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Saúde: Vacina também é assunto de adulto

Saúde: Vacina também é assunto de adulto Faz tempo que você não tira a caderneta da gaveta? Cuidado, você pode transmitir doenças aos seus filhos.

Você sabia que atualizar a sua caderneta de vacinação é tão importante quanto deixar a do seu filho em dia? Um levantamento da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, 61% dos adultos não se lembram da última vez que foram vacinados contra a coqueluche, o que significa que eles mesmo sem querer podem expor bebês vulneráveis à doença.Isso porque os sintomas de uma doença como a coqueluche são quase imperceptíveis em nós, adultos, mas no organismo frágil dos pequenos podem ser bem mais intensos, como conta o infectologista Jean Gorinctieyn, do Hospital Emilío Ribas (SP): “Um adulto que não recebeu o reforço de uma vacina pode desenvolver um quadro pequeno de coqueluche, com tosse efebre fraca. Mas, quando ele leva isso para locais de convívio social, como shoppings ou transporte público, pode contaminar crianças que ainda não receberam todas as doses da vacina”. Isso também pode acontecer com outras doenças, como sarampo e até mesmo uma gripe.Sem medoVamos fazer um teste: qual foi a última vez que você foi vacinado? Se já faz tanto tempo que você nem consegue se lembrar direito, pode estar na hora de abrir a gaveta e conferir se são necessárias doses de manutenção. Por Andressa Basilio Revista Crescer.


Artigo: 'Pronatec' principais benefícios e como participar

Artigo: 'Pronatec' principais benefícios e como participar Carlos Prates é brumadense, professor e escritor. (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Por Carlos Prates

 

Neste mês o SESI divulgou uma pesquisa sobre a procura  de profissionais técnicos para o Setor Industrial. Até 2015 serão necessárias cinco milhões e quinhentas mil pessoas, em várias áreas de especializações – mecânica, elétrica, mecatrônica, construção, entre outras. Sugiro que você leia com muita atenção estas informações, pois elas poderão fazer diferença em sua vida profissional: O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) tem como objetivo expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos técnicos e profissionais de nível médio, e de cursos de formação inicial e continuada para trabalhadores. A medida intensifica o programa de expansão de escolas técnicas em todo o país. Além disso, o Pronatec visa à ampliação de vagas e expansão das redes estaduais de educação profissional. Ou seja, a oferta, pelos estados, de ensino médio concomitante com a educação profissional. Por intermédio do Pronatec será dada celeridade ao acordo firmado no governo anterior com o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac), segundo o qual essas entidades devem aplicar dois terços de seus recursos advindos do imposto sobre a folha de pagamentos do trabalhador na oferta de cursos gratuitos. Dessa forma, as escolas do Sesi, Senai, Sesc e Senac receberão alunos das redes estaduais do ensino médio, que complementarão a sua formação com a capacitação técnica e profissional. O mesmo projeto de lei que cria o Pronatec amplia o alcance do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), que passa a chamar-se Fundo de Financiamento Estudantil, com a mesma sigla. Assim, o fundo poderá prover mais duas linhas de crédito, sendo uma para estudantes egressos do ensino médio, outra para empresas que desejem formar seus funcionários em escolas privadas habilitadas pelo MEC ou no Sistema S. O funcionamento é similar ao do Fies do ensino superior, porém com 18 meses de carência e seis vezes o tempo do curso, mais 12 meses para pagamento. Dúvidas mais frequentes dos futuros participantes 1) Como posso me inscrever no Pronatec? Como existem várias iniciativas, não existe um sistema unificado de inscrições. As novas vagas serão abertas em escolas públicas estaduais, nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e nos Serviços Nacionais de Aprendizagem - como o Senai e o Senac. Cada uma dessas instâncias terá inscrições e critérios próprios para seleção de participantes no Pronatec. 2) O candidato que não tenha terminado o ensino médio pode participar do programa? Os candidatos interessados em participar do Pronatec devem procurar sua instituição de ensino ou uma instituição federal em seu estado para saber mais sobre os critérios e condições de ingresso no programa. 3) Pessoas que já concluíram o ensino médio podem participar do Pronatec? Sim, na modalidade Bolsa Formação Trabalhador. 4) As redes de ensino municipais podem participar do Pronatec? As cidades que desejarem participar do programa devem procurar a sua secretaria estadual de educação. 5) Como fazer as inscrições? Procure informações na secretaria de educação do seu estado, na rede estadual de educação, nos institutos federais ou nas unidades dos serviços nacionais de aprendizagem. 6) Sou estudante e gostaria de saber se fui selecionado para um curso. Você deve entrar em contato com a instituição de ensino em que fez sua matrícula. Finalizando, sugiro que você acesse  o site www.pronatec.mec.gov.br (fonte deste artigo) e obtenha mais informações. Vá em frente e sucesso!


Artigo: As redes sociais e as mudanças na política brasileira

Artigo: As redes sociais e as mudanças na política brasileira Carlos Prates, professor e escritor, natural de Brumado (BA). (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Por Carlos Prates


No mês de junho, manifestações populares explodiram no Brasil, onde moradores de cidades de todos os tamanhos reivindicaram mudanças no conteúdo e na forma de agir dos políticos, bem como no estabelecimento de prioridades. No centro de tudo estavam elas, as Redes Sociais, promovendo a ligação entre pessoas, inicialmente levadas a postarem mensagens de apoio, repúdio, alegria, ódio, esperança, incentivo, devaneios e conspirações sobre os personagens que comandam a política. Ainda é cedo para afirmar se é uma tendência que veio para ficar ou é um “arroz de festa”, entretanto muito estudiosos no assunto são categóricos em relação ao que vem ocorrendo no Brasil e no Mundo: - Os políticos devem estar atentos aos comentários e reivindicações das Redes Sociais. Elas podem estreitar a relação com o eleitorado e também serem usadas para a veiculação de calúnias, difamações e cobrança de aprovação de projetos realmente de interesse da população. Não foi por acaso que “A Lei da Ficha Limpa” e alguns projetos já foram total ou parcialmente aprovados, depois da pressão das ruas e repercussão na internet.- Com uma imprensa livre e focada nos interesses do País, muitas das notícias veiculadas nos grandes meios de comunicação reverberam nas Redes e ajudam a formar a opinião dos leitores. A grande mídia também foi objeto de protesto nas recentes manifestações. - Muitos dos seus participantes encontraram um meio de comunicação eficaz para terem voz e vez, notadamente as minorias sociais. Cabe a nós fazermos algumas reflexões: Essas manifestações na internet e nas ruas fazem parte de um modismo ou vieram para ficar? Os brasileiros passarão a ter mais interesse pela política? Os homens e mulheres honestos irão concorrer a cargos públicos? Os políticos que estão no poder há anos, cheios de vícios e legislando em causa própria, mudarão as suas atitudes? Quais os impactos que as Redes Sociais provocarão nas próximas eleições, notadamente na escolha do novo Presidente da República e Governadores? Serão expulsos da política brasileira os corruptos que roubam o dinheiro público? Ao que tudo indica, viveremos momentos de grandes mudanças, para melhor, resgatando a esperança, através de uma maior participação do eleitor, atento ao que ocorre em Brasília e em todos os 5.565 municípios brasileiros. 


