transformar a vida das pessoas. Quanto mais informação você tiver, maior serão suas possibilidades de evoluir, crescer e prosperar, e nesse aspecto, o jornalismo vem de encontro a essas expectativas.


Café com o Brumado Agora – Gostaria de destacar alguma passagem de sua vida que te trouxe muita alegria?


Janine Andrade - Espero ainda viver muitos anos para pontuar muitos momentos felizes (risos), mas até aqui, sem dúvidas foi o dia da minha formatura. Ver reunida minha família, meus melhores amigos, todos para comemorar comigo um sonho e uma vitória foi maravilhoso.




Café com o Brumado Agora - Alguma saudade?


Janine Andrade -  De quando a minha única preocupação era se minha mãe iria me dar o mais novo brinquedo lançamento da estrela (risos). Sim, minha infância. Das amizades sinceras, das brincadeiras na porta de casa, do carrossel do Monteiro Lobato que girávamos com muita velocidade e sempre éramos punidos por brincar da forma incorreta (risos). Sinto até falta dos apelidos de criança, sempre fui alta e muito magrela, então meu colegas me chamavam de Professor Girafales, perna de pau, vara de tirar cacau, Visconde de Sabugosa e tudo mais que vocês possam imaginar como referência para pessoas altas e muito magras (risos).


Café com o Brumado Agora – Gostaria de deixar alguma mensagem?


Janine Andrade – Quero agradecer imensuravelmente os meus pais Marinalva e Valdemir pela referência e por me ensinarem a ser o Ser Humano que sou hoje. Sem eles eu não seria a profissional que sou . Quero ainda desejar a todos nós brumadenses paz neste tempo de guerra, segurança  e prosperidade.


O Café com o Brumado Agora entrevista o ex-goleiro Marlon Viana

Sábado, 19.Out.2013 | 09h22



O entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora é um dos ícones do futebol brumadense. Exímio goleiro, Marlon Ney Souza Viana nasceu na Vila de Catiboaba, em Brumado, em 22 de novembro de 1965. O filho de Dahir (Dona Nininha) Souza Viana e Sebastião Viana Cardoso teve oito irmãos, e com apenas 17 anos partiu para o Rio de Janeiro, onde fez um teste, e passou, para o time de base do Flamengo. Casou-se com Mabene Coutrin Viana, em 18 de janeiro de 1994, com a qual constituiu família e teve as filhas Mabriza e Melissa. Infelizmente, o ex-goleiro da Seleção Brumadense de Futsal, sofreu um infarto na tarde do dia 1º de maio deste ano. No entanto, esta adversidade não abateu o Tricampeão Baiano de Futsal que está se recuperando muito bem e em estado progressivo de saúde. A história deste grande esportista será contada em uma entrevista realizada nas dependências da Padaria Pérola, em Brumado. Confira.

 

 

Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco da sua vida antes do ingresso no futebol.

 

MarlonNa verdade, acho que sempre estive no futebol (risos). Nasci na Vila de Catiboaba, uma Vila Operária e que respirava esporte, principalmente o futebol. Minha vida era muito boa, tinha tudo que um jovem precisava: uma boa família e o esporte. Minha família era grande, tinha oito irmãos. Naquele período as famílias eram assim grandes, com seis a dez filhos em cada uma, e com isso a integração entre nós era muito grande, vivíamos em uma comunidade muito dinâmica. Na vila tínhamos um “senhor campo” de futebol e ainda outro society, onde nos divertíamos. Havia ainda o Clube da Magnesita onde havia prática de judô, tinha cinema, sinuca, pingue pongue, e hoje, infelizmente, virou um depósito de refratário. Naquela época, a Magnesita investia muito em esporte, vinham muitos jogadores de fora, de Minas Gerais principalmente e outras regiões. Lembro que nesta época a Magnesita trouxe jogadores como Moisés, Zeca, Osias, e ter contato com estes grandes nomes foi muito importante para nós que, ainda muito jovens, já jogávamos muito futebol. Então, na minha infância e adolescência, a maior parte do tempo era assim, da escola para casa e de casa para os campos, onde passávamos o resto do dia jogando futebol, lembrando que meus pais nunca foram ligados ao esporte, mas não interferiam na prática.


Café com o Brumado Agora - Com 17 anos, você foi convidado a fazer um teste no Flamengo. Como foi esta experiência tão jovem?


Marlon Frankilin Dias, que era sócio do Clube de Regatas do Flamengo, acompanhava os jogos de salão dos quais eu participava aqui em Brumado. Eu não sabia disso, e em uma tarde, ele foi até a minha casa, falou com minha mãe sobre o meu desempenho como atleta e perguntou a ela se me deixaria ir para o Rio de Janeiro fazer um teste no Flamengo, que ele arcaria com os custos da viagem. Apesar de não ser ligada ao esporte, ela não interferiu e me deixou ir. Eu não imaginava a dimensão que era fazer este teste. Ao chegar a Gávea, em fevereiro, praticamente não havia vagas, pois a peneira do Flamengo era feita de dezembro a janeiro. Então, Frankilin conversou com o Diretor Álvaro e pediu uma chance para mim. Então ele conseguiu com o treinador Carlinhos um teste em Vargem Grande, onde participei de uma peneira pelo time juvenil. Fui feliz no teste e passei a integrar a equipe e treinar na Gávea. Com um ano assinei um contrato chamado de ‘Contrato de gaveta’. Foi maravilhoso, imagine o que é um garoto sair de Brumado, fazer um teste e passar no Flamengo, como goleiro, que é uma posição tão difícil, pois por melhor que você seja, para ter uma oportunidade, tem que batalhar muito. Fiquei um ano no Juvenil, até conquistamos o vice-campeonato carioca contra o Fluminense, e ainda 2 anos no time Júnior, onde conquistamos o campeonato sobre o Vasco. Daí, no 1º ano no Júnior sofri uma lesão no menisco, foi difícil, lesionado, tendo que me recuperar e ainda tentando treinar para sobreviver no time, pois toda semana chegam jogadores novos e com a quantidade de goleiros que tinha, eu precisava me sobressair. Foi aí que devido a concorrência eu decidi tentar partir para outros times.




Café com o Brumado Agora – Foi daí que você tentou uma vaga no time do São Paulo?


Marlon Sim foi. Parti sozinho para São Paulo, e lá tive parentes que me direcionaram para o teste. Logo de cara tive um problema, o fator idade, eu já estava no último ano do Júnior, um passo para o profissional, e os garotos que já estavam nesta fase no São Paulo já tinham muito tempo de casa. Treinei, consegui boa avaliação, mas eles já tinham dois goleiros da casa. Para que eu ficasse, teria que um deles sair. Para isto, eu tinha que ser mais que “muito bom”, tinha que ser excepcional. Então me sugeriram o Time Descalvado, um time da terceira divisão da cidade de São Paulo. Fui emprestado pelo Flamengo, porque ainda tinha o vínculo contratual com o time. Joguei por um tempo e depois fui para Salvador. Neste período, o Flamengo não me chamou de volta, e o Time Descalvado me chamou agora o time estava bem mais estruturado, desfiz meu contrato com o Flamengo e fui para São Paulo. Com o Descalvado fui campeão da terceira divisão e ainda defendi três pênaltis na final. Depois disso, joguei por um ano no Time União Agrícola, do Santa Bárbara do Oeste, na 2ª divisão. O time demostrou o interesse em mim, mas o Descalvado cobrou um valor muito alto pelo meu passe, na verdade ele não queria me liberar, inclusive tive até um atrito com o presidente do time.


Café com o Brumado Agora – Em 1988, você retornou a Bahia e no final de 1989 veio para Brumado. Contes-nos sobre esta fase.


MarlonIsso. Voltei e fiz um teste no Time Catuense. O problema foi que o meu passe estava preso, ainda no Time do Descalvado, que não quis me liberar, não participava de nenhum campeonato e ainda cobrava um valor muito alto no meu passe, justamente para impossibilitar a transação. Eu não tinha um procurador para resolver este problema  e , por isso, parei de jogar profissionalmente aos 22 anos de idade, porque não conseguia me desvincular do time em São Paulo. Então, voltei para Brumado e fui trabalhar na Magnesita, onde trabalho há 24 anos. Na Magnesita tive a oportunidade de continuar no esporte e não larguei o futebol. Entrei para o Magnesita Esporte Club e paralelo me envolvi com o Futebol de Salão, através de Hosannah. Com o Futebol de Salão, conquistei três Campeonatos Baianos e quatro Jogos Abertos do Interior, já com a Magnesita foram sete títulos. O último título que conquistei antes de parar de jogar foi com a seleção de Ibicoara. Na época, se respirava esporte em Brumado, aconteciam olimpíadas que movimentavam empresas, academias e toda a comunidade.



Café com o Brumado Agora – Você ressaltou que naquele período se “respirava” esporte em Brumado. O que você acha que mudou esta realidade?


Marlon - Os grandes ícones do nosso esporte foram literalmente “enterrados”. Zitinho, Genival, Hosannah, Hernani Pinho, por falta de incentivo, não conseguiram dar um suporte maior ao nosso esporte, falo não só do futebol, como as demais modalidades também. Todos estes são formadores de opinião e contribuíram para a formação de personalidade de muitos jovens. Não posso deixar também de lembrar do Zé Veraldo, que faz um lindo trabalho com jovens que tem sérios problemas sociais, Ele dá uma esperança a estes jovens através do esporte. Temos que entender que o esporte não é só competição e prática e sim socialização.


Café com o Brumado Agora – Do que precisa o esporte brumadense?

MarlonBom senso. As pessoas tem que deixar as diferenças de lado. É necessário que seja criada em Brumado uma Comissão do Esporte, que atenda a cada modalidade esportiva de forma específica, com um calendário de esporte fixo com campeonatos voltados para cada modalidade esportiva. Iríamos acabar com vários problemas sociais, incluiríamos os jovens no esporte através de projetos sociais, os tiraríamos das drogas, do crime, do ócio e os socializaríamos. Repito, há verbas para isso, falta bom senso.




Café com o Brumado Agora - O que o esporte trouxe para sua vida?


Marlon - O esporte fez parte da minha formação, junto com os ensinamentos passados pelos meus pais, sobretudo pela minha mãe. Deparei-me com muitos obstáculos, coisas boas e ruins, mas o esporte me fez crescer. Sinto-me realizado no esporte, profissionalmente, tive muitas alegrias ao longo de toda minha vida. Eu pretendo ainda, de acordo com minhas limitações e minha recuperação, fazer um trabalho social esportivo com jovens, acompanhando-os, passando um pouco da minha experiência de vida como atleta.


Café com o Brumado Agora – Gostaria de deixar alguma mensagem aos brumadenses?


MarlonPratiquem esportes, procurem ter uma vida saudável, sem vícios. Eu senti na pele o que é uma vida sem esportes. Esporte faz parte da qualidade de vida, seja em qualquer modalidade: esportes abertos, caminhadas, academias, toda movimentação saudável faz bem ao corpo e a mente.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Rita Alves Ataíde

Sábado, 28.Set.2013 | 09h00



Nascida em 17 de outubro de 1922, em Alto do Rosário, Distrito de Dom Basílio, em uma família humilde, a entrevistada de hoje do Café com o Brumado Agora nunca desistiu dos seus sonhos, e traçou os caminhos da vida com muita garra, perseverança e os pulsos firmes de uma mulher guerreira.  Rita Alves Ataíde, a 9ª dos 12 filhos de sua mãe, se casou aos 17 anos com Abias da Costa Ataíde,  em 30 de junho de 1943, com quem constituiu família e teve os filhos: Homero, Benedito, Maria do Carmo, Margarida, Zé Luiz, Elias, Raimundo, Antônio, Fernando, Floriza, Beto, Lícia, Francisco de Assis, Regina, Rosa e  criou, ainda, João, Anita e Maria Virgens. Hoje a família Ataíde é ainda mais numerosa e Dona Rita já possui netos, bisnetos e tataranetos. A história de determinação, amor, coragem e luta desta grande matriarca, homenageada pela Casa da Amizade como representante das avós de Brumado, será contada em uma entrevista leve e descontraída que aconteceu nas dependências de sua residência. Confira:




Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco sobre sua infância.


Rita Ataíde -  Inicio contando que minha mãe costumava dizer que  eu fui “cuspida e não nascida” (risos), devido a facilidade que ele me teve, sem dores, sentiu os incômodos e pronto, eu já nasci. Bem, lembro que eu tinha 5 ou 6 anos, quando minha mãe teve um dos seus filhos e uma professora foi nos visitar. Ao ver a situação em que me encontrava, eu era de família muito pobre, ele pediu a minha mãe para me criar e que me devolveria quando estivesse formada nos estudos. Minha mãe não deixou, disse que não tinha como deixar todos os filhos estudarem, então eu também não iria. No entanto, com a insistência da professora, minha mãe me deixou ir com ela, por um dia, para brincar com suas netas. Nossa, foi uma alegria para mim, ela me deu um bom banho, me vestiu com um vestido de uma das netas e colocou uma mesa de café da manhã com tantas coisas que eu nem sabia que existiam, comi tanto (risos). Fiquei triste na hora de voltar para casa, minha realidade era muito diferente. Só aos 7 anos fui para escola, mas não com frequência , apenas quando meus pais permitiam. Minha mãe sempre dizia “vai para a escola quando puder”. Eu sempre quis estudar, então aproveitava as oportunidades que tinham para aprender a soletrar e juntar as letras. Quando não ia a escola, ficava lendo almanaques e me esforçava para conseguir ler. Quando eu gostava muito de ler alguma coisa, eu lia e copiava tudo novamente. Minha maior alegria foi conseguir ler o livro ‘ O bom homem Ricardo’. Da minha infância, ainda lembro que sempre trabalhei, desde os 7 anos eu já ia para roça de cebola, de arroz, batata e catava pimenta, junto com meus irmãos. Tem até uma passagem engraçada:  para não trabalhar e voltar para casa, quando eu estava cansada, eu passava pimenta nos olhos. Não adiantava, minha mãe lavava, me colocava embaixo de uma árvore para secar, e eu tinha que voltar para a roça.


Café com o Brumado Agora – Houve algum momento desta fase que merece ser destacado?


Rita Ataíde – Sim, uma situação, inclusive, curiosa. Todo domingo, havia uma missa em Curralinho (atualmente Dom Basílio) que todos iam e era a nossa diversão. Em casa, minha mãe escolhia quem iria e, quem não fosse, ficava em casa realizado os afazeres domésticos. Como eu achava que iria, tomei banho, vesti uma roupa boa, e usei a água do balde como espelho, para me maquiar. Mas tenho que explicar essa maquiagem (riso), minha mãe não permitia, nem espelho em casa tínhamos, então, peguei um papel vermelho, molhei e passei nas bochechas (risos). Minha irmã vendo aquilo correu e contou para a minha mãe que eu estava me “empetecando*. Minha mãe brigou  muito comigo e disse que eu não iria para lugar algum e que eu iria ainda cuidar dos afazeres da casa, fazer comida e buscar água, lembro, inclusive, que era muito longe. Chorei muito, xinguei  minha mãe, falei palavrões, até o padre eu xinguei (risos). Bem, busquei água, fiz o almoço, e mesmo assim continuava chorando, fiquei o dia todo assim e nem comi.Com o entardecer, peguei o milho e fui dar para as galinhas e depois me sentei embaixo de uma laranjeira, bem florida e cheia de frutos. Ali, me arrependi de ter xingado minha mãe e pedi a Deus que me perdoasse. Ai sim fiquei mais triste, porque não sabia se Deus ia me perdoar, pedi muito a ele que me desse um sinal se tinha me perdoado. Bem, no outro dia, minha mãe foi ao quintal e se deparou com a laranjeira completamente despedaçada, sem flor e frutos todos no chão e foi logo me acusando de ter deixado alguém entrar em casa, quando ela não estava. Eu disse que não entrou ninguém, meu pai também não falou nada, então ela achou tudo estranho e chamou rezadeiras.  Das três que foram lá, uma disse para minha mãe que aquilo era sinal de castigo, então, entendi que se tratava do sinal de Deus, que ele tinha me perdoado.




Café com o Brumado Agora – A senhora passou um tempo em Caetité e ainda há uma história curiosa sobre como a senhora conheceu o seu marido. Poderia nos contar?


Rita Ataíde – Sim. Imaginem, saí de Curralinhos (Dom Basílio) para Caetité à cavalo, pois naquela época não havia condução. Senti muitas dores pelo corpo durante toda a viagem, mas mesmo assim, em Riacho de Santana acampamos para dormir, e eu que fiquei com a responsabilidade de catar os gravetos para fazer a fogueira, onde cozinharíamos arroz e bolo de carne. Em Caetité, minha rotina não foi muito diferente, eu sempre estava lá cuidando dos afazeres de casa, na lavoura, minha vida nunca foi fácil. No entanto, lá havia umas freiras que davam aulas gratuitas para pobres e conseguiram uma vaga para mim. Imagine a minha felicidade, eu que sempre quis estudar. Devido a minha força de vontade, estudei muito, passei nas séries com facilidade e me empenhei muito nestes 3 anos que fiquei em Caetité. Quando estava próximo de me formar, minha mãe já exigia que eu retomasse para Curralinhos, as freiras então pediram para que eu escolhesse entre ficar ou voltar para casa. Fiquei com um aperto no coração, mas voltei para casa, e ainda fingindo não estar “estudada”, conversando tudo errado, pois se conversasse de forma correta em casa, era castigada pela minha mãe. Quanto a conhecer meu esposo, foi assim. Tínhamos uma simpatia que, quando corresse uma velação, agarrávamos a primeira coisa que estivesse ao chão, colocávamos embaixo do travesseiro, e assim sonharíamos com o futuro esposo. Fiz isso por três vezes e nelas sonhei com o mesmo rapaz, o qual nunca tinha visto. Quando fui a Malhada de Pedras, para um casamento, imagine quem encontrei? Sim, o rapaz com quem eu sonhava.


Café com o Brumado Agora – Como foi a partir deste encontro?


Rita Ataíde – Conversei pouco com ele, naquela época não era como hoje o contato entre homens e mulheres. Mas, ele me prometeu ir a Curralinho. Bem demorou mais de 8 meses para isso acontecer, pois o pai dele não o deixava ir. Quando ele enfim conseguiu ir, as duas coisas que consegui conversar com ele foram perguntar quantos irmãos ele tinha e se a família estava bem (risos).Eu passei a escrever para a irmã dele e assim fomos nos comunicando. Com muita dificuldade, pois não tínhamos contato, em 1943 nos casamos. No dia do meu casamento eu ainda fiz todos os serviços domésticos, não tive o “Dia de noiva” (riso). Só vieram homens para meu casamento, uns 30 cavaleiros que foram até livramento, onde me casei na igreja e dois dias depois me casei no Civil em Dom Basílio. Depois disso, fui morar em Lagoa do Tamboriu, na casa da minha sogra, onde me recordo que a iluminação da casa era uma fogueira acesa no meio da sala, ficamos lá por sete anos, tempos depois fomos para outras localidades e em 1948 comecei a dar aulas.



Café com o Brumado Agora – Quando a senhora passou a morar em Brumado?


Rita Ataíde -  Antes de vir morar na sede, em 1954 fui morar na Fazenda Brejo. Este foi o lugar onde nasceu a maioria dos meus filhos e onde eu os criei. Lá eu morei em uma casa velha, sem portas, havia apenas as estruturas, mas não havia as folhas para fechar. Essa casa foi o chefe do meu esposo que nos consegui, na época ele começou a trabalhar na Magnesita. Para dormir, eu pegava uma folha de porta que havia solta e isolava uma porta e duas malas, uma em cima  para isolar outra porta. Bem, passamos a viver assim, com muita dificuldade, mas dignidade foi algo que nunca nos faltou. Bem, comecei então a dar aulas nas comunidades locais, naquele período pouca gente sabia ler e escrever e, além disso, não havia quem ensinasse, então fui nomeada por Dona Mirian. Foi difícil lecionar na época era apenas um salão, sem quadro negro, as provas dos alunos eram feitas no caderno e o pior, não havia água, buscávamos água, e essa água não dava para a metade dos alunos. Para complementar a renda da família, eu ainda lavava e passava para fora, costurava, pois eu ensinava apenas pela manhã e tinha o resto do dia.


Café com o Brumado Agora – Quando a senhora veio morar na sede?


Rita Ataíde -  O tempo passou, as coisas foram melhorando, meus filhos começaram a trabalhar então vim morar em Brumado no ano de 1972. Aqui, ensinei no Colégio Luiz Viana, no supletivo, e fiz muito trabalhos voluntários. Sempre gostei de ajudar as pessoas, isso me fazia bem, por tudo que passei em minha vida, pelas dificuldades de tive e venci, nada melhor que retribuir fazendo o bem as pessoas. Há até uma história. Naquela época, como parte dos trabalhos voluntários que fazia, eu acompanhava pessoas que estavam doentes e teriam que fazer tratamentos em outra cidade. Então, conheci uma moça no Bairro Dr, Juracy, que estava com uma série de problemas, não comia, sentia dores, gritava muito. Então a levei em Dr. Jorge e ele disse que o melhor seria levá-la para São Paulo. Então fiz campanhas, coletas em igrejas, e outros locais para angariar fundos para a viagem, consegui cerca de 500 cruzeiros. Desta forma,  a levei para São Paulo e lá foi diagnosticado que ela tinha raquitismo. Ela fez todo o tratamento e hoje esta bem. Ela se chama Enezita  é minha afilhada, se casou e já tem filhos. Aqui em Brumado me aposentei como professora leiga e como professora de Crochê, pelo sindicato.




Café com o Brumado Agora – Qual ou quais são as maiores saudades da senhora?


Rita Ataíde -  Dos amigos que deixei no Alto do Rosário. Da vida que tive, apesar de todas as dificuldades, pois não tive infância, adolescência, casei muito cedo, e tive que ter muitas responsabilidades, desde muito pequena. Sinto saudades das pessoas que ensinei a ler e escrever, das pessoas que ajudei. Apesar de tantas saudades, me sinto realizada por tudo, inclusive, pela família que tenho.


Café com o Brumado Agora – Gostaria de deixar alguma mensagem?


Rita Ataíde -  Sim. Quero dizer aos jovens que, nesta vida, não se consegue nada fácil e sim com muito trabalho. E ainda dizer ao povo brumadense que continue sendo o primeiro em hospitalidade, e que o nosso Bom Jesus continue a nós abençoar.



Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Alípio Joaquim da Silva

Sábado, 21.Set.2013 | 09h00



O entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora nasceu na Fazenda da Faca, Distrito de Caculé, em 14 de fevereiro de 1939. O filho de Maria Pereira da Costa e João Joaquim da Silva galgou as escadas da vida com determinação e foco, fazendo das dificuldades aprendizados para a conquista do sucesso. Alípio Joaquim da Silva casou-se em 2 de maio de 1971 com Mariene Maria Oliveira da Silva, com a qual constituiu família e teve os filhos:  Alessandro, Alípio Júnior, Mariana e Beatriz.  A família ainda é composta pelos netos Anita, Bento, Ana Maria, Pietro, Mariah e Gabriel, os quais enchem o coração dos avós de alegria. Conheça a história de vida do empresário Alípio Joaquim da Silva contada em entrevista realizada na Padaria Pérola, em Brumado.




Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco do período que antecedeu a sua vinda para Brumado.


Alípio Silva - Nasci na Fazenda da Faca e perdi meu pai quando tinha apenas 2 anos. 4 anos mais tarde minha mãe perdeu a visão e costumo dizer que neste período já havia perdido os dois, pois minha mãe já não tinha como nos orientar. A partir daí passei a trabalhar. Trabalhei em uma fazenda de cana, participava do processo de colheita, fabricação de cachaça e muitas outras atividades. Com 8 anos de idade ganhei o meu primeiro dinheiro, adquirido por trabalho e nunca mais parei. Aos 11 anos de idade, montei, em sociedade com meu cunhado Marthiniano Rodrigues, uma pequena mercearia na fazenda e começamos a vender de tudo um pouco. Com 14 anos, fui para Guanambi. Lá meu irmão tinha uma fazenda arrendada, onde trabalhava com o cultivo de arroz. Fui trabalhar nesta fazenda, com mais 15 homens que consegui recrutar na região onde morava. Lá plantamos e colhemos tudo de forma manual. Lembro que chegamos a colher 2.000 sacos de arroz. Retornei para a Fazenda da Faca e depois de algum tempo fui com minha mãe e irmão para a cidade de Caculé. Em Caculé, montei outra mercearia de secos e molhados. Ainda neste período, por influência de José Ribeiro Soares ( pai de Kezinha) fui mascatear e vender tecidos em feiras.


Café com o Brumado Agora – O senhor então passou a viajar devido ao trabalho como mascate. Em quais regiões trabalhava e quais outras atividades foram realizadas neste período.


Alípio Silva - Viajava pelas cidades de Caculé, Jacaraci, Mortugaba, Umburanas, Guanambi e outras feiras da região. Neste período resolvi comprar um carro e Osmar Moura me vendeu um Jipe, foi o meu primeiro carro. A partir daí, colocava todo em cima do carro e ia mascatear por toda a região, agora com meu próprio veículo. Depois de algum tempo, parei com as vendas externas e comprei uma sorveteria em Caculé, aproveitando a época em que a cidade tinha muitos estudantes. Arrendei ainda um cinema, que tinha uns 200 assentos. Um tempo depois, participei de uma rifa, em sociedade com um amigo, na qual seria sorteado um Jipe. Fomos contemplados, dividimos o dinheiro e, com isso, comprei uma Kombi e , em 1965, passei a fazer a linha Caculé- Vitória da Conquista. Fazia este trabalho duas vezes por semana, mas tempos depois fui impedido pelo Derba.  Algum tempo após me mudei para Vitória da Conquista, onde morei por 2 anos no Hotel Livramento. Em Conquista, passei a vender e comprar carros fiz amigos e conheci Josafá da Silva, revendedor da Volkswagen. Na ocasião, ele me sugeriu abrir um Posto de serviço em Brumado, já que a região demandava, e tinha muitas necessidades neste sentido. Com isso, fizemos um levantamento, havia 23 carros Volkswagen em Brumado e região, naquela época, só Kombi e fusca, e assim decidimos arriscar, enviamos a proposta para sede da Volkswagen, em São Paulo.




Café com o Brumado Agora – Quando este Posto de Serviço foi montado em Brumado?


Alípio Silva -  Bem, oito meses após enviarmos a proposta para São Paulo, recebemos a resposta positiva. Desta forma, em sociedade com Antônio Lopes Ferraz, tenente da aeronáutica aposentado, que entendia muito de carros, investi todo o capital que tinha em peças e ferramentas e, deste modo, em 19 de junho de 1969, montei o Posto de Serviço em Brumado, já com o nome Brumauto. Instalei-me inicialmente na Pensão Moura (Hotel Moura), onde morei por 4 meses. Depois me mudei com alguns amigos e funcionários da Brumauto para uma república, denominada por nós de ‘Puleiro dos Anjos’ (risos).  Neste local moraram: Geraldo Fernandes, Manoel Aguiar, Raimundo Aguiar , Eurico Joaquim da Silva, Edvaldo, Antônio ‘Cabeção’,Welton (Guarda Rodoviário), entre outros, e havia Dona Flor e Maria que ajudavam na cozinha. Bem, iniciando os trabalhos na Brumauto, precisava de alguém de confiança para me ajudar. Convidei então Geraldo Fernandes, que na época trabalhava em São Paulo, para vir trabalhar comigo. Além de amigo, ele foi de grande importância para o início da Brumauto, me ajudou muito e o seu desempenho como gerente de escritório foi de grande valia para o nosso crescimento.


Café com o Brumado Agora - Quais as maiores dificuldades no início do empreendimento em Brumado?


Alípio Silva - No início era difícil vender carros aqui em Brumado, pois no período não havia como realizar financiamentos na cidade, era necessário ir a Vitória da Conquista e na época, gastávamos 4 horas no percurso. Lembro, inclusive, que o primeiro carro que vendi foi para Olegário da Magnesita. Voltando a questão do financiamento, lembro que por conta de não haver financiamento aqui, tive que levar o Engenheiro Aluísio para fazer um contrato no Banco Bradesco em Vitória da Conquista e lá ainda tive que conseguir um avalista para fechar o financiamento do carro. Como foi se tornando cada vez mais difícil, fui a São Paulo, direto na central da Volkswagen para tentar o VVD, que é um financiamento próprio da empresa. Conversei com o responsável, falei das dificuldades e acabei conseguindo que ele liberasse o financiamento para Brumauto. Consegui a liberação de um carro novo e dois usados, por mês, esta seria a minha cota de financiamento. A partir daí, as coisas foram crescendo e passei a ter até 40 propostas de financiamento ( por mês)  para fazer. Como eu tinha cotas, passei a assumir a responsabilidade junto a Volkswagen e enviava os financiamentos com promissórias em branco, em meu nome, como garantia que os pagamentos seriam cumpridos. Cheguei a ter 525 carros financiados sob minha responsabilidade, mas graças a Deus nenhum cliente me deu prejuízo.




Café com o Brumado Agora – Como era a sua vida social em Brumado neste período?


Alípio Silva -  Na época Brumado ainda era uma cidade muito reservada e demorei cerca de 5 anos para fazer amizades , no entanto, quando fiz foram sólidas. Posso citar os amigo  Geraldo Fernandes, que muito me ajudou nos meus primeiros momentos na cidade e outros que prefiro não nominar, para não acabar esquecendo algum.Havia ainda as mulheres Rita Souza, Ioná, Lurdinha, Maria Helena. Lembro que os rapazes tinham a responsabilidade de levar as mulheres às festas/eventos e trazê-las em segurança para casa. Aqui em Brumado nós íamos aos bailes de carnaval, festas dançantes, praticávamos esportes como vôlei e futebol de salão, foi um período muito bom.


Café com o Brumado Agora – Hoje, o senhor faz parte do Rotary Club e é Presidente da Associação de Pequenos Produtores das Comunidades de Lameira, Lagoa da Pedra e Amucafo. Conte-nos um pouco sobre estas atividades.


Alípio Silva – Em 1978 fui convidado por Frankilin da Mata Dias para participar do Rotary Club, de onde me tornei inicialmente tesoureiro e tempos depois, por um ano (2004-2005), fui presidente. Durante este período, foram realizados muitos trabalhos sociais para os brumadenses. Como presidente da Associação, consegui muitos benefícios para aquelas comunidades. Se uma comunidade não tem um órgão representativo, dificilmente consegue alguma coisa e já levamos para as localidades água potável, luz e acima de tudo, qualidade de vida. Hoje nós já temos sede própria, angariamos recursos através de eventos, bingos, leilões e cavalgadas. Reunimo-nos todo segundo domingo do mês e a comunidade demostra uma satisfação imensa com as atividades.




Café com o Brumado Agora - Qual o paralelo da Brumauto de 2013 e a de 44 anos passados?


Alípio Silva - Antigamente era tudo mais difícil. Hoje, com a internet, é tudo mais rápido. Faturamos o carro pela internet, existe mais facilidade para o financiamento, o carro chega mais rápido para o cliente. Lembro-me de algumas situações como, para liberar um carro, tinha que me deslocar para Vitória da Conquista, porque Brumado na época não tinha telefone, fazia 4 horas de viagem e lá demorava mais 2 horas na cabine telefônica, para conseguir uma ligação e falar com a central e conseguir a liberação. Outro ponto importante é que em 44 anos de empresa nunca enfrentamos uma ação trabalhista. Costumo dizer que não temos funcionários e sim colaboradores e amigos


Café com o Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos Brumadenses?


Alípio SilvaQuero que Brumado cresça e que ofereça mais segurança a população. É preciso ainda que voltemos os nossos olhos para os jovens desfavorecidos, com políticas públicas sociais de valorização e incentivo, para que possam ser cidadãos de bem e fiquem bem longe do crime e das drogas.



Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Acácia Gondim Ribeiro

Sábado, 14.Set.2013 | 09h18



Nascida em 24 de abril, no Povoado de Jequi, pertencente à cidade de Iramaia, a taurina Acácia Gondim Ribeiro tinha nos sonhos de criança a garra de uma grande mulher. A filha de Ester Silva Gondim e do saudoso Laudelino Marinho Ribeiro, juntamente com seus irmãos Aparecida, Adalto, Abraaão ( em memória), Ângela (em memória), Agda ( em memória), Ana, Antônio Rogério e  Andréia, mudou-se para Brumado em 1965 para estudar e, mesmo diante de todas as dificuldades, hoje representa a cidade como Secretária de Educação. Pedagoga graduada pela Faculdade de Filosofia de Teófilo Otoni, especialista em Administração Escolar, especialista em Educação à Distância e com Curso de extensão em Tutoria, Acácia Gondim conta a sua história em entrevista ao Café com o Brumado Agora, realizada nas dependências da Padaria Pérola. Confira.



 

Café com o Brumado Agora – Como se deu a vinda da senhora para Brumado?


Acácia Gondim- Nasci em Jequi e a vinda da minha família para Brumado foi para que meus irmãos e eu pudéssemos estudar. Em Jequi, estudava na escola Multiseriada Otaviano Morais, uma escola na zona rural onde sequer tínhamos sanitário. Isso mesmo, sanitário! Quando precisávamos fazer alguma necessidade, íamos ao mato mesmo (risos). Existe até uma situação que ocorreu. Em um desses momentos que saí da sala de aula para ir ao “banheiro”, estava lá tranquila, quando passou uma cobra. Tenho essa imagem dos tempos de criança, nitidamente, até hoje na cabeça, o susto foi muito grande. Após concluir o 4º ano nesta escola multiseriada, vim para Brumado, onde fiz um cursinho e prova de Admissão para o Colégio General Nelson de Melo. Para mim foi uma imensa oportunidade ingressar em um colégio que era considerado uma academia de letras. Alguns anos depois, ainda como estudante, Maria Edi, que muito me ajudou neste período, me conseguiu um contrato como auxiliar administrativo na função de auxiliar de secretaria e passei a estudar e trabalhar. Tempos depois, devido a minha desenvoltura nos estudos, fui convidada a dar aulas de geografia, em substituição a uma professora que faleceu, isso por volta de 1972, eu ainda não havia concluído o magistério, o que veio a acontecer 4 anos depois.