ARTIGO: CARLOS PRATES

ARTIGO: CARLOS PRATES Carlos Prates, professor e escritor. (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

 Por quais motivos o desemprego é maior entre os jovens e o que pode ser feito para reduzir os altos índices
                                                                                          

O desemprego entre os jovens tem a combinação de vários fatores e depende do estágio em que os mesmos se encontram:

 

a) Jovens com boa  ou excelente escolaridade. No Brasil, especificamente, esses jovens ficam desempregados porque a maioria das empresas exige experiência profissional. Além disso, muitos não desejam empregos como operadores de telemarketing, atendentes ou vendedores no comércio varejista, por acharem que são “profissões de menor importância”.

 

Sugiro a você, caso se enquadre nesse segmento, que busque o emprego que julga merecer. Caso não o encontre, comece por um emprego de “menor importância” ou que paga menos do que você acha que merece. Dessa forma você ganhará experiência e, principalmente, fará a sua rede de contatos, objetivando encontrar empregos melhores.

 

Está no mercado de trabalho pode ser melhor do que está desempregado.

 

b) Jovens com baixa escolaridade. Aqui reside o maior problema, pois eles estão concentrados em famílias de baixa renda, são discriminados e a maior causa é o modelo educacional brasileiro, que sucateou o Ensino Público. Muitos têm dificuldades para ler, falar e escrever, cometendo erros de português; possuem baixa autoestima e convivem com a violência. É claro que não devemos generalizar, pois há exceções. Em Salvador eles representam o maior número de desempregados. Além de enfrentarem todos os obstáculos acima mencionados, ainda é exigida experiência profissional.

 

Para conseguirem o primeiro emprego e ganharem experiência profissional, sugiro o ingresso no comércio varejista, telemarketing e empreendedores individuais.

 

c) Investir em cursos técnicos. Nos próximos dois anos, só a indústria vai precisar de 5,5 milhões de trabalhadores de nível técnico.

 

As principais vantagens de um curso técnico, desde que seja feito por instituições de qualidade – SENAI, SENAC, Escola Técnica Federal, entre outras, são:

 

1) Possibilidade de ingressar mais rapidamente no mercado de trabalho. Em seguida, fazer a opção por um curso superior, se desejar;

 

2) Muitas vagas disponíveis, uma vez que temos poucos técnicos. Há uma grande desinformação sobre a importância desses cursos e preconceito. A maioria dos estudantes deseja ingressar nas Universidades / Faculdades, achando que ali é a melhor forma de conquistar o primeiro emprego. Nem sempre é a melhor escolha.

 

Finalizando, é necessário reinventar a educação em nosso país, uma vez que o atual modelo não mais atende às necessidades dos jovens e das empresas.


ARTIGO: É PELO DIREITO, E NÃO POR CENTAVOS

ARTIGO: É PELO DIREITO, E NÃO POR CENTAVOS

*Salesio Nuhs

 

As manifestações nas últimas semanas em várias cidades do Brasil consolidaram um movimento de reivindicação legítimo e suprapartidário. A mobilização difusa, sem uma pauta delimitada, é sinal de descontentamento generalizado, com os rumos do país e a fragilidade das instituições públicas. O descaso com saúde, educação e a falta de investimentos em segurança pública provocou um desencanto na população, que mostrou seu desejo de participar dos debates sobre a destinação do dinheiro público arrecado por meio de tributos. O movimento, que começou com um apelo estudantil pela redução da tarifa dos transportes coletivos, ganhou as principais cidades do Brasil, com reflexo no exterior, e tornou-se um expoente do início de uma concepção do povo, em busca de participação na gestão pública. O povo está mostrando a sua força!

*Salesio Nuhs

 

As manifestações nas últimas semanas em várias cidades do Brasil consolidaram um movimento de reivindicação legítimo e suprapartidário. A mobilização difusa, sem uma pauta delimitada, é sinal de descontentamento generalizado, com os rumos do país e a fragilidade das instituições públicas.

 

O descaso com saúde, educação e a falta de investimentos em segurança pública provocou um desencanto na população, que mostrou seu desejo de participar dos debates sobre a destinação do dinheiro público arrecado por meio de tributos. O movimento, que começou com um apelo estudantil pela redução da tarifa dos transportes coletivos, ganhou as principais cidades do Brasil, com reflexo no exterior, e tornou-se um expoente do início de uma concepção do povo, em busca de participação na gestão pública. O povo está mostrando a sua força!

 

Esse processo de discussão e participação pela sociedade, em busca dos seus direitos,  pôde ser percebido pela ultima vez em 2005, quando vimos manifestações em razão do referendo sobre o comércio de armas de fogo. A população foi às ruas para declarar seu posicionamento em favor do direito a legítima defesa, em razão da proibição do comércio de armas no Brasil.

 

Naquela ocasião, a população se manifestou também de forma ordeira e pacífica, não cedendo às pressões que queriam tirar o direito do cidadão de adquirir uma arma de fogo, para sua proteção, de sua família e de seu patrimônio. Nas urnas e com grande vantagem,  os brasileiros escolheram não abrir mão desse direito. Mais de 60 milhões votaram a favor da posse de arma, e nem por isso existem 60 milhões de armas nas mãos de brasileiros, ou seja, votaram contra a perda do direito.

  

Infelizmente, o governo federal, por meio do excesso de burocracia e falta de estrutura do órgão responsável, impede o cidadão brasileiro de exercer o seu direito a legítima defesa. São estas atitudes totalmente antidemocráticas e desrespeitosas que acabam por levar a população brasileira a estas manifestações.

 

Cansado de ver seus direitos negados, o país experimenta um furor em defesa dos direitos constitucionais adquiridos, o que garantiu apoio popular aos manifestantes. De fato, o país não experimentava uma mobilização tão grande e organizada nos últimos anos. O recado está dado, a população não vai tolerar o sucateamento de serviços públicos essenciais e não vai permitir sanções aos direitos que foram conquistados, como o de legítima defesa.

 

O legado das manifestações atuais ainda está em construção e é impossível prever quais serão seus desdobramentos, mas é inquestionável seu valor para a construção de um país que respeita a democracia. Violentar a população tirando seu direito ao transporte coletivo inclusivo, de qualidade e com preço justo, a inexistência de um sistema de saúde humanizado e a total falta de um programa para a Segurança Pública,  não são pautas vazias. Ao contrário, a defesa destes direitos tornou a sociedade mais politizada, o que representa uma evolução. Em mais uma oportunidade, o brasileiro mostrou que não será omisso.