Café com o Brumado Agora – Em 1989, a senhora foi convidada pelo então prefeito Edmundo Pereira, a ser diretora do Colégio Estadual de Brumado. Como foi essa experiência?


Acácia GondimEu sempre tive muita vontade de crescer, sobretudo, para superar todas as dificuldades que passei e mostrar, para mim mesma, que seria uma vencedora. Quando fui convidada, fiquei receosa, até porque era um cargo de muita responsabilidade, mas tive o apoio, principalmente de Eni Mafra e  Juscelina Lessa, que me impulsionaram e me disseram que dariam todo o apoio. Eu tive medo no início, por ser uma escola grande, com diversidade de alunos, inclusive muito bons. Eu não poderia simplesmente assumir a direção, ter uma cadeira privilegiada, ficar em uma sala e dar ordens. Eu procurei me interagir com todos, professores e alunos: promovia eventos, conversava diretamente com cada um deles e usava uma estratégia que uso até hoje, que é conhecer cada um por nome e sobrenome. Em meio a tanta gente, quando você chama alguém pelo nome e sobrenome, há uma proximidade maior, aquela pessoa se sente reconhecida.




Café com o Brumado Agora – Qual o elo que senhora faz entre os momentos iniciais da sua carreira como professora, diretora, e hoje como Secretária de Educação do Município?


Acácia Gondim -  O trabalho que desempenho hoje é o resultado de todas as minhas experiências, o que me ajudou bastante. Eu fui de auxiliar de secretaria, professora a diretora de uma grande escola e hoje sou secretária de educação do Município. Agreguei as problemáticas, busquei soluções, e uso hoje como diferencial para me sair bem. Estou há oito anos como secretária de educação do Município, acho que já é hora de deixar o cargo, pessoas são passíveis de erro e a rotina talvez nos faça cometer os mesmos erros. Por isso, talvez, eu ache necessária à mudança, com  certeza que desempenhei bem o meu trabalho.


Café com o Brumado Agora – A senhora disse que talvez seja o momento de outra pessoa assumir a secretaria, tendo em vista que a senhora ocupa o cargo há 8 anos, e seja necessária a mudança. Qual seria, em sua opinião, o perfil ideal desta pessoa?


Acácia GondimUma pessoa com experiência da área, que saiba conciliar e tomar as decisões na hora certa. Cada cabeça é um mundo, vejo que as regras da educação são as mesmas para todo o país, o que difere são as visões das pessoas. Não se pode mudar estratégias, tem que se cumprir as normas que regem a educação e contextualizar a escola. Sobretudo, esta nova pessoa tem que ter o perfil para assumir a função. Brumado tem uma boa pontuação na educação, de acordo os dados do MEC, mérito dos professores que estão ali trabalhando. Por isso, esta nova pessoa tem que ditar as normas, ouvindo a escola e seus anseios.




Café com o Brumado Agora – A senhora também trabalhou na secretaria de educação do Estado. Qual função assumiu?


Acácia GondimQuando deixei a direção do CEB, em 1994, fui para Salvador e assumi a função de coordenadora de informática. Era tudo muito novo para mim e eu fazia um curso particular, paralelo a função, para me aperfeiçoar. Aprendi rápido e naquele período ninguém era expert em informática, até porque informática não é só digitar. Inclusive, fiz um curso de informática no Paraná, o 1º Curso de informática do Brasil, com as primeiras experiências mais avançadas. Além dessa função, ocupei por algum tempo, dentro da secretaria de educação da Bahia, a função de Coordenadora de Jovens e Adultos de todo o estado.


Café com o Brumado Agora – Acácia, além das atividades na educação, pouca gente sabe que a senhora também foi atleta e se sobressaiu nos esportes. Como foi este período?


Acácia GondimEu ainda estudava e trabalhava quando descobri minha paixão pelos esportes. Eu praticava e gostava de esportes que envolviam bola e me destaquei no Handebol. Naquela época, mulher não jogava futebol, para vôlei eu não tinha altura (risos) e o basquete ainda não era praticado na cidade. Bem, tem uma história que faço questão de contar. Eu era pobre e não tinha condições financeiras para comprar um tênis para praticar esporte, então pegava emprestado para jogar. Porém, eu não podia me esforçar muito para não gastar o tênis e isso prejudicou, e muito, o meu desempenho nos treinos. O dia mais feliz para mim, inclusive, digo que mais do que quando adquiri meu carro, foi quando ganhei uma bolsa de estudos e pude comprar meu tênis. A partir daí, ninguém mais me pegava em quadra, porque o tênis era meu e eu podia gastar a vontade (risos).




Café com o Brumado Agora – Além da compra do tênis, qual outro momento é lembrado pela senhora com alegria?


Acácia Gondim – Quando, depois de 12 anos morando em Salvador, fui convidada por Eduardo Vasconcelos para assumir a secretaria de educação do município. Ele me disse que havia pesquisado uma pessoa que poderia assumir a função e ele acreditava que eu poderia conduzir os destinos da educação em Brumado. Fiquei muito feliz em voltar para cá e ser tão bem recebida.


Café com o Brumado Agora – Qual mensagem a senhora gostaria de deixar?


Acácia GondimPrimeiro, quero demostrar minha satisfação em estar aqui falando um pouco sobre minha vida. Dizer que sou muito grata por estar a frente da secretaria de educação e fazendo o melhor pelos brumadenses. Espero que a educação de Brumado cresça mais, e que eu possa participar da implementação da educação, enquanto secretária ou não, vendo chegar a cidade mais cursos para UNEB, vendo mais escolas sendo criadas, uma sede própria para o IFBA, inclusive, com cursos superiores e , porque não, faculdades particulares em nosso município, já que há o incremento do governo com o Fies, Prouni e outros projetos. Sempre digo, uma única formação é muito pouco para a exigência do mundo.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Beto Bike

Sábado, 07.Set.2013 | 08h43



Nascido em 24 de janeiro de 1982, o brumadense Alguiberto Bezerra dos Santos viu nas adversidades da vida e no esporte a força e atitude para realizar sonhos. Filho da saudosa Moêmia Bezerra dos Santos, e criado com muito amor pela avó Maria do Carmo (Maria Bonita), tem ainda o irmão Patrício Levi Bezerra dos Santos como base familiar. Casou-se com Kátia Leite de Souza Bezerra, com a qual constituiu família, e conceberam a linda Geovana. Toda a trajetória do grande incentivador do ciclismo em Brumado será contada em mais uma edição do Café com o Brumado Agora, realizado nas dependências da Beto Bike e Moto, o mais novo empreendimento inaugurado pelo entrevistado.




Café com o Brumado Agora – Conte um pouco sobre o início da sua trajetória.


Beto Bike – Bem, minha história de vida começa quando perdi meus pais. Quando digo meus pais, me refiro ao fato de que, com a morte da minha mãe, meu pai nos abandonou e fui adotado pelo esporte e pela minha avó, que cuidou de mim dos 14 aos 24 anos. Com 14, quase 15 anos, minha válvula de escape foi andar de bicicleta. Muita gente achava bobagem, dizia que era perca de tempo me dedicar ao ciclismo e que ele não me traria retorno financeiro. Com muita força de vontade e sem nunca desistir dos meus sonhos, comecei a participar de competições na região e , quando me dei conta, já estava participando de provas fora do Estado. Passei então a sonhar em ter minha própria oficina. Em 2001, consegui montá-la com a ajuda de pessoas que pedalavam comigo. O início foi difícil, eu era o mecânico, trabalhava apenas com conserto, porque o recurso era pequeno, e só mais tarde comecei a vender peças. A partir daí, comecei a trazer outras pessoas para trabalhar comigo e o empreendimento foi crescendo.


Café com o Brumado Agora – Quais foram os seus maiores apoiadores quando iniciou no ciclismo?


Beto Bike -  Marizete e Edmundo Pereira, que na época ainda era prefeito de Brumado, me ajudaram muito. Me acolheram como atleta e como pessoa e nunca me fecharam as portas da prefeitura. Além deles, tive como apoiadores Jair do Café Brumado, Idelfonso Amorim, Jair da Laranja [ Construtora Silva Salomão] e outras pessoas que, direta ou indiretamente contribuíram para o meu sucesso. Sempre que batia na porta destas pessoas que citei era recebido com muito carinho e sempre estavam dispostos a ajudar. A minha cabeça foi sendo moldada pelo otimismo e sempre fui buscando pessoas que me apoiavam e acreditavam em meu sonho.




Café com o Brumado Agora – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas para continuar acreditando no teu potencial como ciclista e empreendedor?


Beto Bike – No início, ninguém acreditou que eu poderia conquistar o que conquistei como competidor no ciclismo e muito menos com a minha oficina. A única pessoa da minha família que me deu todo apoio foi a minha avó. Inclusive, quando montei a oficina, tinha apenas 18 anos e, naquela época, ainda era considerado menor de idade, pois a maioridade era 21. Com isso não consegui registrar a empresa e tentei fazer isto no nome da minha avó, mas pelo fato dela ter uma deficiência visual, a receita não aceitou o registro. Ela tentou me ajudar, mas infelizmente não foi possível, entretanto, o nome Beto Bike, foi uma sugestão dela. Com isso, trabalhei dois anos sem registro, o que me impossibilitou de realizar compras em algumas empresas, pois elas não vendiam sem o registro.


Café com o Brumado Agora – Em algum momento você pensou em desistir?


Beto Bike – Uma das coisas que minha avó me ensinou foi aprender com as dificuldades. Cada degrau que você ultrapassa é um novo desafio a ser encarado. Criei o meu o meu negócio para sobreviver e eu tinha que fazer o melhor para alcançar os meus objetivos. Agarrei com todas as forças as melhores oportunidades, principalmente, porque sempre fiz o que gosto, que é estar no esporte e incentivando as pessoas.




Café com o Brumado Agora – Houve alguma história, durante sua trajetória, que deve ser lembrada?


Beto Bike – Infelizmente sim. Quando eu estava atuando como ciclista, fiz uma viagem de Bom Jesus da Lapa à Brumado de bicicleta com Luciano (Lulu), que jogava futebol de salão. Faltando 15 km para chegar em Brumado, ele foi atropelado às margens da pista. Foi muito triste, eu poderia ter desistido de tudo, a partir daí, mas pelo grande amigo e por tudo que o esporte e a minha luta de vida representava, eu decidi continuar.


Café com o Brumado Agora -  Hoje, o nome Beto Bike é conhecido em toda cidade e você tem o reconhecimento da população como um dos grandes incentivadores da prática do ciclismo. Como você se sente?


Beto Bike – Me sinto o mesmo garoto de 2001, cheio de sonhos. A única diferença hoje é que a responsabilidade dobrou e tem mais pessoas que dependem do meu trabalho. Hoje, procuro fazer com que as pessoas se envolvam com o esporte, independente de qual seja, e não só para competição, mas também, como qualidade de vida.


Café com o Brumado Agora – Gostaria de deixar alguma mensagem?


Beto Bike – Sim, a todos os brumadenses. Peço que nunca desistam de seus sonhos. O homem é do tamanho do sonho que tem, nunca esquecendo da humildade e da capacidade de sempre buscar-se o melhor.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Zilda Neves

Sábado, 31.Ago.2013 | 09h15



Nascida em 7 de agosto de 1923, na Fazenda Casa Nova, a brumadense Zilda Lima Neves sempre sonhou em ser professora, embalando seus sonhos infantis meio a livros e jornais, mesmo sem saber ler. Filha de Cecília de Lima Santos e Fidelcino Augusto dos Santos, casou-se em 7 de agosto de 1946 com o saudoso Artur Alves Neves, com o qual não teve filhos naturais, mas o coração lhes deu Alexandre, que ainda não constituiu família e não possui filhos. A história desta mulher guerreira, que enfrentou todos os desafios da época para torna-se professora, será contada na entrevista de hoje do Café com o Brumado Agora realizada nas dependências da  Padaria Pérola. Confira.


 


Café com o Brumado Agora – Conte um pouco sobre o início da trajetória para tornar-se professora.


Zilda Neves  -  Sou filha de Brumado, nasci na antiga Praça Duque de Caxias, hoje conhecida por todos como Dr. Mário Meira. Comecei a estudar com oito anos de idade, em Caetité. Minha mãe me contava que quando pequena eu pedia livros, chorava pedindo gazetas (jornais) e ficava sentadinha no chão simulando que estava lendo. Desde muito criança, eu tinha paixão por todo este mundo da escrita e leitura, mesmo sem nunca ter estudado. Bem, em Caetité, morei um tempo na casa de um casal sem filhos e lembro com muita alegria da minha primeira professora, Judite Pereira Cunha. Tempos depois adoeci, e por determinação do médico tive que ficar dois anos afastada da escola. Para mim foi a maior tristeza, mas eu corria o risco de ficar raquítica e tinha uma dieta muito rigorosa, que inclusive me dava vertigens, o que me impossibilitava estar fora estudando e fazendo algumas atividades. Retornei aos estudos depois com aulas particulares com o professor Santana e continuei os estudos. Bem, tempos depois fui avançando nos níveis escolares e comecei a fazer o curso de Admissão, que equivale hoje ao nível médio, que depois me daria a possibilidade de lecionar. Dediquei-me muito aos estudos, era muito determinada. No entanto, por motivos outros meu pai não me deixou concluir o curso de Admissão, e voltei para Brumado. Só conclui o curso  depois de casada, no período em que morei em Caculé com meu esposo, por 13 anos, com a ajuda do Diretor da instituição que enviou a minha documentação para a secretaria de Educação e organizou tudo para que eu retornasse. Fiz todo o curso pedagógico, com 16 matérias, costumo dizer que pela rigidez da época e pelas matérias que eu tinha que envolviam até mesmo direito, economia, álgebra, aritmética, equivale hoje a um curso universitário. Depois deste período fui nomeada interinamente e lecionei 6 meses em Caetité, tempo depois, vim definitivamente para Brumado.


Café com o Brumado Agora – A senhora é conhecida em Brumado pela paixão pela profissão de professora e por ser uma das primeiras a lecionar na cidade. Quais atividades foram exercidas pela senhora?


Zilda NevesComo disse a querida Helena Lima Santos: Celina Mafra, Maria Iranilde, Mirian Santos Azevedo e eu fomos as primeiras filhas de Brumado a serem professoras, fizemos juntas os curso de Admissão. Voltei a morar em Brumado, com muita alegria, porque era uma vontade minha, em 1961, porque meu esposo veio trabalhar na Magnesita, e comecei a lecionar aqui neste período. Inicialmente, lecionei por um ano em uma escola pública no bairro São Félix, substituindo uma professora que estava doente. Algum tempo depois, minha sobrinha Nilza pediu para ver minhas qualificações em Didática e assim passei a dar aulas da matéria e mais metodologia no colégio Monsenhor Fagundes. Além disso, lecionei na Escola Normal e ainda no curso primário do General Nelson de Melo. Fui vice-diretora da Escola Juracy Pires Gomes, onde ainda lecionei a noite no supletivo. Digo ainda, com muita alegria, que fiz parte do corpo docente do Colégio Estadual por 30 anos. Fui convidada, ainda, na gestão de Agamenon, para trabalhar na Prefeitura e fazer parte da coordenação do ensino primário das escolas municipais. Para mim este período foi maravilhoso, me realizei como professora era o que sempre sonhei em fazer e fazia com muita alegria. Sempre buscava me atualizar, fazia cursos presenciais e por correspondências para sempre fazer o melhor para os meus alunos.




Café com o Brumado Agora – Quais as principais dificuldades em lecionar neste período?


Zilda Neves - Posso dizer com propriedade que todas as dificuldades foram superadas pelo amor a profissão. Quando se ama o que faz, as dificuldades, por maiores que sejam, são contornadas. Sempre procurei fazer o melhor enquanto professora, me diziam que eu era muito maternal, e era sim desta forma, sempre tive um carinho especial pelos meus alunos, gostava de ver como eles progrediam como se interessavam pelos estudos. Lembro-me de alguns alunos como a Ritinha, filha de Rubeni e Joaquim Machado, hoje bioquímica, sempre muito aplicada, como também de George de Dioníso, muito interessado e sempre atento as aulas. Lembro um momento específico, que não chegou a ser uma dificuldade, mas mudança de setor, quando por estresse, tive que ser afastada da sala de aula por dois anos. O problema foi pela carga de atividades. Assim, fui trabalhar no supletivo, apenas registrando os candidatos e enviando os certificados de quem havia terminado o curso para a Secretaria de Educação.


Café com o Brumado Agora – Além de lecionar, o que mais a senhora gostava de fazer em Brumado? Como era a vida social da senhora?


Zilda Neves – Lembro com muita saudade de quando era jovem. Em compania de outras moças, como exemplo, Liah Cardoso, Lucy Caires, Celita Brito e Mirian Azevedo, saia para passear pela cidade, sempre gostávamos de ir dançar. Estas noites dançantes aconteciam na Casa de Raimundo Carvalho, Agnelo Azevedo ou Paulo da Magnesita. Tudo com muito respeito, sem maldade alguma e sem bebidas alcoólicas. Reuníamos-nos das 20 às 22 horas, no máximo, e nós [as mulheres], nos encarregávamos de providenciar o cantor e os homens vaziam a “vaquinha” para pagar [risos]. Dos rapazes que participavam lembro-me de Santos Meira e Lindolfo Azevedo.




Café com o Brumado Agora – Qual a maior saudade da senhora?


Zilda NevesA forma como conheci meu esposo Artur. Dona Dezinha era festeira da extinta festa de Santa Terezinha, que era realizada no dia 3 de outubro, e tinha uma barraquinha de comes e bebes. Fiquei com uma amiga chamada Delciana nesta barraca, e Artur se sentou-se à mesa para comer. Enquanto isso, Liah [outra amiga] e eu, fomos aos arredores convidando as pessoas para virem comer na barraca. Então, Artur pagou a conta e continuo próximo barraca. Minhas amigas começaram a dizer que ele estava me olhando muito, eu não dei importância alguma [risos]. Demorei oito meses para dar a ele o “Sim” do namoro. Depois disso, com oito dias de namoro ele me pediu em casamento e três meses depois já estávamos casados. Anos depois ele veio a adoecer e faleceu no Hospital São Vicente, em Vitória da Conquista, no mesmo dia em que comemoramos 49 anos de casados.


Café com o Brumado Agora – A senhora gostaria de deixar alguma mensagem?


Zilda Neves – Quero pedir aos jovens que aproveitem as oportunidades da vida com coisas boas e úteis. Que deem prioridade ao estudo, pois só o conhecimento e a moral nos levam o indivíduo a diante.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Nely Silveira Amorim

Sábado, 17.Ago.2013 | 09h00



Nascida em 21 agosto de 1933, Nely Silveira Amorim é a imagem da mulher guerreira e determinada, que lutou para constituir sua família e nunca desistiu diante das dificuldades. A entrevistada de hoje do Café com o Brumado Agora nasceu na Fazenda Patos, em Aracatu, e em 23 de julho de 1951 casou com Antenor Amorim, com o qual teve os filhos: Iomário, Luiz Carlos, Lindaura, Ilderfonso, Idenor, Sebastião, Zônia Maria e Vandick, que constituíram família e lhes deram os netos: Thiago, Thales, Diogo, Bianca, Manuella, Matheus, Thaís, Carol, Gustavo, Ana Ester, Iasmim, Vitória, Elisa, Jaqueline, Geovana, Lucas, João Gabriel e Maria Letícia. Toda a história  desta heroína será contada hoje, em uma entrevista leve e descontraída que aconteceu nas dependências de sua residência.


 


Café com o Brumado Agora – Conte-nos um pouco sobre o início da vida da senhora


Nely Amorim Nasci na Fazenda Patos, que pertence a cidade de Aracatu. Com a seca de 1939, me mudei com meus pais para uma fazenda próxima a cidade de Encruzilhada. Infelizmente, quando completei 11 anos de idade, minha mãe faleceu. Foi um período muito difícil, mas a partir daí, comecei a conhecer a vida e cresci com isso. Como eu era a única mulher da família, passei a cuidar dos meus irmãos e do meu pai. Eu cozinhava, lavava, passava, costurava, naquela época era em uma máquina de mão, ou seja, tinha muitas responsabilidades. Com 17 anos me casei e tive meu primeiro filho com 19 anos. Então, minha família cresceu ainda mais, agora eu cuidava não só dos meus irmãos e do meu pai, mas também do meu esposo e filhos. Tive dez filhos, dois deles morreram ainda pequenos. Imagine quanta gente junta. Lembro-me de um período, que as crianças tiveram sarampo todas de uma vez. Foi uma trabalheira só cuidar de tantos adoentados e dar conta dos afazeres domésticos.


Café com o Brumado Agora - Quando a senhora passou a morar em Brumado?


Nely Amorim  – Em 1971. Um período depois de ter me casado, mudei para a cidade de Maiquinique. Passamos oito anos naquela cidade. Tivemos problemas financeiros, então meu irmão João Gouberto, que já estava estabelecido aqui, nos convidou a vir para Brumado. Aceitei, inclusive, meu pai e demais irmãos também vieram. Com um ano e oito meses já estabelecidos aqui, meu esposo ficou doente e precisou ir para São Paulo para se tratar. Naquela época a comunicação era muito difícil, para saber notícias dele era apenas por carta. Como meu filho Luiz Carlos morava em Vitória da Conquista, e lá era o lugar mais próximo que tinha telefone, ficávamos sabendo de notícias do meu esposo, através dele, que vinha de Conquista, lembrando que eram quatro horas ou mais de lá até aqui, porque a estrada não era pavimentada, inclusive, sabemos da morte dele, através do meu filho. Meu esposo morreu com 43 anos, tínhamos 22 anos de casados.




Café com o Brumado Agora – Quais atividades a senhora desenvolveu aqui na cidade?


Nely AmorimEu era a tradicional dona de casa.  Cuidei de tudo por muito tempo e nunca me deixei abalar com as dificuldades. Sempre fui determinada e o meu foco era dar suporte aos meus filhos, transformá-los em pessoas de bem e garantir que eles estudassem e crescessem na vida. Com isso passei a me dedicar a um barzinho que foi construído aqui na esquina da Praça Coronel Zeca Leite (Praça da Prefeitura). Naquele período, não existia nem sombra do que vocês conhecem hoje como praça, era um matagal. Este bar era minha distração e fonte de renda que me ajudou a criar os meus seis filhos, porque dois deles foram morar em Salvador. Conheci muitas pessoas nesta época, que passaram a ser clientes do bar e são amigos até hoje.


Café com o Brumado Agora – Quais as principais mudanças observadas pela senhora da Brumado de 1971, período que a senhora aqui se estabeleceu, para hoje?


Nely Amorim - Muitas. Principalmente pela facilidade de acesso a tudo hoje: saúde, educação, deslocamento. Naquele período tudo era mais difícil, Brumado cresceu, se desenvolveu, e vocês encontram tudo praticamente nas mãos. Nós precisávamos trabalhar muito para conseguir alguma coisa.




Café com o Brumado Agora – Quais foram as maiores alegrias da senhora?


Nely AmorimVer o desenvolvimento dos meus filhos. Fiquei muito feliz quando meu filho Mário se formou na Universidade Federal em Economia. Além dele, cada um dos meus filhos me deu muito orgulho e muitas alegrias nesta vida. Tive também uma emoção muito grande com a vinda do meu primeiro neto, o Thiago, e esta emoção se renovou com a chegada de cada um dos meus netos. E, enfim, conquistei o sonho da menina da zona rural, minha casa. Um lugar confortável, onde recebo minha família e sou tão rodeada de amor.


Café com o Brumado Agora - A senhora gostaria de deixar alguma mensagem?


Nely AmorimQuero desejar muita paz, saúde e ainda mais prosperidade para todos da minha família. Agradeço a Deus pela união da minha família, por ter todos aqui perto de mim, a cada dia me proporcionando muitas alegrias. Só tenho a agradecer por tudo que conquistei.



Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


O Café com o Brumado Agora entrevista Eduardo Vasconcelos

Sábado, 10.Ago.2013 | 09h00

 

Nascido em 26 de julho de 1946, Eduardo Lima Vasconcelos é engenheiro Civil e por oito anos (2005/2012) comandou a Administração Municipal, em Brumado. Nascido na Rua Marcolino Rizério, nesta cidade, o filho de Virgílio Rizério e Antônia Alves de Lima Vasconcelos tem um vasto currículo e, atualmente, reintegra-se à vida cotidiana de sua cidade assumindo atividades empresariais e acadêmicas, dirigindo um posto de combustíveis, construindo imóveis industriais e lecionando a disciplina Mecânica dos Solos, contribuindo com a formação de jovens estudantes do IfBahia, no Curso de Edificações. Casado com a Juíza de Direito Mary Cunha Vasconcelos, pai de três filhos: Eduardo, Camila e Rodrigo e avô de quatro netos: Julia, Catarina, Eduardo e Cecília, Eduardo Vasconcelos é o entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora e conta um pouco sobre a sua trajetória.

 

 

Café com o Brumado Agora – Quem é Eduardo Lima Vasconcelos?


EduardoAcho que a minha história de vida em Brumado estabelece que eu tenha que me definir como um sertanejo da caatinga, cheio de ideais, e que ao longo destes 67 anos, eu posso dizer com muita propriedade que eu tenho 67 anos de idade: um físico provavelmente beirando os 70, sobretudo, em função dos desgastes da vida pública, um sistema ósseo que deve estar na faixa dos 80, e intelectualmente não cheguei aos 30, estou cheio de garra e de vontade de lutar e, sobretudo, contribuir para a construção deste País. Nasci aqui em Brumado, no centro da cidade, em 1946, na Rua que passa atrás da igreja, na Rua Marcolino Moura, onde passei boa parte da minha infância. Aqui na cidade estudei inicialmente no Colégio Getúlio Vargas, posteriormente no Colégio General Nelson de Melo, depois, por influência do meu irmão Miguel, fui fazer o seminário no Menor Diocesano de Caetité e de lá fui para Salvador, onde conclui o curso clássico, com a linha predominante na área de Humanas. Posteriormente, entendi que deveria fazer engenharia, que, aliás, sempre foi minha vocação de criança, pois gostava de construir, e fui para Ouro Preto fazer escola técnica de Mineração. Ao final prestei vestibular para Engenharia Civil, passei e conclui o curso em 1972. Hoje tenho 41 anos de profissão como engenheiro, porque mesmo quando estive na vida pública nunca abandonei as minhas tarefas com engenharia, e mais oito anos como prefeito de Brumado.


Café com o Brumado Agora –  Quais os sonhos do homem que teve a oportunidade de assumir a direção de uma cidade como Brumado por 8 anos?


Eduardo - Em termos de sonhos, esses nunca acabam, e eu pretendo realizar alguns. Gostaria muito de contribuir com este País e, sobretudo com o nosso Estado, no que diz respeito as mudanças políticas  que tem que acontecer neste País, como a reforma fiscal  e uma série de coisas. Eu cheguei a pensar, em determinada época que, como diz o poeta, há um período na vida em que você caminha atrás das esperanças, ou seja, as suas esperanças vão à frente. Na maturidade, você alcança essas esperanças e convive com elas, e na velhice você deixa estas esperanças para trás, como se fosse um sonho que não vai mais realizar. Eu ainda continuo olhando as minhas esperanças de frente, eu ainda tenho a esperança de ver este País fazer uma reforma fiscal muito boa, e, sobretudo uma reforma política, no sentido de dar uma nova formatação político-administrativa ao território brasileiro, baiano, e, sobretudo que faça com que se resgate a figura criminalizada chamada prefeito.




Café com o Brumado Agora – Porque o senhor acredita que o prefeito seja hoje uma figura tão “criminalizada”?


Eduardo - Porque o Prefeito foi transformado em criminoso devido aos atos de alguns e hoje sucumbe a ação dos demais poderes que trata o prefeito, sobretudo o prefeito de cidade de porte médio. Porque de porte médio? Porque os prefeitos de cidade grande têm as “costas largas”, no prefeito de cidade pequena a população é omissa no que diz respeito aos direitos civis e políticos  e denúncias, nem sempre legítimas, e o prefeito da cidade média, como tudo aquilo que é da cidade média, paga um preço muito alto  pelo fato de ser a pedra do meio. Nós da classe média, a grande parte esmagadora da população brasileira é aquela que luta, paga cinco, seis meses de ano de trabalho só para pagar impostos e não tem direito a segurança pública, não tem direito a escola  e saúde públicas descente.


Café com o Brumado Agora – Qual o maior legado deixado a Brumado por sua Administração?


Eduardo Sem dúvidas a Educação. Quanto obtive êxito, pela primeira vez nas eleições, em 2004, eu busquei de forma muito forte resgatar a educação, tanto é que o índice IDEB de Brumado saiu do 100º lugar e fomos para o 1º. Em 2005, Brumado era o 100º, em 2007 se tornou o 20º, em 2009 o 5º e quando eu deixei a Administração, em 2011 para 2012, já estava Brumado em 1º lugar no estado da Bahia na Prova Brasil. Consegui, ainda, municipalizar todas as escolas do município. Ou seja, eu vejo que a educação é a única forma de resgatar a cidadania, pois criando a cidadania os cidadãos têm mais interesse em fiscalizar, de forma participativa, tudo o que acontece no município. Acredito também que a criança que vence na escola, vence na vida. A criança que é derrotada na escola é derrotada na vida, isto é um binômio indissolúvel.




Café com o Brumado Agora – Qual sua opinião sobre as manifestações que tem ocorrido em todo País?


Eduardo - Toda vez que a sociedade se movimenta, através da juventude e dos setores mais sensíveis, como tem acontecido ultimamente, as classes políticas, ás vezes, se ressentem disso, não na busca de solucionar os problemas e sim para preservar seus quinhões. Estão aí os muitos e muitos políticos que se dizem salvadores da pátria e que “abocanham” fortunas e são estes, em minha opinião, que estão muito mais preocupados com os seus problemas fisiológicos. De certa forma, nós vivenciamos isso, num País onde o voto é fisiológico. Aqui em Brumado, ao longo de oito anos de administração, primei por uma melhor educação pública, porque é uma das formas de resgatar a cidadania, aliás, é a única.


Café com o Brumado Agora – Qual o lugar da família do senhor em meio a tantas atividades políticas e mais a função de engenheiro?


Eduardo - Vocês podem observar que em toda a minha trajetória política eu nunca fui um homem que subisse ao palanque e fizesse referência a minha família. É uma coisa que me emociona demais. As pessoas as quais eu amo me comovem. Então, geralmente as pessoas sobem no palanque e querem falar “meu pai, minha mãe, eu sou filho de beltrano, eu sou filho de sicrano”, eu no máximo citava minha esposa ou um filho que estivesse presente, isso, quando eu me lembrava, pois quase sempre me esquecia. Tudo isso porque as pessoas com as quais eu vivo são as que dão sentido a minha vida e são fundamentais nela, embora nem sempre eu goste de falar. Isso não é porque eu não goste delas, muito pelo contrário, eu não gosto de falar porque me comovem. Minha família me complementa e me dá forças e energia para lutar.




Café com o Brumado Agora - O que o senhor espera para o futuro desta cidade?


EduardoEspero tanta coisa, que talvez neste momento não desse para falar tudo. No entanto, o que é provável, e necessário que aconteça, em minha concepção, é que qualquer governante lúcido, capaz de olhar Brumado de cima, não pelo seu próprio umbigo, mais sim pela supremacia do bem comum, pense em construir um futuro para Brumado, priorizando o povo. Não existe Brumado sem o povo e, neste sentido, volta a Educação como bem necessário, o aprendizado, o acúmulo de conhecimento. É preciso, ainda, transformar Brumado em uma cidade boa para se morar que acolha o seu povo, é preciso repensar o espaço urbano da cidade.


Café com o Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para a população brumadense?


Eduardo – Quero deixar uma mensagem de muita esperança. Quero dizer ao povo de Brumado que somos os primeiros e vamos vencer.

 

Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


Café com o Brumado Agora entrevista José Roberto Nery

Sábado, 27.Jul.2013 | 12h26



Café com o Brumado Agora entrevista José Roberto Nery

Nascido em Salvador no dia 09 de outubro de 1944, José Roberto Datoli Nery considera-se um brumadense. Filho do saudoso José de Andrade Nery (Juca Nery) e Rosinha Datoli Nery, o entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora deu início a sua caminhada na Escola primária Luzia Silva, um Colégio de Freiras, em Jaguaquara, dando sequência aos estudos no Colégio Taylor-Egídio, seguindo para Salvador, onde estudou no Colégio Marista, vindo depois a cursar e graduar-se em geologia, na Universidade Federal da Bahia – UFBA. Casou-se com Tânia Mara Andrade Nery e da união teve filhos: Roberta, Luciana e Ricardo, que constituíram família e lhes deram os netos: Luisa, Luana, Felipe, Mateus, Maria Fernanda, Miguel, Marina e Rafael. Em seu currículo, o geólogo traz os trabalhos na: DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, onde trabalhou por 3 anos; na CPRM – Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais, por dois anos, Magnesita S.A,  por 33 anos, e atualmente é consultor as Service Engenharia LTDA e gestor na franquia dos Correios AGF São Cristóvão. Em Brumado desde 1974, José Roberto conta um pouco da sua história, em entrevista realizada nas dependências da Padaria Pérola, em Brumado. Confira.




Café com o Brumado Agora – O que motivou a vinda do senhor para Brumado?