 

A capacidade de mobilização e o modo com que a sociedade passou a encarar seu poder podem mudar a forma de pensar o país. A lista de reivindicação é enorme e ouvir o que a população tem a dizer vai mudar a forma de fazer política no país. Ouvir a sociedade é estabelecer um diálogo com o futuro e respeitar sua vontade representa uma evolução da democracia.

 

 

*Salesio Nuhs é presidente da Associação Nacional de Armas e Munições (Aniam)

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ANTÔNIO TORRES: SEU FILÓ 'NECESSIDADE E GANÂNCIA'

ANTÔNIO TORRES: SEU FILÓ 'NECESSIDADE E GANÂNCIA' Antônio Novais Torres

Por Antônio Novais Torres


Seu Filó, dito Filomeno, sexagenário alquebrado pelos anos de trabalho árduo no campo, velho sisudo, sério e honrado, veio para a cidade, por indicação, para trabalhar como vigia noturno em uma revenda de automóveis. Como sempre, Seu Filó chegou pontualmente às 18 horas, pegou o relógio de ponto – coleira de cachorro, como ele o chamava – e passou a exercer o seu trabalho. Porém, vivia a reclamar do minguado salário. Mesmo acrescido do adicional noturno, não dava para atender às necessidades da família numerosa. Precisava da ajuda da mulher que, mesmo doente, lavava roupa de ganho para ajudar o marido nas despesas da casa. Com prole numerosa e ganho insuficiente, Seu Filó pediu ajuda à diretoria da empresa onde trabalhava e conseguiu empregar um de seus filhos como office-boy. Rapaz esperto, logo dominou o macete do trabalho. Comunicativo, conquistou a simpatia e a confiança de todos.

Por Antônio Novais Torres

 

Seu Filó, dito Filomeno, sexagenário alquebrado pelos anos de trabalho árduo no campo, velho sisudo, sério e honrado, veio para a cidade, por indicação, para trabalhar como vigia noturno em uma revenda de automóveis.

 

Como sempre, Seu Filó chegou pontualmente às 18 horas, pegou o relógio de ponto – coleira de cachorro, como ele o chamava – e passou a exercer o seu trabalho. Porém, vivia a reclamar do minguado salário. Mesmo acrescido do adicional noturno, não dava para atender às necessidades da família numerosa. Precisava da ajuda da mulher que, mesmo doente, lavava roupa de ganho para ajudar o marido nas despesas da casa.

 

Com prole numerosa e ganho insuficiente, Seu Filó pediu ajuda à diretoria da empresa onde trabalhava e conseguiu empregar um de seus filhos como office-boy. Rapaz esperto, logo dominou o macete do trabalho. Comunicativo, conquistou a simpatia e a confiança de todos.

 

Direito e sério, a exemplo do pai, era merecedor de confiança. Certo dia, ao fazer depósito e pagamentos diversos em determinado banco, deparou-se com um pacote na área reservada para os clientes fazerem depósitos e outras atividades. Não percebendo ninguém por perto, resolveu abri-lo e constatou que se tratava de dinheiro (uma grana preta). Diante desse fato, resolveu entregar o pacote ao gerente do banco. Este imediatamente telefonou para a empresa, fez elogios à virtude do office-boy e da sua consciência ao devolver ao banco o que não lhe pertencia. Por essa atitude honesta do garoto, sugeriu à firma fazer melhor aproveitamento do funcionário, dando-lhe maiores oportunidades.

 

Às 18 horas, como de costume, chega Seu Filó com sua mochila às costas, e os funcionários fazem-lhe o relato do ocorrido, elogiando a atitude honesta do menino, um exemplo a ser divulgado e que muitos não teriam essa consciência de atitude honrada. Diante dessa notícia, retornou imediatamente a casa e deu uma surra no filho que precisou ser levado ao hospital. Interrogado pelo acontecido, o velho se explicou: “Esse moleque sabe que estamos passando por dificuldades, somos necessitados. Eu trabalho de vigia noturno e a mãe, mesmo doente, lava roupa de ganho para ajudar nas despesas da casa, e o menino acha uma dinheirama dessas e entrega ao gerente do banco, homem rico e não precisado”. O corretivo foi injusto.

 

 Mas como se vê, mesmo sério, honrado e direito, a situação financeira agravante pode desvirtuar o caráter do indivíduo, menos convicto dos valores morais e éticos. Foi o que aconteceu com Seu Filó.

 

Recentemente a mídia divulgou que um funcionário do alto escalão de uma empresa financista deixou-se levar pela tentação e a ganância ilícita para se enriquecer, dando um golpe financeiro na firma. O resultado foi que perdeu o emprego de muitos anos, a confiança nele depositado e a maior virtude do ser humano – a dignidade.

 

A sociedade impõe regras e valores que levam o indivíduo a encarar o dinheiro como a solução para os seus problemas – ledo engano –. Assim Filó entendeu, em sua visão canhestra, e vergastou o filho que praticara um ato de honestidade.

 

Ser pobre não significa ser desonesto, e o vigia trocou os valores éticos e morais pela causa da necessidade orçamentária. Já o funcionário da empresa financeira, conforme divulgou a mídia, ao ver a possibilidade de enriquecer-se ilicitamente, usou desse artifício para se locupletar e terminou punido pela inconsequência do seu ato que representou a ganância de obter vantagem de forma incorret

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ANTÔNIO TORRES: BRUMADO, CIDADE DE TODAS AS GENTES

ANTÔNIO TORRES: BRUMADO, CIDADE DE TODAS AS GENTES Brumado 136 anos de emancipação política. (Foto: Wilker Porto | Brumado Agora)

Por Antônio Novais Torres



 

A cidade de Brumado foi emancipada por força da Lei Estadual número 1.756 de 11 de junho de 1877 a qual foi elevada à categoria de Vila e sede do município com o nome de Bom Jesus dos Meiras e posteriormente em 1931 passou a denominar-se BRUMADO. Brumado, com sua importância sócio-político-econômica, uma economia robustecida pelas indústrias mineradoras e outras de ramos diversificados, comércio varejista bastante desenvolvido, situação geográfica estratégica, bem-servida de meios de transportes e comunicações, permitindo acesso fácil aos diversos pontos do país, energia elétrica abundante, água de qualidade, bem-servida de instituições financeiras, rede hoteleira, clínicas, hospitais de saúde privada e pública, rede de educandários nos diversos níveis, faculdades, ainda que incipientes, Jornais e revista, bibliotecas, clubes sociais, entidade da terceira Idade, esportes de campo e de salão, várias denominações religiosas, banda de música Lira Ceciliana; na área cultural a cidade conta com intelectuais ativos e produtivos, a Academia de Letras e Artes de Brumado (ALAB) desenvolve e apoia a cultura, grupos folclóricos e possui meios de empregos e oportunidades de crescimento pessoal e empresarial, detém o status de uma das melhores cidades do sudoeste baiano. Por tudo isso, Brumado ainda é uma ótima opção para se viver bem e com tranquilidade.