 

José Nery - Eu costumo dizer que Brumado já estava inscrita em minha vida, de alguma forma eu tinha mesmo que vir morar aqui. Quando eu era criança, com 10 ou 11 anos, ouvi falar pela primeira vez em Brumado, através de Egas Moniz, filho do Juiz Duarte Moniz, que na época trabalhava aqui em Brumado e foi transferido para a cidade de Jaguaquara.  Anos depois, já no curso de Geologia, fizemos um estágio obrigatório da Chapada Diamantina, uma turma ficou em Rio de Contas, outra em Jussiape, isso em outubro de 1968. Passamos por Brumado, e nos foi falado sobre a Magnesita, vimos de longe os fornos e a mina de Pedra Preta. Lembro também que este foi o período da maior enchente na cidade. Quando retornamos estava tudo inundado, a água estava acima da ponte de saída para Conquista e cobria praticamente o pneu do jipe. Depois, já trabalhando como geólogo e morando em Belo Horizonte, fazia o mapeamento de algumas regiões de Minas Gerais, viajava muito, ficando muito ausente de minha esposa e filhas pequenas. Um colega da CPRM me falou que a Magnesita procurava um geólogo. Predispus-me ao cargo, disse a ele que poderia me indicar, e algum tempo depois me chamaram na sede da empresa. Conheci então Walter Martins, que havia sido Gerente da empresa em Brumado por muitos anos, e ele entrevistou-me, explanou sobre o trabalho e me convidou a conhecer a mineração. Vim então a Brumado, no avião da empresa. Percebi que as condições gerais da cidade não eram boas, mas a empresa dava condições para o funcionário se estabelecer aqui. Tirei algumas fotos, levei para minha esposa ver e aceitamos vir. Antes de tudo, me perguntaram se eu teria disponibilidade para ficar morando aqui por 3 anos, aceitei e fiquei 33 (risos). Hoje me considero brumadense. Inclusive, duas das minhas filhas se casaram com brumadenses.

 

Café com o Brumado Agora - O senhor citou que as condições de Brumado, na época em que veio morar aqui, não eram as melhores. Quais as principais dificuldades enfrentadas para aqui se estabelecer?

 

José Nery - Para se ter uma ideia, íamos fazer compras em um supermercado na cidade de Vitória da Conquista, pois na época não havia ainda o supermercado de “Zé Carvalho”. Gastávamos de 3 a 4 horas para chegar a Conquista, a estrada era muito ruim. Lembro também que quando ia a Belo Horizonte, pegava uma quantidade enorme de receitas médicas, trazia para Brumado e as reservava para alguma necessidade, pois me mudei para a cidade com crianças e, naquele período, a assistência médica pediátrica ainda era deficiente por aqui. Depois a Dra. Dora chegou e começou a atender nossas filhas. Além disso, o comércio era muito fraco, não havia escolas de ensino médio, apenas fundamental. Minhas filhas estudaram na Escola Suzana Guimarães, que era mantida pela Magnesita, a qual oferecia as condições para o funcionamento da escola e os professores eram do estado. Mas, mesmo com todas essas dificuldades, a Magnesita oferecia boas condições de moradia, e um avião que ia a Belo Horizonte três vezes por semana e trazia de tudo: medicamentos, produtos para alimentação, e ainda facilitava o deslocamento, em caso de necessidade.




Café com o Brumado Agora – Como foi o período de trabalho na empresa Magnesita?

 

José Nery - Posso dizer que me realizei trabalhando na Magnesita. Vi o desenvolvimento da mineração em Brumado, onde atuei como Gerente por vinte anos. A jazida que temos aqui está entre as maiores do mundo. Depois atuei por cinco anos como Gerente Geral da empresa, e após a criação da Superintendência do Setor Bahia, sob o comando de Deilson Tibo, passei a ser seu assistente  por oito anos. Acumulei ainda a Gerência de Recursos Humanos. Tempos depois a empresa foi vendida, neste período eu já havia me aposentado, fiz um acordo e deixei a empresa. Quando fui Gerente Geral tive a oportunidade de contribuir com o desenvolvimento de Brumado, destaco que este não é um mérito pessoal, a empresa dava condições para realizarmos muitos projetos na cidade. Como exemplo, posso citar a construção das Praças da Prefeitura e São Cristóvão, na gestão do Dr. Geraldo Azevedo. A Magnesita contribuiu com material, mão de obra, equipamentos e tudo que esteve no alcance para concretização da obra.

 

Café com o Brumado Agora - Como foi sua vida social, no período de adaptação em Brumado?

 

José Nery - Sempre fui muito bem recebido em Brumado, não vou citar nomes, posso acabar esquecendo alguém, mas fiz boas amizades aqui. Apesar de morar na Vila Catiboaba, consegui me socializar e fazer grandes amizades também em Brumado. Amizades estas que mantenho até hoje com muito carinho e prazer. Meus primeiros amigos aqui foram Hélio Marques e Dedé Ribeiro, que me ajudaram muito no período de adaptação. Aqui também fiz parte da fundação da AIBRUM – Associação das Indústrias de Brumado, onde fui Presidente por duas vezes, tendo sido também Presidente do Rotary Club de Brumado. Mesmo aposentado, continuo morando aqui em Brumado e me orgulho muito do círculo social que construí aqui, bem como do que conquistei com o meu trabalho.




Café com o Brumado Agora – Qual a principal mudança, positiva ou negativa, que foi observada pelo senhor da Brumado de hoje e a do período em que se instalou aqui?

 

José Nery - Brumado no passado dependia essencialmente da mineração. Por muito tempo foi este tipo de trabalho que “sustentou” a cidade, pois era a principal fonte de emprego e renda. Hoje, o comércio se desenvolveu muito e contribui destacadamente para o progresso do município.

 

Café com o Brumado Agora - O que esperar do futuro de Brumado? Qual mensagem gostaria de deixar aos brumadenses?

 

José Nery - Espero que com a conclusão do entroncamento das ferrovias, Brumado torne-se um ponto importante dentro deste contexto, pois aqui serão gerados muitos empregos permanentes, a cidade crescerá muito economicamente. Quero dizer que, como moro aqui há 39 anos, me considero brumadense e amo esta cidade. Estou sempre à disposição dos brumadenses para atuar pelo bem de Brumado.




Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


Café com o Brumado Agora entrevista Sidney Joaquim Meirelles

Sábado, 20.Jul.2013 | 10h23



Nascido em 06 de novembro de 1933, na cidade de Caetité, o entrevistado de hoje do Café com o Brumado Agora é o Promotor Sidney Joaquim Meirelles. Titulado cidadão brumadense, o filho de Antônio Meirelles e Laura Santos Meirelles  escolheu Brumado como sua segunda terra natal. Conta em nossa entrevista que seus pais, seguindo a frase “Deus é bom”, deu nome a cada um dos filhos priorizando a inicial que formaria a frase, são eles: Dagmar,  Enir, Ubaldo, Sidney, Edson, Bernadete e Osmar Mariano. Casou-se  com  a professora  Maria José Ramalho de Meirelles com quem teve os filhos: Regina Maria , Antônio Neto, Ataualba  e Laura Maria, que constituíram família e lhes deram os netos:  Marcelo, Aniê,  Ataualba Filho, Sidney Neto, Leonardo, Ianka , Catarina, Davi e Maria Sol. Em uma entrevista leve e descontraída, realizada no sítio da família, o  Promotor Sidney Joaquim Meirelles conta um pouco da sua história.




Café com o Brumado Agora - Quais foram as primeiras atividades realizadas pelo senhor? Como chegou ao Ministério Público?


Sidney Meirelles Quando estudante em Salvador via a dificuldade do meu pai em nos manter e direcionar para os estudos. Pelos esforços dele, eu tinha uma vontade imensa de trabalhar. Consegui com muito sacrifício um emprego como Revisor de Serviços de Água e Esgoto, trabalho este que desempenhava em dois dias. Na verdade, era um trabalho que duraria 10 dias a ser feito na região a qual eu era designado, mas o fazia em dois para estudar (risos). O tempo que sobrava eu utilizava para estudar na Biblioteca. Neste emprego fiquei por cinco anos e meio. Depois de um tempo prestei vestibular para Direito, passei, e assim que me formei fui trabalhar em um escritório de advocacia. Na verdade eu não suportei este trabalho (risos) não era o que eu queria. Passei então a estudar muito e me submeti ao concurso do Ministério Público. Quando passei, a primeira comarca na qual trabalhei foi Brumado, no entanto, por alguns meses. Aqui me instalei na antiga Pensão de Dió, era engraçado, eu estudava até às 22 horas com luz elétrica, porque neste período só havia luz até esse horário, e depois sob a  luz de lamparina, fazia um calor insuportável (risos). Depois de Brumado fui para Condeúba, Urandi, Angical, Palmeiras, retornei a Brumado, e depois fui para Salvador, Lá me aposentei em 1988, trabalhando na área criminal.


Café com o Brumado Agora – Como foi o segundo período do senhor em Brumado? Quais foram as atividades aqui desempenhadas?


Sidney Meirelles Bem, retornei a Brumado depois de passar por várias comarcas e aqui fiquei por 12 anos. Tenho Brumado como se fosse a minha terra natal. Muitos não sabem, mas tenho o título de cidadão brumadense, o qual recebi há 20 anos. Aqui, em 1976, assumi a presidência do Clube Social e Recreativo de Brumado. Relutei um pouco em assumir este cargo, mas queria ter mais contato com o povo. No clube, construí a primeira piscina e a quadra. Era uma alegria ver as pessoas se divertindo, foram dois anos na presidência. Também fui convidado e assumi, em 1968, o Colégio General Nelson de Melo, mantido pela Fundação Educacional de Brumado. Lembro que selecionava os mais disciplinados da turma e os colocava como líderes de turma (risos), era uma maneira de controlar os mais inquietos.Neste colégio, formamos muitos brumadenses, contribuímos para a educação de muitos que hoje são homens e mulheres de sucesso na cidade. Fundei, em parceria com Evan Azevedo, a Cooperativa Agropecuária de Brumado, onde realizamos inúmeras atividades. Construímos aqui também um sonho, Em 1975,, com muito sacrifício, a Escola Nossa Senhora de Fátima. Era um desejo da minha esposa [Maria José Ramalho de Meirelles] e não medi esforços para ajudá-la. Na época, tivemos dificuldades para consegui o terreno e quando conseguimos foi naquela área, a mesma na qual se encontra hoje, mas que era meio a um matagal. Diziam-nos: “vocês são loucos? Construindo uma escola no meio do mato?” (risos), eu respondia: “ para frente vamos” e hoje  a instituição está no centro da cidade e é tão conhecida pelos brumadenses.




Café com o Brumado Agora – Quais os momentos mais saudosos em Brumado?


Sidney Meirelles - Posso dizer com segurança que tive muitos momentos felizes aqui, a começar pelo nascimento dos meus filhos, com exceção da Laura e da Regina. Lembro também do período em que tive que sair da direção do Colégio General Nelson de Melo, para continuar na função,  teria que acumular funções no estado e tinha outro problema, eu estava atendendo a outras comarcas, estava trabalhando muito. Houve um momento que me recordo com alegria. Sempre lutei pelo projeto de desenvolvimento de Brumado, por isso, fiz uma correspondência endereçada ao Presidente da República, ao governador do estado e demais autoridades, em 1975, através do professor Joaquim Batista Neves, então chefe da Casa Cível do Governador Roberto Santos, solicitando a construção da pavimentação asfáltica da estrada de Vitória da Conquista para Brumado, a extensão da linha de transmissão de energia, além de dar a ordem para a construção da barragem do Rio do Antônio, pedidos de extrema importância para a cidade. Como promotor, exercendo a profissão, existiram momentos tristes e alegres, atuei em todas as áreas desde a trabalhista à eleitoral, e o que mais me marcou foi a situação na qual viviam os detentos, na antiga delegacia, uma situação lamentável. Ficava triste porque, mesmo desfigurados pelo crime, aqueles detentos eram pessoas e viviam em situação desumana.


Café com o Brumado Agora – Qual mudança, positiva ou negativa, observada pelo senhor, relativa a Brumado de anos atrás e atualmente?


Sidney Meirelles - Mudança gritante na segurança. Sinto falta do período de tranquilidade, de quando deixávamos os carros com os vidros abertos, com chave na ignição, as portas e janelas de casa abertas. Se por acaso esquecíamos algo na porta de casa, pela manhã estava no mesmo lugar. Vejam no que Brumado se tornou, todos os dias somos informados de roubos, violência, drogas, a nossa realidade é muito triste.




Café com o Brumado Agora - Qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos brumadenses?


Sidney MeirellesLutem cada vez mais para o crescimento e desenvolvimento de Brumado. Desejo o melhor para todos os brumadenses, principalmente, mais segurança.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA DONA BELA MOURA

Sábado, 13.Jul.2013 | 09h31



Nascida em São Gonçalo, no município de Brumado, em 28 de setembro de 1929, filha de Laurindo Pereira Moura e Maria Pereira Silva, Belaniza Moura Matos, conhecida como Dona Bela, sempre foi uma mulher guerreira e que nunca mediu esforços para alcançar os seus objetivos. Irmã de Liberaldina, José Augusto, Gercina, João, Agenor, Davi, Valdo, Joanita, Lurdes e Sebastião, a brumadense casou-se em 1955 com Abdias da Silva Matos e constituiu família com os filhos: Genival, Manoel Luís e Luís Carlos. Em 1961, Dona Bela saiu da zona rural e veio para Brumado com o objetivo de educar os filhos e criar novas oportunidades. A nossa entrevistada de hoje nos recebeu em sua casa, e toda essa  história foi contada em mais uma edição do quadro Café com o Brumado Agora, Confira.


 


Café com o Brumado Agora - A senhora se mudou para Brumado vislumbrando dar melhores condições de estudos e oportunidades para os seus filhos. Como foi esta chegada à cidade?


Dona Bela - Quando cheguei a cidade montei a Pensão Moura, em frente a estação ferroviária. Fazia de tudo nesta pensão, cozinhava, arrumava as acomodações, recebia os hóspedes e ainda costurava para fora, enquanto isso, meu esposo continuava na zona rural trabalhando em outras atividades que complementavam a nossa renda. Por volta de 1965, mudamos a pensão para frente da Igreja Matriz. A pensão começou a prosperar e lembro que o bife que eu cozinhava ficou muito famoso o “bife da Dona Bela”, muitas pessoas vinham almoçar na pensão por conta disso. Então seguimos e em 1969 a pensão se tornou Hotel Moura. Lembro com muita alegria de alguns hóspedes e pessoas que chegaram a morar e outros apenas a se instalar temporariamente na pensão e já no hotel, e que hoje são figuras conhecidas em Brumado como: Alípio (Brumauto). João (Bazar Líder), Gildásio Moreno (Madeireira real), Bráulio Araújo Bonfim (empresário), Rubens Amorim (Empresário Industrial) Osmar Moura (Agricultor), Albaniza de Salomão, Adalberto (Caixa Econômica),Fred Rego, Bete (Avon), Aninha ( Banco do Brasil) e sem esquecer da amiga Rita Souza, entre outros.




Café com o Brumado Agora – Quais foram as principais dificuldades deste período?


Dona Bela - Chegamos a Brumado como retirantes da seca e não tínhamos um prédio próprio para montar a pensão. Inicialmente, fizemos um arrendamento, depois alugamos e com muitos esforços e trabalho conseguimos adquirir um prédio próprio. Além disso, almejei e consegui, com muita luta a minha casa própria, morava no hotel e era um sonho ter uma casa para comportar minha família. Este sonho foi concretizado em 1978, minha casa foi a primeira da Rua, no bairro que hoje vocês conhecem como Bairro Nobre. Para se ter uma ideia, não havia luz no bairro neste período, mas a felicidade em conquistar um sonho fez com que superássemos todas as dificuldades.


Café com o Brumado Agora - Houve algum problema ou situação inusitada que aconteceu no Hotel?


Dona BelaSim houve. Certa vez recebemos um hóspede, aparentemente gozando de saúde e perfeitamente apresentável. Ele se instalou no Hotel, se comportou normalmente, mas no dia seguinte não saiu do quarto. Achamos normal por algum tempo, mas pela demora resolvemos averiguar se estava tudo bem. Fomos ao quarto, chamamos, mas ele não respondia, ficamos preocupados e decidimos entrar no quarto. Para nossa tristeza, quando conseguimos entrar, ele já estava morto. Parece que foi úlcera, não sabemos exatamente a causa da morte, todos nós ficamos abalados por um bom tempo. Mas lembro de momentos alegres. Fomos uns dos primeiros a adquirir televisão nas mediações do Hotel. Era uma alegria só, por volta das 18 horas, o salão do Hotel se enchia de gente que vinha assistir televisão, principalmente crianças.

 


Café com o Brumado Agora - O Hotel Moura, que já foi Pensão Moura, possui 52 anos de história. Como é para senhora ver a expansão deste empreendimento?


Dona Bela – O Hotel Moura conta hoje com 38 apartamentos amplos, modernos e ao longo do tempo gerou emprego e qualificou muitas pessoas. Fico muito satisfeita quando vejo que alguns dos nossos ex-funcionários hoje ocupam cargos de relevância aqui em Brumado e outras cidades. Acredito que nós contribuímos positivamente com a economia do município.