Por Antônio Novais Torres


A cidade de Brumado foi emancipada por força da Lei Estadual número 1.756 de 11 de junho de 1877 a qual foi elevada à categoria de Vila e sede do município com o nome de Bom Jesus dos Meiras e posteriormente em 1931 passou a denominar-se BRUMADO.

Brumado, com sua importância sócio-político-econômica, uma economia robustecida pelas indústrias mineradoras e outras de ramos diversificados, comércio varejista bastante desenvolvido, situação geográfica estratégica, bem-servida de meios de transportes e comunicações, permitindo acesso fácil aos diversos pontos do país, energia elétrica abundante, água de qualidade, bem-servida de instituições financeiras, rede hoteleira, clínicas, hospitais de saúde privada e pública, rede de educandários nos diversos níveis, faculdades, ainda que incipientes, Jornais e revista, bibliotecas, clubes sociais, entidade da terceira Idade, esportes de campo e de salão, várias denominações religiosas, banda de música Lira Ceciliana; na área cultural a cidade conta com intelectuais ativos e produtivos, a Academia de Letras e Artes de Brumado (ALAB) desenvolve e apoia a cultura, grupos folclóricos e possui meios de empregos e oportunidades de crescimento pessoal e empresarial, detém o status de uma das melhores cidades do sudoeste baiano. Por tudo isso, Brumado ainda é uma ótima opção para se viver bem e com tranquilidade.

Neste contexto, muitas pessoas de outras cidades e estados migraram para cá, em busca de dias melhores e oportunidades de trabalho – perspectivas que proporcionam bem-estar social – e aqui foram recebidas de braços abertos pelo povo acolhedor, de índole ordeira, pacífica e de comportamento harmonioso. Este clima salutar proporcionou aos adventícios o campo ideal para implantarem e desenvolverem os seus projetos e objetivos socioeconômicos, planejamento do futuro familiar de progresso e crescimento pessoal, tornando-se brumadenses por opção e por adoção.

Aqui fincaram raízes, constituíram famílias e deram a sua contribuição de trabalho e de prosperidade, destacando-se nas diversas áreas como, por exemplo, na saúde, na educação, no comércio, na indústria e serviços, no jornalismo e comunicações, no campo profissional autônomo e liberal, como cidadãos trabalhadores comuns, enfim, nas mais diversas atividades das relações pessoais e humanas. Portanto, Brumado é uma cidade cosmopolita, cuja maioria dos cidadãos é de imigrantes que engrossaram o contingente populacional da cidade, trazendo suas experiências de conhecimentos e trabalho, produzindo diversidade de culturas e gerando riquezas de que o município não pode prescindir para o seu desenvolvimento. 


Brumado só tem a agradecer aos seus imigrantes e dizer-lhes que fazem parte de uma comunidade que tem orgulho de tê-los acolhido. Juntos com os naturais do lugar, esses imigrantes constroem a pujança deste município promissor, que se tem destacado pelo dinamismo de sua gente – gente de todos os lugares, irmanada no mesmo propósito, livre de preconceitos e discriminações; gente que se faz presente pelo esforço do trabalho, pela contribuição intelectual, pela grandeza vocacional artística e profissional; gente amada por esta terra abençoada por BOM JESUS. Pelos seus atributos de empreendedores, vocês devem ter o reconhecimento, merecidas honras e homenagens nesta data especial dos 136 anos de Brumado, a cidade que adotaram.

Neste particular, a minha família, os Torres, imbuída dos sentimentos de filhos desta terra, identificou-se com o povo brumadense, promovendo iniciativas socioeconômicas, políticas e administrativas desta cidade e participando de todas elas, como tantas outras famílias que enriqueceram o nosso cotidiano. Todos os seus membros são importantes e dignos de elogios, porquanto acreditaram no potencial deste município e investiram maciçamente, in loco, nos seus projetos, negócios e esperanças, pois que aqui vivem e mourejam identificados como cidadãos naturalizados brumadenses. 
Neste momento, ouso tomar a liberdade de, em nome dos cidadãos adotivos, dizer do orgulho por estarmos partilhando, com os patrícios autóctones, das comemorações pelo aniversário desta cidade e das homenagens prestadas, nesta data, à melhor, à mais amada, à mais ordeira, à mais bela, à mais altaneira das cidades, nossa querida Brumado, pois aqui se completam e se identificam pela felicidade de tê-la escolhido para viver.

Parabéns, Brumado! Parabéns cidadãos brumadenses! Honremos e dignifiquemos esta terra com mais trabalho e dedicação, almejando sempre maior progresso, maior desenvolvimento com justiça e paz social, exigindo políticas públicas corretas que atendam a coletividade nas suas prioridades básicas da promoção humana.

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BIOGRÁFICA OZÓRIO PORTO 'POR ANTÔNIO TORRES'

BIOGRÁFICA OZÓRIO PORTO 'POR ANTÔNIO TORRES' Antônio Novais Torres

Por Antônio Novais Torres



Ozório da Silva Porto nasceu na fazenda Pacheco, município de Brumado, em 06/09/1929, mourejou também na fazenda Ariri (nome popular de uma espécie de palmeira que produz fibras utilizadas na fabricação de cordas, pincéis, vassouras etc.). É um dos nove filhos do casal Tertulino da Silva Lima e Maria Rosa de Jesus. Casou-se em 05/06/1952 com Emília Lima Porto e tiveram onze filhos: Juarez, José, Gildásio, Gilmar, Maria Estela, Geodete (in memoriam), Claudenor, Claudeir, Kátia, Luciana e Alexandre. Enquanto Ozório desenvolvia as suas atividades laborais, a esposa se colocava como esteio da casa para a criação dos filhos. Exemplar e leal dona de casa, dava o suporte necessário ao marido, cuidando do lar e da família, preparando os filhos para um futuro promissor. Com objetivos definidos de amealhar recursos para futuros investimentos, aos 15 anos já trabalhava na lavoura, em fazendas da Serra das Éguas, laborando em plantações diversas. Visando a melhores ganhos, foi ser tropeiro, trabalhando com o tio, Sr. Manoel Porto, que possuía uma tropa de 27 animais de carga, com os quais fazia transporte de frete na região.