 

Café com o Brumado Agora – E o sonho de ver os filhos estudando? Como foi idealizado?


Dona Bela – A motivação em vir para Brumado foi no intuito de ver meus filhos prosperarem. Meu sonho era transformar pelo menos um deles em Bancário (risos), fato este que não aconteceu. Em 1973, enviei meus filhos para Salvador para estudarem, muitos falavam:  “você está rica assim para enviar seus filhos para Salvador?”, eu respondia que não, mas que não mediria esforços para ver meus filhos estudando. Meus filhos se formaram em Educação Física, Administração e Matemática, cada um em uma área, nenhum se tornou Bancário (risos), mas me realizei com a formação de cada um e no que eles passaram a representar par a sociedade, me sinto muito feliz.

 


Café com o Brumado Agora – Quais foram e quais são as maiores alegrias da Senhora?


Dona Bela - Me realizei com a formação dos meus filhos, mas também com a continuidade da minha família, através das minhas noras: Bernadete, Nete e Roberta, que me presentearam com os meus netos: Matheus, Willian. Pedro, Luiza, Luana, Camilla e João Pedro. Sem falar na benção que é ver o nascimento de uma bisneta, a Bianca. Fiquei muito feliz também com a Homenagem que a Casa da Amizade fez a mim, através da Diná Fernandes, Conceição Marques,  Tereza Souza, Rozenalva, Iracema e Geovana.


Café com o Brumado Agora – A senhora gostaria de deixar alguma mensagem?


Dona BelaQuero dizer que quando se tem um sonho, basta ter objetivo, lutar por ele, e trabalhar muito para conseguir realizá-lo. Nada nesta vida é fácil, trabalhei muito para alcançar os meus objetivos e dar para os meus filhos a oportunidade de estudar e trilhar os bons caminhos. Agradeço a Deus pela família que tenho e posso dizer que sou uma mulher realizada e muito feliz.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA DIAS LIMA

Sábado, 06.Jul.2013 | 00h24



CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA DIAS LIMA

O entrevistado de hoje no Café com o Brumado Agora faz parte da história de Brumado e conhece como poucos os primeiros passos da educação no município. Nasceu em 18-07-1920, na Fazenda Tocadas, filho de Olympio de Carvalho e de Olympia Dias de Oliveira, Érico Dias Lima - Dias Lima – sempre foi muito curioso e estudios. Desde os seis anos de idade já tinha interesse por almanaques, livros diversos e sempre se destacou entre as crianças da mesma idade devido a sua inteligência. Casou-se com Dalcy Lula Souza, de quem hoje é viúvo, e teve os seguintes filhos: Orlando, Albânio e Vera Lúcia; os netos – João Paulo, Januária, Túlio, Érika e Katarina; e os bisnetos - Daisuke, Stephan, Igor e Valentina. A entrevista aconteceu nas dependências da Padaria Pérola com um bate papo descontraído e saudosista. Confira.




Café com o Brumado Agora – Devido ao fato de ser um grande admirador de Anísio Teixeira, quis estudar em um dos colégios mais renomados de Caetité, conte-nos um pouco desta história.

 

Dias LimaEm 1930, conhececi Anísio Teixeira quando eu ainda morava com meus avós na FazendaTocadas, onde era ponto de pouso de pessoas que vinham de todos os lugares. Naquela época, ainda jantávamos cedo, já que não havia luz elétrica, e lembro que Ele [Anísio Teixeira] sentou conosco, havia outras pessoas no local, e começou a falar sobre a Guerra, contar histórias de outros países, e fiquei admirando como ele falava bem, como tinha conhecimento, queria ser um pouco do que ele era. Tempos depois, em 1934. Já com 14 anos, o meu tio Manoel Joaquim dos Santos Carvalho - Dr. Nezinho - solicitou ao meu avô que eu fosse trabalhar na farmácia, onde aprendi  a fazer as manipulações , e fui estudar na Escola Professor Manoel Farias, para aperfeiçoar os conhecimentos básicos  e aplicar no trabalho, e foi nesta instituição de ensino que conheci a professora Judite Moreira da Cunha. Em 1936, Ela me ajudou a conseguir uma vaga para fazer a prova de admissão no Ginásio Pe. Palmeira um colégio interno muito requisitado na cidade. Aconteceu até um fato que deve ser lembrado. No dia da prova de admissão, chovia muita aqui na região e não consegui chegar a Caetité a tempo de fazer a prova. No entanto, através de conhecidos, eles abriram uma exceção e consegui fazer a prova que passei com aprovação 95, naquela época a pontuação era de 0 a 100.


Café com o Brumado Agora – A partir daí, como seguiram os estudos até tornar-se professor?


Dias LimaEm 1940, o Dr. Regis Pacheco me convidou para estudar o ginásio em Vitória da Conquista. Sai muito preparado, estudei em um colégio que me deu uma base muito boa. Passados alguns anos, fui para Salvador, onde conclui o magistério no Instituto Manoel, curso este dado pelo Ministério da Educação. Anos depois, fiz um curso da CADES – Curso de aperfeiçoamento do ensino secundário, no Colégio Normal, em Vitória da Conquista. Muitos professores fizeram este curso, posso citar: Maria Iranilde Lôbo, Maria Nilza,Dinah Vasconcelos , Manoel Joaquim Carvalho, entre outros. Fizemos este curso para lecionar no Colégio General Nelson de Melo.




Café com o Brumado Agora – o Senhor foi um dos fundadores do Colégio General Nelson de Melo, como foi lecionar neste período?


Dias LimaPrimeiro vou contar algo interessante. Vocês sabem por que o Colégio ganhou esse nome? O General Nelson Melo foi o comandante do Major Valdir Pires, também um dos fundadores do colégio, na 2ª Guerra Mundial, por isso ele resolver dar este nome. Também fiz parte da Fundação Educacional de Brumado, a qual representava juridicamente o colégio e vários outros da cidade. Desta fundação faziam parte ainda, além do Major e eu, Délio Gondim Meira, Monsenhor Fagundes e outros. Lecionar nesta época foi algo muito prazeroso, erámos muito unidos, no Ginásio General Nelson de Melo lecionei Inglês, Canto Orfeônico e Educação Física.


Café com o Brumado Agora – O senhor foi o primeiro operador de rádio comunicador de Brumado, como era utilizado este serviço na época?


Dias Lima - Em 1958, fiz o curso de operador de rádio amador. O código aqui em Brumado era AOSPY6, série esta utilizada pelas forças armadas. Este foi o primeiro meio de comunicação que tínhamos na cidade era o meio de interligação entre outras cidades, estados e países. Quando João Goulart foi deposto, com o golpe militar, uma comissão veio até minha casa e o rádio ficou a disposição do exército brasileiro.




Café com o Brumado Agora - A história do senhor no cenário brumadense é muito rica. Quais outras atividades poderiam ser citadas?


Dias Lima - Foram muitas as ações, mas vou tentar se fiel e lembrar-me de todas. Fui jogador de futebol e grande incentivador do esporte com Oflávio Torres, Mário Trindade, Olavo da S. Leite, José Rizério de Carvalho. Fui um dos fundadores do Rotary Clube de Brumado, do Real Atlético de Futebol, do Clube Social de Brumado, da Liga Desportiva Brumadense, e do Clube de Karatê Shotokan de Brumado. Fui ainda, entre 1952 e 1974, venerável por três vezes da Aliança Sertaneja Bahiana. Trabalhei na Carnaubina Ltda., Dolabela & Cia., OST & CIA (Oflávio da Silveira Torres, no ramo de vendas e consignações, de quem era um dos sócios), Departamento Federal de Estradas de Ferro -DC5, fui chefe de gabinete na Prefeitura Municipal de Brumado, na gestão de sete prefeitos, como também, candidato a prefeito junto com Manoel Fernandes. Mesmo que não seja em Brumado, cabe lembrar que atuei em um  escritório em Urandi/BA e no Banco de Crédito Real de Minas Gerais, em Juiz de Fora - Agência de Salinas/MG.




Café com o Brumado Agora – Qual mensagem o senhor gostaria de deixar?


Dias Lima – Espero que Brumado volte a respirar novamente. A coisa aqui não está boa. Estes impasses com plebiscitos e reforma política, são coisas para inglês ver, vai continuar esta vergonha como está.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA ALESSANDRO LOBO

Sábado, 29.Jun.2013 | 09h09



Nascido na Fazenda Espinheiro, em Brumado, o entrevistado de hoje no Café com o Brumado Agora, é o político, médico e empresário Alessandro Lobo e Silva. Filho de Dinorah Lobo e Silva e Deli Ferreira e Silva e irmão de: Sandra Mara, Mário, Mara, Miguel, Fábio, Eduardo e Paulo, o atual Presidente do Legislativo, desde muito cedo, batalhou em busca dos seus objetivos. O menino que percorria, diariamente, 16 km até a sede do município para estudar, concluiu o ensino médio, na época curso de Contabilidade, no Colégio Estadual de Brumado, prestou vestibular e foi aprovado em Medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Casado com Adelaide Cabral e pai de Andrei Vitor, Alessandro e Isabela Cristina, Alessandro trilhou os caminhos da política, concretizou o sonho de construir em sua terra uma clínica com diferentes especialidades e hoje faz parte do crescimento econômico e em saúde da cidade. Confira um pouco desta história em uma entrevista descontraída realizada nas dependências na Padaria Pérola.


 


Café com o Brumado Agora – Você veio de uma família que sempre batalhou muito em busca dos objetivos. Nasceu na zona rural, superou as dificuldades para estudar no ensino básico em médio, como conseguiu se instalar na capital do estado para estudar Medicina?


AlessandroMorei na Residência Estudantil de Brumado (REB), que era mantida parcialmente pela prefeitura municipal. Se não fosse esta residência jamais conseguiria realizar tal feito. Na época, moravam na REB 25 estudantes que compartilhavam 06 quartos existentes na casa. Além disto, a prefeitura pagava as contas de água e luz através de uma subvenção enviada mensalmente. Quando o valor não cobria todos os gastos fazíamos o rateio entre todos os estudantes que moravam na casa e quitávamos. Meus irmãos também moraram na residência, 3 deles, o que contribuiu, e muito, para a nossa formação.


Café com o Brumado Agora – Como a política passou a fazer parte de sua vida?


Alessandro - Política é como um dom, ela é algo que aflora naturalmente no indivíduo. Desde 1996, quando ainda não tinha pretensão alguma de ingressar na política, eu já participava de articulações políticas, inclusive, era presidente Residência Estudantil de Brumado (REB.). Eu ainda era estudante, morava em Salvador, quando o ex-prefeito de Camaçari e atual pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Luiz Caetano, se candidatou e consegui angariar para Ele cerca de 40 votos. Eu já atuava politicamente, mesmo que involuntário às vezes, desde muito cedo.




Café com o Brumado Agora – Então, a sua candidatura a vereador já fazia parte dos seus planos?


Alessandro (risos) pode não parecer, no entanto, não foi planejada. Naquele período, havia mais candidatos do que vagas nas coligações. Cada coligação tem um número de candidatos específicos para se inscrever e a nossa possuía até gente demais (risos). Com toda aquela confusão de quem iria, ou não, ser candidato deixei a reunião e fui para casa já decidido a não me candidatar. Horas depois, o hoje vereador Welinton Lopes me ligou, informando que eu deveria me candidatar, pois o grupo queria um representante do PSL. Com o apoio da minha família, me candidatei. Fui ás ruas, trabalhei bastante e consegui, ainda, suporte político de Maurício Trindade, que também apoiou a minha candidatura.


Café com o Brumado Agora – O médico passou agora a legislar, atuar ainda mais diretamente na vida da população. Como foi atuar nesta nova função?


Alessandro Entrei na Câmara de Vereadores com muita vontade de trabalhar, exercer com êxito a minha função e fazer valer o voto de confiança dos meus eleitores. Meu primeiro ponto a ser colocado em prática foi a transparência. Criei o Projeto Ficha Limpa, que na verdade era a extensão do que já existia. Muitos achavam que era uma repetição do projeto nacional, mas não era. O nacional versava que os candidatos ‘ficha suja’ não poderiam se candidatar a cargos políticos, mas não dizia nada a respeito de cargos diretos ou indiretos na administração municipal. Desta forma, o projeto que criei retirava a possibilidade de candidatos ‘ficha suja’ se candidatarem tanto a cargos políticos, quanto na Administração Municipal. Atuando no legislativo me tornei, ainda, líder do governo na bancada de situação, o que me deixou lisonjeado, já que para a função havia vereadores mais experientes na bancada como Olindina, Miguel Lima Dias, ambos com uma carreira politica extensa.



Café com o Brumado Agora – De líder da bancada de situação a Presidente da Câmara. Como sua candidatura foi articulada?


Alessandro A articulação para esse tipo de candidatura começa assim que se encerram as eleições para vereadores. Sou um vereador com muito tempo de mandato na Casa e consegui apoio dos meus colegas. Claro que sempre houve interesses divergentes, havia outras pessoas com interesse na presidência, mas o nome como presidente da chapa foi recebido com bons olhos, e no final, a minha candidatura foi um consenso.


Café com o Brumado Agora – Quais eram as  expectativas como Presidente da Câmara?


Alessandro Sempre poder trabalhar ainda mais e fazer o melhor. Como presidente da Câmara eu tenho a oportunidade de colocar em prática a minha visão de administrador. Consegui também fazer algumas mudanças, implementar novos projetos como, por exemplo, contratei uma tradutora em libras para participar das sessões. Sempre achei que os deficientes auditivos ficavam às margens das nossas discussões e queria trazê-los também para participar das sessões. Criei um link direto no site da Câmara de contato com a população e agora terei uma reunião com a mesa diretora para viabilizar a contratação de um ouvidor. Ele será um mediador de conflitos, irá ouvir a população, trazer as críticas, reclamações, elogios, para que possamos trabalhar pautados nos anseios dos brumadenses. Apesar de toda a dificuldade orçamentária que temos, busco adequar a nossa realidade as principais necessidades.




Café com o Brumado Agora – Algumas pessoas defendem que, para um trabalho mais efetivo do legislativo, o número de sessões deveria ser aumentado. O que você acha?


Alessandro Quero deixar claro que o trabalho do vereador não é somente durante as sessões. Fora as reuniões noturnas, os vereadores estão trabalhando em seus gabinetes durante o dia, na zona rural, na sede, em Salvador ou Brasília buscando melhorias para a população. Todas as indicações e requerimentos que estão em pauta são votados. No entanto, quando o assunto não cabe naquela sessão, outra é marcada, fora do horário e dia usual, e nenhum vereador nunca se opôs a isso. Portanto, não acho necessário, ainda, que haja outras sessões com horário e dias fixos.


Café com o Brumado Agora – Além da atuação política, você ainda é empresário e, recentemente, inaugurou um grande empreendimento em Brumado. Conte-nos um pouco sobre essa nova empreitada.


Alessandro A proposta de criar uma Clínica com diferentes especialidades sempre foi um sonho. Muitas pessoas apostavam que eu a construiria em Vitória da Conquista, mas sempre acreditei na minha terra, e é preciso que outras pessoas também acreditem. A clínica hoje recebe pacientes de Feira de Santana, Caetité, Guanambi, Vitória da Conquista, damos o pontapé para tornar Brumado uma referência em saúde. Temos aqui bons médicos, reconhecidos nacionalmente e que precisam ser valorizados, inclusive pela própria população. A saúde em Brumado vem se desenvolvendo e a minha expectativa é investir ainda mais e ampliar a clínica, trazer mais especialidades médicas para atender um número ainda maior de pacientes em Brumado e região.


Café com o Brumado Agora – Qual mensagem gostaria de deixar aos brumadenses?


Alessandro – Quero deixar aqui uma mensagem de fé e esperança. Espero dias melhores, de mais desenvolvimento e ainda mais crescimento para Brumado. Independente de política, acredito em Brumado, no seu potencial, no seu povo e jamais desistirei desta cidade.


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA ANDRESSA GOMES

Sábado, 22.Jun.2013 | 08h46

 

Andressa Pinheiro de Castro Gomes, soteropolitana, mas brumadense de coração, nasceu em 24 de setembro de 1978. Filha do casal de médicos Ivan Meira de Castro Gomes e Doralice Pinheiro de Castro e irmã de Sandro, Andrei e Evinha, a empresária estudou turismo na Faculdade de Turismo da Bahia e retornou a Brumado para “transformar sonhos em realidade, através de viagens”, com a empresa Conhecer Turismo. No Café com o Brumado agora desta semana, confira mais um entrevista realizada nas dependências na Padaria Pérola.

 

Café com o Brumado Agora – Porque você optou pela  graduação em Turismo?


Andressa GomesNa verdade, fui muito nova para Salvador estudar. Na época eu não tinha noção de cursos e vestibular. Hoje, desde a oitava série ou até mesmo antes disso, os alunos já tem uma noção de que carreira seguir, eu não tinha essa ideia. Foi no terceiro ano que despertei o interesse por Turismo, pois havia uma faculdade próxima a minha casa. A minha escolha não foi fácil, as pessoas no início perguntavam: vai trabalhar viajando? Conhecendo o mundo? Vai fazer o que? (risos), eram vários questionamentos, até porque a profissão não era muito conhecida na época. Ainda hoje a profissão não é reconhecida, há órgãos que nos represente, mas não que fiscalizem. Infelizmente, ainda não foi regulamentada, mas é o que amo fazer.