Por Antônio Novais Torres


Ozório da Silva Porto nasceu na fazenda Pacheco, município de Brumado, em 06/09/1929, mourejou também na fazenda Ariri (nome popular de uma espécie de palmeira que produz fibras utilizadas na fabricação de cordas, pincéis, vassouras etc.). É um dos nove filhos do casal Tertulino da Silva Lima e Maria Rosa de Jesus. Casou-se em 05/06/1952 com Emília Lima Porto e tiveram onze filhos: Juarez, José, Gildásio, Gilmar, Maria Estela, Geodete (in memoriam), Claudenor, Claudeir, Kátia, Luciana e Alexandre.

 

Enquanto Ozório desenvolvia as suas atividades laborais, a esposa se colocava como esteio da casa para a criação dos filhos. Exemplar e leal dona de casa, dava o suporte necessário ao marido, cuidando do lar e da família, preparando os filhos para um futuro promissor.

 

Com objetivos definidos de amealhar recursos para futuros investimentos, aos 15 anos já trabalhava na lavoura, em fazendas da Serra das Éguas, laborando em plantações diversas. Visando a melhores ganhos, foi ser tropeiro, trabalhando com o tio, Sr. Manoel Porto, que possuía uma tropa de 27 animais de carga, com os quais fazia transporte de frete na região.

 

Almejando sempre a uma melhor situação financeira, passou a comprar caprinos, ovinos e suínos que eram revendidos para açougueiros. Comprou também um carro de bois que ele abastecia com rapaduras e vendia-as em diversos lugares. As rapaduras, muito apreciadas pela qualidade, pesavam quatro libras, ou seja, dois quilos. Elas eram vendias também a retalho, ao gosto do freguês.

 

Em 1952, após se casar, mudou-se para Brumado com o fito de dar à família uma melhor qualidade de vida, educar os filhos e abrir comércio próprio, como era a sua intenção. Movido pelo interesse comercial, comprou um ponto situado na feira do Mercado Municipal (antigo), onde vendia variedades comestíveis, atendendo, inclusive, os viajantes que demandavam da RFFSA – Rede Férrea Federal S/A.

 

Com o crescimento do comércio, resolveu comprar um local mais amplo e adquiriu ponto comercial, conforme o seu desejo, por 100 contos de réis e mercadorias pela importância de 30 contos de réis. A empresa foi fundada em 1954 com o nome fantasia de CASA PORTO. Inicialmente, comercializava gêneros alimentícios e produtos diversificados; porém, com o advento dos supermercados, enveredou-se pelo ramo de materiais agrícolas e afins, tornando-se uma referência no setor nas décadas de 1960 a 1990. Para o sucesso comercial, contou com a colaboração dos filhos que envidaram esforços nesse sentido, trabalhando arduamente com dedicação e presteza.

 

Com a mudança da feira livre onde se achava estabelecido para outro local, acompanhando o progresso e visando à expansão do negócio, em 1987, construiu um prédio na Av. Antônio Mourão Guimarães, nas imediações da nova feira livre, constituindo-se a primeira filial da CASA PORTO.

 

Foi revendedor dos produtos da CBC, com registro na 6ª RM para vender munição, sendo exclusivo em Brumado, para essa finalidade. Entretanto vendia, por outras vias, armas de fogo.

 

Em 1972, uma empresa paulista fabricante de charretes e carroças de tração animal procurou-o, levada por informação sobre sua conduta comercial séria e honrada, para ser vendedor de seus produtos, tornando-se o primeiro revendedor da marca PIGARI em toda a região.

 

Diversificando os negócios, adquiriu uma cerâmica em sociedade com os filhos, a qual funcionou por dez anos, de 1994/2004, tendo à frente seu filho Geodete que tomava as iniciativas de compra e venda. Hoje, a empresa está desativada pelas dificuldades encontradas junto ao IBAMA e ao CREA, enfim, as questões ambientais exigidas, inclusive a instalação de filtros, o que tornaria o custo muito alto, inviabilizando a comercialização.

 

Pioneiro, seu Ozório, ciente de que a palma era uma cultura imprescindível ao pecuarista por ser resistente à seca, fez plantação em grande escala para alimentação do seu rebanho vacum nessa época. Trata-se de uma cultura de grande poder econômico e volumoso de muita valia para os animais. Deu à cultura da palma a dedicação de importância que representava para a alimentação do seu gado. Afirmou que sempre preferiu a pecuária à lavoura. A única que cuida em produzir é a da palma.

 

Esteve aqui em Brumado, no Clube Social e Recreativo de Brumado, o Secretário da Agricultura do Governo Waldir Pires para uma palestra sobre o assunto. Falou que na Europa se fazia fenagem durante vários meses para alimentar o gado que ficava confinado por causa do frio implacável. Perguntou, então, aos pecuaristas presentes quantas pessoas plantavam palma suficiente para a alimentação de seus animais no período de seca. Apenas duas se declararam estar preparadas, uma delas foi Ozório Porto. O Secretário alertou os fazendeiros: o pecuarista precisa produzir alimentos e prover água para seus animais na época da seca. Não há de se soltar o animal no pasto a procurar alimento, isso é uma impropriedade. É preciso ter ciência e sensatez e não se embarcar nesse absurdo do comodismo, para se obter um retorno econômico plausível.

 

Por meio do comércio, Ozorio tornou-se um homem bastante conhecido tanto na cidade quanto na zona rural, local da sua origem. Conhece seus fregueses, quer do campo quer da urbe, por nome e sobrenome, uma memória privilegiada. Ninguém nunca deixou de comprar em seu estabelecimento por falta de dinheiro. Ele sempre foi reconhecido por essa generosidade. Fez inúmeros amigos e a todos dispensa amizade e cordialidade, como é do seu feitio.

 

Politicamente ingressou no MDB, como um dos fundadores, a convite e incentivo de amigos. Atualmente é membro do diretório do PMDB. Segundo suas declarações, a política é o único vício que possui, embora seja apreciador do seu cigarro de fumo de rolo picado com canivete e confeccionado por ele mesmo. A sua vontade de votar era tanta que aumentou a idade para esse exercício, tendo em vista que, naquele tempo, só votavam as pessoas com idade a partir dos 18 anos.

 

Foi um dos fundadores da Cooperativa Agropecuária e sócio fundador do Clube Social. Diz-se socialmente não participante – rústico não é homem de sociedade –, pois é uma pessoa não afeita a esse convívio, entretanto incentivou os filhos a frequentarem os ambientes sadios e adequados para eles.

 

Através de informações dadas pelo filho Alexandre Lima Porto, soube que o seu pai é proprietário de mais ou menos 1.300ha de terras nas fazendas João Dias e Tabuleiro, ambas no município de Brumado. Kátia, uma das filhas, afirmou ser o pai proprietário, também, de alguns imóveis na cidade.