Café com o Brumado Agora – Como surgiu a ideia da Agência de Viagens e Turismo?


Andressa Gomes - Quando me formei me associei a uma agência da cidade de Vitória da Conquista, pois durante o curso na faculdade sempre foquei no quesito agência de viagens, era com o que queria de fato trabalhar. No entanto, a sociedade não deu certo e procurei outros caminhos. Ministrei aulas de inglês no ensino médio e fundamental e ensinei por um semestre em uma faculdade particular em Guanambi, mas familiares e amigos falavam que eu deveria voltar para área de Turismo. Apesar da frustração anterior, acreditei que poderia tentar e resolvi montar sozinha uma agência, tendo agora minha mãe como sócia.




Café com o Brumado Agora – Quais foram as maiores dificuldades para se montar uma agência no interior do Estado?


Andressa GomesEu tive que desbravar minuciosamente Brumado, fazer uma apresentação clara do conceito de agência de viagens  e mostrar o quanto o serviço é confiável , além disso, mostrar que o serviço abrange ainda vários setores. Aqui em Brumado não havia nada relacionado a turismo, quando abri a agência em 2004. Foi difícil, principalmente com o advento da internet, onde as compras são de certa forma mais práticas, mostrar ao cliente que o nosso serviço é muito mais seguro e personalizado. Somos mais que vendedores de passagens, ou pacotes turísticos, somos consultores. Acompanhamos os clientes desde  momento em que eles compram a passagem, durante a viagem e quando retornam. Damos dicas de viagem, informamos os melhores lugares. Meu celular fica ligado 24 horas ligado, dou suporte aos meus clientes onde quer que estejam.


Café com o Brumado Agora – A Conhecer Turismo realiza excursões em grupo. Porque não dispõe mais deste serviço?


Andressa GomesFizemos duas excursões em Brumado: uma para a Península de Marau e uma para Porto Seguro, inclusive, como parte de prêmio para uma equipe da M&M Motos. O problema é que é um compromisso muito grande, reunir pessoas que tenham o mesmo interesse, que queiram ir para o mesmo lugar, na mesma data. Já tentamos montar roteiros que tinham 40 pessoas escritas e no final restavam apenas 15 para viajar. Prezamos pela excelência e qualidade nos nossos serviços, se não for assim, preferimos não fazer, uma excursão não depende só da competência dos nossos serviços, vai depender de muitos fatores, inclusive das pessoas questão inclusas na viagem.




Café com o Brumado Agora – Houve alguma situação inusitada ou engraçada com algum cliente em uma viagem?


Andressa GomesNa verdade, não foi engraçado ou inusitado, foi um desafio para nós. Um cliente perdeu a carteira com todos os documentos no Aeroporto de Dubai. Ele me ligou desesperado e falou que estava apenas com o passaporte. Bem, quando o cliente faz uma viagem internacional, ele recebe um cartão de débito com a moeda do País para onde ele irá se deslocar, basta carregar e o dinheiro fica disponível, assim que sai aqui do Brasil. Antes de viajar, entregamos ao cliente dois cartões, um desbloqueado e um bloqueado, o qual pedimos para que deixe na mala, no hotel, em caso de urgência. E foi que aconteceu, transferimos os créditos do cartão que ele perdeu para o que estava guardado e ele pôde continuar a viagem, com dinheiro para os gastos. Foi difícil, mas conseguimos contornar a situação.


Café com o Brumado Agora - Em que a Conhecer Turismo contribuiu para a cultura, lazer e turismo dos brumadenses?


Andressa GomesFacilitamos o intercâmbio de Brumado com o Brasil e o mundo. Temos o cuidado de proporcionar ao cliente viagens elaboradas, com segurança, damos aos brumadenses serviços de ótima qualidade. Não deixamos a desejar em nada em relação aos serviços disponibilizados nas grandes capitais. Trabalhamos com o sonho das pessoas, transformamos aquela viagem especial em realidade.




Café com o Brumado Agora – Gostaria de deixar alguma mensagem aos brumadenses?


Andressa GomesQue resgatemos a Paz. Brumado era uma cidade pacata e hoje vivemos presos atrás dos muros das nossas casas. Desejo a Brumado mais saúde, mais investimentos em educação, cultura, infraestrutura, mas sobretudo, segurança.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA ZÉ MARIA

Sábado, 15.Jun.2013 | 18h01

 

Nascido em 6 de março de 1935, filho de José Alvino Machado e Edhith Viana Machado, José Maria Viana Machado, conhecido por toda Brumado como Zé Maria, foi o primeiro locutor da cidade. Irmão de : Dolores, Enaide, Teresinha, Maria Helena e Maria de Jesus, o entrevistado de hoje no Café com o Brumado Agora, que aconteceu nas dependências da Padaria Pérola, nos conta histórias saudosas, que vão ser lembradas por aqueles que viveram no período e passarão a fazer parte das lembranças daqueles que nem pensavam em conhecê-las.

 

 


Café com o Brumado Agora – Conte um pouco sobre o início de sua história de vida.


Zé MariaComeçar a contar uma história e não falar sobre o que aconteceu entre os anos de 1945 e 1950 não teria graça. Eu ainda era criança e teve um eclipse total. Por volta de 10 horas da manhã, tudo escureceu, mas escureceu mesmo. O galo cantou, as galinhas subiram doidas no poleiro, e o povo saia correndo pelas ruas dizendo: “O mundo vai acabar” (risos). Bem, eu estudei na Escola General Nelson de Melo, até a 8ª série. Em 1960, comecei a trabalhar em um armarinho e lá conheci o Dr. Valter, na época gerente da Magnesita, que me conseguiu um trabalho na empresa em 1963 e lá me aposentei em 1990.


Café com o Brumado Agora – Quando teve início os trabalhos com a Divulgadora?


Zé MariaAntes mesmo de iniciar os trabalhos com a divulgadora eu já fazia locução e ainda trabalhava na Magnesita. Eu era o único locutor da época, todos os comunicados da prefeitura, eventos, divulgações publicitárias, e até mesmo editais jurídicos eram divulgados por mim. Muitas vezes, a prefeitura enviava ofício para que a Magnesita me liberasse para alguma locução oficial. Inicialmente, para montar a estrutura física da divulgadora, tive que comprar uma série de equipamentos em São Paulo. Na época, a divulgadora ficava próxima ao Cine Cairu, com o nome Cine PRVB – Ponto Radiofônico de Brumado- e depois se mudou para onde, atualmente, é o consultório de Dr. Geraldo, neste local com o nome de Divulgadora de Brumado. Instalamos quatro cornetas [pontos de reprodução do áudio da divulgadora] em Brumado: no mercado velho, no antigo prédio da prefeitura, no cinema e próximo a linha férrea.




Café com o Brumado Agora – Quais as principais atividades da Divulgadora? Como era trabalhar com a divulgação?


Zé MariaNós éramos a principal mídia da época, até porque nem televisão existia no período. Fazíamos o que hoje vocês dos sites, jornais, televisão e rádio fazem: passam as notícias ao público, as publicidades, os comunicados. Anunciávamos também os filmes em cartaz no cinema, na época os de hollywood, os seriados, divulgávamos as revistas , o show de calouros, notas da prefeitura de juízes etc. Trabalhar com a divulgação era o que eu mais gostava de fazer, eu amo o que faço, vem do coração. A divulgadora era o relógio de Brumado, começávamos às 6 e encerrávamos as 21 horas, era um marco para as pessoas, porque uma hora depois de terminarmos com os trabalhos na divulgadora, a luza da cidade era apagada, elas se norteavam por isso. Os pais deixavam os filhos brincarem na rua enquanto a divulgadora estivesse no ar, depois disso, todo mundo tinha que estar dentro de casa, e isso servia também para os casais de namorados (risos).

 

Café com o Brumado Agora –  Qual foi a divulgação mais marcante?


Zé MariaSem dúvidas a da enchente de 1967. Por volta de uma hora da manhã eu fui para a Divulgadora, avisar para as pessoas que a enchente estava chegando, levando casas, foi uma situação de alerta e muito perigo. Muitos acessos a cidade ficaram barrados, para se ter uma ideia,  as pessoas que tinham que ir para Vitória da Conquista, vindo por exemplo de Caetité, tinham que descer do transporte aqui em Brumado, atravessar o rio cheio a pé, para do outro lado, muitos quilômetros depois, pegar a condução para Vitória da Conquista. Houve outra situação, que não foi uma divulgação, mas em 1952, Getúlio Vargas usou o meu microfone [Cara de Gato] em um pronunciamento dele em Vitória da Conquista. Inclusive, esse microfone está hoje exposto no Memorial de Brumado, foi o meu primeiro microfone.



Café com o Brumado Agora – Além da divulgação, o senhor tem alguma outra paixão?


Zé Maria - Ângela Maria.  A sua personalidade, suas belíssimas músicas, o romantismo que conquistou o Brasil. Eu possuo a discografia completa dela: discos 78rpm, LPs, compactos, fitas, CDs. Além disso, gravei um show realizado no Teatro Castro Alves em homenagem a Ela, e reuni em DVD, reportagens, revistas, notas, tudo o que fala sobre a artista. Há uma curiosidade. Muitas meninas que nasceram entre as décadas de 70 e 80 se chamam Ângela Maria em homenagem a cantora.


Café com o Brumado Agora – Do que o senhor tem mais saudade?


Zé MariaSão tantas. A Divulgadora, as músicas da época, dos tão saudosos artistas, do meu fusca (risos) o primeiro carro volante de Brumado. Não poderia deixar de falar do Show de Calouros, das Zecretes: Taise, Mônica, Márcia, Fátima, Carla, Lucinha e dos jurados que imitavam os artistas famosos. Saudades também dos Zorbas, uma banda que se tornou profissional depois do Show de calouros. A banda era composta por: Messias, Noélio, Dário, Maria Helena, Jablonex, Tiãozito Cardoso, Altino, Pedrinho e Wilson Cai Cai.




Café com o Brumado Agora – Algo mais a acrescentar? Quer deixar uma mensagem aos brumadenses?


Zé MariaPrimeiro quero dizer que é muito bom estar aqui e relembrar esses fatos que fazem parte do desenvolvimento e da história da nossa querida Brumado. Façam de conta que estou m minha divulgadora e escutem: ALÔ BRUMADO! AQUI ESTÁ A MINHA HISTÓRIA, QUASE UM CENTENÁRIO. HISTÓRIA QUE EU CONTO COM MUITO CARINHO PARA VOCÊS!


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA ENTREVISTA PEDRINA RIZÉRIO

Sábado, 08.Jun.2013 | 09h23

 

Nascida em 12 de maio de 1925, no povoado de Triunfo do Sincorá, Distrito de Barra da Estiva, filha de Virgílio Rizério de Vasconcelos e Antônia Lima Vasconcelos, e irmã de: Eduardo, Antônio Virgílio, Camila, Carlos, Fernando, Ana, Carmem e Heraldo a entrevistada de hoje no Café com o Brumado Agora é a senhora Pedrina Rizério de Carvalho. Casada com Manoel Joaquim dos Santos Carvalho, a senhora Pedrina foi a primeira vereadora de Brumado, de 1959 a 1963, sendo a vereadora mais votada do pleito, o que lhe garantiu a presidência da Câmara de Vereadores. Além disso, foi a primeira presidente do Clube da Terceira Idade, 2003-2004. A senhora Pedrina Rizério de Carvalho recebeu a equipe do Brumado Agora em sua residência e contou um pouco sobre a sua trajetória.

 

 


Café com o Brumado Agora – Como foram os primeiros momentos de introdução ao ensino escolar na vida da senhora?


Pedrina Rizério de Carvalho Minhas primeiras noções escolares foram ainda na cidade de Triunfo. Meu pai pagava uma professora particular, a senhora Joanita Nogueira, da cidade de Caetité, que com muito carinho lecionava. Até que o Estado nomeou uma professora para dar aulas em um colégio público de Cachoeira, onde continuei os estudos. Após este período, vim para Brumado e fiz um supletivo, pois precisava concluir o ensino médio para trabalhar nos Correios. Trabalhando nos Correios, fiz o curso Técnico em Contabilidade, no Colégio Estadual, o que me garantiu o cargo de Tesoureira, onde permaneci por 30 anos e me aposentei.


Café com o Brumado AgoraO que motivou a senhora, neste mesmo período, a ingressar na vida política?


Pedrina Rizério de CarvalhoTudo começou pelo incentivo do meu marido Manoel Joaquim dos Santos Trindade. No entanto, eu só aceitei ser vereadora com a condição de que outra mulher atuasse comigo, eram muitos homens na época e não me sentiria a vontade. Desta forma, Eunice Matos, esposa do médico Rui Matos, também se candidatou e conseguiu o cargo. Fui a vereadora mais bem votada, o que me rendeu a Presidência da Câmara, fui a primeira mulher a ocupar o cargo. Lembro que Libério Matos, mesmo sendo candidato a vereador em Aracatu, que na época ainda pertencia a Brumado, também me apoiou e conseguiu para minha candidatura cerca de 50 votos naquela localidade.




Café com o Brumado Agora - Como eram as atividades na Câmara de Vereadores?


Pedrina Rizério de Carvalho- Para começar, nós vereadores não recebíamos salário para legislar. Eram sete vereadores atuando e as sessões aconteciam às 14 horas, porque não havia luz em Brumado, o que impossibilitava a realização das reuniões a noite, como é atualmente. A câmara era localizada no antigo prédio da Prefeitura e as reuniões eram muito restritas, tinha pouca participação popular. Além disso, trabalhávamos com pouco recurso, não dava para fazer muito pela cidade, não havia tantas indicações e requerimentos como hoje.


Café com o Brumado AgoraQuais eram os principais problemas de Brumado na época?


Pedrina Rizério de CarvalhoA luz era gerada a motor e quando o aparelho quebrava, ficávamos muito tempo sem energia. Havia ainda o problema com a água. Muitas pessoas utilizavam burros ou cavalos para buscar água, a muitos quilômetros de distância, para ter acesso a um poço ou rio. Eram muitas as dificuldades, não havia as facilidades de hoje.




Café com o Brumado AgoraQual (ais) a maior saudade da Brumado daquele período?


Pedrina Rizério de Carvalho -São muitas as saudades daquele tempo. Lembro com muito carinho do Clube Social, do qual meu marido foi sócio fundador, onde dançávamos muito, reuníamos amigos e levávamos as crianças para as matinês que eram realizadas a tarde. Do aeroclube do Monsenhor, onde havia muitos jogos, onde os casais de namorados se encontravam, naquela época andávamos de mãos dadas, com toda a seriedade e respeito da época, nada parecido com o que acontece hoje. Sinto falta também dasreuniões na Biblioteca, lembro até que havia um livro de presença.


Café com o Brumado Agora -O que a senhora gostaria que fosse resgatado?


Pedrina Rizério de CarvalhoGostaria de ver novamente os Ternos de Reis, as festas populares, os encontros das famílias brumadenses. Queria a volta do carnaval, uma festa bonita, que alegra toda a população, mas que retornasse com a paz e segurança que, infelizmente, não existe mais em nossa cidade.




Café com o Brumado AgoraO que a senhora espera para o futuro de Brumado?


Pedrina Rizério de CarvalhoQuero que Brumado continue a crescer.Que cresça social, cultural e estruturalmente. Que todas as famílias brumadenses tenham muita paz e que a nossa segurança seja reestabelecida.


'CAFÉ COM O BRUMADO AGORA' ENTREVISTA SANDRO VIANA

Sábado, 01.Jun.2013 | 09h16

 

Nascido na capital do Estado, mas brumadense de coração, filho de Antônio Viana ‘Tõe de Binin’ e da professora Eunice Viana, e neto do primeiro dentista de Brumado, Albino Viana, Sandro Ribeiro Viana, conhecido pelos brumadenses como 'Sandral', é a personalidade de hoje do Café com o Brumado Agora. O jovem que traçou metas transpôs obstáculos e hoje, Gerente Geral da Ibar Nordeste, conta em uma entrevista leve e descontraída na Padaria Pérola toda a sua trajetória.

 

Café com o Brumado Agora - Como foi a sua infância e juventude em Brumado?


Sandro VianaPassei toda a minha infância aqui em Brumado, fiz muitos amigos. Estudei, e desde este período eu já sabia o que queria para a minha formação. Ainda na época dos estudos, durante os intervalos da escola, veio a ideia de formar uma banda, que mais tarde ficou conhecida como Mais Macho que Mulher. Tudo começou na brincadeira, Joilson Lopes, Castilho Viana, Pablo Morais, Ednei, Joab Paiva, Cleber e eu demos início ao projeto e a banda durou 5 anos. Foram momentos bons, gratificantes e que estão guardados na memória.

  


Café com o Brumado Agora – Como a engenharia entrou na vida do jovem cantor?


Sandro VianaTudo começou com um sonho de criança. Quando visitava a Vila de Catiboaba e via aquela imensa mineradora, me imaginava trabalhando lá, fazendo parte de tudo aquilo, como geólogo ou como engenheiro. E assim, tracei essa meta e parti para os estudos, com muita perseverança e foco. Formei-me em Engenharia de Minas UFBA, em Salvador, e retornei a Brumado como estagiário da Magnesita e depois da Ibar, empresa esta que estou até hoje.


Café com o Brumado Agora - Como foi a sua trajetória dentro da IBAR Nordeste?


Sandro Viana – Comecei a trabalhar na IBAR em 2003, como Engenheiro de Minas responsável pela Lavra. Jovem, amante da mineração e com muita vontade de trabalhar, me empenhei ao máximo e fui traçando a partir dai o meu perfil profissional. Após 1 ano e meio, a empresa me propôs o desafio de ser Coordenador de Fábrica. Aceitei o desafio e três anos depois fui convidado a ser Gerente Geral. Para mim foi uma conquista importante como profissional, a realização de um sonho.

 

 

Café com o Brumado Agora – O esporte também fez parte da sua vida. Conte um pouco desta experiência.

 

Sandro Viana Meu time de coração é o Bahia e como muitos da minha época sou um apaixonado por futebol. Eu frequentava muito o Ginásio de Esportes Antônio Alves Ribeiro e sempre tive vontade de montar uma equipe de futsal. Reunimos atletas, uma maioria brumadense, sonhando com a conquista da Taça Brasil. Empenhamo-nos muito, treinamos com muita garra, e logo fomos vice-campeões em Paulo Afonso, disputamos a Liga do Nordeste, a Copa do Brasil e, em 2011, fomos campeões. Depois de 16 anos Brumado teve uma equipe vencedora na categoria, conseguimos trazer essa vitória, isso foi marco para a cidade. Esforçamo-nos muito para garantir a participação nessas competições, gastamos muito, o poder público municipal poderia ter investido no esporte. Falta apoio político para o esporte brumadense, temos muitos atletas que podem levar o nome da cidade para muitas competições, em inúmeras modalidades, mas a falta de apoio desestimula.

 

Café com o Brumado Agora – Qual foi o seu maior desafio até aqui?

 

Sandro VianaO meu maior desafio foi junto com a minha mãe. Uma mulher guerreira, de classe média baixa, que não mediu esforços para sustentar o filho em outra cidade, estimulando e dando sempre força e mais força para os estudos. Eu sempre respeitei essa condição, Salvador é uma cidade que proporciona muitas atividades sociais noturnas e diurnas, usufruir disso custa caro, ou se paga a passagem do ônibus para ir a faculdade, ou vai curtir a balada com os amigos (risos), por isso, sempre dei prioridade aos meus estudos, sempre tendo como referência a minha mãe, não queria decepcioná-la, fiz o melhor por aqueles que sempre apostaram em mim.

 


Café com o Brumado Agora – Você cresceu, estudou em outra cidade, se formou, retornou e se estabeleceu profissionalmente em Brumado. O que esperar para o futuro desta cidade?

 

Sandro VianaQuero que Brumado se desenvolva ainda mais. O que ainda me entristece é um grave problema que temos aqui: a insegurança. Uma cidade insegura afugenta as pessoas. Aquelas que se estabeleceriam aqui, empresas que por ventura gostariam de se instalar aqui, não o fazem pelo crescente aumento na criminalidade. Brumado não é aquela cidade pacata onde meus amigos e eu jogávamos bola na rua quando criança, onde as pessoas deixavam portas e janelas abertas. É preciso que essa situação se reverta.

 

Café com o Brumado Agora – Gostaria de deixar alguma mensagem final?

 

Sandro VianaSim, a minha mãe. Quero agradecer a Ela por tudo que vivenciei e vivencio até hoje. Pela base, pelos incentivos e, apesar das nossas limitações, quero dizer a Ela que todos os desafios foram superados. A vida continua, e continua muito bem, obrigada Mãe!

 

 

Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura e Reportagem: Janine Andrade.


CAFÉ COM O BRUMADO AGORA: COM TEREZINHA SOUZA

Sábado, 25.Mai.2013 | 09h33

 

Natural de Santa Terezinha, conhecida carinhosamente como Garotinha, e nascida no dia 17 de janeiro de 1929, Terezinha Marques de Souza deu início aos estudos em Cachoeira, no Colégio Filhas de Ana (Sacramentinas). Em seguida, fez admissão no Colégio de Ensino Normal, em Feira de Santana, onde em cinco anos concluiu o ensinomédio. Formou-se em 1952, prestou Concurso Público e em 1957 mudou-se para Brumado e começou a lecionar no Bairro São Félix. Toda a trajetória dessa professora querida por todos os brumadenses, que possui o título de cidadã brumadense, uma indicação do ex-vereador Leo Teixeira, foi contada no quadro Café com o Brumado Agora, numa entrevista descontraída que aconteceu na Padaria Pérola. 

 


Café com o Brumado Agora - Como foi o início da trajetória da senhora como professora em Brumado?


Terezinha Marques de Souza – Conclui os estudos em 1953. Então eu fiz Concurso Púbico, fui nomeada primeira para a cidade de Maragogipe, no entanto, meus pais não me deixaram mudar para lá. Naquela época, mesmo já formada e com certa idade obedecíamos aos nossos pais. Em seguida fui nomeada para a minha cidade Santa Terezinha e como meus pais moravam próximo, no Distrito deLajedo do Alto, me deixaram lecionar, pois constantemente eu estava em casa. No entanto, meu pai faleceu e meu irmão Luiz Souza trouxe toda a família ara Brumado.Assim, em 1957, comecei a lecionarem Brumado, na Escola Estadual do Bairro São Félix e depois no Ginásio General Nelson de Melo, como professora de artes, lecionei também no Colégio Estadual de Brumado, por mais de 30 anos.


Café com o Brumado Agora – Quais as principais lembranças deste período?


Terezinha Marques de Souza – Naquela época o único prédio escolar que havia em Brumado era o Getúlio Vargas. Sendo assim, tínhamos que improvisar para dará aulas. Muitas delas aconteciam em garagens, galpões, igrejas e até mesmo embaixo de pé de juazeiro. Era uma época difícil, mas conseguíamos disciplinar os alunos.





Café com o Brumado Agora – A senhora foi integrante de várias entidades em Brumado.Pode falar um pouco sobre os cargos que ocupou?


Terezinha Marques de Souza – Foram várias as entidades das quais fiz parte em Brumado. Fui a primeira mulher admitida como sócia do Ratary Club, naquela época não era permitido mulheres na diretoria e, assim que  autorizado, fui a primeira a ocupar o cargo. Fiz parte da primeira diretora do Bloco Germes da Era, bem como integrante da primeira diretoria do Clube Social de Brumado, primeira diretora do Colégio Rotary, cargo este que ocupei por 19 anos, em seguida me convidaram a ser vice – diretora da Cirandinha, atualmente CEMENAS COC, cargo que ocupo até hoje. Além disso, atuei como presidente da APAE por 12 anos, um trabalho enriquecedor, mas sempre ressalto que, infelizmente, é muito difícil encontrar pessoaspara fazer o trabalho voluntário em Brumado.


Café com o Brumado Agora -Quais os principais avanços verificados pela senhora, em relação ao ensino do período em que lecionava?


Terezinha Marques de Souza – Hoje os professores se profissionalizaram e estão bem mais qualificados, isso influencia, e muito, na qualidade de ensino. O ensino melhorou muito em Brumado, principalmente nas escolas municipais que estão de parabéns. Sou apaixonada pela minha profissão, e mesmo com muita dificuldade sabemos quantoo nível da qualidade do ensino em Brumado aumentou.





Café com o Brumado Agora – O que a senhora gostaria de ter feito por Brumado que, por algum motivo, não conseguiu concretizar?


Terezinha Marques de Souza - Acredito que contribui positivamente para o crescimento de Brumado e consegui concretizar todos os meus objetivos. Lembro com alegria do Chá de Casa que fizemos para a fundação do Centro Estudantil de Salvador (Casa do Estudante), arrecadamos utensílios necessários para a criação da casa, desde talheres a ornamentos essenciais. Foi muito importante e a residência existe até hoje.

 

Café com o Brumado Agora - De quais momentos a senhora sente saudade? O que espera para o futuro?


Terezinha Marques de Souza – Sinto falta das festas populares, como São João, Carnaval, do resgate da cultura local. Era muito bom ver as famílias reunidas, todos se divertido sem violência. Para o futuro, espero que a educação cresça ainda mais, alcance níveis ainda mais altos de excelência. Gostaria também que o Carnaval voltasse a acontecer, o nosso carnaval era conhecido em toda região e é um marco da nossa cultura.



O 'CAFÉ COM O BRUMADO AGORA' ENTREVISTA DR. JURACY

Sábado, 18.Mai.2013 | 08h52



Ituasuense nascido na Fazenda Lucaia, no dia 8 de julho de 1932, filho do casal Joaquim Gomes Pereira (seu Quinquinha) e da senhora Antônia Plínia Gomes, Juracy Pires Gomes formou-se em Medicina, em 1959, na Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Constitui família, casando-se com a Livramentense radicada em Brumado, professora Maria Sônia Meira Gomes, em 25 de janeiro de 1969.Pai de Patrícia, Daniela e Priscila, avô de Larissa, Raniel e Lucas, Juracy foi prefeito em Brumado pela primeira vez em 1966, e por três mandatos consecutivos contribuiu para o desenvolvimento da cidade. Nesta segunda edição, ele participa do Café com o Brumado Agora, na Padaria Pérola, num bate papo descontraído e saudosista.


 


Café com o Brumado Agora – O senhor administrou Brumado por três mandatos. É lembrando pelos brumadenses com muito carinho e há aqueles que o chamam de “O eterno Prefeito de Brumado”. Quais, na opinião do senhor, foram os principais legados deixados por suas gestões?

 

Dr. Juracy Pires GomesCheguei a Brumado exercer a medicina como clínico e obstetra e acabei me tornando prefeito. A minha gestão deu início a uma série de mudanças em Brumado, foram várias as conquistas em nome da população brumadense, mas posso destacar as quais considero mais importante: a chegada da telefonia, luz, na sede, zona rural e diversos distritos, construção do prédio da Prefeitura, Mercado Municipal, o asfalto de Brumado a Vitória da Conquista, sinal de televisão, a construção da Biblioteca Municipal, construção de avenidas como a Mestre Eufrásio, Centenário e Otávio Mangabeira, e  barragem do Rio do Antônio, que serviu Brumado por mais de 30 anos. Posso acrescentar ainda a construção de prédios escolares, já que na época, havia apenas o Getúlio Vargas.


 


Café com o Brumado Agora – Há algum projeto que o senhor não idealizou, mas que gostaria de ter concretizado naquele período?

 

Dr. Juracy Pires GomesNaquela época se governava com pouco recurso. Tive que me desdobrar para conseguir trazer para Brumado tudo que eu considerava necessário a populaçãoe tudo o que eles ainda me cobravam. Fui firme, e conseguir construir uma Brumado baseada no que os recursos favoreciam e desenvolvi a cidade. Acredito que sempre se pode fazer mais, melhorar, no entanto, acredito que consegui dar o pontapé inicial para o desenvolvimento da cidade.

 

Café com o Brumado Agora – Como o senhor conciliava a função de Prefeito da cidade com o exercício da função de médico?

 

Dr. Juracy Pires GomesApesar de muito trabalho na administração, nunca deixei de exercer a função de médico, até mesmo por amor a profissão. Na época eu atendia do Posto de saúde, no meu consultório, alémda empresa Magnesita S.A. e também fui subgerente da 19ª DIRES. Possodizer ainda que cerca de 70% dos atendimentos no meu consultório eram de graça, atendia amigos, populares e fazia isso com muito gosto, muitos diziam que eu tinha um “coração muito mole”. Eu sempre digo que dinheiro não é tudo, eu fazia esses atendimentos por amor a minha profissão, para ver as pessoas bem, e por gostar do povo de Brumado.

Café com o Brumado Agora – Alguma situação inusitadaneste período?

 

Dr. Juracy Pires GomesSão muitas, a começar de como eu fazia para chegar a alguns distritos e povoadospara fazer os atendimentos. Naquela época não havia a facilidade de locomoção que há hoje. Muitas vezes fui realizar partos a cavalo, tive que atravessar rios cheios a pé, pois naquela época chovia muito, São Pedro gostava muito de mim (risos).Eu atendia a sede, zona rural, distritos, povoados. Fiquei três anos como único médico para atender Brumado e região. Mas, lembro-me de uma história muito engraçada. Fui chamado para fazer um parto no Povoado de Várzea da Pedra e, ao chegar ao local, depois de uma dificuldade imensa de acesso, vi que a mulher estava com uma barriga enorme, só podia dar a luz a gêmeos, e assim ocorreu, duas lindas crianças. No entanto, o marido disse que não teria comome pagar o parto. Não me importei e voltei para Brumado. Dias depois, o senhor chegou a meu consultório com um galo, como pagamento pelo parto.


 

Café com o Brumado Agora–Qual seria hoje, na opinião do senhor, a mudança mais urgente para Brumado?

 

Dr. Juracy Pires GomesContinuidade e ampliação das obras, assistência efetiva as camadas mais desfavorecidas da cidade. Planejamento, foco. Hoje, as administrações municipais contam com muito mais recurso do que na minha época, pode-se mudar ainda mais a cara da cidade, trazer o verdadeiro desenvolvimento que Brumado merece.

 

Café com o Brumado Agora – Qual mensagem o senhor deixa aos brumadenses?

 

Dr. Juracy Pires Gomes –Quero dizer que amo esta cidade e os brumadenses e me sinto lisonjeado em ser lembrado por tudo que fiz nos meus três anos como prefeito. Quero desejar que Brumado possa ter bons Prefeitos, que trabalhem e façam muito mais do que eu fiz pela cidade, se não, não tem graça (risos).


Fotos: Wilker Porto, Produção: Genival Moura, Reportagem e Redação: Janine Andrade.



'CAFÉ COM O BRUMADO AGORA' ENTREVISTA ROSINALVA LIMA

Sábado, 11.Mai.2013 | 12h00

 

O quadro Café com o Brumado Agora entrevistou na manhã deste sábado, 11, na Padaria Pérola, no bairro São Félix, a Gerente Geral da M & M Motos, Rosinalva Lima. A nanuquense que recebeu o título de cidadã brumadense e foi a 2ª mulher a ser presidente do Rotary Club, é uma mulher forte e determinada que, em 2000, chegou a Brumado para mostrar todo seu empreendedorismo e garra.

 

Café com o Brumado Agora – Quem é Rosinalva Lima?


Rosinalva LimaFilha e, sobretudo mãe, pois este é o meu maior foco, minha família, esposo e filha que contribuem diariamente para o meu crescimento pessoal e profissional. Uma cidadã nanuquense, brumadense de coração, que veio para Brumado em 2000, como gerente da concessionária Honda, com muita disposição, força e determinação.


Café com o Brumado AgoraComo é trabalhar, e ter destaque, em uma área que requer tanto determinação e liderança, numa categoria eminentemente masculina?

 

Rosinalva LimaNunca foi fácil. Ainda há o preconceito com as mulheres que trabalham nesta área de tanta responsabilidade e liderança. No entanto, busco como diferencial o comprometimento, estudo e aplicação constante. O importante é focar naquilo que se pretende, assim, o sucesso é inevitável.




Café com o Brumado Agora – Como conciliar a vida de administradora com a função de Mãe e Dona de Casa?


Rosinalva LimaAs mulheres estão se adequando a este perfil de mãe e empresária. Eu tento conciliar essa função de forma equilibrada, o que não é fácil, sobretudo buscando estar bem mental e fisicamente.


Café com o Brumado Agora – Qual seria a mensagem deixada a aquelas mulheres que almejam a carreira profissional, mas que por algum motivo tem medo?


Rosinalva Lima Antes de qualquer coisa, elas devem ter foco. Saber onde, o querem fazer e como fazer. Amadurecer, buscar o equilíbrio emocional, traçar as metas de onde se quer chegar, saber se o trabalho trará satisfação pessoal ou meramente profissional. Não esquecendo também, que para se alcançar o sucesso, nunca se deve deixar para traz os valores adquiridos em família.



Café com o Brumado Agora – Como primeira entrevistada do nosso novo quadro e devido a proximidade do Dia das Mães a Equipe do Brumado Agora, desde já, lhe parabeniza pelo dia tão especial e aproveita a oportunidade para que a senhora deixe uma mensagem para sua Mãe.


Rosinalva LimaMinha mãe é uma mulher adorável, amável, muito agradável e consegue conviver facilmente em todos os meios sociais. Que Deus possa conceder a ela sempre muita saúde e que eu consiga transmitir o legado que Ela e meu Pai me deixaram, na conquista dos meus objetivos, sem esquecer, sobretudo, das minhas raízes e essência.



Fotos: Wilker Porto. Produção: Genival Moura. Reportagem: Janine Andrade.