 

É um pecuarista e produtor de leite de muita importância pelo trabalho desenvolvido, embora diga que financeiramente não teve o retorno esperado. Os melhores resultados econômicos foram adquiridos no comércio, origem de todo o seu patrimônio, por conta das economias efetuadas, expectativas do desejo alimentado. Os bens granjeados foram o resultado de muito esforço e trabalho árduo, honrado e sério, comportamentos que lhe garantiram a credibilidade no comércio e a confiança de seus clientes.

 

Aposentou-se como comerciante em 1986, com mais de 31 anos de contribuição com 10 SMR, e hoje o benefício da sua aposentadoria está reduzido a importância injusta, uma aberração improcedente do descaso governamental para com os aposentados.

 

Ozório é católico praticante e tem um hobby: na juventude, era tocador de sanfona, habilidade que muita gente desconhece. Gosta de contar piadas com linguajar característico e se diverte com as que ouve, repassando-as com a contumaz argúcia que lhe é peculiar.

 

Certa feita, ao se encontrar com um casal da cidade, conversou amistosamente e ao ser interpelado pela senhora, como estava, ele respondeu:

 

– A velhice é um tormento, pois velho não serve mais para nada.

 

– Por que, Seu Ozório? – indagou a interlocutora.

 

– Velho tem um pinto morto e dois ovos goros.

 

Esta é uma das piadas de seu Ozório, entretanto, há de se afirmar que nessa época ele estava depressivo.

 

A simplicidade e a humildade abriram o caminho da prosperidade, conceitos da personalidade que o caracteriza. Ozório da Silva Porto é um homem sério, honrado, bom pai de família, monogâmico, respeitador e respeitado pelas suas qualidades morais, caráter digno e índole ordeira e pacífica, virtudes da essência dessa figura humana digna que merece a nossa homenagem. 

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BIOGRAFIA: DOUTOR MÁRIO RIZÉRIO LEITE

 BIOGRAFIA: DOUTOR MÁRIO RIZÉRIO LEITE Antônio Novais Torres

Por Antônio Novais Torres

 

 

Mário Rizério Leite, filho de Pompílio Dias Leite (Juiz de Direito) e Dona Deolina Rizério Moura Leite, nasceu em Brumado (Capital do Minério), no dia 08 de novembro de 1912, sob o signo de escorpião, o signo da água e de fortes emoções. Na juventude, eram a intensidade emocional, a paixão, o sexo, a necessidade de desvendar os mistérios do ser humano e da vida e o renascimento pessoal e dos relacionamentos que caracterizavam o futuro médico doutor Mário Rizério Leite. Seu primeiro mestre, em Brumado, foi o professor Galiza que o instruiu nas primeiras letras. Aos cinco anos de idade, Mário já estudava em escola pública. Aos seis anos, foi para o Instituto São Luiz Gonzaga, como interno, na vizinha cidade de Caetité, depois, para Salvador, como interno do Instituto Bahiano de Ensino. Posteriormente, estudou no Colégio Padre Antônio Vieira, de rigorosa disciplina Jesuíta. Ingressou, em 1931, na Faculdade de Medicina da Bahia (a primeira do Brasil, criada pelo médico pernambucano Correia Picanço com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808) e formou-se em 1937.

Por Antônio Novais Torres

 

Mário Rizério Leite, filho de Pompílio Dias Leite (Juiz de Direito) e Dona Deolina Rizério Moura Leite, nasceu em Brumado (Capital do Minério), no dia 08 de novembro de 1912, sob o signo de escorpião, o signo da água e de fortes emoções. Na juventude, eram a intensidade emocional, a paixão, o sexo, a necessidade de desvendar os mistérios do ser humano e da vida e o renascimento pessoal e dos relacionamentos que caracterizavam o futuro médico doutor Mário Rizério Leite.

 

Seu primeiro mestre, em Brumado, foi o professor Galiza que o instruiu nas primeiras letras. Aos cinco anos de idade, Mário já estudava em escola pública. Aos seis anos, foi para o Instituto São Luiz Gonzaga, como interno, na vizinha cidade de Caetité, depois, para Salvador, como interno do Instituto Bahiano de Ensino. Posteriormente, estudou no Colégio Padre Antônio Vieira, de rigorosa disciplina Jesuíta. Ingressou, em 1931, na Faculdade de Medicina da Bahia (a primeira do Brasil, criada pelo médico pernambucano Correia Picanço com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808) e formou-se em 1937.

 

Na Cerimônia de Colação de Grau, houve um imprevisto que decepcionou o formando, os seus familiares, parentes e amigos. O seu nome não constou na lista dos formandos e ele não foi chamado para colar grau, causando tristeza e frustração com a sensação de injustiça. A família, após a colação de grau dos demais formandos, protestou junto à direção da faculdade, pela falha inominável. O diretor, constrangido, prometeu reparar o erro e, no dia seguinte, convocou toda a faculdade: Conselho e Professores que compuseram a mesa e, na noite de 17 de dezembro, Mário Rizério Meira colou grau sozinho sob forte emoção dos presentes – familiares parentes e amigos.

 

No período de acadêmico de medicina, para aliviar as despesas do pai, atuou como repórter no jornal O Imperial. O novel funcionário decepcionou-se com o seu fechamento pela revolução de 1930, quando muitos estudantes foram presos. Dentre eles, estava Mário.

 

Mário era uma pessoa que sabia gozar a vida conforme a sua intuição: boêmio, esportista e, amante da música e da dança de salão, esbaldava-se nos bailes que frequentava. A capoeira era uma das suas predileções. Desde a infância, curtia os instrumentos musicais que o acompanharam por toda a vida. Tocava acordeão, trompa (na banda em Brumado) e saxofone.

 

Cursando Medicina, a conselho do maestro Dante, regente da orquestra de Violinos de Salvador, estudou esse instrumento e, pela desenvoltura e talento, passou a integrar a orquestra. Fazendo desse instrumento o da sua preferência, tocava-o mesmo na senectude.

 

Logo que se formou, clinicou em Brumado e em Santa Bárbara. Buscando desafios maiores, de caráter humanitário, em cumprimento da sua missão idealizada: cuidar dos desamparados e atuar em locais desassistidos sob os postulados humanísticos em que acreditava, deixou a Bahia dois anos após a formatura. Chefiando uma Campanha Sanitarista do Ministério da Educação e Saúde, seguiu rumo a Goiás, determinado a realizar o seu sonho.

 

Nessa aventura, fez uma viagem tumultuada. Sem transporte definido, utilizou-se de caminhão e animais para cumprir o seu trajeto e desiderato, com muitos trechos percorridos a pé, e finalmente chegar à cidade de São Domingos. Aí passou a residir com um conterrâneo e foi acusado de comunista pela população. Sem oportunidade de exercer a medicina, sentiu-se obrigado a juntar-se com um cabo da polícia e foi garimpar ouro no Rio São Domingos, com o fito de pagar a sua acomodação.

 

Por sorte, o destino se encarregou de assegurar-lhe a chance de exercer o seu ofício de médico. Uma filha de um coronel do lugar, em trabalho de parto com a assistência de uma parteira, foi acometida de uma hemorragia uterina. Desesperado, o pai da parturiente mandou chamar o “forasteiro comunista”. “Já que se diz médico, que venha salvar a minha filha”. Despachou um agregado dizendo: “Traga-o a qualquer custo”. Diante do sucesso da intervenção médica, estancando a hemorragia, o coronel, fazendeiro rico, perguntou-lhe quanto era o seu serviço, ao que Mário lhe respondeu: “Apenas o justo”. O fazendeiro deu-lhe 500 mil reis (moeda da época), valor bem superior ao que se cobrava pelo procedimento, e prometeu remunerá-lo a mais quando vendesse gado. Dr. Mário, exultante com a importância recebida, dispensou a complementação e, com alegria, comemorou o acontecimento com uma serenata, tocando saxofone e violino, o policial com sanfona e os acompanhantes entoando canções em desafino completo.

 

Diante do comportamento do médico e atitudes incompatíveis com a moral de cidade pacata, durante o sermão, igreja lotada, o padre excomungou o médico, solicitando a sua expulsão da cidade, pois tratava-se do diabo em pessoa, taxando-o de comunista. Mais uma vez o destino julga a seu favor. O padre é acometido de doença grave – febre, tosse e chiado no peito –. Um irmão do padre, também eclesiástico, procurou Dr. Mário que se rendeu ao apelo e foi ver o enfermo. Ao se anunciar, o doente perguntou: “Quem é?” O médico respondeu: “É o Diabo comunista”. Após a anamnese, o diagnóstico – pneumonia – e foi medicado.

 

 Posteriormente, ao ficar curado, o padre perguntou-lhe: “Quanto lhe devo?” ao que ele respondeu: “A minha alma desexcomungada e trate logo de pagar a dívida, porque, caso ocorra mudança nos planos divinos, é melhor o senhor partir com a consciência limpa”. O Padre, recuperado, na missa seguinte, comunicou aos fiéis que se enganara ao excomungar e julgar o médico de aparência de comunista. Não é o Diabo, e sim um Anjo que veio para nos curar e salvar das doenças.

 

Redimido, em 1939 mudou-se para Arraias (hoje pertencente ao Tocantins) por força de um decreto do então Interventor Federal de Goiás, Dr. Pedro Ludovico Teixeira, que o nomeou Médico Chefe do Posto de Higiene da OSEGO. Em Arraias, clinicou, atendeu pessoas carentes e fez pequenas cirurgias, sentindo-se realizado na profissão. Amante da música, instigou os arraianos a gostarem de música.

 

Em 6 de janeiro de 1942, casou-se com Edith Aires França que tinha 17 anos de idade. Após o casamento, ela passou a assinar Edith Rizério Aires Leite. O casal teve quatro filhos: Mário filho, Selma, João e Ivan. Três deles arraianos e o primogênito baiano, por causa de uma viagem do casal (Edith estava grávida) em companhia dos pais da esposa a Barreiras. A pretensão era eles seguirem para Salvador e a aí instalar moradia.

 

Em Arraias, foi candidato a prefeito, porém não obteve êxito, apesar do prestígio de médico. Ali permaneceu até 1948, quando, pensando na educação dos filhos, mudou-se para Goiânia. Em Goiânia, estabeleceu-se em definitivo e, como profissional da medicina, angariou prestígio. Inicialmente foi Médico Chefe da Campanha contra Helmintíase no Estado de Goiás, subordinado ao Ministério de Educação e Saúde, com sede em Ceres. Depois desempenhou várias atividades, como: Médico Chefe do Posto de Saúde da OSEGO em Campinas; Médico Chefe do Centro de Saúde da OSEGO em Goiânia; Professor Catedrático de Física, desde a fundação da UFG, em 29/04/1939; Diretor do Departamento Físico-Químico-Industrial; Conselheiro do CRM/GO e um de seus fundadores, bem como da Associação Médica de Goiás; além de médico, foi Professor Catedrático Titular e um dos fundadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde lecionou Física durante 23 anos. Aposentou-se em 1983.

 

Esse currículo proporcionou-lhe as seguintes homenagens: Mérito pela relevância de seus serviços como docente – UFG/1991; Título de “Pioneiro da Medicina em Goiás” – CRM/GO/1999; “Honra ao Mérito” por seus nobres ideais – Associação Médica de Goiás/2000.

 

Destacou-se também na literatura com a edição dos seguintes livros: Lendas de Minha Terra, sua primeira obra, publicada em 1951, quando recebeu o prêmio da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, tendo boa aceitação pela crítica; romance Poeira no ar (1955); contos e lendas Xuruê (1970); romance Muçurana (1981); romance O Vaqueiro Ciríaco (2001).

 

Foi reverenciado com o diploma da UBE/GO em 1968, por sua atuação na literatura e pelo acervo de sua obra literária, e com a Medalha “Hugo de Carvalho Ramos”, gênero prosa do Conselho Estadual de Cultura de Goiás, em 1994. Publicou seus contos e crônicas em vários jornais goianos: Folha de Goyaz; Cinco de Março; O Popular; Diário da Manhã e em revistas tais como: Revista “Vera Cruz”/ Goiânia; Revista “Vida Doméstica”/RJ; Revista Alterosa/BH; A Cigarra/RJ; Revista Ugara/Salvador.

 

Elegeu-se para a Academia de Letras, ocupando a cadeira número 39, patroneada por Pedro Gomes de Oliveira, da qual tomou posse em 1984, no dia 8 de novembro. O presidente do sodalício, senhor Ursulino Tavares Leão, que presidiu a sessão de posse, saudou o empossando com panegíricos que inspiraram o artista plástico Noé Luís a pintar a tela “A posse”, em forma de anjo, que simboliza a entrada de Mário na Academia Goiana de Letras (AGL).

 

Narra-se que o número 13 era o da sorte de Mário: seu CRM, 13; a carteira de médico, 13; na loteria, jogava no número 13; o seu leito na UTI foi o de número 13; netos 6 e bisnetos 7 que perfazem 13.

 

Desempenhou a medicina com a peculiar competência e desvelo profissional, amparou os necessitados, acudiu a aflição dos que o cercavam, enfim, fez da medicina e da literatura caminhos para a própria construção. Na inteireza de cada postura, expressou suas opiniões e ideologias.

 

Viveu com a esposa por 69 anos, pautado na probidade, nos preceitos religiosos e na dignidade sedimentada no amor, no altruísmo, no companheirismo, no afeto pelos amigos e no respeito e carinho para com os confrades, numa harmoniosa convivência social. Com esposa, filhos, netos e bisnetos goianos, assumiu as cidadanias baiana e goiana.

 

Mario Rizério faleceu em 15 de maio de 2011, aos 98 anos de idade. Viveu a maior parte da sua existência no Estado de Goiás. No artigo intitulado Despedida de um imortal, Getúlio Targino Lima (autor), em sessão solene e especial de despedida do seu ilustre membro, teceu comentários elogiosos sobre a vida do acadêmico e registrou [...] “Estamos todos aqui, diante do corpo de um construtor de templos: Mário Rizério Leite, que edificou em nossos corações, dos seus familiares, dos seus amigos, dos seus confrades templos de louvor à vida, à amizade, à cultura, à arte e ao bem. Fiquemos todos com Deus”.

 

 O pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária da UniEVANGÉLICA, Francisco Itami Campos, é o mais novo membro da Academia Goiana de Letras (AGL). Ele ocupa, desde o dia 8 deste mês, a cadeira 39, cujo patrono é Pedro Gomes de Oliveira e titular anterior, Mario Rizério Leite. “Ser eleito para a Academia Goiana de Letras tem um sentido de reconhecimento pelo trabalho e pesquisa que um professor tem desenvolvido ao longo de sua vida”, afirma o pró-reitor (Internet).

 

Fica o registro da atuação desse bravo brumadense que honra e orgulha a sua cidade pelo desempenho da sua vida, da sua formação profissional e cultural que executou com honra e denodo. Mário Rizério Leite, um virtuoso brumadense, que merece todas as honras pelo mérito da sua trajetória exitosa.

 

Informações colhidas no Jornal da Câmara de Vereadores (ASCOM/SÉRGIO MAURO);

Academia Goiana de Letras (AGL);

Artigo Despedida de um imortal, autoria de Getúlio Targino Lima;

Portaria da UFG que concede pensão vitalícia a Edith Rizério Aires Leite, pelo falecimento do professor titular, aposentado, falecido em 15/05/2011;

Artigo Um anarquista no céu?! Autoria de Lêda Selma.

DOUTOR MÁRIO RIZÉRIO LEITE

*08/11/1912 (Brumado)

†15/05/2011 (Goiânia)

 

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BRUMADO: AGNELO DOS SANTOS AZEVEDO 105 ANOS

BRUMADO: AGNELO DOS SANTOS AZEVEDO 105 ANOS Agnelo dos Santos Azevedo 105 anos de idade (Foto/Arquivo: Wilker Porto | Brumado Agora)

Agnelo dos Santos Azevedo nasceu em Brumado no dia 14 de Maio de 1908. Filho de Casimiro Pinheiro de Azevedo e Filomena dos Santos Azevedo, Seu Agnelo foi comerciante durante 56 anos na Praça hoje batizada Armindo Azevedo (nome de um de seus 11 irmãos e primeiro prefeito de Brumado no período republicano). No comércio vendia desde seda francesa até chapéus, calçados e tecidos. Mas sua história não começa como o grande e renomado comerciante de nossa cidade. Pobre de origem, como costuma dizer, morou em Santa Bárbara (hoje Ubiraçaba). Passou a criar e comercializar gado e montou um pequeno comércio, que revelaria sua vocação. As mercadorias que vendia chegavam até a estação de Machado Portela (município de Marcionílio Souza) e depois eram transportadas ao seu destino no lombo dos animais das tropas que desbravavam a região.

Agnelo dos Santos Azevedo nasceu em Brumado no dia 14 de Maio de 1908. Filho de Casimiro Pinheiro de Azevedo e Filomena dos Santos Azevedo, Seu Agnelo foi comerciante durante 56 anos na Praça hoje batizada Armindo Azevedo (nome de um de seus 11 irmãos e primeiro prefeito de Brumado no período republicano). No comércio vendia desde seda francesa até chapéus, calçados e tecidos.

 

Mas sua história não começa como o grande e renomado comerciante de nossa cidade. Pobre de origem, como costuma dizer, morou em Santa Bárbara (hoje Ubiraçaba). Passou a criar e comercializar gado e montou um pequeno comércio, que revelaria sua vocação. As mercadorias que vendia chegavam até a estação de Machado Portela (município de Marcionílio Souza) e depois eram transportadas ao seu destino no lombo dos animais das tropas que desbravavam a região.

 

Casou-se com Celcina Azevedo em 11 de abril de 1932. O amor do casal pode ser representado pelas letras do próprio Agnelo em seu livro “Recordar é Viver”:

 

Se alguém me perguntasse o que eu queria ser, se não fosse o que sou, responderia: – Desejaria ser novamente marido da minha esposa. (…) Este livro dedico a você, Celsina, pela nossa união matrimonial, constituindo este patrimônio, que são nossos queridos filhos, genros, noras, netos, bisnetos. Obrigado por tudo que tem feito ao longo das nossas vidas”.


Foi sempre um homem dedicado à família, priorizando a boa educação dos filhos. O próprio Agnelo disse certa vez que desejaria ter mais anos de vida, prolongando assim o convívio com sua estimada esposa, seus 10 filhos, netos, demais parentes e amigos.

 

Ao ler seu livro “Recordar é Viver”, percebemos que a história de Seu Agnelo se confunde com a história da própria cidade. Em seus 103 anos, ajudou a construir, com exemplos de dignidade, uma trajetória familiar como poucas. Por isso tudo foi escolhido como primeira Personalidade de nosso município pelo Brumado Agora.

 

Alguns fatos pesquisados no Livro “Recordar é Viver”:

 

  • Seu Agnelo comprou a primeira bicicleta de Brumado, importada da Alemanha.
  • Na Vila de Bom Jesus dos Meiras (atual cidade de Brumado) existiam apenas 3 ruas compridas: A primeira era junto ao Rio do Antônio, ponto de descanso e pousada dos tropeiros. A segunda era onde hoje localiza-se a Igreja Matriz, onde se fazia as feiras sempre aos sábados. A terceira rua era onde hoje localiza-se a rua Exupério Pinheiro Canguçu.
     
  • Na época dos primeiros comerciantes, o comércio só abria aos sábados. Nos demais dias muitos deles trabalhavam nos garimpos na Serra das Éguas.
  • O primeiro professor da Vila e do Seu Agnelo foi o Sr. Galiza.
     
  • O Telégrafo chegou em 15 de novembro de 1927 e foi inaugurado sob o som da primeira filarmônica da Vila, tendo como músicos: Agnelo, Lindoufo, Gerson, Ariston, Nicanor, Amarílio, Altamirando, Jacundes, Procópio, Lardozinho, José Gangolin, Chico Canudo, etc.


  • O primeiro Clube Social em Brumado foi fundado por Agnelo dos Santos Azevedo, em 1951.

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